dimanche 18 juillet 2010

Le son de Olinda à Rio : Banda Eddie, Oi Futuro Ipanema.

Fabio Trummer, Banda Eddie, 16/07,
Oi Futuro Ipanema (photo Daniel A.)

…C’est alors que je me rends compte que je n’ai pas mentionné que pour des raisons extra culturelles (pas forcément agréables), j’ai dû me rendre de manière impromptue au Brésil, toujours sur l’axe Rio-Sao Paulo…Et ceci pour quelques semaines, très certainement.
Mais voyons le côté très positif de la chose : il y aura donc matière à nourrir ce blog de nouvelles musicales de première fraîcheur !
Tandis que je viens donc de quitter un été européen particulièrement étouffant, c’est une pluie ininterrompue qui s’abat sur le sud-ouest du Brésil, parasitant les initiatives de chacun.

Le bel immeuble, tendance Art Déco, du Oi Futuro Ipanema

Passant par Ipanema, ce vendredi soir 16 juillet, ce fut l’occasion de découvrir le Oi Futuro, une petite salle de spectacle dont le quartier avait bien besoin. D’autant que la programmation sort un peu du cadre de la MPB traditionnelle, en proposant des noms apparentés à la scène indépendante et plus alternative.
Pour mon plus grand bonheur, en cette fin de semaine, c’est le groupe pernambucano d’Olinda, Banda Eddie, qui tient l’affiche pour trois jours d’affilés.
Ce groupe m’enthousiasme depuis une dizaine d’années, mais il existe déjà depuis 1989, étant en cela, une des plus anciennes formations de la mouvance du fameux Mangue Beat de l’axe Recife-Olinda.

Eddie, formé autour de son leader, le guitariste et chanteur Fabio Trummer, ne produit cependant pas un son proche Naçao Zumbi, le plus illustre représentant de cette vague. Leur musique est plus légère, sautillante, moins agressive, et se trouve aux confins du reggae, du ska, de la new wave new yorkaise, et bien sûr du frevo et du maracatu.
Plus de 20 ans de carrière donc, pour Fabio Trummer (le seul membre original du groupe), mais le public très jeune d’hier soir, devait être préadolescent quand en 1993, Eddie donnait au répertoire du Mangue Beat, une de ses perles à inscrire dans ses classiques : Quando o mar encher, mis en exergue par Naçao Zumbi en 2000, et immortalisé à la même époque par Cassia Eller.
Quando o mar encher n’était pas au répertoire, hier soir, mais ce furent d’autres titres irrésistibles qui mirent le feu à la salle comme Lealdade, É de fazer chorar, Vida boa (franchement top celle-là !) et d’autres morceaux tirés de leur dernier album « Carnaval no inferno » (2008), que je cherchais depuis des mois, et que le concert d’hier soir m’a donné l’occasion d’acquérir. Sur ce cd, on retrouve -outre le percussionniste Curumin- une des figures féminines les plus en vue de la scène pauliste actuelle, Karina Buhr, qui faisait déjà partie intégrante du groupe à ses débuts.

La semaine prochaine, ce sera au tour d’un autre nom incontournable de la scène Mangue, Mundo Livre S.A., d’envahir le Oi Futuro Ipanema…

samedi 17 juillet 2010

Quando o álbum duplo vira o dois x um (Moska).

"Blonde on blonde" de Bob Dylan (1966), primeiro disco duplo da historia do vinil.

