mardi 10 novembre 2009

Roberto Menescal : éternellement Bossa Nova.

Roberto Menescal, Theatro Rival (Rio), 22/10 (photo Daniel A.)

(texte français, texto português traduzido do francês, destinado aos leitores aprendizes)


« À force de vouloir chercher à tout prix ce qui se fait de mieux sur la nouvelle scène musicale –jusque dans les recoins les plus alternatifs- je finis par oublier mes classiques. Et donc la genèse de ma passion pour la musique brésilienne. C’est la réflexion qui vint à l’esprit en réécoutant avec bonheur le répertoire essentiel de Roberto Menescal….».
Ainsi avais-je entamé mon texte sur le show de Gilberto Gil, il y a peu, et comme promis, je reviens sur le show « Galeria Menescal » auquel je fus aimablement convié le 22 octobre dernier au Théâtre Rival (RJ).
Soyons lucides, si la Bossa Nova a toujours connu une certaine renommée en Europe, peu nombreux sont ceux qui parviennent à associer quelques noms à la fondation de ce mouvement musical révolutionnaire. Tout au plus, on vous citera João Gilberto, et avec beaucoup d’optimisme, Antônio Carlos Jobim. Les noms de Roberto Menescal, Carlos Lyra, Durval Ferreira ou Oscar Castro Neves, sont pour ainsi dire inconnus, même si tout le monde –ou presque- possède dans un coin de sa tête la mélodie d’O Barquinho (Menescal/ Bôscoli) ou de Maria Ninguém (Carlos Lyra), sans en connaître ni le titre ni ses auteurs. Je ne parle pas ici du Japon, terre dont j’ai arrêté de vouloir comprendre, depuis longtemps, la logique culturelle…
En revisitant son répertoire, le 22 octobre dernier, avec sa complice Wanda Sá et le jeune groupe vocal BeBossa, Roberto Menescal rappela à ceux qui ont la mémoire courte (comme moi, parfois...) qu’il avait été un acteur incontournable de la Bossa Nova. O Barquinho, Vagamente, Você, Telefone, Rio, Ah se eu pudesse, Errinho à tôa, sont autant de joyaux et de pierres que le compositeur apporta à l’édifice du mouvement.

Roberto Menescal fit partie de l’expedition glorieuse qui -dans des conditions héroïques - parvint à conquérir le public new yorkais lors du concert historique du Carnegie Hall, en novembre 1962. Avec lui, sur scène, on comptait des noms aussi prestigieux que Tom Jobim, Carlos Lyra, João Gilberto, Sergio Mendes, Sergio Ricardo, Agostinho dos Santos, Luís Bonfá, Chico Feitosa, et quelques autres. Un concert qui -même s’il ne fut pas d’une qualité exceptionnelle- imposa définitivement la Bossa Nova aux Etats-Unis.
Avant cela, dès 1958, Roberto Menescal avait créé avec Bebeto, Luis Carlos Vinhas, Henrique et João Mario, le Conjunto Menescal, qui accompagna d’autres légendes comme Sylvia Telles, Maysa, Dorival Caymmi ou Vinicius de Moraes.
Mais l’artiste ne se contenta pas de rester définitivement un musicien important qui avait fait l’histoire d’un des mouvements populaires musicaux les plus importants du XXe siècle. Il accompagna, en tant que directeur artistique de la firme Polygram, la carrière des grands noms qui formèrent la MPB traditionnelle. Il travailla ainsi sur les albums d’Elis Regina, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia ou encore Jorge Ben(jor).
Toujours dans les années septante, il s’attela à la composition de nombreuses musiques de films, dont la plus connue reste sans doute celle de "Bye Bye Brasil" de Cacá Diegues, dont il composa la chanson-titre avec Chico Buarque en 1978.
En 1986, il laisse sa charge auprès de Polygram pour se dédier exclusivement à la musique.
Il accompagnera alors Nara Leão (1942-1989) dans ses dernières années, puis se joindra à Leila Pinheiro, Wanda Sá ou encore Cris Delanno dans de nombreux périples aux quatre coins de la planète, et principalement au Japon.
En 1997, il lance sa maison de disque "Albatroz", dont les productions sont essentiellement centrées sur son style de prédilection. Il y signera entre autres, les productions de Danilo Caymmi, Emilio Santiago, Leny Andrade, César Camargo Mariano, Marcos Valle, ou, récemment, la jeune Monique Kessous.
Quand je l’avais interviewé, en 2003, sa vivacité, son sens de l’humour, et son ouverture vers les tendances musicales actuelles, m’avaient particulièrement surpris. Une ouverture d’esprit qui –il faut bien l’avouer- n’était pas toujours partagée par les autres acteurs importants de la Bossa Nova que j’avais eu la chance de rencontrer.


Roberto Menescal et la frange féminine de BeBossa, Théâtre Rival, 22/10 (photo Daniel A.)

Le 22 octobre dernier, entouré de Wanda S
á et du jeune sextette vocal BeBossa (3 filles et 3 garçons) –qui apporte de nouvelles couleurs harmoniques au répertoire-, je me suis donc retrouvé devant ce même éternel jeune homme à l’œil qui frise, et qui nous donna en cadeau, ses bossas éternelles…Benção Bossa Nova…Benção Roberto Menescal…

Wanda Sá e Roberto Menescal,
"coroados" pelo grupo vocal BeBossa (f. divulg.)


« Com a finalidade de tenter encontrar a qualquer preço o que se tem feito de melhor na cena musical –até mesmo nos recantos mais alternativos- eu terminei por esquecer dos meus clássicos. E consequentemente a gênese da minha paixão pela música brasileira. Essa é a reflexão que me veio ao espírito ao reescutar com alegria o repertório essencial de Roberto Menescal…»

Foi assim que introduzi meu texto sobre o show de Gilberto Gil, faz pouco tempo, e como prometido, retorno agora ao show « Galeria Menescal », para o qual eu fui amavelmente convidado no dia 22 de outubro passado, no Teatro Rival (RJ).

