jeudi 29 janvier 2009

Programme Tropicália 11, 26/01 : la playlist…


Grand compositeur de la Bossa nova,
Roberto Menescal fut aussi le directeur artistique de la série de compilations "Personalidade",
fin des années 80
(Photo Daniel A)


Générique : YAMANDÚ COSTA : « Lamentos do Morro » (Garoto)

MARCELO CALDI & FABIO LUNA : « Ainda me recordo » (Pixinguinha/ Benedito Lacerda)
TIRA POEIRA : « O Trenzinho do Caipira » (Heitor Villa-lobos/ Ferreira Gullar)

PAULINHO MOSKA & CHICO CÉSAR : « Tambor » (Chico César)
JOYCE : « Feminina » (ao vivo) (Joyce)
DIOGO NOGUEIRA : « Bola dividida » (Luiz Ayrão)
ROBERTO CARLOS & CAETANO VELOSO : « Tereza da praia » (A.C.Jobim/ Billy Blanco)
BENA LOBO : « Luz e breu » (Bena Lobo/ Alexandre Vaz)
CAROL SABOYA : « Feito a mão » (Mário Sève/ Mauro Aguiar)
NEY MATOGROSSO : « Deixar você » -ao vivo, Montreux 1983- (Gilberto Gil)
JOÃO BOSCO : « Nação… » –ao vivo Montreux 1983- (J.Bosco/ Aldir Blanc)
CHICO BUARQUE : « Caçada » (Chico Buarque)

Les célèbres portraits dessinés des compilations "Personalidade"

TROPICÁLIA CLASSIC’S

Da serie « Personalidade » (polygram), compilação Roberto Menescal

FAFÁ DE BELEM : « Sob medida » (Chico Buarque)
IVAN LINS : « Vitoriosa » (Ivan Lins/ Vitor Martins)
ZIZI POSSI : « Meu amigo, meu herói » (Gilberto Gil)
ALCEU VALENÇA : « Coração bobo » (Alceu Valença)
LUIZ MELODIA : « Estácio, eu e você » (Luiz Melodia)
GILBERTO GIL : « Chiclete com banana » (Gordurinha/ Almira Castinho)
EDU LOBO & JOYCE : « Rei morto, rei posto » (Edo Lobo/ Joyce)
NARA LEÃO & CHICO BUARQUE : « João e Maria » (Chico Buarque/ Sivuca)

Da serie « Perfil » (Som livre)

MARIA BETHÂNIA : « Mel » (Caetano Veloso)
ELIS REGINA : « Casa no campo » (Rodrix/ Tavito)
CAETANO VELOSO : « Sampa » (Caetano Veloso)
PAULINHO DA VIOLA : « Dança da solidão » (Paulinho da Viola)
FAFÁ DE BELÉM : « Filho da Bahia » (Walter Queiroz)
RITA LEE : « Caso sério» (Rita Lee/ Roberto de Carvalho)
DJAVAN : « Flor de lis » (Djavan)

PAULINHO MOSKA & ROBERTO MENESCAL: "Você" (Menescal/ Boscoli)----
---LENINE, MOSKA, ZECA BALEIRO, CHICO CESAR, MARCOS SUZANNO:
"Acredite ou nao" (Lenine/ Tavares)


mardi 27 janvier 2009

Ninguém resiste à MPB FM !

Noite dos 8 anos da MPB FM, o 26 de novembro 2008.
Ariana de Carvalho (no centro) com Silvia Machete e Fernando Mansur
(foto Daniel A)
(Traduçao do texto francês)
...
Para falar dos grandes clássicos, eu preciso buscar na memória os meus primeiros passos em direção à melhor música do mundo… ( o que não quer dizer nada, posto que a música brasileira não se resume a um estilo por si só, como vocês podem constatar, da mesma forma que não é mais abrangente do que que as músicas francesa ou anglo-saxônica. A MPB é na verdade a soma de todas as músicas que se produzem no Brasil… é simples assim… ).

Eu dizia então… Uma vez que no início dos anos 80 eu estava absorvido pela « new wave » inglesa, pela « cold wave », e até mesmo pelo soul e pelo funk americanos, eu esnobava aqueles discos brasileiros que se escutavam na minha casa, em família. Dentre eles, os famosos álbuns « Vinicius & Toquinho en la Fusa » (1970 / 1971), que reuniam os clássicos de Antonio Carlos Jobim, Carlos Lyra, Baden Powell, Toquinho e alguns outros. Em consequencia da minha primeira viagem ao Brasil em 1989 – fruto do acaso – esses dois vinis ( na época ), muito marcadamente, revelaram-se a mim então como as minhas tábuas da lei! Num primeiro momento, então, a Bossa Nova, como acontece para muitos dos iniciantes estrangeiros no conhecimento da música brasileira…
A minha passagem àquela que chamam de MPB tradicional, eu fiz através de um único álbum : « Brazil Classics vol.1 » - 1990 - ( e havia quatro da série ), produzido por David Byrne, na época líder do genial groupo novaiorquino Talking Heads.
Byrne confessava sua genuína paixão pelas músicas do Brasil através desse álbum, através do qual eu eu descobri os grandes ícones da MPB como Caetano Veloso, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Chico Buarque, Maria Bethânia, Gal Costa, e alguns outros… Um verdadeiro choque ! E uma vez colocada a mão, lá se foi o braço inteiro ! Naquela época, era possível encontrar a excelente série de compilações, por artista, sob o nome genérico de « Personalidade », da Polygram. Essa série contava com a direção artística do mais antenado dos bossanovistas - Roberto Menescal – e era fácil de se encontrar aqui perto de nós, na Europa.
Em Bruxelas nós tínhamos – e continuamos tendo – a oportunidade de dispor da grande « Médiathèque » (« Midiateca ») da comunidade francesa do Passage 44, que nos permitia ter acesso a nossas preferências musicais por um baixo custo.
Até onde se saiba, uma viagem ao Rio de Janeiro naquela época – considerando que fui minha primeira parada no Brasil – podia-se sentir uma verdadeira desilusão em termos musicais.
Mas em 1989, a situação era um tanto peculiar… Nada de samba na beira da praia (estávamos no mês de junho, sob o inverno carioca), e nada de bossa nova a cada esquina ou dentro dos bares… A ditadura havia dado seu último suspiro oficialmente em 1984, inflando as velas da liberdade musical rumo a um estilo ainda embrionário o Brasil : o rock.
De maneira ainda muito mal ajambrada, centenas de artistas apareciam no mercado, influenciados pelos modismos ingleses de então : o « punk », a « new wave », e sobretudo o « ska ». É a época dos grupos que mencionei no post sobre a Paula Toller (de 10 de janeiro ).
Ainda em 1989, um golpe de sorte para mim, imaginei : o surgimento da MTV Brasil ! Uma pálida cópia da MTV que recebíamos na Europa, e que dava pouco espaço às produções brasileiras. Breve, musicalmente, sua expressividade era quase nula !
Por parte das grandes estações de rádio, a mesma constatação : a quota era de dois por um – dois títulos anglófonos por um título em português. E isso obedecendo a uma ordem pré-estabelecida : um Phil Collins, um Gun’s and Roses, um Caetano Veloso…um Sting, um Michael Jackson, uma Elis Regina, etc., etc., etc., …Felizmente, depois de um certo tempo, eu descobri o programa (ou a estaçao?), JB do Brasil – nada a ver com a atual JB FM actuel – que se dedicava exclusivamente aos artistas brasileiros. Daí em diante, os anos 90, os quais eu vivenciei plenamente, acertram-se os ponteiros, e passaram a surgir numerosos artistas que viriam a definir essa década como a mais « abrasileirada » musicalmente. Mas este é um outro capítulo apaixonante a esmiuçar posteriormente (mas já visitado nos dois posts de 30 de abril de 2008).
Em novembro passado, uma outra estação dedicada à música brasileira comemorou seus oito anos de existência : a famosa MPB FM (com link aqui). Essa mídia do Rio tornou-se indispensável. A programação dessa rádio evita os estilos ditos « de massa » tais como a música sertaneja, ou os grupos de pagode ou de samba-reggae bons de venda, para divulgar uma música popular de bom gosto. Por outro lado, se formos mais detalhistas, perceberemos que a rádio não se aventura no universo dos grupos ou artistas de um circuito mais alternativo. Para isso, é necessário que nos debrucemos sobre as rádios universitárias. Mas não vamos torcer o nariz. A MPB FM veicula programas que se tornaram clássicos do gênero, como « Expresso MPB », com música ao longo de toda a manhã ; « Sintonia Fina », apresentada pelo sempre antenado jornalista Nelson Motta, que nos apresenta as novidades quentes ; e « Samba Social Clube » volta-se para o samba tradicioanl de qualidade. As transmissões exclusivamente dedicadas à Bossa Nova acontecem geramente nas manhãs de domingo, ou ainda no programa « Palco MPB », que veicula alguma coisa gravada ao vivo no Teatro Rival de Rio de Janeiro, dois dias após o evento.
« Palco MPB » já registra mais de 400 edições, e por elas já fez desfilar todas as estrelas que vocês possam imaginar, além de algumas « promessas », embora todas já possuidoras de algum potencial comercial. A estação engajou-se igualmente na produção de inúmeros shows e eventos musicais, como antigamnete os projetos « Novo Canto », que reuniam artistas consagrados e talentos em desenvolvimento ; e mais recentemente, « Verão do Morro », que dentro desse mesmo conceito, reúne os artistas hoje em cena situados à altura do Pão de Açúcar. Acrescentemos ainda a participação da rádio na produção de diversos dvd’s ; e a partir de dezembro, uma revista bimensal, lançada pela ocasião do aniversário de oito anos da estação.

Nesse 26 de novembro de 2008, a estação de rádio MPB FM, conduzida por sua dinâmica « directrice », Ariana Carvalho, e um de seus apresentadores mais animados, Fernando Mansur, fizeram uma mistura de pratos simples e sofisticados, organizando na grande sala Viva Rio um evento de alta classe… Ou quase.
Numa primeira parte, a apresentação do grupo Doces Cariocas, encabeçado pelo casal Pierre Aderne e Alexia Bontempo, que pode-se considerar um símbolo um tanto apagado da nova geração do Rio. Uma música um tanto afetada, certamente não destinada a salas com capacidade para 5.000 pessoas.
A despeito do grupo, uma mixagem do som execrável, que perdurou pela noite inteira. As composições mais sutis e a apresentação mais convincente de Silvia Machete – a sensação de 2008 no Rio – foram prejudicadas pela mesma razão…
A primeira apresentação de porte da noite, Ney Matogrosso colocou-se em cena a serviço de Inclassificáveis, un de seus shows mais brilhantes (em todos os sentidos) de sua carreira. Em seguida, Seu Jorge, grande vedete da programação da MPB FM em 2008, fechou a noite com um mega concerto, acompanhado por seu grupo – formado por 14 músicos, o conjunto Pesadão - contando com metais, guitarras e percussoes empastelados numa mistura sonora indigesta. Apenas sua energia pessoal nos foi transmitida. Sem dúvida não chegou-se a um equilíbrio nesse mix de estilos musicais tão diferentes ouvidos ali naquela noite. O show « Labiata », de Lenine, alguns dias depois, felizmente, me provou que a qualidade sonora da sala podia ser ôtima, como na maioria das salas do Brasil. Esse fato, a meu ver, nao tem nenhuma equivalência com as melhores salas do resto do mundo.
Depois de Tropicalia (é óbvio !!), a MPB FM está acessível pela internet, veiculando uma programação bastante confiável para se ter uma idéia do que se produz hoje no Brasil em termos de música.
Assim, como repete a jovem rádio em suas chamadas, « ninguém resiste à música brasileira ».

lundi 26 janvier 2009

La station MPB Fm : « ninguem resiste á música brasileira... ! »

Ney Matogrosso: point d'orgue de la soirée des 8 années de MPB Fm,
le 26 novembre 2008
(photo Daniel A.)