(texte français plus bas, português traduzido do francês)

Nos tempos do vinil, tínhamos aquela grande chapa redonda composta por duas faces de aproximadamente 20 minutes cada (com 5 ou 6 canções para cada lado, em seu formato tradicional), o que permitia ao grupo ou ao artista que assim o desejasse, imprimir ali uma seleção de títulos que se distinguissem pelo ritmos ou pela atmosfera.
Em 1966, « Blonde on blonde », de Bob Dylan, tem então o privilégio de ser o primeiro álbum duplo da história da discografia mundial. Eram muitas músicas, mas naquele caso podíamos escolher esse ou aquele lado, A, B ; C ou D, de acordo com nosso humor do momento. E quando chega então a época do rock progressivo, no início dos anos 70, era possível até mesmo deitar no sofá e fumar algumas coisas bizzaras, escutando uma só faixa de 20 minutos que cobria uma face inteira da « bolacha »... Enfin, isso foi o que já me contaram...
E mais adiante, em 1982, o disco mais compacto se sobrepôs ao velho vinil, com essa idéia absurda de que se iria deixar o ouvinte satisfeito com 16 ou 18 faixas– para compensar o preço…
Na realidade, ao repertório inicial do habitual 33 rotações, adicionaram-se os títulos considerados a rigor dispensáveis, normalmente por razões de qualidade. Passou-se inclusive a chamar esses títulos complementares ao disco de « bônus », como se eles fossem « gentilmente » ofertados.
E no entanto, quem pode afirmar que escuta um álbum cd inteirinho em nossos dias, mesmo sendo de 12 canções (eu disse « escuta », e não « usa » como música de fundo »… !).
No Brasil, observamos já faz algum tempo a prática do « dois álbuns distintos », que retoma de alguma forma a idéia original das duas faces.

"Infinito particular" (na verdade, a capa era inteiramente preta)

Em 2006, Marisa Monte lançou os excelentes « Infinito particular », baseado num repertório pop/ MPB, e « Universo ao meu redor », que se inclinava resolutamente ao samba. Os dois discos conheceram um sucesso importante e equivalente, resultanto em cerca de 500 mil exemplares vendidos de cada um.

Mais recentemente, em 2008, Zeca Baleiro nos apresentou « O Coração do Homen bomba, vol. 1 », um álbum alegre, antes de lançar algumas semanas mais tarde o volume 2, esse já mais intimista, sério, com uma tendência mais pop/ rock.
Ainda a título de exemplo, a muito zelosa Maria Bethânia continua sendo a campeã nesse campo. Em 2006, ela veio a lançar através de seu selo Quitanda, « Mar de Sofia » e « Pirata », antes de repetir o mesmo procedimento em 2009, com « Encanteria », sob as cores dos ritmos baianos, e « Tua », esse mais intimista.
Mas face a esses artistas muito experientes, os mais jovens vão pegando o jeito. Assim, a talentosa cantora/ compositora da nova onda carioca, Nina Becker- que milita no seio do grupo Orchestra Imperial- tem a ousadia de nos apresentar nas lojas, por esses dias, « Azul » e « Vermelho », dois produtos que vêm a propor dois climas diferentes para sua estréia discográfica solo.

...escutando hoje: Moska

E finalmente, temos o caso de Paulinho Moska, que acaba de por fim a um jejum de 7 anos (« Tudo novo de novo » data de 2003), com « Muito » e « Pouco » (cada um com 9 canções)- inspirados pelo título Muito pouco, que o carioca ofereceu a Maria Rita para seu disco « Segundo », de 2005.
Aqui nesse caso, temos não apenas uma grande diferença de estilo entre as duas obras, mas também uma dicotomia qualitativa.
« Muito » se apresenta como algo mais classicamente pop, e na verdade bem pouco inspirado melodicamente, com exceção da faixa título –un excelente pop/ tango-, e dos bons Soneto do teu corpo (Moska/ Leoni) e Quantas vidas você tem (Moska).
« Pouco », por sua vez, é uma surpresa muito boa, e nos mostra um outro artista. Conta com as composições mais acústicas, aéreas, delicadas ; e por vezes harmonicamente audaciosas, como Semicoisas, que abre o álbum. Encontramos aqui também três boas composições em parceria com Zélia Duncan : O Tom do amor, Não, e Sinto encanto ; sendo que essa última, já foi apresentada ao público através do mais recente álbum de Zélia, « Pelo sabor do gesto »(2009).
Outros bons momentos ficam por conta da balada « bluesy » Provavelmente você (Moska) e Saudade, uma parceria de Moska e seu amigo Chico César, que fecha um excelente álbum, sem uma escorregadela sequer...
Os dois discos podem ser comprados juntos ou separadamente ; em optando pela segunda forma, por uma vez na vida, prefira o « pouco » ao « muito ».