Sejamos sinceros: se a Bossa Nova sempre gozou de um certo renome na Europa, poucos foram aqueles que vieram a associar determinados nomes à formação desse movimento musical revolucionário. No máximo, é citado João Gilberto, e, com algum otimismo, Antônio Carlos Jobim.
Os nomes de Roberto Menescal, Carlos Lyra, Durval Ferreira e Oscar Castro Neves são, por assim dizer, desconhecidos, mesmo que todo o mundo –ou quase- guarde num cantinho da memória a melodia d’O Barquinho (Menescal/ Bôscoli) ou de Maria Ninguém (Carlos Lyra), sem ao menos conhecer nem o nome das cançãoes nem o de seus autores. Eu não falo aqui do Japão, terra que desisto de entender, depois de muito tempo, sua lógica cultural...
Ao revisitar seu repertório, nesse mês de outubro citado, junto com sua parceira Wanda Sá e o jovem grupo vocal BeBossa, Roberto Menescal relembra àqueles que têm a memória curta (como eu, por vezes) que ele foi um ator inquestionável da Bossa Nova. O Barquinho, Vagamente, Você, Telefone, Rio, Ah se eu pudesse ou Errinho à tôa são alguns pilares e pedras preciosas que o compositor agregou ao movimento.
Roberto Menescal fez parte da expedição gloriosa que, dentro de condições heróicas, veio a conquistar o público novaiorquino no concerto histórico do Carnegie Hall, em novembro de 1962. Com ele em cena, contavam-se nomes tão prestigiados como os de Tom Jobim, Carlos Lyra, João Gilberto, Sergio Mendes, Sergio Ricardo, Agostinho dos Santos, Luís Bonfá, Chico Feitosa, e alguns outros.
Um show que, mesmo não tendo sido de uma qualidade excepcional, impôs definitivamente a marca da Bossa Nova aos Estados Unidos.
Antes disso, em 1958, Roberto Menescal havia criado, junto com Bebeto, Luis Carlos Vinhas, Henrique e João Mario, o Conjunto Menescal, que acompanhava outras lendas, como Sylvia Telles, Maysa, Dorival Caymmi e Vinicius de Moraes.
Mas o artista não se contentou em permanecer definitivamente como um músico importante que fez parte da história de um dos movimentos musicais populares mais importantes do século XX.
Ele veio a acompanhar, na função de diretor artístico da firma Polygram, a carreira de grandes nomes que viriam a formar a MPB tradicional. Ele trabalhou também nos álbuns de Elis Regina, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia ou ainda Jorge Ben(jor).
Ao longo dos anos setenta, Menescal vem ater-se à composição de inúmeras músicas para trilhas sonoras de filmes, sendo a mais conhecida, sem dúvida, a canção título de Bye Bye Brasil, de Cacá Diegues, em parceria com Chico Buarque, em 1978.
En 1986, ele deixa seu cargo na Polygram para dedicar-se à música. Ele acompanhará então Nara Leão (1942-1989) em seus últimos anos de vida, e em seguida virá juntar-se a Leila Pinheiro, Wanda Sá ou ainda Cris Delanno, em incontáveis périplos pelos quatro cantos do mundo - principalmente ao Japão.
En 1997, ele lança sua gravadora « Albatroz », cujas produções são essencialmente centradas no estilo de sua predileção.
Ele virá a batizar, entre outras, as produções de Danilo Caymmi, Emilio Santiago, Leny Andrade, César Camargo Mariano, Marcos Valle, e, recentemente, a jovem Monique Kessous.
Quando eu o entrevistei, em 2003, sua vivacidade, seu senso de humor, e sua abertura com relação às tendências musicais atuais me deixaram particularmente surpreso. Uma abertura de espírito que –é bom que se reconheça- nunca foi muito compartilhada pelos outros personagens da Bossa Nova que eu tive a oportunidade de conhecer pessoalmente.
Nesse dia 22 de outubro último, cercado por Wanda Sá e do jovem sexteto vocal BeBossa (3 moças e 3 rapazes) –que traz novas cores harmônicas-, eu me vi então de volta no tempo, diante daquele mesmo eternamente jovem artista cujos olhos brilham, e que nos presenteia com suas igualemnte eternas bossas... A sua benção, Bossa Nova…
A sua benção, Roberto Menescal

samedi 7 novembre 2009




Seconde partie de Tropicalia 33, diffusée sur Radio Judaica, le 02/11/2009
Segunda parte de Tropicalia 33, divulgada nas ondas de Radio Judaica, ao vivo, dia 02/11/2009

-MARIA GADÚ (c/Leandro Leo) : « Laranja » (Maria Gadú)
-NEY MATOGROSSO : « Mulher sem razão » (Dé/ Bebel Gilberto)
-GILBERTO GIL : « Eu vim da Bahia » (Gilberto Gil)
-NICOLAS KASSIK : « Coisa feita » (João Bosco/ Aldir Blanc/ P.Emílio)
-FRED MARTINS : « Agora é com você » (Fred Martins)
-THAÍS MOTTA : « Minha estação » (Fred Martins/ Marcelo Diniz)
-MARCOS SACRAMENTO : « Na Cabeça » (Luiz F. Alcofra/ Marcos Sacramento)
-MARIA BETHANIA : « Feita na Bahia » (Roque Ferreira)
-NINA BECKER : « Superluxo » (Nina Becker/ Nervoso)
-ZÉLIA DUNCAN (c/ Fernanda Takai) : « Boas razões » (Alex Beaupin/ Zélia Duncan)
-ANTONIO ZAMBUJO : «Foi Deus » (Alberto Janes)
-CAETANO VELOSO : « Un Vestido y un amor » (Fito Paes)
-RENATO GODÁ : « Bom partido » (Renato Godá)
-PARALAMAS DO SUCESSO : « Aposte em mim » (H.Vianna/ Bi Ribeiro/ J.Barone)
-SKANK : « Escravo » (Samuel Rosa/ Chico Amaral)
-NANDO REIS : « Mosaico abstrato » (Nando Reis)
-NEY MATOGROSSO : « Medo de amar » (Vinicius de Moraes)
-FERNANDA CUNHA : « O Primeiro jornal » (Suely Costa)

vendredi 6 novembre 2009

Herbert Vianna, vu de près, sur scène et sur écran.

Herbert Vianna, Vivo Rio, 17/10 (photo Daniel A.)

Herbert Vianna, de perto, no palco e na tela.

(texte français, texto português traduzido do francês, destinado aos leitores aprendizes)

Il reste encore pas mal d’événements musicaux vécus lors de mon dernier voyage que je n’ai pas eu l’occasion de développer. Parmi ceux-ci, il y eut mon week end spécial « Paralamas do Sucesso » du samedi 17 et dimanche 18 octobre. D’abord avec le concert du trio au Vivo Rio ; ensuite, le lendemain, avec la projection du film « Herbert de perto », documentaire dirigé par Roberto Berliner et Pedro Bronz, centré sur le chanteur et compositeur du groupe, Herbert Vianna.

Ainda restam razoáveis acontecimentos musicais experimentados desde essa minha última viagem que eu não tive ainda a oportunidade de desenvolver. Dentre eles, houve o meu fim de semana especial « Paralamas do Sucesso », do sábado 17 e do domingo 18 de outubro. Para começar, com o concerto no espaço Vivo Rio ; em seguida, no dia seguinte, com a projeção do filme « Herbert de perto », um documentário dirigido por Roberto Berliner e Pedro Bronz, centrado sobre o cantor e compositor da banda - Herbert Vianna.

Comme mon premier contact avec le Brésil ne date que de 1989, ce n’est que relativement tard que je me suis intéressé au mouvement rock brésilien des années 80. Et je n’y voyais, au début, que des ersatz de groupes que j’avais déjà trop entendus en Europe. Comme tout bon « gringo », mes premières approches de la MPB passèrent d’abord par la Bossa Nova, la Bossa Jazz, la Samba, et les différentes musiques du Nordeste. Mais ayant travaillé une dizaine d’années dans les milieux rock, pop, soul –UK et US-, mon inclinaison naturel vers ces musiques devait tôt ou tard m’amener à m’intéresser de plus près à ce que les brésiliens réalisaient dans ce domaine. À l’exception des albums de Rita Lee, le premier cd de rock brésilien que j’eus entre les mains fut « Severino » (1994) de Paralamas de Sucesso, qui était déjà le septième album de leur discographie. Mais sans le savoir, je connaissais de nombreuses compositions qu’Herbert Vianna avait données à de nombreux artistes aussi différents que Fernanda Abreu, Daniela Mercury ou Zizi Possi. Si les deux figures emblématiques du rock brésilien qui ont survolé les années 80 se nomment Cazuza et Renato Russo (principalement en tant que paroliers « porte-drapeau » de la jeunesse post-dictature), il ne faut pas pour autant mésestimer l’importance d’Herbert Vianna, qui reste sans doute un des compositeurs pop les plus brillants et les plus créatifs de cette génération.