On le sait: l'excès nuit en toute chose...
Cela faisait dix jours que je n'arrivais plus à écouter une minute de musique brésilienne. Vous le croyez ça.. ?
Avec un programme musical (auquel je m'astreins avec un plaisir masochiste) d’écoute de plusieurs disques par jour + dvd’s musicaux + lectures de la presse spécialisée + plusieurs articles écrits en une semaine...l’overdose était atteinte, et plus aucune production ne trouvait grâce à mes yeux…Tout était mauvais !...
Heureusement, ma "convalescence " s'est faite hier au travers des grands classiques que je finissais par négliger dans ma quête continuelle de nouveautés qui pourraient m’échapper. J'ai donc réécouté avec un énôôôrme plaisir Milton Nascimento, Caetano et Luiz Melodia et Paulinho da Viola, et cela m’a fait un bien fou!!
Quand je pense que mon grand et estimé collègue Mauro Ferreira de Notas musicais (en lien ici) publie quatre posts par jour, 365 jours par an. Ce garçon ne tombe-il donc jamais malade ? C’en est presque effrayant !
Pour parler des grands classiques donc, je me suis souvenu de mes premiers pas vers la meilleure musique du monde…(Ce qui ne veut rien dire puisque la musique brésilienne n’est pas un style en soit, vous l’aurez compris, comme ne l’est pas davantage la musique française ou la musique anglo-saxonne. La MPB n’est en vérité que la somme de toutes les musiques qui se produisent au Brésil, c’est aussi simple que cela…)
Je disais donc…Tandis qu’au début des années 80, j’étais absorbé par la new wave anglaise, la cold wave, et même la soul et le funk américain, je snobais les quelques disques brésiliens qui s’écoutaient en famille. Parmi eux, les fameux albums « Vinicius & Toquinho en la Fusa » (1970/ 1971), qui réunissaient des classiques d’Antonio Carlos Jobim, Carlos Lyra, Baden Powell, Toquinho, et quelques autres. Il aura fallu mon premier voyage au Brésil en 1989 –fruit du hasard- pour que ces deux vinyles (à l’époque), bien griffés, se révèlent comme mes tables de la loi ! Premiers pas donc, la Bossa nova, comme pour beaucoup d’amateurs de musique brésilienne…

"Brazil classics vol.1" compilation dirigée par David Byrne.

Mon passage à ce qu’on appelle la MPB traditionnelle, je le dois à un album, et à un seul : « Brazil Classics vol.1 » -1990- (il y en aura trois) produit par David Byrne, à l’époque leader du génial groupe new yorkais, Talking Heads.
Byrne confessait sa vraie passion pour les musiques du Brésil dans cet album où je découvrais pour la première fois les grands piliers de la MPB comme Caetano Veloso, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Chico Buarque, Maria Bethânia, Gal Costa, et quelque autres…Un véritable choc ! Et après y avoir mis la main, tout le bras y est passé !

À l’époque on trouvait l’excellente série de compilations, par artiste, qui portait le nom générique de « Personalidade » (Polygram). Elle était dirigée artistiquement par le plus branché des bossa novistas, Roberto Menescal, et se trouvait assez facilement chez nous.
À Bruxelles, nous avions -et avons toujours- la chance de disposer de la grande Médiathèque de la communauté française du passage 44, qui nous permettait de forger à moindre coût nos préférences musicales.
Qu’on le sache, un voyage à Rio de Janeiro à cette époque –puisque ce fut ma première destination au Brésil- pouvait s'avérer une véritable désillusion musicale.
Mais en 1989, la situation était un peu particulière…Pas de samba sur la plage (on était au mois de juin, début de l’hiver carioca), et pas de bossa nova à chaque coin de rue ou dans les bars…La dictature avait rendu son dernier souffle officiellement en 1984, ouvrant la voie de la liberté musicale vers un style jusque-là embryon, le rock.
De manière très malhabile encore, des centaines d’artistes apparaissaient sur le marché, influencés par les modes anglaises d’alors : le punk, la new wave et surtout le ska. C’est l’époque des groupes que j’ai cités dans le post sur Paula Toller (en date du 10 janvier).
Toujours en 1989, coup de grâce pour moi : l’apparition de MTV Brasil ! Une pâle copie du MTV que nous recevions en Europe, et qui faisait peu de place aux productions brésiliennes. Bref, musicalement, le dépaysement était quasiment nul !
Du côté des grosses stations de radio, même constat. Le quota était de deux pour un. Deux titres anglophones pour un titre en portugais. Et c’était d’ailleurs l’ordre établi : un Phil Collins, un Gun’s and Roses, un Caetano Veloso…un Sting, un Michael Jackson, une Elis Regina, etcetera…Heureusement, après un certain temps, je découvris la station JB do Brasil –rien avoir avec le JB FM actuel- qui se dédiait exclusivement aux artistes brésiliens. Par la suite, les années 90 que je vécus pleinement, remettront les pendules à l’heure, en s’avérant ce que de nombreux artistes s’accordent à définir comme la décennie la plus "brasiliannisée " musicalement. Mais ceci est un autre chapitre passionnant à décortiquer ultérieurement (et déjà visités dans les deux posts du 30 avril 2008).

8 Ans de MPB Fm: la directrice Ariana Carvalho est entourée de Silvia Machete
et Fernando Mansur (Photo DanielA.)


En novembre dernier, une autre station mettant en exergue la musique brésilienne fêtait ses huit années d’existence : la fameuse MPB FM (en lien ici). De la MPB et rien d’autre que de la MPB ! Ce média de Rio est devenu incontournable. La programmation de cette radio évite les styles dit « de masse » tel que la musique sertaneja, ou les groupes de pagode ou de samba-reggae bon marchés, pour divulguer une musique populaire de bon ton. D’un autre côté, si on cherche à être pointilleux, on reprochera que la radio ne s’aventure guère sur le terrain des groupes ou artistes du circuit un peu plus alternatif. Pour cela, il faudra nous tourner vers les radios universitaires. Mais ne faisons la fine bouche. MPB FM, propose des programmes qui sont devenus des classiques du genre comme Expresso MPB, musique en continu le matin ; Sintonia fina présenté par le célèbre journaliste Nelson Motta qui nous présente les nouveautés branchées ; Samba Social Clube tourné vers la samba de qualité et de tradition ; des émissions dirigées exclusivement vers la Bossa nova, souvent le dimanche en matinée ; ou encore le programme Palco MPB, qui lance sur antenne un live enregistré deux jours auparavant au Teatro Rival de Rio de Janeiro.

En ouverture de la soirée du 26 novembre: Doces Cariocas
(photo Daniel A.)


Palco MPB en est à plus de 400 éditions, et a vu défilé, toutes les stars que vous pouvez imaginer, ainsi que certaines ‘promesses’, possédant malgré tout un certain potentiel commercial. La station s’investit également dans la production de nombreux shows et événements musicaux, comme anciennement les projets Novo Canto, qui réunissaient artistes confirmés et talents en devenir, ou plus récemment, Verão do Morro, qui dans un même concept, réunissait des artistes sur la scène qui se situe sur les hauteurs du Pain de Sucre. Ajoutons à cela la participation aux productions de divers dvd’s, et depuis décembre une revue bimensuelle lancée à l’occasion des huit années d’existence de la station.

A défaut d'une bonne qualité du son en ce 26 novembre,
l'énergie décoiffante de Seu Jorge!
(Photo DanielA.)


En ce jour du 26 novembre 2008, la station de radio MPB FM, emmenée par sa dynamique directrice, Ariana Carvalho, et de l'animateur vedette, Fernando Mansur, avait mis les petits plats dans les grands, en organisant dans la grande salle Vivo Rio, une affiche de grande classe…Ou presque.
En première partie, la présentation du groupe Doces Cariocas, emmené par le couple Pierre Aderne et Alexia Bontempo, se voulait le symbole bien pâle de la nouvelle génération de Rio. Une musique mièvre et certainement pas destinée aux salles d’une capacité de 5.000 personnes. A décharge du groupe, une sonorité exécrable qui le restera durant toute la soirée.
Les compositions plus subtiles et la prestation plus convaincante de Silvia Machete -la sensation 2008 de Rio- furent gâchées pour la même raison…
Première grosse pointure de la soirée, Ney Matogrosso se mis en scène pour Inclassificaveis, un de ses shows les plus brillants (dans tous les sens du terme) de sa carrière, avant que Seu Jorge, grosse vedette des programmations de MPB FM en 2008, ne termine la soirée avec un méga concert, accompagné par son groupe formé de 14 musiciens, le Conjunto Pesadão, formée de cuivres, de guitares, de percussions, broyés dans une mixture sonore indigeste. Seule son énergie nous était transmise. Sans doute n’avait-on pas trouvé une balance au mixage pour les différents styles musicaux entendus ce soir-là. Le concert « Labiata » de Lenine, quelques jours plus tard, me rassura quant aux qualités acoustiques de la salle, qui comme dans toutes les autres salles du Brésil n’a, à mon humble avis, aucun équivalent qualitatif dans le monde.

Trois jours plus tard, le 29 novembre 2008, Lenine nous rassure
quant à l'acoustique de la salle Vivo Rio (photo Daniel A.)

Après Tropicalia (cela va de soit !!), MPB FM accessible sur le net, reste un moyen très fiable pour se faire une large idée de ce qui se produit au Brésil.
Car ne l'oubliez pas, comme le martèle en leitmotiv la jeune radio, « personne ne résiste à la musique brésilienne ».

Ney Matogrosso: "Mal Necessario"


jeudi 15 janvier 2009

Carol Saboya : au service de la chanson d’auteur.

Carol Saboya: charme et virtuosité (photo site Carol Saboya)

(*texto português em baixo))


Carol Saboya
ne fait pas partie de ces chanteuses que l’on matraque en radio. En fait, on ne l’y entend pour ainsi dire jamais. Elle n’a pas le degré de célébrité des chanteuses de sa génération comme Maria Rita, Vanessa da Matta ou même Roberta Sá. Elle appartient au cercle de ces interprètes de talent, artistes intimistes voire élitistes, qui ont décidé de privilégier des répertoires de haute valeur musicale, occultés, hélas, par les médias de masse. Elles ont toutes (ou presque) étudié le chant, possèdent une technique vocale irréprochable, et certaines d’entre elles enseignent même leur art, comme c’est le cas de Carol. Dans la même catégorie, on pourrait classer ses collègues Adriana Maciel, Simone Guimarães, Clara Becker, Virginia Rosa, Vania Abreu, Jussara Silveira ou Mônica Salmaso (bien que cette dernière aie déjà acquis une renommée plus large). D’autres encore mettent leurs virtuosités au service d’une musique avant guardiste dans la lignée d’une Tetê Espindola ou de Ná Ozzetti. Ceci ne signifie pas que Maria Rita, Vanessa ou Roberta aient exclu le paramètre qualitatif de leur travail…Loin de là. Mais on pourrait comparer cette catégorie de chanteuses -comme Carol Saboya- avec des actrices de films d’auteurs. Elles sont brillantes, mais ne touchent pas un large public. Chez les plus jeunes, Thaís Gulin semble également emprunter un chemin musical sans concessions, mais très passionnant.
Ces chanteuses quelque peu en marge de la scène, –mais qui ont leur public - s’octroient toutes les libertés, n’étant soumise à aucune contrainte commerciale. Sans doute aussi, la plupart viennent-elles d’un milieux aisé qui leur permette cet agréable luxe. Encore faut-il avoir du talent.
Ainsi Carol Saboya, avec son dernier album « Chão aberto », a décidé de construire son répertoire autour d’un seul compositeur : le saxophoniste et flûtiste Mario Sève. D’aucune aurait choisi Marcelo Camelo, Lenine ou Seu Jorge pour apporter un certain crédit à son travail. Et bien évidemment, on se doute que Carol ne vendra pas 50.000 exemplaires de son bel album. D’ailleurs qui connaît Mario Sève, à part ceux qui s’intéressent à la musique instrumentale brésilienne. Mario est un des fondateurs du quintette Nó em pingo d’Agua, et musicien d’Aquarela Carioca, formations de virtuoses, qui accompagnèrent Alceu Valença, Ney Matogrosso ou Zizi Possi.