vendredi 16 juillet 2010

Fini le double album, vive le 2x1…(Paulinho Moska)

"Encanteria" de Maria Bethânia,
un des deux volets sorti en 2009, avec "Tua"


À l’époque du vinyle, nous avions entre les mains cette grande plaque composée de deux faces d’environ 20 minutes (avec 5 ou 6 chansons dans son format traditionnel) qui permettait au groupe ou à l’artiste qui le désirait, d’installer une sélection de titres qui se disfférenciaient par le rythme ou l’ambiance.

En 1966, « Blonde on blonde » de Bob Dylan a le privilège d’être le premier double album de l’histoire discographique. C’était beaucoup de musiques, mais là aussi, on pouvait jouer à loisir telle ou telle face selon notre humeur du moment. Et quand arriva l’époque du rock progressif, au début des années 70, on pouvait même se coucher dans le sofa et fumer des trucs bizarres, en écoutant le seul morceau de 20 minutes qui couvrait une face entière…Enfin, d’après ce qu’on m’a dit… !
Et puis vers 1982, le compact disque prit le pas sur le vieux vinyle, avec cette idée saugrenue qu’on allait rendre heureux l’auditeur avec 16 ou 18 morceaux, histoire qu’il en ait pour son argent.
En réalité, au répertoire initial de l’habituel 33 tours, on additionnait les titres qu’on écartait habituellement pour raison qualitative. On a appelé ça ironiquement des « bonus », comme si on nous faisait un cadeau suprème...
Et pourtant, quel est le courageux qui écoute encore un album (cd) en entier de nos jours, fusse-t-il de 12 chansons (j’ai dit « écouter », pas « mettre en fond sonore »… !).
Au Brésil, on assiste depuis quelque temps à la pratique du « deux albums distincts », qui revient en quelque sorte à l’idée initiale des deux faces.

En 2006, Marisa Monte lançait les excellents « Infinito particular », basé sur un répertoire pop/ MPB, et « Universo ao meu redor » qui inclinait résolument vers la samba. Les deux disques connurent un succès équivalent, avec près de 500 mille exemplaires vendus pour chacun.
Plus récemment, Zeca Baleiro nous proposait en 2008, « O Coraçao do Homen bomba, vol. 1 », album festif, avant de lancer quelques semaines plus tard le volume 2, plus intimiste et sérieux, plus pop/rock.
Toujours à titre d’exemple, la très zélée Maria Bethânia reste la championne dans ce domaine. En 2006, elle lançait au travers son label Quitanda, « Mar de Sofia » et « Pirata », avant de répéter le processus en 2009 avec « Encanteria » aux couleurs des rythmes de Bahia, et « Tua », plus intimiste.
Mais face à ces artistes chevronnés, d’autres jeunes se prennent au jeu. Ainsi la talentueuse chanteuse/ compositrice de la nouvelle vague carioca, Nina Becker - qui officie au sein du groupe Orchestra Imperial- a l’audace, pour ses début discographique, de nous proposer dans les magasins, ces jours-ci, « Azul » et « Vermelho » (« bleu » et « rouge »), deux volets qui proposeront deux climats différents.

...en écoute aujourd'hui: Moska.