Como meu primeiro contato com o Brasil não data de antes de 1989, não é de estranhar que eu tenha me interessado relativamente tarde pelo rock brasileiro dos anos 80. Eu não percebia, no início, nada de muito diferente dos grupos que eu já escutava na Europa.
Como todo bom « gringo », minhas primeiras abordagens sobre a MPB foram a Bossa Nova, a Bossa Jazz, o Samba, e as diferentes músicas do Nordeste. Mas tendo trabalhado uns dez anos com o melhor do rock, pop, soul –americano e inglês- , minha inclinação natural por essas músicas iriam cedo ou tarde me levar a me interessar cada vez mais pelo que os brasileiros realizavam nesse campo. Com exceção dos álbuns de Rita Lee, o primeiro cd de rock brasileiro que eu tive em mãos foi « Severino » (1994), do Paralamas do Sucesso, que já era então o sétimo álbum da discografia do grupo. Mas sem o saber, eu conhecia as numerosas composições que Herbert Vianna tinha feito para inúmeros artistas diferentes entre si, como Fernanda Abreu, Daniela Mercury e Zizi Possi. Mesmo sendo Cazuza e Renato Russo as duas figuras emblemáticas do rock brasileiro que sobrevoaram aos anos 80 (principalmente sendo letristas « bandeira » da juventude pós-ditadura), não é o caso de subestimar a importância de Herbert Vianna, que continua sendo, sem dúvida, um dos compositores pop mais brilhantes e criativos dessa geração.
Herbert, Bi Ribeiro et Joao Barone: Paralamas dans les années 80 (photo divulg.)

Le groupe Paralamas do Sucesso naquit à Brasilia de la rencontre d’Herbert et du bassiste Bi Ribeiro, auxquels se joignit -une fois installer à Rio- le batteur João Barone. Nous sommes alors en 1981 et la musique du trio se rapproche du groupe anglais The Police, mêlant ska et rock/punk juvénile. Mais les qualités de compositeur d’Herbert et sa facilité à assimiler d’autres rythmes latins allait distinguer Paralamas de la multitude de groupes qui naquirent durant cette période.
Le premier album « Cinema mudo » de 1983 (avec la participation de Lulu Santos et Léo Gandelman) atteignit le chiffre des 35.000 copies. Mais « O Passo do Lui » de 1984 (100.000 exemplaires), et la participation historique du groupe au premier festival « Rock in Rio » en 1985, projeta définitivement Paralamas sur la scène nationale et bien au-delà.
En effet, à partir de l’album « Selvagem » (750.000 exemplaire en 1986), Paralamas se forgera un beau succès dans toute l’Amérique latine, et plus particulièrement en Argentine.
Déjà à partir de « Bora Bora » (1988), l’inclusion de cuivres et de claviers ne permette plus d’étiqueter le trio comme une formation rock, tant les influences apparaissent diverses. Et c’est avec cette pop métissée que le trio traversera les années 90, avec un succès mitigé au départ –avec les albums « Os Grãos » (1991) et « Severino » (1994)- et un retour en grâce ensuite, avec l’album « Vamo batê lata » (1995) qui atteindra le million d’exemplaires vendus. Le groupe continua sa belle vitesse de croisière avant que le destin ne le frappe durement, en la date fatidique du 4 février 2001.
Ce jour-là, lors d’une ballade en ULM –la grande passion d’Herbert- l’engin rencontra des difficultés le long des côtes d’Angra dos Reis (RJ) et s’écrasa près de la jetée. L’épouse de l’artiste -la journaliste anglaise Lucy Needham- y laissa la vie, et Herbert s’en sortit vivant par miracle, mais non sans séquelles: il perdra à jamais la fonction motrice de ses jambes. Une tragédie qui choqua toute la scène musicale brésilienne.

Aux prix d’efforts surhumains –tant physiques que mentales- et de longs mois de revalidation, et grâce à l’amitié de ses complices du groupe, sa famille, et surtout l’amour pour ses deux petites filles, Herbert pu reprendre la guitare, la composition, les chemins des studios, et enfin la scène.


O grupo Paralamas do Sucesso nasceu em Brasília, do encontro de Herbert e do baixista Bi Ribeiro, aos quais se juntaria –uma vez instalado no Rio- o baterista João Barone. Nós estamos então em 1981, e a música do trio se aproxima do grupo inglês The Police, mesclando ska e rock/punk juvenil. Mas as qualidades de compositor de Herbert e sua facilidade de assimilar outros ritmos latinos iriam distinguir o Paralamas da multidão de grupos que despertaram nesse período.
O primeiro álbum, « Cinema mudo », de 1983 (com a participação de Lulu Santos e Léo Gandelman) atingiu a cifra de 35.000 copies. Mas « O Passo do Lui », de 1984 (100.000 exemplaires), e a participação histórica do grupo no primeiro festival « Rock in Rio », em 1985, vai projetar definitivamente o Paralamas na cena nacional e bem mais além. De fato, a partir do álbum « Selvagem » (750.000 exemplares em 1986), Paralamas se forja um sucesso em toda a América Latina, e mais particularmente na Argentina.
Já a partir de « Bora Bora » (1988), a inclusão de metais e de teclados não permitia mais classificar o trio como uma formação rock, tantas as influências diversas que se agregavam. E é com esse pop miscigenado que o trio atravessará os anos 90, com um sucesso já não tão grande na saída –com os álbuns « Os Grãos » (1991) e « Severino » (1994)- e depois um bom retorno em seguida, graças ao álbum « Vamo batê lata » (1995), que chegará a um milhão de exemplares vendidos. O grupo continua sua carreira de vento em popa, até que o destino o abalou duramente, na data fatídica de 4 de fevereiro de 2001.
Naquele dia, numa manobra de ultra-leve, –a grande paixão de Herbert- o artefato encontrou dificuldades ao longo da costa de Angra dos Reis (RJ), e bateu perto das praias. A esposa do artista -a jornalista inglesa Lucy Needham- perdeu a vida, e Herbert escapou por milagre, mas não sem sequelas : ele perdeu para sempre a função motriz de suas pernas. Uma tragédia que chocou toda a cena musical brasileira.
À custa de esforços sobrehumanos –tanto físicos quanto mentais – e de longos meses de tratamentos, e graças à amizade de seus companheiros de grupo, de sua família, e sobretudo ao amor por seus duas filhas pequenas, Herbert foi capaz de retomar a guitarra, a composição, o caminho para os estúdios, e, enfim, o palco.

L'affiche d' "Herbert de perto" sur les écrans brésiliens depuis le 9 octobre.

C’est tout ce processus qui est au cœur du documentaire « Herbert de perto » (Herbert, de près) qui -s’il survole un peu rapidement la carrière purement musicale de l’artiste- se penche davantage sur l’homme, sa lutte, et l’approche de sa vie nouvelle.
Le film montre la première apparition d’Herbert après l’accident, aux côtés du musicien argentin Fito Paes, et la reprise des répétitions avec le groupe.
En 2002, sort « Longo caminho », un album de rock brut dont les titres avaient déjà été conçus avant le drame. Il atteindra la marque de 300.000 exemplaires vendus, un joli score en pleine crise du disque.
En 2004, le dvd « Uns dias ao vivo » montre dans un état d’esprit fortement émotionnel, un Herbert Vianna plus rageur que jamais.
L’année suivante, « Hoje », plus consensuel, est le vrai premier album d’inédits d’après l’accident, tandis que « Brasil afora », sortit cette année, renoue avec la mixité des styles du début du groupe.
Herbert Vianna ne bouge plus sur scène, mais la charge émotive de sa voix et la force de son regard a rapidement fait lever le public assis aux tables en front de scène, ce samedi 17 octobre. Comme l’artiste le dit dans le film : « Je me rends compte qu’avant l’accident, je laissais le public me regarder…Il aura fallu cela pour qu’enfin, je le regarde pour la première fois… »

Herbert de perto, no palco do Vivo Rio, 17/10 (foto Daniel A.)