Eveline Hecker, interprète de l'oeuvre de José Miguel Wisnik
avec "Ponte Aéria" (Photo Daniel A.)


Par cette démarche -qui met en évidence l’œuvre d’un compositeur unique - la chanteuse me rappelle Bruna Caram, qui avait enregistré le splendide "Esa menina" (2006), conçu autour d’Otávio Toledo. De son côté, Jane Duboc vient de sortir en 2008 « Cançao da espera », centré autour de compositions du bien plus célèbre Egberto Gismonti. Et dans un même ordre d’idée, Eveline Hecker avait lancé en 2004, le magnifique « Ponte aéria » autour de l’œuvre du maître José Miguel Wisnik. Toutes ses chanteuses -jeunes ou moins jeunes- sont rarement mentionnées quand on évoque les divas ou le fameux sujet des « nouvelles chanteuses », que l’on mâche et remâche sans arrêt.

C’est en 1996 que j’entendis pour la première fois la voix de Carol Saboya.
Le hasard fit que j’étais au Canecão de Rio de Janeiro, cette année-là, pour le concert unique donné en l’honneur des 50 ans du grand parolier de la musique brésilienne, Aldir Blanc. Un auteur surtout connu pour avoir été le partenaire fidèle de João Bosco.
Ce dernier n’était pas présent ce soir-là (les deux artistes étaient en froid à l’époque), mais des noms aussi prestigieux qu’Ivan Lins, Nana Caymmi, Emilio Santiago, Ed Motta, Leila Pinheiro et sans doute Paulinho da Viola (ma mémoire me fait défaut) étaient venus chanter les textes d’Aldir en sa présence.
En ouverture Carol, alors toute jeune, irradiait par son charme et sa technique vocale dans Carta de pedra (Guinga/ Aldir Blanc). Et c’est principalement d’elle dont parlaient les journaux qui avaient relaté l’événement. À cette même époque, l’album « Aldir Blanc, 50 anos » faisait écho au concert, avec encore d’autres participations comme celles de Dorival Caymmi, Edu Lobo ou Fátima Guedes.

Carol et son père, le grand pianiste Antônio Adaulfo (photo site Carol Saboya)

Carol Saboya, fille du grand pianiste Antônio Adolfo, avait débuté comme vocaliste de Erasmo Carlos et Angela Rôrô avant de voyager et étudier le chant aux Etats-Unis. Mais elle attendra 1998 pour se présenter en solo avec le brillant album « Dança da voz » qui obtint le prix Sharp de la révélation féminine MPB pour cette année-là. Quatre autres albums de 1999 à 2006, l’installeront dans cette catégorie des chanteuses techniques dévouées à un répertoire que je –qualifierais de « musique classique de la musique populaire brésilienne » (!).


Et ce que je craignais arriva: tandis que, comme tant d’autres, je viens de clôturer ma liste des albums significatifs pour 2008, « Chão aberto », sorti en décembre m’arrive avec un peu de retard…et il y aurait eu une place de choix.
La chanteuse allie grâce et émotion avec sa facilité technique qu’elle met au service des mélodies travaillées de Mario Sève. Ce dernier se divise entre le saxophone, la flûte ou le pife (flûte typique du Pernambuco). Et c’est vrai que la plupart des 14 chansons possèdent de forts accents nordestins. Les mélodies finement ciselées, pas toujours d’un accès immédiat, sont emmenées par des rythmes aussi divers que le baião (dans Drangajo), le xaxado (Trocando as pernas), l’ijexa (Bonde iorubá), le frevo (Outros carnavais) ou la ciranda (Um segredo). D’autres harmonies sont encore portées par le tango, la samba, ou certaines mélodies sophistiquées. Et Carol se sent chez elle, quelle que soit l’ambiance suggérée. La qualité des compositions n’est pas sans me rappeler Fátima Guedes, tandis que la voix claire de la chanteuse s’inscrit dans la veine de Zizi Possi, une des plus virtuoses interprètes de la musique populaire brésilienne. Une vraie réussite réjouissante.

(*Texto traduzido)
Carol Saboya não faz parte desse time de cantoras que tocam sem parar no rádio. Na verdade, isso definitivamente não faz o seu gênero. Ela não goza do status de “celebridade” das cantoras da sua geração, como Maria Rita, Vanessa da Mata, ou mesmo Roberta Sá. Ela se restringe ao círculo daquelas intérpretes de grande talento, artistas intimistas tomadas por elitistas, que decidiram privilegiar os repertórios de alto valor musical, infelizmente ocultados pelas mídias. Todas elas (ou praticamente todas) estudaram canto formalmente, possuindo uma técnica vocal irretocável, e algumas delas, inclusive, ensinam a sua arte, como é o caso de Carol. Dentro da mesma categoria, podemos classificar suas colegas Adriana Maciel, Simone Guimarães, Clara Becker, Virginia Rosa, Vania Abreu, Jussara Silveira e Mônica Salmaso (se bem que essa última já atingiu um grau de renome mais amplo). Outras ainda colocam seu virtuosismo a serviço de uma música vanguardista, seguindo a linha de Tetê Espindola ou Ná Ozzetti. O que não significa que Maria Rita, Vanessa ou Roberta abandonaram o parâmetro da qualidade como parte de seus trabalhos... Longe disso. Mas podemos comparar essa categoria de cantoras – como Carol Saboya – com as atrizes do filmes “de autor”. Elas são brilhantes, mas não tocam o grande público. Dentre as mais jovens, Thaís Gulin parece igualmente encetar um caminho musical sem concessões, porém muito passioanal.
Essas cantoras um tanto à margem da cena – mas que têm seu próprio público – outorgam-se todo tipo de liberdade, assim como não se submetem a qualquer exigência comercial. Sem dúvida, também, a maior parte vem de um meio social que lhes permite esse agradável luxo. Ainda que se faça necessário o talento.
Assim, Carol Saboya, com seu último álbum “Chão aberto”, decidiu construir seu repertório autoral a partir de um único compositor: o saxofonista e flautista Mario Sève. Alguma outra teria escolhido Marcelo Camelo, Lenine ou Seu Jorge, a fim de agregar um certo crédito a seu trabalho. E é bastante evidente que Carol não deverá vender 50.000 exemplares de seu belo disco. Aliás, poucos conhecem Mario Sève, a não ser aqueles que se interessam pela música instrumental brasileira. Mario é um dos fundadores do quinteto Nó em Pingo d’Água, além de músico do Aquarela Carioca, ambas formações de virtuoses que vieram a acompanhar Alceu Valença, Ney Matogrosso e Zizi Possi.
Através dessa atitude – que coloca em evidência a obra de um compositor único – a cantora me faz lembrar Bruna Caram, que gravou o esplêndido «Essa menina” (2006), concebido sobre a autoralidade de Otávio Toledo. Por seu lado, Jane Duboc acaba le lançar em 2008 « Canção da espera », centrado nas composições do nesse caso célebre, Egberto Gismonti. E dentro dessa mesma linha de raciocínio, Eveline Hecker já havia lançado, em 2004, o magnífico « Ponte aérea » sobre a obra autoral do mestre José Miguel Wisnik. Todas essas cantoras – jovens ou nem tanto – raramente são mencionadas quando evocam-se as divas ou o famigerado assunto das “novas cantoras”, sobre o qual se discute e rediscute sem trégua.
Foi em 1996 que eu captei pela primeira vez a voz de Carol Saboya.
O acaso me levou naquele ano ao Canecão, no Rio, para um concerto único em homenagem aos 50 anos do grande letrista da música brasileira, Aldir Blanc. Um autor acima de tudo conhecido por ter sido sempre o fiel parceiro de João Bosco.
Embora esse último não estivesse lá naquela noite ( os dois artistas estavam estremecidos na época ), alguns nomes de igual prestígio como Ivan Lins, Nana Caymmi, Emilio Santiago, Ed Motta, Leila Pinheiro, e, sem dúvida alguma, Paulinho da Viola ( minha memória aqui falha um pouco... ) compareceram para cantar os versos de Aldir em sua presença.
Na abertura estava Carol, então bem jovem, iluminada por seu charme e sua técnica vocal em Carta de pedra (Guinga / Aldir Blanc). E foi principalmente dela que falaram os jornais que lá estiveram cobrindo o evento. Por essa mesma época, o álbum « Aldir Blanc, 50 anos » deu uma espécie de continuidade ao show, incluindo ainda outras participações como as de Dorival Caymmi, Edu Lobo e Fátima Guedes.
Carol Saboya, filha do grande pianista Antônio Adolfo, debutou como vocalista de Erasmo Carlos e Angela Rôrô antes de viajar e estudar canto nos Estados Unidos. Mas ela viria, em 1998, a se apresentar como solo através do brilhante álbum « Dança da voz », que obteve o Prêmio Sharp de revelação feminina da MPB naquele ano. Quatro outros álbuns, de 1999 a 2006, a posicionaram dentro dessa categoria das cantoras técnicas devotadas a um repertório que eu classificaria como « música clássica da música popular brasileira » (!).

E o que eu temia acabou por acontecer: depois de encerrada a minha lista dos álbuns mais significativos de 2008, « Chão aberto », lançado em dezembro, me chega com um certo atraso... e ele teria sido uma de minhas escolhas.

A cantora alia graça e emoção, através dessa sua habilidade técnica que ela coloca a serviço das melodias trabalhadas de Mario Sève. Esse último se divide entre o saxofone, a flauta e o pífano (pequena flauta típica do estado de Pernambuco). E de fato a maior parte das 14 músicas carregam um forte acento nordestino. Melodias finamente esculpidas, mas nem sempre acessíveis de imediato, são embaladas por ritmos tão diversos quanto o baião (em Drangajo), o xaxado (Trocando as pernas), o ijexá (Bonde iorubá), o frevo (Outros carnavais) ou a ciranda (Um segredo). Outras harmonias são também evocadas: pelo tango, pelo samba, ou por certas melodias mais sofisticadas. E Carol se sente em casa, dentro dessas ambiências sugeridas diferentes. A qualidade das composições não me deixa escapar à lembrança Fátima Guedes, assim como a voz clara e suave das cantoras que corre nas veias de Zizi Possi, uma das mais virtuosas intérpretes da música popular brasileira.
Um álbum definitivamente muito bem sucedido...





Carol Saboya e Mario Sève:
"Finais felizes" (M.Sève/ M.Aguiar)/

Carol Saboya: "Agora" (Carol Saboya/ Abel Silva)



mercredi 14 janvier 2009

Tropicália 10, 12/01, la Playlist…

Suely Mesquita no Tropicalia 10.
Seu album "Microswing foi uma das belas surpresa de 2008
(foto Caetano Vilas)


L’émission Tropicália a donc pu reprendre après deux semaines d’absence (suite aux fêtes et divers impondérables…) avec pour thème principal quelques albums qui auront marqué mon année 2008 (voir post « Vers la discothèque parfaite » du 6 janvier).