Et enfin, nous avons le cas de Paulinho Moska, qui vient de mettre un terme à 7 années de disette (« Tudo novo de novo » date de 2003), avec « Muito » et « Pouco » (chacun incluant 9 chansons) du titre Muito pouco que le carioca avait offert à Maria Rita pour son album « Segundo » en 2005.
Dans ce cas-ci, nous avons non seulement une grande différence de style entre les deux opus, mais aussi une différence qualitative, non voulue évidemment.
« Muito » se présente comme plus classiquement pop et en réalité assez peu inspirés mélodiquement, si l’on excepte la plage titulaire –un excellent pop/ tango-, et les bons Soneto do teu corpo (Moska/ Leoni) et Quantas vidas você tem (Moska).
« Pouco », quant à lui, est une très bonne surprise et révèle un artiste complètement différent. Des compositions plus acoustiques, aériennes, délicates, et parfois audacieuses harmoniquement, comme Semicoisas qui ouvre l’album. On y trouve aussi, trois bonnes compositions avec Zélia Duncan, O Tom do amor, Nao, et Sinto encanto, cette dernière déjà présente sur le dernier album de Zélia, « Pelo sabor do gesto » (2009).
Autres beaux moments, la ballade bluesy Provavelmente você (Moska), et Saudade, une collaboration de Moska avec son ami Chico César, qui clôt un excellent album sans faute…
Les deux disques peuvent s’acheter ensemble ou séparément, et dans ce dernier cas, pour une fois, préferez « peu » (« Pouco ») à « beaucoup » (« Muito »)...

vidéo/ audio, "Sinto encanto" (Moska/ Duncan) par Zélia Duncan

mercredi 14 juillet 2010

Tropicalia European Summer (1)

Focus sur Paulinho da Viola, dans ce spécial Tropicalia d'été.

(texte français, texto português)


Para muitos canais de rádio e televisão, o verão é sinônimo de reprogramação, com a veiculação de reprises de transmissões anteriores e diversos.
A Rádio Judaica não foge muito à regra, e assim, o Programa Tropicália encontra-se em férias durante os meses de julho e agosto (verão europeu), até retomar suas transmissões ao vivo na segunda-feira 6 de setembro. Mas nada de pânico !!!
Eu decidi mergulhar nos arquivos do programa para fazer uma repescagem do melhor de Tropicália e aproveitar para reescutar alguns números apresentados sob as ondas em 2009.
Vocês poderão recordá-los ao longo dessas férias na Europa sob o site podomatic e através de nosso próprio blog.
Para começar essa série, aqui vai uma transmissão na qual o personagem central não é outro que Paulinho da Viola, o Píncipe elegante do samba, cantado por Fafá de Bélem (Para um amor no Recife), Verônica Ferriani (Perder e ganhar), Maria Alcina (Roendo as unhas), Jussara Silveira e Teresa Cristina (Pra ver as meninas), e naturalmente por Paulinho, ele mesmo (Timoneiro).
Resgataremos também ao longo dessa transmissão : Zeca Baleiro, Luiz Melodia, Frejat, Luciana Pestana, Lua, Edu Krieger, Roberta Sá, Lula Queiroga, Marina Lima, e Pedro Mariano…
Boa audição… !


Pour beaucoup de chaînes de radio et télé, l’été est synonyme de programmations light, faîtes de rediffusions et divers « best of ».
Radio Judaica ne faillit pas à la règle et Tropicalia se retrouve en congé pour les mois de juillet et août, avant de reprendre le direct le lundi 6 septembre. Mais pas de panique !!
J’ai décidé de faire un plongeon dans les archives du programme pour repêcher le meilleur de l'émission et profiter pour réentendre quelques numéros passés sur les ondes en 2009.
Vous les retrouverez tout au long de ses vacances européennes sur le site podomatic et sur ce blog.
Pour commencer cette série, voici une émission dont le personnage centrale n’était autre que Paulinho da Viola, le Prince élégant de la samba, chanté par Fafa de Belém (Para um amor no Recife), Verônica Ferriani (Perder e ganhar), Maria Alcina (Roendo as unhas), Jussara Silveira et Teresa Cristina (Pra ver as meninas), et bien sûr Paulinho lui-même (Timoneiro).
On retrouvera aussi au long de cette émission : Zeca Baleiro, Luiz Melodia, Frejat, Luciana Pestana, Lua, Edu Krieger, Roberta Sá, Lula Queiroga, Marina Lima, et Pedro Mariano…
Bonne écoute… !
TROPICALIA EUROPEAN SUMMER (1)

vendredi 9 juillet 2010

Saudade du poetinha…30 ans sans Vinicius de Moraes.