É todo esse processo que compõe o âmago do documentário « Herbert de perto », que –se por um lado sobrevoa um tanto rapidamente a carreira puramente musical do artista- inclina-se fortemente sobre o homem, sua luta, e sua chegada a uma nova vida.
O filme mostra a primeira aparição de Herbert depois do acidente, ao lado do músico argentino Fito Paes, e a volta de suas apresentações junto com seu grupo de origem.
Em 2002, é lançado « Longo caminho », um álbum de rock mais crú, no qual os títulos já haviam sido concebidos antes do drama. Ele atinge a marca de 300.000 exemplares vendidos, uma boa marca em plena crise do disco.
Em 2004, o dvd « Uns dias ao vivo » mostra dentro de um espírito fortemente emotivo, um Herbert Vianna mais forte do que nunca.
No ano seguinte, « Hoje » é na verdade o primeiro álbum de inéditos depois do acidente, uma vez que « Brasil afora », lançado este ano, renova-se através da combinação de estilos do início do grupo. Herbert Vianna não se movimenta mais em cena, mas a carga emocional de sua voz e a força de seu olhar fizeram o público levantar-se das mesas frente ao palco, nesse sábado 17 de outubro. Como o próprio artista diz no filme : « Eu me dou conta de que antes do acidente, eu deixava o público me ver... E agora acontece que, finalmente, eu o enxergo pela primeira vez... »



lundi 2 novembre 2009




Intro : Musique variée/ Música variada (10 minutos/ 10 minutes)

-ZÉ PAULO BECKER : « Bem vindo » (Zé Paulo Becker)
-SEU JORGE : « Pessoal particular » (Seu Jorge/ Peu Meurray/Magari/Leonardo Reis)
-ALINE CALIXTO : « Faz o seguinte » (Renegado)
-CHICO SARAIVA & VERÔNICA FERRIANI : « Cabotina coco » (Chico Saraiva/ Mauro Aguiar)
-CHICO SARAIVA : « Gabriela » (Tom Jobim)
-CÉU : « Cangote » (Céu)
-RODRIGO CAMPOS : « Califórnia azul » (Rodrigo Campos)
-MARIANA AYDAR : « Beleza » (Luisa Maita/ Rodrigo Campos)
-EDU KRIEGER : « Correnteza » (Edu Krieger)
-BEBEL GILBERTO (c/Daniel Jobim) : « Bim bom » (João Gilberto)
-ADRIANA PARTIMPIM/ DAVI MORAES : « Na massa » (Davi Moraes/ Arnaldo Antunes)
-ARNALDO ANTUNES : « Iê Iê Iê » (Antunes/ Brown/ Marisa Monte)
-NANDO REIS & PAULINHO MOSKA : « O Segundo sol » (Nando Reis)
-RODRIGO BITTENCOURT : « Ipanema Inn » (R. Bittencourt)

Première partie de Tropicalia 33, diffusé sur Radio Judaica, le 02/11/2009
Primeira parte de Tropicalia 33, divulgado nas ondas de Radio Judaica, ao vivo, dia 02/11/2009

Bientôt la deuxième partie/ Logo, logo, a segunda parte....

Tropicália 33 : reprise ce soir…

Chico Saraiva, en tournée en Europe et dans Tropicalia 33.

(texte français, texto português)

À l’heure où ces lignes s’écrivent, je constitue encore la liste des titres qui passeront ce soir, pour la reprise de Tropicália sur Radio Judaica, qui passe tous les lundis à 20h15 (17h15 au Brésil) sur 90,2 FM et sur le site de Radio Judaica.
Ceux qui n’auront pas le loisir de l’entendre en direct pourront l’écouter en podcast, comme j’ai pu l’annoncer dans le post précédent.
En évidence ce soir, quelques titres de l’excellent guitariste et compositeur Chico Saraiva, qui m’avait concédé une interview juste avant d’embarquer pour l’Europe pour une mini tournée avec un autre excellent guitariste, Daniel Murray, qui passe actuellement par la France, l’Angleterre et le Portugal.
Plus d’informations sur l'artiste dans l’émission de ce soir mais voici déjà les lieux et dates:

No momento em que essas linhas são escritas, eu ainda elaboro a lista dos títulos que tocarão essa noite, no retorno de Tropicália, programa sob as ondas da Rádio Judaica, que passa todas as segundas às 20:15h e (às 17:15H no Brasil) pela 90,2 FM e pelo site da própria Rádio.
Para aqueles que não tiverem a oportunidade de escutar o programa diretamente, on line, poderão fazê-lo mais tarde via podcast, como eu já havia anunciado aqui no blog, no post anterior.

Em evidência nessa tarde/noite, algumas músicas do excelente violonista ecompositor Chico Saraiva, que me concedeu uma entrevista precisamente antes de embarcar para a Europa , para uma mini tournée com o outro exelente violonista, Daniel Murray, que passa atualmente pela França, pela Inglaterra e por Portugal.
Mais informações sobre esse artista, ainda hoje mesmo no programa; mas adianto abaixo para vocês os locais e as datas das apresentações:

Londres: National Theatre of London, Djanogly concert.
06/11, free acces, at 17h45, guest: Luca Luciano (clarinet)

Paris: Paris-França (Association brésilienne de concerts), Théâtre Le Passage vers les étoiles 17. Le 09/11.

Portimão (Portugal): Tempo Teatro Municipal de Portimão.
20/11, 23h (entrada gratuita), part. especial: Suzanna Travessos (voz)

En vidéo: montage des tournées "Trégua" (2005) et "Saraivada" (2007)

jeudi 29 octobre 2009

29/10 : Rencontres et départ…(Encontros e despedidas)

Fred Martins au Théâtre Nelson Rodrigues, 29/10
(Photo Daniel A.)


(texte français, texto português)

Beaucoup de choses furent écrites depuis mon arrivée le 29 septembre…Et beaucoup d’autres restent encore à commenter. Ce sera chose faite lors des prochains jours et prochaines semaines sur ce blog, et dans l’émission Tropicália, que j’ai l’honneur et l’avantage de présenter sur Radio Judaica tous les lundi soir de 20h15 à 22h45 (actuellement 17h15 à 19h45, au Brésil). Les plus fidèles d’entre vous savent déjà que cette émission se mue en podcast que vous pouvez écouter ici…
Pour rappel, voici les shows auxquels j’ai pu assister, dans le désordre…
(en rouge, les concerts encore à commenter…)

Muitas coisas foram escritas desde a minha chegada em 29 de setembro... E muitas outras ainda ficaram por postar. Isso será feito ao longo dos próximos dias e semanas através do blog e das transmissões do Tropicália, que eu tenho a honra e o privilégio de apresentar pela Rádio Judaica, todas as segundas à noite (no Brasil, das 17h15 às 19h45). Os mais fiéis de vocês já sabem que essa transmissão vai em seguida para o podcast, que vocês podem ouvir aqui mesmo, no blog...
Para relembrar, confiram abaixo os shows que eu pude assistir, numa certa desordem....
(em vermelho, os shows ainda por comentar...)