O Progama Tropicália voltou depois de duas semanas de folga, com o tema : os discos (entre muitos outros) qui marcaram meu ano 2008 (vide post em francés do 6 de janeiro)

Générique : YAMANDU COSTA : « Lamentos do Morro » (Garoto)

ARTHUR MAIA : « Deombro » (Jamil Loanes)
ZECA PAGODINHO : « É Precisa Muito amor » (Noca da Portela/ Tião de Miracema)
ROBERTO CARLOS & CAETANO VELOSO : « Tereza da praia » (Jobim/ Billy Branco)
CELSO FONSECA : « Slow motion Bossa nova » (Fonseca/ Ronaldo Bastos)
PAULA TOLLER : « …E o mundo não se acabou » (Assis Valente)

RETRÔ 2008

ADRIANA CALCANHOTTO : « Seu pensamento » (Dé Palmeira/ Adriana Calcanhotto)
PEDRO LUIS E A PAREDE : « Ponto enredo » (Pedro Luis)
ED MOTTA : « The Runaways » (Ed Motta/ R.Gallagher)
SUELY MESQUITA : « Mertiolate » (Kali C./ Suely Mesquita)
NEY MATOGROSSO : « Um Pouco de calor » (Dan Nakagawa)
PAULA MORELENBAUM : « O Que vier eu traço » (Alvaide/ Zé Maria)
CHICO CÉSAR & DOMINGUINHOS : « Deus me proteja » (Chico César)
ZECA BALEIRO : « Toca Raul » (Zeca Baleiro)
LENINE : « A Mancha » (Lenine/ Lula Queiroga)
SKANK : « Noites de um verão qualquer » (Samuel Rosa/ César Mauricio)
COMPANHIA ITINERANTE : « Samba do S » (Caio Figuereido)
JARDS MACALÉ : « O Engenho de dentro » (Jards Macalé/ Abel Silva)
MARIA BETHÂNIA & OMARA PORTUONDO : « Tal vez » (Juan Formell)
MOINHO : « Doida de varrer » (Ana Carolina/ Chacal)
ZÉ RENATO : « A Última Cançao » (Carlos Roberto)
MILTON NASCIMENTO & JOBIM TRIO : « Caminhos cruzados » (Jobim/ Newton Mendonça)
ROBERTO MENDES & LENINE : « Tira essa mulher da roda » (R.Mendes/ Capinam)
ROSA PASSOS : « Alibi » (Djavan)
GLAUCIA NASSER : « Sambista bom » (G.Nasser/ I.Rosa/ M.Costa)
ALINE MUNIZ : « Não Vacile » (Marco de Vita/ Aline Muniz)
SEU JORGE : « America do Norte » (Seu Jorge/ Gabriel Moura/ Pretinha da Serrinha)

SUELY MESQUITA: "Catastrofe" (Suely Mesquita/ Mathilda Kovak)


lundi 12 janvier 2009

Celso Fonseca : un artiste post-Bossa nova.

Celso Fonseca: musicien, producteur et compositeur
pour Gal Costa...et des dizaines d'autres...


(*o texto em português esta em baixo)


Celso Fonseca
fait partie de ces artistes qui ont prouvé que la Bossa Nova n’était pas faite d’un répertoire définitivement établis que l’on mélangeait indéfiniment à toutes les sauces pour l’accommoder aux goûts du moment. Il a montré que l'on pouvait encore créer des standards du genre, même 50 ans après sa naissance. D’autres artistes comme Joyce, Leila Pinheiro ou Rosa Passos, même si elles aiment revisiter avec talent les classiques de Jobim ou Carlos Lyra, ont également contribué à enrichir le répertoire du style par de nouvelles chansons.
Quand Celso Fonseca s’est présenté au Botanique de Bruxelles en 2003, je le connaissais déjà comme fidèle accompagnateur des tournées de Gilberto Gil, et j’avais déjà pu découvrir son travail personnel au travers de ses albums lancés dans les années 90. Mais fouinant un peu, je fus surpris de voir le nombre de projets dans lesquels le guitariste était impliqué. Outres Gil, il accompagna dans les années 80 des artistes aussi importants que Djavan , Milton Nascimento, Gal Costa, Jorge Benjor, Chico Barque, Marisa Monte, Adriana Calcanhotto, Caetano Veloso, João Bosco et bien d’autres . On compte ainsi à son palmarès plus de 20 tournées mondiales dédiés à ces piliers de la MPB, et ceci sur une période de dix ans. Et le problème, c’est que pour parler de Celso, on ne peut pas échapper à l’énumération de noms. Par exemple, outre son travail de musicien, il se mit à produire à la même époque les albums de Gil (« O eteno deus mu dança »), Daniela Mercury, Daúde, Gal Costa (« Aquele frevo axé »), Paula Morelenbaum (« Berimbaum »), Dulce Quental, Veronica Sabino (« Novo sentido ») ou encore Mart’nália (« Pé do meu samba ») et Virginia Rodrigues (« Sol negro »).
Quant à ses compositions, elles furent sollicitées, entre autres, par Nana Caymmi, Zizi Possi, Ney Matogrosso, Carlinhos Brown, Ana Carolina, et j’en passe. C’est dire si le compte en banque de notre ami carioca ne doit pas trop souffrir de la crise. Mais ce serait oublier, suite à ces listes échevelées, que Celso mène sa propre carrière.

Avec Ronaldo Bastos (à droite): auteur de trois albums de 1994 à 2001.

Après un premier album passé inaperçu –Minha cara en 1986-, il se lance avec « O Som do sim » en 1993, qui révèle déjà sa maturité de compositeur. L’artiste avait déjà offert un solide tube, Sorte, pour Gal Costa et Caetano Veloso. Et il est vrai que la voix de Celso ne peut que nous évoquer celle de Caetano. « Sorte » sera d’ailleurs le premier album d’une trilogie qu’il entamera avec le parolier Ronaldo Bastos en 1994.
L’artiste nous offre une pop ensoleillée, baignée dans l’esprit Bossa nova, et emmené par une guitare experte et une voix douce et susurrée.
Le deuxième volet « Paradiso » (1997) et « Juventude/ Slow motion bossa nova » (2001) apporteront leur lot de classiques tel Polaroides, Samba é tudo, et surtout la plage titulaire Slow motion bossa nova qui le projettera car la chanson servira à quatre campagnes commerciales qui auront comme égérie Gisèle Bünchen (pour des sandales de plages !). Dans une interview, Celso confiera amusé que Gisèle pensa qu’il l’avait composée pour ses beaux yeux -ce qu’il ne niera pas !- même si la chanson existait depuis quelques mois déjà.

Cibelle, Celso et Bebel Gilberto: la dream team du label Ziriguidum en 2003.

Malgré la reconnaissance sans faille de ses pairs et de la critique, il eut le plus grand mal à se faire signer par une maison de disque –comme il me le confiera dans une interview à l’époque- et c’est dès lors le label belge Ziriguidum/ Cramned qui saisira l’opportunité pour le mettre à son catalogue. À l’époque, Ziriguidum avait déjà réussi le coût fumant de lancer le premier album de Bebel Gilberto qui avait été un succès de vente mondial. Et c’est donc l’album « Natural », qui sort en Europe et aux USA, et qui comporte dans son répertoire d’autres nouvelles perles comme Meu Samba Torto ou A Origem da felicidade. Il est intéressant à noter que rares sont les compilations de Bossa à travers le monde qui ne comportent pas un des titres cités jusqu’ici.
Sur le même label belge sortira encore « Rive gauche Rio » (2005), plus dispensable, avant de revenir sur EMI avec « Feriado » qui, hélas, cède à la facilité commerciale au niveau de la production.

Pour revenir au post précédant concernant la date du 12 août 2008, Celso Fonseca, enregistra donc au Canecão de Rio de Janeiro, son premier dvd qui devrait l’installer définitivement aux yeux du public. Mais le résultat laisse cependant perplexe, car avec Celso, nous sommes en présence d’un très bon compositeur et musicien, mais qui n’est pas de ces artistes qui acquiert une nouvelle dimension en concert. Et s’il nous remémore les meilleures chansons de sa carrière, ce dvd manque de souffle à de nombreux moments, et nous plonge dans un certain ennui. Et tandis que Roberta Sá (A Voz do coração) ou Ana Carolina (Um dia de domingo) apportent un peu de vie, Gilberto Gil s’enterre vivant en reprenant Is this love de Bob Marley et Palco de son propre répertoire. A peine entonne-t-il « I Wanna love ya… ! » que l’on comprend que l’interprétation sera laborieuse. Le bahianais n’était vraiment pas dans un bon jour -cela arrive aux meilleur-...Sauf que c'était le jour de l'enregistrement...
Bref, si « Celso Fonseca ao vivo », s’apparente à un dvd un peu tiède, il aura au moins le mérite de faire office de best of pour ceux qui voudraient découvrir cet excellent compositeur post bossa nova…(voir videos plus bas)

*Eis aqui a tradução do texto destinado ao leitores francôfonos aprendizes, ou seja que indica fatos que muitos dentre vocês, brasileiros, já sabem...


Celso Fonseca
faz parte desses artistas que provaram que a Bossa Nova não ficou estagnada num repertório definitivamente estabelecido que mesclou-se indefinidamente a outros arranjos para inserir-se aos gostos de cada momento. Ele foi capaz de mostrar que ainda é possível produzir algo novo dentro dos padrões do gênero, mesmo depois de 50 anos de seu nascimento.

Assim também outras artistas como Joyce, Leila Pinheiro ou Rosa Passos; da mesma forma que dedicaram-se a revisitar talentosamente os clássicos de Jobim ou Carlos Lyra, contribuíram elegantemente para enriquecer esse estilo com um repertório de novas canções.
Quando Celso Fonseca apresentou-se no Botanique de Bruxelas en 2003, eu já o conhecia como fiel acompanhante das tournées de Gilberto Gil e através de seus álbuns lançados ao longo dos anos 90. Mas bisbilhotando um pouco, fiquei meio consternado ao verificar a quantidade de projetos dos quais o guitarrista participou. Além de Gil, ele acompanhou, nos anos 80, artistas tão importantes quanto Djavan , Milton Nascimento, Gal Costa, Jorge Benjor, Chico Barque, Marisa Monte, Adriana Calcanhotto, Caetano Veloso, João Bosco et muitos outros. Constam também, da sua lista de primeira, mais de 20 tournées mundiais dedicadas a esses pilares da MPB, ao longo de pouco mais de dez anos. E o problema é que para falar dele, Celso, não se pode escapar à menção de inúmeros outros nomes. Por exemplo: paralelamente a seu talento como instrumentista, ele dedicou-se a produzir, na mesma época, os álbuns de Gil (« O eteno deus mu dança »), Daniela Mercury, Daúde, Gal Costa (« Aquele frevo axé »), Paula Morelenbaum (« Berimbaum »), Dulce Quental, Veronica Sabino (« Novo sentido ») e ainda Mart’nália (« Pé do meu samba ») ou Virginia Rodrigues (« Sol negro »).
Quanto às suas próprias composições, elas foram solicitadas, dentre outros, por Nana Caymmi, Zizi Possi, Ney Matogrosso, Carlinhos Brown, Ana Carolina, e assim por diante. Pode-se dizer que a conta bancária desse nosso amigo carioca não deve apresentar qualquer sintoma de crise. Mas apesar dessas listas desordenadas, não temos que esquecer que o Celso segue sua carreira própria.
Depois de um primeiro álbum que passou desapercebido – “Minha cara em 1986” – ele se lança com « O Som do sim », en 1993, que já revela sua maturidade como compositor. O artista já havia nos brindado com um sucesso bastante sólido – “Sorte”, por Gal Costa et Caetano Veloso. E é fato que a voz de Celso possui um timbre –sem o mesmo brilho- que poderia ser comparado à de Caetano. « Sorte » virá a ser, em outro momento, o titulo do primeiro álbum de uma trilogia que ele vem a lançar em 1994, em parceria com o letrista Ronaldo Bastos.
O artista nos oferece um pop ensolarado, imerso inteiramente no espírito da Bossa, embalado por um violão (ou guitarra) competente e uma voz doce e sussurrada. Os segundo e terça parte da trilogia, « Paradiso » (1997) e « Juventude / Slow motion bossa nova » trarão seu lote de clássicos como "Polaroides'', "Samba é tudo'" e sobretudo a marca registrada “Slow motion bossa nova”, que se projetará, a ponto da canção vir a ser trilha sonora de quatro campanhas comerciais que tiveram como musa inspiradora Gisèle Bünchen (para sandálias de praia!). Numa entrevista, Celso comentou divertidamente que Gisèle pensou que ele compôs inspirado por seus belos olhos – o que nunca irá negar! – mesmo que a canção já existisse já havia alguns meses.
Apesar do reconhecimento dentro de seu próprio país, ele encontrou a maior dificuldade para ser contratado para uma nova gravadora brasileira –como ele me contou numa entrevista na época- e assim foi um selo belga chamado Ziriguidum / Cramned, que aproveitou rapidamente a oportunidade de colocar seu nome em seu catálogo. A Ziriguidum já tinha conseguido, na época, de contratar a Bebel Gilberto para seu primeiro disco, que se tornou sucesso mundial.
É então o álbum « Natural », que sai na Europa e nos Estados Unidos, que conta em seu repertório com outras novas pérolas como Meu samba torto e A Origem da felicidade. É interessante notar que raras são as compilações de Bossa mundo afora que não contem com pelo menos um dos títulos cittados aqui.
Sob o mesmo selo belga, sairá ainda « Rive gauche Rio » (2005), dispensável, antes de ressurgir sob o selo EMI, com « Feriado », que, infelizmente, aliará a facilidade comercial nos arranjos e na produção.
Referindo-me ao post precedente, relativo à data de 12 de agosto de 2008, é quando então Celso Fonseca grava no Canecão, no Rio de Janeiro, seu primeiro dvd, que deveria revelá-lo definitivamente aos olhos do público.
Mas o resultado, no entanto, me deixou perplexo, uma vez que frente a Celso, nos sentimos na presença de um compositor e musicista muito bom, mas ele não é desses artistas que se apropriam de uma nova roupagem no palco. O show do dvd nos levam as boas canções do artista, mas a apresentação falta de fôlego, e nos leva rapidamente à um certo aborrecimento. E mesmo que Roberta Sá ("A Voz do coração") ou Ana Carolina ("Um dia de domingo") contribuam com um pouco de vida, Gilberto Gil passa completamente ao lado do assunto interpretando Is this love de Bob Marley, e "Palco" – do seu repertorio próprio. Mal começa cantar « I Wanna love ya… ! », que sentimos que a interpretação será árdua. O baiano estava num mal dia – esse exatamente – prejudicando o que seria a noite da gravação...
Por alto, se « Celso Fonseca ao vivo » parecer um dvd um tanto morno, restará ao menos o mérito de levar seu nome ao conhecimento daqueles que desejavam conhecer esse muito bom compositor.