Vinicius de Moraes (1913-1980)

(texto português mais pra baixo)


Il y a 30 ans, jour pour jour, disparaissait Vinicius de Moraes (1913-1980), poète, journaliste, dramaturge, diplomate, et un des paroliers les plus significatifs de la musique populaire brésilienne. Il fut sans conteste le poète le plus important de la Bossa Nova (avec peut être Ronaldo Bôscoli) à qui l’on doit les classiques éternels que sont Chega de saudade, Garota de Ipanema (avec Tom Jobim), Você e eu (Carlos Lyra), Canto de Ossanha (Baden Powell), Tarde em Itapoã (Toquinho), Valsinha (Chico Buarque) et des centaines d’autres. Il fut en outre compositeur de quelques titres remarquables comme Medo de amar.
Le 9 juillet 1980, il laissa à jamais sa vie de bohème, ses nombreux amis, ses femmes amoureuses, sa bouteille de whisky, et ses collaborateurs dont le guitariste Toquinho, présent à ses côtés lors de son dernier soupir, dans sa maison du quartier de Gávea à Rio de Janeiro…

Saudade do poetinha... 30 anos sem Vinicius de Moraes.

E assim se completaram, ao final de um dia após o outro, 30 anos do desaparecimento entre nós de Vinicius de Moraes (1913-1980) : poeta, jornalista, dramaturgo, diplomata ; e um dos letristas mais significativos da música popular brasileira. Ele foi sem dúvida o poeta mais importante da Bossa Nova (junto talvez com Ronaldo Bôscoli), a quem devemos os clássicos eternos que são Garota de Ipanema, Chega de saudade (c/ Tom Jobim), Você e eu (c/ Carlos Lyra), Canto de Ossanha (c/ Baden Powell), Tarde em Itapoã (c/ Toquinho), Valsinha (c/ Chico Buarque) e centenas de outros.
Vinicius foi, além disso, compositor (letra e musica) de alguns títulos notáveis como Medo de amar.
No dia 9 de julho de 1980, ele deixou para sempre sua vida de boêmio, seus numerosos amigos, suas mulheres apaixonadas, sua garrafa de whisky, e seus « parceirinhos », como o violonista Toquinho, presente a seu lado até seu último suspiro, em sua casa no bairro da Gávea, no Rio de Rio de Janeiro...

mardi 6 juillet 2010

TROPICALIA 57 (part.2)

Une Carmen Miranda revisitée dans Tropicalia 57 (part. 2)

Eis aqui a lista das canções tocadas ao vivo no programa Tropicália, na Rádio Judaica, o dia 21/06. Pra escutar este programa, e outros mais antigos, cliquem AQUI.

Voici la liste des titres joués en direct dans le programme Tropicalia du 21/06, sur Radio Judaica. Pour réécouter cette émission et d’autres plus anciennes, cliquez ICI