-Caetano Veloso (voix/ guitare)
-Gilberto Gil (show « Concerto de cordas »)
-Maria Gadú (show «Maria Gadú»)
-Paralamas do Sucesso (« Brasil afora »)
-Skank et Paula Toller (« Estandarte »)
-Nando Reis (« Drês »)
-Ataulfo Alves (« hommage à »…avec Verônica Ferriani, Moises Santana, Maria Alcina, Zézé Motta, Alaide Costa, André Memhari…)
-Nina Becker (« Pode apostar »)
-Roberto Menescal, Wanda Sá e Bebossa.
-Arnaldo Antunes (« Iê Iê Iê »)
-Marcos Sacramento (« Na cabeça »)
-Frejat (projet « solo » MPB FM)
-Mariana Aydar (« Peixes Passaros Pessoas »)
-Zélia Duncan (« Pelo sabor do gesto »)
-Edu Krieger (« Correnteza »)
-Fred Martins (« Guanabara »)…Photo ci-dessus, dernier show du voyage.

Quant aux interviews, si elles furent moins nombreuses qu’à l’accoutumée, elles n’en furent pas moins intéressantes et riche, humainement…Enfin, pour la plupart…

Quanto às entrevistas, se elas aconteceram em menor número do que de costume, nem por isso foram menos interessantes e ricas, em termos humanos... Enfim, em sua maior parte...

Ana Costa, Adriana Maciel, Zélia Duncan, Thaís Motta, Aline Calixto, Ternanda Takai, John Ulhoa, Rodrigo Bittencourt, Chico Saraiva, Rodrigo Campos, Tiê, Renato Godá, Cris Aflalo, Verônica Ferriani, Fernanda Cunha, et par Skype, bientôt Suely Mesquita, qui a du annuler ce jour même en dernière minute.

Le temps de décoller et de me pauser et je vous retrouve bientôt ici…Merci de votre visite et de votre fidélité !! Valeu !!

É só o tempo de decolar daqui do Rio e de atrrisar lá em Bruxelas, e eu volto logo a encontrá-los aqui... Obrigado por sua visita e fidelidade !! Valeu !!

mardi 27 octobre 2009

27/10 : le son néo-pop de Nina Becker.

Nina Becker au CCBB, 27/10 (photo Daniel A.)

(texte français, texto português traduzido do francês)

Pour attraper jusqu’aux dernières notes de musiques de ce voyage, j’ai sacrifié mon déjeuner pour me rendre à la session de 12h30 (une autre était programmée à 18h30) du projet « Pode apostar » (littéralement « Vous pouvez pariez ») qui, comme son titre l’indique, prétend montrer les nouvelles valeurs sûres musicales brésiliennes, et principalement celles de Rio.
« Pode apostar »
se déroule tous les mardis au Théâtre II du Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) depuis maintenant deux semaines. S’y sont déjà présentés, Silvia Machete, Fino Coletivo, Rodrigo Maranhão…Et se présenteront encore, Mariana Aydar et Marina De La Riva.
Nina Becker est très représentative de cette nouvelle vague carioca qui depuis quelques années conjuguent diverses influences : une sonorité sixties, des rythmes latins chaloupés, un héritage « zen » et psychadélique hippie, un soupçon de pop eighties, et le souffle d’un certain esprit français « nouvelle vague » des années soixante qui se réfère à Brigitte Bardot, Jane Birkin et Serge Gainsbourg. Une mixture qui -uniquement par sa diversité d’influences-
pourrait presque être un nouveau Tropicalisme, toutes proportions gardées ! Nina, elle-même ,n’a jamais caché son admiration pour Rita Lee à qui elle avait rendu hommage l’année dernière, en reprenant sur scène l’entièreté de « Build Up » (1970), premier album solo de Rita - la pionnière du rock brésilien, et une des figures centrale du Tropicalisme.


Plusieurs musiciens se retrouvent au centre de cette nouvelle sonorité dont les prémices sont à trouver dans la musique de Los Hermanos et dans celle des intégrants du groupe +2 : Moreno Veloso, Kassin et Domenico Lancellotti. Ces musiciens sont, entre autres, les intégrants du groupe Orchestra Imperial, dont Nina Becker est l’une des vocalistes officielles.
Fino Coletivo, Silvia Machete, Thelma de Freitas, Marina De La Riva, font partie -de près ou de loin- du même cercle.
Avant même de lancer son premier album, Nina Becker fut déjà pointée de nombreuse fois comme l’une des artistes les plus prometteuses de cette vague légère, pétillante et pas prétentieuse.
Et ce mardi midi, alors que je me rendais au show sans grand enthousiasme, je fus surpris par sa présence scénique, l’assurance de sa voix et la qualité -à la première audition, du moins- des compositions séduisantes et colorées qu’elle entend inclure dans son premier album à venir.… Je l’attends avec une certaine impatience…

Nina Becker, abertura do show do dia 27/10, CCBB (foto Daniel A.)

Para captar as últimas notas musicais dessa viagem, eu sacrifiquei meu almoço de hoje para comparecer à sessão de 12h30 (uma outra estava programada para as 18h30) do projeto « Pode apostar ! » que, como seu título indica, pretende mostrar os novos valores musicais brasileiros de respeito, principalmente os oriundos do Rio.
« Pode apostar ! » desenrola-se todas as terças-feiras no Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), completando agora duas semanas. Nele já se apresentaram Silvia Machete, Fino Coletivo, Rodrigo Maranhão… E virão a se apresentar ainda : Mariana Aydar e Marina De La Riva.
Nina Becker é muito representativa dessa nova onda carioca, formada por artistas que, desde alguns anos, conjugam influências diversas : uma sonoridade sixties (principalmente as guitaras), ritmos latinos dançantes, uma herança « zen » e psicodélica meio hippie, uma pitada de pop anos oitenta, e o sopro de um certo espírito francês « nouvelle vague » da década de sessenta, mais calcado em referências como Brigitte Bardot, Jane Birkin e Serge Gainsbourg. Uma mistura que, simplesmente por sua diversidade de influências, poderia ser quase um novo Tropicalismo, guardadas as devidas proporções ! A própria Nina nunca escondeu sua admiração por Rita Lee, a quem ela homenageou no ano passado ao levar novamente à cena, na íntegra, o conteúdo de « Build Up » (1970), o primeiro álbum solo da pioneira do rock brasileiro- e uma das figuras centrais do Tropicalismo.
Vários instrumentistas encontram-se no centro dessa nova sonoridade, da qual as premissas são aquelas identificadas nas músicas de Los Hermanos e daquelas dos integrantes do grupo +2 : Moreno Veloso, Kassin e Domenico Lancellotti. Esses musicistas são, dentre outros, os integrantes do grupo Orquestra Imperial, do qual Nina Becker é uma das vocalistas oficiais.
Fino Coletivo, Silvia Machete, Thalma de Freitas e Marina De La Riva fazem parte –mais de perto ou mais de longe- do mesmo círculo.
Antes mesmo de lançar seu primeiro álbum, Nina Becker já foi apontada inúmeras vezes como como uma das artistas mais promissoras dessa onda suave, borbulhante, e nada pretenciosa.
E nessa terça no meio do dia, tendo ido ao show sem grande entusiasmo, acabei surpreendido pela presença cênica de Nina, pela segurança de sua voz, e pela qualidade (na primeira audição, ao menos) das composições sedutoras e coloridas que a cantora prentende incluir em seu primeiro álbum à vista... Eu já o aguardo com uma certa impaciência...

lundi 26 octobre 2009

Dernier week end à São Paulo : Rodrigo Campos, Tiê, Chico Saraiva et Nando Reis.

Rodrigo Campos: entre modernité et tradition (photo Daniel A.)