SLOW MOTION BOSSA NOVA (Fonseca/ Bastos), pub avec Gisèle Bünchen
CELSO FONSECA: "Queda" (Luciano Salvador Bahia)




samedi 10 janvier 2009

La pop « haute couture » de Paula Toller.

Paula Toller: égérie chic de la pop brésilienne

(texto em português em baixo)*

Où étiez-vous et que faisiez-vous le 12 août de l’année dernière ?

Peu de chances que vous vous en souveniez, à moins que vous ayez été aimablement conviés à ma table pour honorer, comme il se doit, la date de mon anniversaire…Ou encore, que vous vous soyez rendus à un des deux concerts donnés simultanément ce jour-là dans la zona sul de Rio de Janeiro. Deux concerts qui allaient être immortalisés sur cd et dvd et qui furent ingénieusement mis sur le marché entre-temps pour les fêtes de fin d’année.
Ce 12 août donc, dans le quartier de Leblon dans la salle Oi Casa Grande, la très glamour Paula Toller enregistrait le show de la tournée « Nosso ». Et à 15 minutes de là, en taxi, Celso Fonseca jouait au Canecão de Botafogo, au milieu de quelques invités prestigieux dont Gilberto Gil, Ana Carolina ou Roberta Sà…
Quel dilemme si nous nous étions retrouvés dans la ville merveilleuse…
En fait, pas tant que ça, à en voir le résultat qui nous est livré en dvd.
Mais d’abord quelques mots sur ces deux artistes, et aujourd’hui Paula Toller
La chanteuse est une figure centrale de la mouvance pop/ rock qui balaya tout le Brésil au début des années 80. Les points névralgiques de cette nouvelle tendance se situaient à Brasilia avec des groupes comme Legião Urbana, Paralamas do Sucesso ou Capital Initial ; à São Paulo avec Titãs, Ira !, ou Ultraje á rigor ; ou enfin à Rio avec Barão Vermelho, Blitz, ou Kid Abelha qui animaient la ville et les ondes de radio Fluminence qui jouait les démos de cette génération de nouveaux groupes. Il en existait d’ailleurs des dizaines d’autres, mais je cite ici ceux qui ont perpétué une belle carrière.

Kid Abelha: Bruno Fortunato, Paula Toller et George Israël

En 1981, la blonde Paula (qui ne l’était pas à l’époque !), avec le bassiste Leoni, le guitariste George Israël, et par la suite Bruno Fortunato, allaient former le groupe Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, qui deviendra un peu plus tard tout simplement Kid Abelha. Une première démo –Distração- en 1982, un premier single Pintura Intíma produit par le rockeur devenu pop star, Lulu Santos, et le groupe s’envole déjà vers les hautes sphères du succès national grâce à son premier album (1984), « Seu espião ». Un disque qui comportera l’irrésistible « Como eu quero ».
En 1986, Leoni, également brillant compositeur, sort du groupe qui se présente alors comme un trio où chacun des protagonistes possède son rôle propre : Paula qui attire toute la lumière, l’exubérant George Israël qui s’occupe des arrangements et qui se partage entre la guitare et le saxophone, et Bruno Fortunato, le guitariste taiseux et taciturne : le musicien un peu dans l’ombre.
Le but ici n’est pas de faire l’historique du groupe, mais il faut savoir que Kid Abelha, dont la carrière est faite de quatorze albums en 25 ans, n’a jamais connu de période noire, a accumulé les hits, et demeure depuis longtemps le plus gros vendeurs d’albums de toute la pop brésilienne. Son dvd « MTV Acústico » réalisa l’exploit d’être vendu à plus d’un million d’exemplaires en 2002 et resta pour chaque année qui suivit une des meilleures ventes du marché jusqu’à aujourd’hui ! La pop de Kid Abelha est simple et efficace, de qualité, mais la personnalité de Paula Toller fait pour beaucoup dans le succès du groupe. Son image d’actrice blonde française classieuse (une Catherine Deneuve des années 60), sa beauté froide de papier glacé, ont fait de Paula Toller une icône sexy de la MPB. Sa voix, qui pourtant ne la range pas parmi les virtuoses, charme par un timbre tout personnel qui reflète parfaitement son apparence. Tout réside dans son interprétation qui ne se risquera jamais à l’improvisation, ni ne sortira des lignes préalablement tracées, mais qui possède un charme de par cette sorte de distanciation.
Sans vouloir mettre une fin au groupe, Paula décida de mener une vie artistique parallèle en 1998, avec un très bon premier album solo, suivi un peu moins de 10 ans plus tard, par « Sónós » (2007).
Cet album raisonnable, ainsi que le dvd/cd « Nosso » qui vient donc de sortir, furent encensés par la critique de manière assez exagérée. Comme si la chanteuse -qui est aussi devenue une icône gay- avait hypnotisé toute la gente masculine. Et c’est vrai que sa ligne de mannequin impressionne pour ses 46 ans.

L'entrée en scène de Paula Toller: un streap tease à l'envers...

Un excellent ami et lecteur assidu de ce blog, présent au concert du 12 août, m’avait fait part de son ennui durant le show. Un ennui que j’ai hélas retrouvé à la vision de « Nosso », le dvd.
Tout est esthétiquement parfait et étudié avec minutie, mais face à un parterre gagné à sa cause, la chanteuse n’arrive pas à imposer son charisme. Les chansons ne sortent pas des versions enregistrées, sa prestance sur scène paraît bien empruntée, et l’interaction avec le public est modérée. Seule, son entrée sur scène cinématographique, lorqu’elle chausse ses escarpins à haut talon, apporte un côté érotico ingénu qui s’évanouit par la suite. Et je préfère ne pas commenter la reprise de ces classiques de la samba que sont E O mundo não se acabou et 1800 colinas. Un univers qui n’est pas vraiment le sien.
Mais que l’on se rassure pour la belle, l’album et le dvd sont déjà des records de ventes poussés par le medley Sáude/ Só love, qui est martelé en radio…Voici cependant un bon moment du show...

*Eis aqui a tradução do texto destinado ao leitores francôfonos, ou seja que indica fatos que muitos dentre vocês, brasileiros, já sabem...

O pop “alta costura” de Paula Toller

Onde você estava e o que fazia em 12 de agosto do ano passado?
São poucas as chances de que você se lembre; a não ser que você tenha sido amavelmente convidado para sentar-se à minha mesa para comemorar o dia do meu aniversário, o que teria sido ótimo…Ou ainda, que tenha optado por um de dois shows que aconteceram simultaneamente na zona sul do Rio de Janeiro. Dois shows que foram imortalizados em cd e dvd, e ingenuamente lançados no mercado mais à frente, visando as festas de fim de ano.
Nesse 12 de agosto passado, então, na sala Oi Casa Grande, no bairro do Leblon, a glamurosa Paula Toller lançava o show da tournée “Nosso”. E a quinze minutos de táxi dali, no Canecão, em Botafogo, Celso Fonseca tocava, em meio a convidados de prestígio como Gilberto Gil, Ana Carolina e Roberta Sá
Que dilema se eu estivesse nesse dia na Cidade Maravilhosa...
Na verdade, até certo ponto, é possível avaliar o resultado através do material lançado em dvd.
Mas acima de qualquer chavão acerca desses dois artistas, e atualmente Paula Toller…
A cantora é uma figura central na mudança do pop / rock que sacudiu todo o Brasil no início dos anos 80.
Os pontos nevrálgicos dessa nova tendência concentravam-se em Brasília, onde nasceram grupos como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Capital Inicial; em São Paulo, com os Titãs, o Ira !, e o Ultraje a Rigor; e enfim, no Rio, com Barão Vermelho, Blitz e Kid Abelha – animando a cidade através das ondas da Rádio Fluminense, que tocava os demos dessa nova geração de grupos. Existiam dezenas de outros, mas menciono aqui aqueles que perpetuaram uma carreira consistente.
A loura Paula (que nem era loura naquela época!), junto com o baixista Leoni, o guitarrista George Israël, e um pouco mais tarde, Bruno Fortunato, iriam então formar o grupo Kid Abelha e os Abóboras Selvagens em 1981, que viriam a denominar-se simplesmente Kid Abelha depois. Uma primeira demo – Distração; e em 1982 um primeiro single, “Pintura Íntima”, produzidos pelo roqueiro e futuro pop star Lulu Santos, levou o grupo mais para perto das altas esferas do sucesso nacional, conquistado através de de seu primeiro álbum – “Seu Espião” (1984). Um disco que contém a irresistível “Como eu quero”, entre outros. Em 1986, o Leoni, compositor brilhante e fornecedor de muitos sucessos do Kid, sai da banda que passa a apresentar-se como um trio, no qual cada protagonista desempenha seu próprio papel. Paula, que lança toda a sua luz; o exuberante George Israël, que se ocupa dos arranjos e que se divide entre a guitarra e o saxofone; e Bruno Fortunato, o guitarrista calado e taciturno: o músico um pouco na penumbra.
A questão aqui não é traçar o históico do grupo, mas é importante que se diga que o Kid Abelha, com uma carreira de 14 álbuns em 25 anos, jamais passou por uma fase difícil: produziu um montão de hits iresistiveis, e deve ser simplesmente o maior vendedor de discos de todo o pop brasileiro, se não me engano.
Seu dvd “MTV Acústico”, conseguiu o fenômeno de ter vendido mais de um milhão de cópias em 2002, e deixou para cada ano subsequente a marca de um dos melhores vendedores do mercado fonográfico até os dias de hoje! O pop do Kid Abelha é simples e eficiente, de qualidade, mas a personalidade de Paula Toller contribiu muito para o sucesso do grupo. Sua imagem de atriz loura francesa “classuda” (como Catherine Deneuve nos anos 60) e sua beleza fria de papel fitrificado, fizeram de Paula Toller um ícone sexy da MPB. Sua voz, que no entanto não a coloca no círculo das virtuoses, seduz por um timbre todo pessoal, que reflete perfeitamente sua aparência. Tudo reside em sua interpretação , que não se arriscará jamais à improvisação, nem tampouco sairá dos trilhos pré-traçados, mas que passa um charme exatamente por essa espécie de distanciamento.
Sem desejar o fim do grupo, Paula resolve desenvolver uma via artística paralela em 1998, com um primeiro álbum solo muito bom, e um segundo trabalho pouco menos de dez anos mais tarde, em 2007, “Só nós”
Esse álbum razoável, assim como o cd /dvd “Nosso”, que acaba então de sair, foram incensados pela crítica de maneira bastante exagerada. Como se a cantora – que também tornou-se um ícone gay – tivesse hipnotizado todo o público masculino. E é verdade, sem dúvida, que seu corpo impressiona, especialmente em se tratando de uma mulher de 46 anos.
Um grande amigo meu e leitor assíduo desse blog, que foi ao tal show do dia 12 de agosto, me fez compartilhar de seu tédio durante o espetáculo. Um tédio que eu já havia pressentido assitindo ao dvd “Nosso”. Tudo é esteticamente perfeito, e estudado milimetricamente; mas em vista de uma platéia já pré-conquistada, a cantora não chega nem a exibir seu carisma. As canções não fogem das versões gravadas, sua presença em cena parece um tanto morna, e a interação com o público é moderada. Só sua entrada em cena é cinematográfica, quando ela então calça seu scarpin de salto alto, instala um leve clima ingênuo-erothique que se dissipa em seguida. E eu prefiro nem comentar a reprise dos clássicos do samba como “E O mundo não se acabou” e “1800 colinas”. Um universo que não é verdadeiramente o dela. Mas podem ficar tranquilos pela bela Paula: o álbum e o dvd já são recordistas de vendas, puxados pelo mix Sáude / Só love, que toca no rádio sem parar...Eis aqui porém, um bom momento do show, e um clipe de 1991 da Paula com os meninos do Kid Abelha