ROGÉ : « O Guerreiro segue » (Rogé)
MAURO AGUIAR : « Sambaqui » (Kalu Coelho/ Mauro Aguiar)
ELZA SOARES & ROBERTO RIBEIRO : « Swing negrão/ Brasil pandeiro/ O samba agora vai/ E com esse que eu vou» (E. Soares/ Assis Valente/ Pedro Caetano)
4 CABECAS : « Quem canta » (Rogé/ G. Moura/ M. Baia)
CARMEN MIRANDA (c/ Dorival Caymmi) : « O que é que a baiana tem » (Dorival Caymmi)
MARIANA BALTAR : « Uva de caminhão » (Assis Valente)
RENATO RUSSO & FERNANDA TAKAI : « Like a lover » (Dori Caymmi/ Nelson Motta/ A. & M. Bergman)
VITOR RAMIL : « Mango » (João da Cunha Varga/ Vitor Ramil)
GEORGE ISRAEL : « A Inocência do prazer » (Cazuza/ George Israel)
CAPITAL INICIAL : « Depois da meia-noite » (Dinho Ouro preto/ Pit Passarell)
NUMISMATA (c/ Luiz Melodia) : « Prejuízo » (A. Rabelo Filho/ P. Damiani)
NANA CAYMMI : « Contrato de separação » (Dominguinhos/ Anastácia)
SILVIA MACHETE : « Eu so quero saber de você » (S. Machete/ C. Nickens)

dimanche 4 juillet 2010

Caetano Veloso em Bruxelas, Gilberto Gil em Gent…

Caetano durante a tourné "Zii e Zie" (foto Daniel A.)

(Texte français plus bas, texto português traduzido do francês)

Tudo é uma questão de ambiente. Muito francamente, eu não me sinto plenamente cheio de alegria com a vinda de Caetano Veloso, no dia 7 de julho, à L’Ancienne Belgique de Bruxelles ; ou com a de Gilberto Gil, ao Gent Jazz Festival, no dia 15 do mesmo mês.
Pode-se cogitar que eu esteja « blasé », ou que se trate de um certo esnobismo da minha parte a partir do fato de que, no Brasil, eu já teria os tickets na carteira desde longa data. Mas não se trata de nada disso...
Na época do famoso evento anual belga Viva Brasil, no início dos anos 90, era comum ver os cartazes mostrando em certos dias a apresentação de artistas consagrados misturados aos de outros mais elitistas, ou egressos da nova geração de então. Íamos de Chico Barque a Toninho Horta, Francis Hime, passando por Alceu Valença, Joyce, Paralamas do Sucesso, e também Marisa Monte, que era ainda uma jovem cantora cheia de promessas...
Existia uma verdadeira dinâmica e um espírito de festival, com os shows atuais, que são raros e espalhados. E no entanto, Adriana Calcanhoto e Ana Carolina cantarão por esses dias agora a 350 quilômetros de Bruxelas, em Paris, sem pagar o pedágio para atravessar a fronteira. Poderíamos organizar um belo cardapio.
Outra razão para a minha falta de entusiasmo : o repertório frequentemente condescendente que os artistas brasileiros de renome apresentam para além de suas fronteiras, e que se compõem geralmente de seus clássicos, deixando de lado suas criações mais recentes. Sem dúvida porque para a maior parte dos brasileiros residentes na Europa –e que compõe a maioria do público-, a atualidade musical permaneceu aquela do momento no qual eles deixaram sua terra natal...
Mas não façamos disso um tribunal de julgamento... Caetano sempre me surpreendeu por sua capacidade de apresentar shows inusitados. Podemos esperar que ele não hesitará em nos mostrar o melhor de seus dois álbuns « Cê » (2007) e « Zii et Zie » (2009) –com fortes matizes de rock alternativo-, misturado aos inevitáveis Menino do Rio, Leãozinho, Sampa, e Qualquer coisa.

(Caetano Veloso, no L’Ancienne Belgique de Bruxelles, no dia 7 de julho, às 20h)

Gil se apresentará no show chamado "For all" (foto Daniel A;)

Quanto a Gilberto Gil, ele constará da grade do Gent Jazz Festival, que começa no dia 15 de julho, numa noite inteiramente lusófona. Veremos a paulista Cibelle às 18h30, seguida às 20h pela grande e divina cantora portuguesa Mariza, com seu fado mestiço de múltiplas influências.
Gil fechará a noite às 22h30, com o espetáculo intitulado « For all », da expressão inglesa « para todos »- falsamente suposta por ter originado o nome do estilo Forró.
O baiano estará cercado pelos músicos que o acompanhram em seu recente « Fé na festa », estrategicamente lançado no último mês de junho no Brasil, época das « Festas juninas », que celebram santos populares tais como Santo Antonio, São Pedro, e sobretudo São João.