(Texte français, texto português traduzido do francês)

Est-ce qu’insidieusement, São Paulo et sa vie culturelle intense ne tenterait-elle pas de m’éloigner des plages cariocas sur lesquelles je ne m’allonge jamais ? Toujours est-il que ce dernier week-end passé dans les entrailles de la capitale pauliste se montra généreux en rencontres intéressantes.
Samedi 24 octobre, d’abord, avec la chanteuse « minimaliste » Tiê, dans le quartier de Perdizes ; dimanche 25, ensuite, avec Rodrigo Campos, dont je cherchais désespérément l’excellent album « São Mateus nao é um lugar assim tão longe », dans tout ce qui s’apparente à un magasin de disque. Dans un tel cas d’urgence, la meilleure option reste sans doute de se fournir chez l’artiste même, pour recevoir le Sacré Graal et, tant qu’à faire, de passer une fin d’après-midi très sympa en sa compagnie (dans le quartier de Pinheiros) à comprendre le ‘pourquoi’ de ce titre très cinématographique (« São Mateus est un endroit pas si éloigné que cela »).
Le matin de ce même dimanche 25, c’est un autre brillant compositeur et guitariste, Chico Saraiva, qui trouva le temps de me rencontrer quelques heures avant d’embarquer pour l’Europe pour une tournée qui passera par Paris, Londres et Portimão (Portugal). Et au risque de me répéter, toutes ces interviews trouveront échos sur ce blog, et principalement dans le programme Tropicália qui reprend du service le 2 novembre prochain….C’est pour bientôt !

Será que, insidiosamente, São Paulo e sua vida cultural intensa não deixarão de me seduzir a ponto de me afastar das praias cariocas, nas quais eu acabo raramente me refastelando ?
Fato é que esse último fim de semana passado nas entranhas da capital paulista mostrou-se generoso em encontros interessantes.
No sábado, 24 de outubro, para começar, com a cantora « minimalista » Tiê, no bairro de Perdizes ; em seguida, no domingo 25, com Rodrigo Campos, cujo excelente álbum eu procurei desesperadamente : « São Mateus não é um lugar assim tão longe » - em qualquer porta que pudesse parecer uma loja de discos. Num caso assim de urgência, a melhor opção que resta é sem dúvida abastecer-se diretamente a partir do próprio artista, num ato semelhante a receber em mãos o Santo Graal ; e, uma vez isso conseguido, passar um final de tarde simpático em sua companhia, no bairro de Pinheiros, compreendendo o porquê desse título tão « cinematográfico » que é.
Na manhã desse mesmo domingo, 25, é um outro brilhante compositor e guitarrista, Chico Saraiva, quem encontrou tempo para estar comigo por algumas horas antes de embarcar para a Europa, numa turnê que passará por Paris, Londres e Portimão (Portugal). E mesmo sob o risco de me repetir aqui e ali, todas essas entrevistas terão eco nesse blog, e principalmente dentro do programa Tropicália, que volta ao trabalho em 2 de novembro próximo... E sim, é isso mesmo : muito em breve !



Nando Reis au HBSC, Sao Paulo, 24/10 (photo Daniel A.)

Samedi soir, dans le but avoué de contracter ladite fièvre, et avec une vraie volonté de m’éclater la tête à coup de décibels, je trouvais mon compte en assistant au concert brûlant de Nando Reis et Os Infernais, qui revenaient jouer « à la maison », dans la salle survoltée du HSBC. Je connaissais la densité des concerts de Nando, mais la question restait de savoir si cette salle qui m’était inconnue n’allait pas compacter la sonorité, et nous la rendre dans une sorte de bouillie indigeste... Une crainte heureusement très vite balayée dès les premiers accords de Mosaico abstrato, une des meilleures plages du dernier album « Drês ».
Si la musique de l’ex-Titãs alterne sur ses albums, ballades à caractère intime, et morceaux plus enlevés, l’option rock domine résolument la prestation scénique, avec une efficacité redoutable. Pas le temps de souffler entre les riffs du guitariste Carlos Pontual et le martèlement sans concession de la batterie de Diogo Gameiro…Et Nando Reis de se livrer viscéralement jusqu’aux limites de la rupture vocale. Comme j’avais pu l’écrire pour la chronique de « Drês », le rouquin barbu chante mieux que jamais.

Comme prévu, le groupe présenta la plupart des titres du dernier cd ; les hits des sept albums solos précédents ; quelques souvenirs attendus de l’époque « titanesque » (O Mundo é bão Sebastião, Os Cegos do castelos, Não vou me adaptar d’Arnaldo Antunes) ; et les chansons qui gagnèrent la postérité aux travers des interprétations de Cássia Eller (All star, Relicário, O Segundo sol).
Pour le rappel, Nando modifia le répertoire du début de sa tournée en s’amusant à reprendre Venus des Schokin blue, The Pledge of love de The Joe Jeffrey group, Whisky à gogo de Roupa Nova, avant de terminer comme il se devait sur Marvin, méga succès de l’époque Titãs. Et comme après tout bon concert de genre, je restais à moitié sourd pour les 24 heures qui suivirent…
Plus bas, les vidéos de "Hi Dri" et de "Relicário," avec Cássia Eller.

Nando Reis...realinhando as orbitas dos planetas (!) (foto Daniel A.)

Domingo à noite, à beira de contrair uma febre, e com uma forte vontade de rachar minha cabeça a golpes de decibéis, eu fechei minha fatura assistindo ao show ardente de Nando Reis e Os Infernais, que voltaram a tocar « em casa », na sala supereletrizante do HSBC.
Eu conhecia a densidade dos shows de Nando, mas a questão recaía em saber se essa sala, que me era desconhecida, não teria compactado a sonoridade, a ponto de nos jogar num tipo de bolha sonora indigesta... Uma preocupação rapidamente descartada aos primeiros acordes de Mosaico abstato, uma das melhores faixas do último álbum, « Drês ».
Se a música do ex-Titã alterna, ao longo de seus álbuns, baladas de caráter íntimo com peças mais arrebatadas, a opção rock domina intrepidamente a apresentação cênica, com uma eficácia espantosa. Em tempo de recuperar o fôlego entre os « riffs » do guitarrista Carlos Pontual e o martelamento sem concessões da bateria de Diogo Gameiro... E Nando Reis atirando-se visceralmente aos limites de sua ruptura vocal. Como eu já escrevi para a crônica de « Drês », o ruivo barbudo hoje canta melhor do que nunca.
Como previsto, o grupo apresentou a maioria dos títulos do último álbum ; os hits dos sete álbuns precedentes ; algumas recordações já esperadas dos tempos « titânicos » (O Mundo é bão Sebastião, Os Cegos do castelos, Não vou me adaptar de Arnaldo Antunes) ; e as canções que ganharam a posteridade através das interpretações de Cássia Eller (All star, Relicário, O Segundo sol).
Para o bis, Nando modificou o repertório do início de sua tournée, divertindo-se ao retomar Venus, do Schoking blue ; The Pledge of love, do The Joe Jeffrey group ; Whisky à gogo, do Roupa Nova, antes de terminar como deveria, com Marvin, mega sucesso da época dos Titãs. Como depois de todo e qualquer bom show do gênero, eu fiquei meio surdo pelas vinte e quatro horas seguintes...


samedi 24 octobre 2009

23/10 : Gilberto Gil, « Concerto de cordas », Espaço Tom Jobim.