PAULA TOLLER: "Derretendo satélites"
/ KID ABELHA: "Grand Hotel" (clip original)




mardi 6 janvier 2009

Vers la discothèque parfaite de 2008...

ADRIANA CALCANHOTTO : « Maré »
Voici donc l’album d’une artiste arrivée au sommet de son art. Et dieu sait si Adriana avait déjà signé des albums d’anthologie avec « A Fabrica do poema » ou « Marítimo ». D’ailleurs quand on y regarde de plus près, « Maré » n’est en vérité que son quatrième album de carrière si l’on excepte « Público » et l’intermède "Adriana Partimpim".
« Maré » navigue dans cette dualité constante qui fait l’art de la chanteuse : le minimalisme d’un João Gilberto et l’exubérance du tropicalisme. « Maré » est un album subtil, intimiste, intellectuel, mystérieux mais aussi par instants léger et insouciant. Presque frivole.
Tous ces ingrédients avec lesquels l’artiste n’a jamais cessé de jongler, elle les maîtrise et les équilibre de manière parfaite, signant de par là même, son meilleur album, et l’album de l ‘année. Et ceci d’un avis assez unanime si l’on compile les diverses chroniques récapitulatives de la presse brésilienne.
« Maré » nous offre onze titre habillés de tonalités colorées par ceux qui font la nouvelle sonorité à Rio depuis quelques années, c’est-à-dire la bande « +2 » constituée de Kassin, Domenico Lancelotti et Moreno Veloso. Et au niveau des co-compositeurs, Adriana retrouve Péricles Cavalcanti (Porto Alegre), Dé Palmeira (Seu pensamento), le défunt Waly Salomão (Teu nome mais secreto) ou encore Arnaldo Antunes (Para lá). Ce sera pourtant Mulher sem razão du trio Dé, Bebel Gilberto et Cazuza, qui donnera le titre phare de cet album, comme l’avait été Mais feliz en 1998, pour l’album « Marítimo »

PEDRO LUIS E A PAREDE : « Ponto enredo »
Comme d’autres pointures issues des années nonante, Pedro et son groupe est revenu avec un nouvel album en 2008, après plusieurs années d’absence. Bien sûr, il y eu le projet « Vagabundo» en 2005, mais son dernier album d’inédit « Zona e progresso » datait déjà de 2001. Pedro Luis fait bien plus que répondre à l’attente de ses fans. « Ponto enredo » apparaît certes moins sauvage que ses trois prédécesseurs, mais il apparaît comme l’album le plus régulier et certainement le mieux produit du groupe (par Lenine en l’occurrence). Que l’on ne s’y trompe pas : la force percussive d ‘A Parede (mur rytmique) est toujours impressionnante, et les guitares cinglantes et la voix puissante de Pedro ne font pas dans la bluette. Mais le groupe n’hésite pas à se lancer de manière sensible dans un style de samba plus traditionnelle avec Ela tem a beleza que nunca sonhei (participation de Zeca Pagodinho), Mandingo (cosigné avec Roque Ferreira), 4 horizontes ou encore Cantiga. Les compositions adoptent également un ton plus lyriques grâce au sens mélodique de Zé Renato sur Luz de Nobreza et Cabô, mais Pedro Luis e a Parede ne se fait pas oubliés de ceux qui les ont aimés à leur début avec le violent et efficace Tem juiz mas não usa qui nous scotche littéralement au mur. Encore un grand album pour la bande, et un des disques de l’année…

ED MOTTA : « Chapter 9 »
Voici l’album qui énerve tout le monde comme peut agacer un premier de classe ou n’importe quel surdoué ! Ed Motta est de ceux-là. Interprète exceptionnel, multi instrumentiste, fin mélodiste qui tire le meilleur du jazz, de la soul, du rock , du pop, et même du disco, Ed signe avec « Chapter 9 » son meilleur opus, ayant gardé le meilleur de ses albums plus expérimentaux qu’étaient « Dwitza » (2002) et « Aystelum » (2005). Chacune des dix plages est une petite perle, quel que soit le style qu’il aborde (même le chouette clin d’œil aux comédies musicales avec The Runaways), et il serait intéressant de savoir quel serait la carrière d’un tel disque sur les terre étrangère puisque, caractéristique singulière, il est intégralement chanté en anglais. Pour un des trois meilleurs disques brésiliens de l’année, ce serait le seul reproche qu’on pourrait lui faire. Mais Ed n’a cure de la langue dans laquelle il chante. Il n’a jamais écrit une ligne de ses textes (tous ici de Robert Gallagher), et il se noie dans sa musique dont il joue ici tous les instruments. Ah oui…il s’occupe aussi seul de la production et des arrangements…Un type énervant, je vous dis !

SUELY MESQUITA : « Microswing »
L’album « Microswing » de Suely Mesquita -une des perles de 2008- semble être passé complètement inaperçu de la presse spécialisée brésilienne. Et pourtant cette interprète compositrice est loin d’être une inconnue dans le milieu musical. Outre son job de préparatrice vocale pour de nombreuses stars de la MPB, ses compositions furent sollicitées par de grands noms comme Ney Matogrosso, Paulinho Moska, Fernanda Abreu et bien d’autres encore. Zona e progresso, qui ouvre l’album, donna d’ailleurs son nom à l’album de Pedro Luis e a Parede de 2001.
Suely propose une pop acoustique un peu en marge, décalée, qui flirte çà et là avec le flamenco (On the rocks), le blues (John Wayne) ou la bossa avec le magnifique Qualquer lugar. Mais outre la grande qualité des compositions de l’artiste (avec des participations de Zélia Duncan, Chico César, Zeca Baleiro, Mathilda Kovak, Pedro Luis…), c’est son interprétation nonchalante, presque désabusée à la limite de la décadence qui fascine et place « Microswing » dans un créneau en marge de la pop formatée. Comme dans le clip de Catástrofe (voir Youtube), Suely aime jouer avec une douce insolence. Mais que l’on ne s’y trompe pas, les textes n’ont rien de nihiliste, et sonne d’une belle poésie parfois touchante (Blues para Ryta). Un très bel album qui fut l’une des rares révélations de cette année écoulée.

NEY MATOGROSSO : « Inclassificaveis »
Á la base, « Inclassificaveis » était un show avant de devenir un album. Un show qui d’ailleurs continue de figurer à l’affiche au Brésil depuis un an et demi déjà. Mais Ney, éternel perfectionniste, a voulu enregistrer sa récolte de 16 titres, faite de reprises mais aussi, comme à son habitude, de chansons de nouveaux compositeurs, pour une parfaite perception de son travail. Et il n’a jamais aussi bien chanté, que ce soit en subtilité ou en puissance. « Inclassificaveis » apparaît comme un album dense, parfois très sérieux et peu frivole. Au travers des 16 titres, on a le temps de voyager dans différentes ambiances. Des pages rock que sont O Tempo não para (Cazuza/ Arnaldo Brandão), Mente, Mente (Robson Borba), au chorinho Leve, en passant par les imparables mélodies que sont Mal necessario ou le splendide Um pouco de calor, rien n’est superflu ni aléatoire. D’autres rythmes latins sont encore au programme çà et là. Si Ney a décidé d’inclure 16 titres à son album (ce qui serait de trop pour n’importe quel artiste), c’est qu’il considère que chaque morceau a sa raison d’y figurer, et qu’il n’y a rien à jeter…Et il a raison.
S’il me faut consacrer un artiste pour 2008, Ney se distingue sans concurrent. Outre cet excellent album (dans lequel on ne rentre pas de suite), il y eu donc ce fantastique show homonyme, ses diverses participations aux travaux d’autrui, et enfin le magnifique hommage qui lui a été rendu sous forme d’un coffret luxueux comprenant les 15 premiers albums de ce caméleon de la MPB. Á 67 ans, Ney prouve qu’il est dans une forme olympique, et qu’il est loin de vouloir jeter le gant.

ZECA BALEIRO : « O Coração do homen bomba, vol 1 & 2 »
Pour son retour sur le marché discographique, Zeca Baleiro a choisi la démarche singulière de lancer deux albums à trois mois d’intervalle, en août et en novembre 2008. Enregistrées en même temps, les 27 chansons nous amènent cependant, selon le volume, dans des atmosphères bien différentes. Festives, légères et malicieuses pour le volume 1; sérieuses, introspectives et plus pop et rock pour le second volet. Celui-ci nous rappelle vers son dernier album en date, « Baladas do asfalto e outros blues » (2005).
Á partir de là, chacun choisira son volume préféré, mais force est de constater que l’artiste a réussi son audacieux pari. « O Coração… » n’est sans doute pas aussi essentiel que « Por onde andará Stephen Fry » (1997) ou « Pet shop mundo cão » (2002), mais il prouve que l’artiste, même s’il trébuche , n’est pas en manque d’idées et de créativité tant au niveau musical qu’au niveau de ses textes, toujours bien imprégnés de l’ironie et du langage propre à l’artiste. Zeca Baleiro est un artiste majeur de la MPB issue des années 90, et son double album est une réussite.

CHICO CÉSAR : « Francisco Forró y Frevo »
Chico César ne s’embarrasse pas de s’avoir s’il va plaire à son public. Déjà, il nous avait pris à contre-pied avec « De uns tempos pra ca » (2005), album élitiste et intimiste sur lequel il s’entourait d’un quintete à cordes du Paraná. Á nouveau, avec « FFF », c’est un virage à 180 degré qu’il aborde en nous livrant 14 titres qui forment un véritable abécédaire des musiques du Nordeste : forró, frevo et baião s’entrechoquent et se mêlent sur cet album entièrement constitués d’inédits. Car l’artiste, comme d’aucun l’aurait fait, ne s’est pas contenté de reprendre 14 standards du genre… Ou plutôt des genres. Et sa maestria de compositeurs n’est pas démentie. On peut presque dire qu’il apporte au patrimoine musical brésilien 14 nouveaux classiques. Le petit prodige du Céara signe donc ici un album qui servira de référence qui a méritoirement reçu une presse élogieuse, à défaut d’un succès populaire.
P.S : « FFF » n’est pas sans rappeler le festif « Muitos carnavais » (1975) d’un certain Caetano Veloso.