Gilberto Gil, Espaço Tom Jobim (photo Daniel A)

(Texte français, texto português traduzido do francês)

À force de vouloir chercher à tout prix ce qui se fait de mieux sur la nouvelle scène musicale, je finis par oublier mes classiques. Et donc la genèse de ma passion pour la musique brésilienne. C’est la réflexion qui me traversa l’esprit en réécoutant avec bonheur le répertoire essentiel de Roberto Menescal –pilier importantissime de la Bossa nova- au Théâtre Rival, ce jeudi 22 octobre. J’y reviendrai…
Et que dire alors du répertoire 5 étoiles que Gilberto Gil nous présenta ce vendredi 23, à l’Espaço Tom Jobim, dans un format acoustique intitulé pour l’occasion « Concerto de cordas ». Ce show, Gil l’emportera sous peu à travers l’Europe durant le mois de novembre, et en particulier à Bruxelles, le 14 novembre au Palais des Beaux Arts.
En septembre dernier, le bahianais et son fils, le guitariste Bem Gil (que l’on avait pu découvrir lors de la tournée "Gil luminoso"), avait déjà enregistré à São Paulo, l’essentiel du répertoire d’hier soir, pour un dvd à venir, qui devrait s’intituler « BandaDois ». Mais pour ce « Concerto de cordas », Gil s’offrit en plus les services luxueux du violoncelliste Jacques Morelenbaum (ex-Banda Nova de Tom Jobim, Caetano Veloso, etcetera). C’est ce trio que nous verrons donc en Europe…

Gilberto Gil démarra seul sur Flora, le temps d’accorder sa guitare et ses cordes vocales, avant d’entamer un parcours musical qui revisita toute sa carrière, de Viramundo (de son premier album, 1967) à Não tenho medo da morte, extrait de « Banda larga cordel » (2008). Ce dernier titre, Não tenho medo da morte, qui tant par son interprétation minimaliste qu’à travers son texte, semblait tout droit issu de l’univers d’Arnaldo Antunes.
Par rapport à São Paulo, en septembre dernier, Gil ajouta Tenho sede (Anastacia/ Dominguinhos), Estrela (de l’album Quanta), Viramundo déjà cité, et la perle tropicaliste Panis e Circenses (Gil / Caetano Veloso)
Pour le reste, c’est en cœur que le public accompagna Gil sur la plupart des classiques interprétés comme Esotérico, A Linha e o linho, Super homen- A Canção, Saudade da Bahia (Dorival Caymmi), Chiclete com banana (Jackson do Pandeiro), Tempo rei, Expresso 2222 (avec Bem Gil au pandeiro), Lamento sertanejo (Gil/ Dominguinhos), Aindar com fê, et d’autre encore. Bem Gil assuma consciencieusement son rôle de deuxième guitariste discret et efficace, tandis que Morelenbaum se muait tantôt en violoncelliste, tantôt en contrebassiste. À ce répertoire en forme de « best of », Gil nous gratifia de deux inédit : Das duas, uma, dédié à sa fille Maria, et 4 coisas, une de plus dédiée à son épouse Flora, dira-t-il…

Gil, pai e filho: Expresso 2222, 21/10 (photo Daniel A.)

Movido pela vontade de buscar a qualquer preço o que hoje se produz de melhor na nova cena musical, eu acabei me esquecendo dos meus clássicos. E por conseguinte, da origem da minha paixão pela musica brasileira. Essa é a reflexão que me atravessa o espírito ao reescutar com alegria o repertório essencial de Roberto Menescal –pilar importantíssimo da Bossa Nova- no Teatro Rival, nessa quinta última, 22 de outubro. Eu voltarei a esse tema...
E o que dizer então do repertório cinco estrelas que Gilberto Gil nos apresentou nessa sexta feira, 23, no Espaço Tom Jobim, num formato acústico intitulado com propriedade « Concerto de cordas »... ? Esse show, Gil levará em breve através da Europa durante o mês de novembro, e em particular a Bruxelas no dia 14 do mesmo mês, no Palais des Beaux Arts (Palácio de Belas Artes).
Em setembro passado agora, em 2009 mesmo, o baiano e seu filho, o guitarrista Bem Gil (que pôde ser descoberto a partir da tournée "Gil luminoso"), já havia gravado em São Paulo o repertório básico de ontem à noite, para um dvd a ser lançado, que deverá chamar-se « BandaDois ». Mas para esse « Concerto de cordas », Gil utilizou ainda por cima os serviços de luxo do violoncelista Jacques Morelenbaum (ex-Banda Nova de Jobim, Caetano Veloso, etc. ). É esse trio que nós veremos então na Europa...

Gilberto Gil começou sozinho com Flora, em tempo de afinar seu violão e suas cordas vocais, antes de iniciar um percurso musical que revisita toda a sua carreira, desde Viramundo (de seu primeiro álbum, de 1967) até Não tenho medo da morte, extraído de « Banda larga cordel » (2008). Esse último título- Não tenho medo da morte- quer tanto por sua interpretação minimalista, quanto pelo seu texto, parecia originário diretamente do universo de Arnaldo Antunes.
Com relação a São Paulo, em setembro último, Gil agregou agora ao repertório do show Tenho sede (Anastacia/ Dominguinhos), Estrela (de "Quanta"-1998), Viramundo- já citado, e a pérola tropicalista Panis et Circensis (Gil / Caetano Veloso).
No mais, é de cor que o público acompanha Gil na maioria dos clássicos apresentados, tais como Esotérico, A Linha e o linho, Super homen- A Canção, Saudade da Bahia (Dorival Caymmi), Chiclete com banana (Jackson do Pandeiro), Tempo rei, Alapala, Expresso 2222 (com Bem Gil no pandeiro), Lamento sertanejo (Gil/ Dominguinhos), Andar com fé, e outras mais. Bem Gil assume conscenciosamente seu papel de segundo violonista, discreto e eficaz, enquanto que Morelenbaum passava ora de violoncelista para contrabaixista. A esse repertório em forma de « the best of », Gil nos concedo o bônus de dois inéditos : Das duas, uma, dedicada a sua filha Maria ; e 4 coisas, mais uma dedicada a sua esposa Flora, como ele comentou...

mercredi 21 octobre 2009

21/10 : Exposition « Artur Pereira, esculturas ».

Artur Pereira (1920-2003)

(texte français, texto português traduzido do francês)

Les jours passent, les évènements s’enchaînent, et je n’arrive pas à mettre à jour le compte-rendu de ce voyage. Ce qui n’est peut-être pas plus mal, car certains sujets musicaux méritent plus qu’une simple mention dans cet agenda artistique. À São Paulo et Rio de Janeiro, j’eus l’occasion de rencontrer Fernanda Takai et John Ulhoa, Cris Aflalo, Vérônica Ferriani, Renato Godá ou encore Fernanda Cunha. Je garde précieusement le fruit de ces interviews pour un développement plus approfondi, lors de mon retour en Europe. L’hiver s’y installe, et j’aurais tout le loisir de m’y consacrer au chaud. Depuis Maria Gadú, il y eut aussi le concert de Paralamas do Sucesso du samedi 17 octobre au Vivo Rio, la vision du film « Herbert de Perto » (Herbert Vianna, justement leader de Paralamas), ou encore le show d’Ana Cañas à l’Espaço Tom Jobim, ce mardi 20 octobre. Tout ceci sera relaté en radio, et ici même, avec textes, photos, et tout, et tout… Mais là, je reviens d’une magnifique expo que j’attendais de voir depuis mon arrivée, et c’est l’occasion de partager des émotions un peu différentes. Ce blog s’intitule « Art et Musique Populaire » (pour des raisons déjà expliquées précédemment) et c’est le moment ou jamais de faire honneur à un grand plasticien du Minas Gerais, et plus exactement de Cachoeira do Brumado: Artur Pereira.

Jardin de l'instituto Moreira Salles, où se tient l'exposition "Artur Pereira, esculturas"

Artur Pereira (1920-2003) fait partie des grands sculpteurs sur bois de l’Art Populaire Brésilien du XXème siècle. À ses côtés, je citerais Geraldo Teles de Oliveira (GTO), Chico Tabibuia, Louco, Mestre Guarany, Nino, sans oublier la belle école du Piauí avec Expedito et Mestre Dezinho.
L’Instituto Moreira Salles dans le quartier de Gávea (RJ), lui rend hommage avec une belle exposition (gratuite !) qui -si elle n’est pas immense- nous propose une cinquantaine d’œuvres qui résument bien la quintessence de son art.
Si Artur Pereira est qualifié de créateur « populaire », c’est qu’il fut de ces artistes sans formation préalable, qui s’adonna totalement à son expression une fois la « retraite » arrivée, après une vie dédiée à de multiples métiers, principalement agricoles. Ceci vers la fin des années 60...

"Caçada" (la Chasse), année 70- Artur Pereira.

Le monde d’Artur Pereira est un bestiaire où les différents animaux -pas toujours définissables avec exactitude- s’articulent en colonnes, en groupes ou en scènes diverses, comme la crèche ou la chasse à l’ « onça » (félin). Car l’homme et la flore n’apparaissent que de manière très anecdotique.
La grandeur de l’univers artistique d’Artur Pereira, réside en sa quiétude et son universalité.
Les formes curvilignes qui caractérisent ses animaux en bois de cèdre -de petite ou grande taille- apportent une sensualité qui invite au toucher (ce que le gardien de l’exposition vous interdira !). Ces rondeurs, ainsi que l’aspect lisse et polit comme il travaille le bois, Artur Pereira la doit très certainement à la manipulation de la terre et de la céramique. De ses premières œuvres des années 70, de formats plus petits et plus minutieux, il passa dans les années 80, à des tailles plus imposantes et à un rendu plus expressif.
Les animaux du sculpteur ne font pas partie d’un univers « fantastiques », mais ils portent en eux une force, une quiétude et une personnalité qui ne les remettent pas non plus à un monde purement réaliste. Ces oeuvres portent la marque de son créateur, une caractéristique importante qui différencie par définition, l’artisan de l’artiste. Et Artur Pereira est bel et bien un artiste, et des meilleurs !
Si vous passer par Rio (à moins que vous y habitiez), entre le Pain de sucre et le Corcovado, allez voir son monde animalier…Il serait étonnant qu’il vous laisse insensible…
Jusqu’aux 6 décembre, à l’Instituto Moreira Salles, rua Marquês de Sao Vicente 476, Gávea.

Os dias vão passando, os acontecimentos se encadeando, e nem sempre consigo colocar em dia o « relatório » dessa viagem. O que talvez não seja na verdade um mau sinal, visto que determinados assuntos musicais merecem mais do que uma simples menção dentro dessa agenda artística.
Em São Paulo e no Rio de Janeiro, por exemplo, eu tive a oportunidade de encontrar Fernanda Takai e John Ulhoa, Cris Aflalo, Verônica Ferriani, Renato Godá ou ainda Fernanda Cunha. Eu guardo comigo o fruto dessas entrevistas para um desenvolvimento mais aprofundado, assim que eu retornar à Europa. O inverno por lá se anuncia, e eu terei então todo o tempo livre para me dedicar a escrever junto à lareira.
Depois de Maria Gadú, houve o show "Brasil afora" do Paralamas do Sucesso no sábado, 17 de outubro, no espaço Vivo Rio ; a exibição do filme « Herbert de Perto » (sobre Herbert Vianna, justamente o líder do Paralamas) ; e ainda o show de Ana Cañas no Espaço Tom Jobim, nessa terça última, 20 de outubro. Tudo isso será relatado pelo rádio, e por aqui mesmo, com direito a posts, fotos, e tudo, tudo mais, mesmo...
Mas agora, eu retorno de uma magnífica exposição que eu esperava ver desde a minha chegada, e essa é a ocasião de compartilhar emoções um pouco diferentes com vocês.
Esse blog intitula-se « Art et Musique Populaire » (pelas razões já explicadas anteriormente), e esse é o momento – agora ou nunca – de honrar a memória de um grande artista plástico de Minas Gerais, mais exatamente de Cachoeira do Brumado: Artur Pereira.

"Ave", anos 80-Artur Pereira.

Artur Pereira (1920-2003) fez parte dos grandes escultores embebidos na Arte Popular Brasileira do Século XX. Como seus pares, eu citaria Geraldo Teles de Oliveira (GTO), Chico Tabibuia, Louco, Mestre Guarany, Nhô Caboclo e Nino ; sem esquecer a também excelente escola do Piauí, com Expedito e Mestre Dezinho.
O Instituto Moreira Salles, no bairro da Gávea (Rio, RJ), presta a Artur Pereira uma homenagem através de uma bela exposição (gratuita !) que –mesmo não sendo imensa- nos propõe umas cinquenta obras que resumem bem a quintessência se sua arte.
Se Artur Pereira fez parte desses criadores classificados como « populares », foi por conta de tratar-se desses artistas sem formação acadêmica, que entregou-se totalmente à sua expressão a partir de sua aposentadoria formal (isso por volta do final dos anos 60) depois de uma vida dedicada a diversos trabalhos, como lenhador, carvoeiro, carpinteiro, quase sempre ligados ao trato com a madeira.
O mundo de Artur Pereira é uma fauna na qual os diferentes animais –que nem sempre têm uma definição clara- articulam-se em colunas, em grupos, ou em cenas diversas, como no presépio ou na caça à onça. Sendo que o homem e a flora em torno são apresentados de forma bastante anedótica.
A magnitude do universo artístico do artista reside em sua quietude e sua universalidade.
As formas curvelíneas que caracterizam seus animais talhados em madeira de cedro -de pequeno ou grande porte- adquirem uma sensualidade que dá vontade de tocar (o que o zelador da exposição vai impedí-los de fazer !). A habilidade na confecção dessas formas roliças, bem como o aspecto liso e polido que ele dá à madeira quando a trabalha, Artur Pereira deve ter certamente herdado da manipulação da terra e da cerâmica. De suas primeiras obras dos anos 70, de formatos menores e mais minuciosas, ele passa, ao longo dos anos 80, às dimensões mais imponentes e a uma apresentação mais expressiva.
Os animais do escultor não fazem parte propriamente de um « universo fantástico », mas eles trazem em si uma força, uma paz, e uma personalidade que também não os remetem a um mundo puramente realista. Essas obras carregam a marca de seu criador, uma característica importante que diferencia, por definição, o artesão do artista. E Artur Pereira faz realmente parte dos grandes escultores da arte brasileira do século XX, quer ela seja erudita ou popular.
Caso vocês passem pelo Rio (e mesmo que vocês já morem na cidade), entre o Pão de Açúcar e o Corcovado, vão conferir o mundo animal de Artur Pereira... Será de causar espanto se vocês passarem insensíveis por essa experiência...
Até dia 6 de dezembro, no Instituto Moreira Salles, à Rua Marquês de São Vicente, 476 / Gávea.

CE BLOG EST DÉDIÉ AUX CURIEUX QUI AIMERAIENT CONNAÎTRE L'ART ET LA MUSIQUE POPULAIRE BRÉSILIENNE. UNE OCCASION POUR LES FRANCOPHONES DE DÉCOUVRIR UN MONDE INCONNU OU IL EST DE MISE DE LAISSER SES PRÉJUGES AU VESTIAIRE.