PAULA MORELENBAUM : « Teleco-teco »
Qui aurait pu croire début 2008, que l’album de Paula Morelenbaum, -bonne chanteuse, mais de peu d’originalité- allait se classer dans la liste des préférés de la plupart des critiques musicaux brésiliens. D’ailleurs, l’idée de l’ancienne choriste de Jobim de vouloir construire un album autour de thèmes ayant été composés entre 1930 et 1960, est certes brillante quoique déjà souvent exploitée. Seulement voilà, tandis qu’on nous gave les oreilles depuis deux décennies avec des versions de classiques de la Bossa digérées à la sauce électro-bidouillage, Paula nous montre qu’on peut moderniser de splendides thèmes sans devoir recourir aux dj’s, leurs platines, et leurs samplers. Ce qui ne veut pas dire qu’il faille s’en passer non plus…
Pour ce cinquantenaire de la Bossa Nova, la chanteuse a donc sélectionné des titres qui ne sont pas issus du genre mais qui, dix ou vingt ans auparavant, en avaient déjà l’esprit. Et tant son interprétation que les arrangements des instruments acoustiques et électroniques se mettent au service de la composition. Mais Paula va plus loin encore en habillant chaque chanson de manière surprenante -et de bon goût !- comme la reprise légèrement salsa de Você não sabe me amar (Dorival Caymmi) ou les retouches rythmiques de O Que vier eu traço (Alvaiade/ Zé Maria) ou de Teleco-teco (Calcas/ Pinto).
Et si le classique Manha de Carnaval (Luis Bonfá) reste dans l’esprit original, le prix de la meilleure adaptation est attribué au sublimissime Ilusão à toa (Johnny Alf), qui nous prend totalement à contre-pied. L’album a de plus la bonne idée de nous faire découvrir quelques perles moins connues comme cet obscure Luar e batucada du duo Jobim/ Newton Mendonça.
Tout le concept (et la conception !) est à attribuer à Paula, aidé dans sa tâche par une équipe de choc constituée par des pointures comme
João Donato, Marcos Valle, Chico Pinheiro, Leo Gandelman ou Ryuichi Sakamoto.
Même fait uniquement de reprises, « Teleco-teco » est une véritable création, et de par là même, se doit de figurer dans le liste des meilleurs albums de l’année.

LENINE : « Labiata »
J’avoue qu’il m’aura fallu quelques écoutes pour que « Labiata » s’impose comme l’un des albums indispensables de 2008. Les fans de Lenine, dont je suis, auront attendu six années pour que le lion du Pernambuco daigne sortir enfin un album d’inédits. Le dernier, « Falange canibal », datait en effet de 2002.
A priori très hermétique, « Labiata » prend son temps pour installer son climat sombre et angoissant. Les guitares dissonantes, hypnotiques, et la voix faite mystérieuse en demi teinte de Lenine, nous amènent vers cette ambiance glauque comme sur les trois premières plages qui ouvrent l’album : Martelo bigorna, Magra et Samba e leveza. Et au fur et à mesure, la fleur « Labiata » -du nom d’une orchidée- s’avère être vénéneuse et carnivore. Vous l’effleurez d’un doigt, e c’est tout le bras qui y passe…
Et tandis que vous êtes enfin installés dans cette atmosphère de cimetière au crépuscule, « A Mancha » et « O Céu é muito » vous rappellent au bon souvenir du funk/ rock propre à l’artiste. Vous l’aurez compris, « Labiata » est un album rempli d’une densité électrique d’avant l’orage, et s’il n’est pas le chef d’œuvre de Lenine (qui reste « O Dia em que faremos contato » de 1997), il s’impose comme une des meilleures productions de 2008.

COMPANHIA ITINERANTE : « Sendo eu »
La scène alternative du Brésil regorge d’une multitude de groupes rock en tout genre. Mais depuis Los Hermanos (1999-2005), aucun d’entre eux ne semble pouvoir dribler les circuits commerciaux comme l’avaient fait brillamment les quatre barbus. Cependant, s’ils confirment, les membres du groupe Companhia Itinerante pourraient bien être la petite lueur qui manque pour l’instant dans l’univers du rock brésilien. Avec « Sendo eu » sorti début 2008, nous sommes mis en présence d’un groupe qui se veut sans prétention, mais qui apparait néanmoins bien plus doué que la moyenne. L’album propose un rock léger qui flirte avec la samba, la rumba, et parfois l’insouciance des mélodies des années soixante (Jovem Guarda, Beach Boys), mais avec un son brut de décoffrage… Du genre, on branche les instruments et on enregistre : une batterie, des percussions, une basse, deux guitares rythmique (pas de solos !) et la voix sans fioriture de Caio Figueiredo. Ce dernier est d’ailleurs l’unique compositeur des 12 titres offerts ici. Les chansons sont particulièrement efficaces, moins ingénues qu’elles n’y paraissent, et il n’est pas impossible que le « rock simpatia » (comme ils le baptisent) de Companhia Itinerante constitue un phénomène salvateur sur une scène rock un peu en léthargie sur le plan national. On n’attend que cela !

SKANK : « Estandarte »
Il est loin le temps où Skank pouvait dépasser le million d’exemplaires vendus comme avec « Calango » (1994) ou « Samba Poconé » (1996). Non pas que le groupe soit devenu moins bon –que du contraire-, mais quel artiste, à notre époque, peut encore se targuer de dépasser ce résultat (si ce n’est quelques prêtres chanteurs évangélistes !).
Le marché est bouleversé, mais Skank s’est affirmé tout au long de ses quinze ans de carrière comme le meilleur groupe pop du Brésil. Et « Estandarte », leur dixième opus, est encore là pour nous le confirmer. Le groupe de Belo Horizonte continue à explorer tous les recoins du style, en imposant des titres irrésistibles mais sans faire de concessions. L’album est plus rock et plus « dance » que ses prédécesseurs et contient son lot de tubes à venir, mais la bande à Samuel Rosa ne cède pas à la facilité ni à la formule comme le prouve Chão ou Saturação. En fait, ce qui marque à l’écoute de l’album, c’est que chaque membre possède plus que jamais la maîtrise de son instrument. Et de son côté, Samuel Rosa, qui signe tous les morceaux, n’a jamais aussi bien chanté. Bref, les 12 titres (dont quatre cosignés avec Nando Reis) d’« Estandarte » l’imposent comme le manuel de la pop parfaite de 2008.

JARDS MACALÉ : « Macão »
Artiste en marge du Tropicalisme avant d’être en marge de la MPB tout court, poison de la censure dictatoriale des années soixante, Jards Macalé est -avec le poète Waly Salomão- la figure la plus représentative de la contre-culture du post tropicalisme. Plus simplement dit, un enfant terrible subversif et un troublion de la musique populaire brésilienne. Une présentation par ailleurs non obligatoire pour reconnaître les grandes qualités intrinsèques de cet album. Tout au long de sa petite production discographique, Macalé a toujours privilégié le format voix et guitare, un instrument qu’il joue d’ailleurs de manière peu orthodoxe ! « Macão » (de son surnom) n’est que son dixième album en 40 ans de carrière, et de fait, il ne s’agit même pas d’un album d’inédits. Seuls, trois titres sur les onze voient le jour sur cet album. Alors quoi ? Et bien il suffit d’entendre la profondeur de l’interprétation de l’artiste pour comprendre qu’il n’est pas trop tard pour découvrir ce personnage singulier et attachant.
L’album pourrait se diviser en deux parties. D’abord celle où l’artiste se fait plaisir en reprenant des standards qui, au travers de sa voix, acquièrent une dimension poignante. De Corcovado de Jobim à Ronda de Paulo Vazolini en passant par une énième reprise de Ne me Quittes pas de Brel et enfin Só assumo só de Luiz Mélodia, artiste auquel il s’apparente beaucoup au niveau vocal. Quant à la deuxième partie, qui concerne ses compositions, il alterne la légèreté du chorinho Se você quiser ou de la sambinha O Engenho de dentro, avec l’intensité dramatique du suberbe Boneca semiotica (de 1975) . Un album qui peut ainsi paraître un peu fourre-tout mais qui possède par sa densité, une cohésion impressionnante.

MARIA BETHÂNIA & OMARA PORTUONDO
Sans doute cet album qui réunit les deux grandes divas que sont la brésilienne Maria Bethânia et la cubaine Omara Portuondo, mérite-il plus qu’une simple chronique respectueuse et consensuel face aux talents de ces deux grande dames. Le voyage musical que nous proposent Bethânia et Omara s’avère d’une belle délicatesse. Trop subtile peut être, car l’invitation qui nous est faîte ne nous pousse que tièdement à y participer dès la première audition. Le répertoire est soigné, l’interprétation évidement exceptionnelle, mais à priori rien ne nous mène vers une folle émotion échevelée. Il ne faut pas s’attendre à des effusions chaleureuses que la musicalité de ces deux pays nous apporte généralement. Ce côté caliente ne se retrouve d’ailleurs que sur le peu de titres que les chanteuses divisent, c’est-à-dire quatre sur onze. Parmi elles, la salsa Tal vez ou le chorinho Marambaia. Non…C’est vers les mélodies empruntes de nostalgie et de mal d’amour, les inclinaisons vers le boléro (style très en vogue aussi au Brésil dans les années 40 et 50), que l’on trouve les autres très belles plages de cet album. Une œuvre bien sûr très calculée, esthétisante, sans faille ni faute de goût, que l’on préférera peut-être au dvd constitué de 26 titres, qui par sa longueur finit par tuer l’émotion. Quoi qu’il en soit, plus que Roberto Carlos et Caetano Veloso, ou Milton Nascimento avec la famille Jobim, la rencontre d’Omara et Maria Bethânia fut sans conteste la plus belle de l’année.

MILTON NASCIMENTO & JOBIM TRIO : « Novas bossas »
Il aurait fallu que 2008 soit exceptionnellement prolixe en albums de grande qualité pour que nous puissons nous permettre d’exclure cette grande rencontre musicale qui réunit Milton Nascimento au trio composé de Daniel et Paulo Jobim, et de Paulo Braga. Et pourtant la critique ne se montra pas dithyrambique. En cause, l’inclusion au répertoire de grands classiques de Milton mêlés au strandards d’Antônio Carlos Jobim, et la sois-disante dégradation de l’interprétation du chanteur à la voix céleste. Dans les deux cas, je me permet de m’inscrire en faux. « Novas Bosas » se révèle d’abord admirablement construit. Les cinq premières plages qui ouvrent l’album préparent une voie royale aux compositions du Maître. Tel une première partie de luxe : trois superbes reprises du répertoire de Milton nullement superflues –Cais, Tudo que você podia ser et Tarde-, un thème de Daniel Jobim, et le minimaliste et sublime O Vento de Dorival Caymmi. Un sans faute.
A partir de là, s’enchaînent huit titres de Jobim, connues ou plus obscures (excepté le très beau Medo de amar signé Vinicius de Moraes) qui, c’est vrai, pêchent parfois par une interprétation peu adaptée. Certaines chansons souffrent d’une charge émotionnelle trop forte à travers la voix de Milton, principalement pour les plus titres plus rythmés comme Brigas, nunca mais ou Chega de saudade. De fait, le chanteur est en quelque sorte l’antithèse du minimalisme des chanteurs proprement bossa novistas comme Joao Gilberto. Il n’empêche que dans Caminhos cruzados ou Inútil paisagem, l’intensité dramatique de Nascimento porte les compositions vers des versions définitives. On notera bien sûr la haute tenue des arrangements et la couleur instrumental qui apporte une belle cohésion à l’album. Véritablement, le pari de « Novas Bossas » était ardu et tout le groupe a réussi à nous livrer un très beau travail.

ZÉ RENATO : « É tempo de amar »
Zé Renato fait partie de ses interprètes qui possèdent le pouvoir de changer l’eau en vin. Une chanson quelconque peut devenir une petite perle au travers de sa voix. Un don que possède aussi un Caetano Veloso ou une Maria Bethânia. Dans « É tempo de amar » , le chanteur donne une relecture d’anciens standards de la Jovem Guarda, l’équivalent chez nous de la vague yé-yé du début des années soixante. Le résultat est une délicieuse sucrerie, un disque d’été délicat, qui ressuscite des mélodies parfois bien simplettes, mais qui font partie de la mémoire collective du Brésil. La voix de miel (et non mielleuse !) de Zé Renato fait des miracle et les arrangements sont d’une telle légèreté qu’ils nous mettent en apesanteur, et c’est un vrai bonheur…

MOINHO : « Hoje de noite »
Le groupe essentiellement bahianais Moinho a sans doute signé un des meilleurs albums festifs de l’année écoulée. Ce trio formé autour de la percussionniste Lanlan (Cassiá Eller, Nando Reis, Os Elaines…), compte aussi en son sein, la chanteuse et actrice très glamour Emmanuel Araújo et le guitariste Toni Costa. Qu’on se rassure, aucune trace de musique axé bon marchée, mais bien des compositions consistantes très enlevées et très fun, marquées par les percussions et les guitares des Trios elétricos bahianais qui ne sont pas sans rappeler les Novos Bahianos. Un rapprochement d’autant plus facile à effectuer quand on note ici la participation de Moraes Moreira et de son fils Davi Moraes. Présent aussi Nando Reis, ou la mineira de Bahia, Jussara Silveira. « Hoje de noite » est un vrai petit carnaval enthousiasmant où l’on notera le très beau Doida de varrer d’Ana Carolina et Chacal, ainsi que les bonnes adaptations de Baleia da Sé (Riachão) et Saudade da Bahia (Dorival Caymmi). Petit faible personnel aussi pour Ela briga comigo. Vraiment sympa…

ROBERTO MENDES : « Cidade e rio »
Fournisseur fidèle d’excellentes chansons pour Maria Bethânia (coécrites avec Jorge Portugal ou Capinam), Roberto Mendes est à coup sûr est des plus brillants représentants de la samba bahianaise, chaloupée, douce, et teintée de Calypso. Á ses côtés, on pourrait encore citer les excellents compositeurs que sont Gêronimo et Roque Ferreira.
« Cidade e rio », déjà le huitième album de Mendes, n’est peut-être pas le plus réussi, mais dans la production actuelle, il résonne d’une grande fraîcheur par son authenticité et le charme de sa poésie musicale qui opèrent tout au long des 12 titres. Il est respecté par ses pairs (ici il compte sur la participation de Guinga, Pedro Luis, Lenine et Alcione) même s’il n’est pas encore reconnu par le grand public. Voilà un chanteur, guitariste et compositeur à découvrir de toute urgence. Il serait temps !

ROSA PASSOS : « Romance »
Pour ceux qui en doutaient encore, Rosa Passos est la meilleure interprète d’esprit bossa nova que le Brésil compte en son sein. Constitué de musiciens exceptionnels, « Romance », dans un climat intimiste smooth jazzy, égraine de nombreux classiques (Nem eu, Tatuagem, Eu sei que gou te amar…) à écouter sous une lumière tamisée. Un délice…






ALINE MUNIZ : « Da pá virada »
Tandis qu’on attend la confirmation de nombreuses chanteuses issues de la récolte 2006-07, Aline Muniz fut une des rares petites nouvelles à sortir un album plus que raisonnable, annonceur d’une carrière en devenir. « Da pá virada » se révèle intelligemment commercial, et contient quelques hits prêts à être balancé les ondes FM comme Não vacile (déjà un tube) ou O Baile. Très efficace à défaut d’être déjà essentiel. Á suivre avec intérêt…



GLAUCIA NASSER : « A Vida num segundo »
Une musique pop classieuse sans faille pour cette chanteuse de São Paulo à la voix pleine de personnalité et d’assurance. Elle tient bien la note, pourrait-on dire…Pas mal de titres irrésistibles dont Vida em cena , Amor fugaz ou Sambista bom .
Sous-estimée par la critique brésilienne, bien à tort…

Bonus !
SEU JORGE : « America Brasil »
L’héritié du samba/ rock et samba/ funk de Jorge Benjor et du Trio Mocoto a lancé son « America Brasil » en décembre 2007 et de fait, ne pourrait figurer dans cette liste rétrospective de 2008. Alors, pourquoi sa présence ici… Les critiques qui ont lapidé son album au Brésil doivent maintenant se rendre à l’évidence que Seu Jorge a squatté les radios et a placé deux de ses titres – Burguesinha et Mina do Condominio- parmi les plus joués en radio durant toute l’année écoulée. Sans atteindre la qualité de son album « Samba esporte fino » (2001), il nous sort de l’apathique « Cru », lancé principalement pour attirer le marché étranger. Et surtout notre crooner nous ramène vers son groove irrésistible et répond donc à nos attentes. D’autres morceaux attendent en embuscade comme Mariana ou le lancinant Seu olhar, qui devraient faire une belle carrière radiophonique. Au final, un album bien meilleur –et surtout efficace- que les journalistes brésiliens accrédités ont bien voulu l’écrire…

lundi 5 janvier 2009

…Et c’est beau !

Bruxelles, lundi 5 janvier 14H/ Bruxelas, 5 de janeiro, 14H

Et oui, c’est beau la neige ! Mais c’est surtout très incommodant, et cela retarde le super long post prévu pour aujourd’hui, détaillant les 20 albums qui auront eu ma préférence en 2008. De même le programme Tropicalia n'aura pas lieu pour la même raison...En attendant, voici quelques considérations préalables et la liste qui vous sera décortiquée demain...

Bonita essa foto, não é ? Pois é, ela mostra a vocês como Bruxelas fica hoje com O°. E esperamos até -10° para terça feira !
Bonita a neve, sim, mais a cidade fica meio parada, atrapalhando minhas taréfas cotidianas e o post previsto com os meus 20 cd’s de 2008, com resenhas detalhadas (porém em francês). Depois de algumas consideraçoes, eis aqui a lista dos meus 20 mais...***Essa tempesta de neve tambem impede o programa Tropicalia desta noite...A pauta " O melhor de 2008" fica para a proxima semana...infelizmente!

-C’est guidé par de nombreuses sources journalistiques que j’ai pu acquérir un grand nombre d’albums qui me furent conseillés. Ceci ne pouvant empêcher qu’un certain nombre de productions me soient restées inconnues, soit à cause du faible tirage, soit qu’elles furent éditées par des petits labels marginaux. Le fait de ne pas habiter à la source, n’aidant pas non plus à l’achat des albums les plus obscures. Cependant la comparaison de cette liste avec de nombreuses autres parues au Brésil semble indiquer qu’elle n’est pas dénuée de fondement, que du contraire.

-2008 fut l’année du retour de nombreux artistes qui s’étaient fait rares sur la scène discographique depuis parfois de nombreuses années. C’est le cas de ces cadors issus des années nonante que sont Lenine, Zeca Baleiro, Pedro Luis e a Parede, Adriana Calcanhotto ou Chico César. En contrepartie, comparé à 2006 et 2007, l’apparition de nouvelles chanteuses talentueuses ou de nouveaux compositeurs semblent s’être calmée. 2009 devrait revoir la confirmation (ou non) de certains d’entre eux et espérons-le, de voir apparaître de nouveaux noms.

-Pour ceux qui reviennent de Mars ou de Vénus, l’année 2008 fêtait donc les cinquante ans de la Bossa Nova par de nombreux évènements, avec en point d’orgue les concerts de João Gilberto ainsi que de ceux de Roberto Carlos et Caetano Veloso. Cette dernière rencontre prestigieuse aura donné naissance en cette fin d’année, à un des cd/dvd’s les plus vendus pour les fêtes au Brésil. Et ce n’est pas fini. Mais en soit, cette commémoration n’aura pas engendré de nouvelles productions discographiques significatives.

-La Samba se porte toujours au mieux de sa forme, mais contrairement à ce que certains considèrent, les grands portes drapeaux du genre n’ont pas sorti de disques marquants de ce côté là. « Madrugada » de Mart’nália m’est apparu trop consensuel et facile, et « Uma prova de amor » de Zeca Pagodinho, une production tristement aseptisé.

-Depuis quelques années déjà, le produit dvd s’impose face à son cousin cd. Ainsi certains artistes ont davantage axé leurs nouvelles productions vers le support visuel. Parmi eux les excellents travaux de Tony Platão, Silvia Machete, Martinho da Vila, Bossacucanova, Olivia Byington et bien d’autres. Même la rencontre entre Maria Bethânia et Omara Portuondo a rendu un dvd qui contient 26 titres, contre 11 pour l’album. Beaucoup de journalistes ont de même pointé l’excellent « Arnaldo Antunes ao vivo no estúdio », pourtant sorti en 2007. Ici aussi le produit était d’avantage conçu pour un projet dvd.

-Quelques chiffres du marché du disque que j'ai pêchés aujourd’hui dans la presse. Ces chiffres sont à appliquer tant au niveau mondial qu’au niveau brésilien.
2008 est la huitième année consécutive de la baisse de vente du cd. 15% pour l’année écoulée, et 45 % par rapport à 2000. Pour rappel, la vente d’album avait déjà diminué de moitié entre 1998 et 2003, obligeant à revoir l’attribution des disques d’or de moitié également. Depuis 2003, le disque d’or s’obtient à partir de 50.000 copies vendues.
La faute à la piraterie ? Plus vraiment. Les consommateurs se sont disciplinés et l’achat légal (download) a augmenté de 30% pour les chansons isolées, et de 50% pour les albums. Les chargements pour les sonneries de portables ont étonnamment subis une baisse de 30%.

Voilà, voilà…Comme promis donc, voici les 20 albums élus par ce blog adoré, et qui vous seront décortiqués ce soir en radio (si la neige me le permet!), et ici demain…
***
ADRIANA CALCONHOTTO : « Maré »
PEDRO LUIS E A PAREDE : « Ponto enredo »
ED MOTTA : « Chapter 9 »
SUELY MESQUITA : « Microswing »
NEY MATOGROSSO : « Inclassificaveis »
CHICO CÉSAR : « Francisco Forró y Frevo »
PAULA MORELENBAUM : « Teleco-teco »
ZECA BALEIRO : « O Coração do homen-bomba vol.1 & 2 »
LENINE : « Labiata »
SKANK : « Estandarte »
COMPANHIA ITINERANTE : « Sendo eu »
MARIA BETHÂNIA & OMARA PORTUONDO : « M.B. & O.P. »
JARDS MACALÉ : « Macão »
MILTON NASCIMENTO & JOBIM TRIO : « Novas Bossas »
ZÉ RENATO : « É tempo de amar »
MOINHO : « Hoje de noite »
ROBERTO MENDES : Cidade e Rio »
ROSA PASSOS : « Romance »
ALINE MUNIZ : « Da pá virada »
GLAUCIA NASSER : « A Vida num segundo »

Bonus : SEU JORGE : « America Brasil » (sorti en décembre 2007)

Disques instrumentaux parmi de très nombreuses excellentes productions :

YAMANDÚ COSTA : « Tokyo session »
HAMILTON DE HOLLANDA : « Brasilianos 2 »
TONINHO HORTA E ARISMAR DO ESPÍRITO SANTOS : « Cape Horn »
TIRA POEIRA : « Feijoada completa »

CE BLOG EST DÉDIÉ AUX CURIEUX QUI AIMERAIENT CONNAÎTRE L'ART ET LA MUSIQUE POPULAIRE BRÉSILIENNE. UNE OCCASION POUR LES FRANCOPHONES DE DÉCOUVRIR UN MONDE INCONNU OU IL EST DE MISE DE LAISSER SES PRÉJUGES AU VESTIAIRE.