Na verdade, esse novo álbum é uma verdadeira boa surpresa que não se esperava mais.
Se por um lado, depois de seu cargo ministerial, Gil retornou forte com diversos bons projetos cênicos, por outro ele nos deixou em dúvida quanto a seu último álbum estúdio. « Banda larga cordel » (2008) foi no mínimo um disco mediano, e podemos temer que seu flerte com a política tenha apagado sua inspiração. Mas « Fé na festa » nos mostra um Gil em plena força criativa, debruçado sobre a riqueza dos ritmos do Nordeste.
Em seu álbum « Eu tu, eles » (2000), Gil já tinha abordado com prazer o repertório dos grandes compositores que popularizaram esses estilos em todo o Brasil. Mas em « Fé na festa », ele é o principal artesão de seu repertório, com dez títulos entre treze, que ele assina sozinho ou em parceria. E Assim sim, Vinte e seis, e O livre atirador e a pegadora já soam como clássicos do gênero.
Cercado por Toninho Ferragutti (acordeon), Sergio Chiavazzoli (guitarra), Arthur Maia (baixo), Jorge Gomes (Zabumba), e ainda o franco-carioca Nicolas Krassik (rabeca), Gil nos apresenta um som dos mais autênticos.
E sem dúvida, em 15 de julho, em Gent, Gil prolongará as festas de junho aos ritmos do forró e do baião...

(Gilberto Gil se apresentará no Gent Jazz Festival de Gent, no dia 15 de julho, às 22h30.)

samedi 3 juillet 2010

Caetano Veloso et Gilberto Gil en Belgique…

Caetano Veloso, look sobre et alternatif (photo Daniel A.)

(texto português em breve)

Tout est question d’ambiance. Très franchement, je ne me sens pas envahi par la joie avec la venue de Caetano Veloso le 7 juillet à L’Ancienne Belgique de Bruxelles, ou par celle de Gilberto Gil, au Gent Jazz Festival, le 15 du même mois.
On pourrait penser que je suis blasé ou qu’il s’agit d’un certain snobisme de ma part à partir du moment où, au Brésil, j’aurais déjà les tickets en poche depuis longtemps. Mais il ne s’agit pas de cela…
À l’époque du fameux événement annuel belge Viva Brasil, au début des années 90, les affiches proposaient en quelques jours des artistes confirmés, mêlés à d’autres plus confidentiels ou issus de la nouvelle génération d’alors. On passait de Chico Barque à Toninho Horta, en passant par Alceu Valença, Joyce, Paralamas do Sucesso ou encore Marisa Monte, qui n’était encore qu’une jeune chanteuse pleine de promesse…
Il existait une vraie dynamique et un esprit de festival que les actuels concerts, rares et éparpillés, n’apportent pas. Et pourtant, Adriana Calcanhotto et Ana Carolina joueront ces jours-ci à 350 kilomètres de Bruxelles, à Paris, sans prendre la peine de franchir la frontière. On aurait pu faire un joli tir groupé.
Autre raison de mon manque d’enthousiasme: le répertoire souvent consensuel que les artistes brésiliens de renom proposent hors de leurs frontières, et qui se compose généralement de leurs classiques, délaissant leurs créations plus récentes. Sans doute parce que pour la plupart les brésiliens résidant en Europe –et qui compose la majorité du public-, l’actualité musicale s’est arrêté du moment où ils ont quitté leur terre natale …
Mais ne faisons pas de procès d’intention…Caetano a toujours surpris par sa capacité de présenter des concerts inattendus. On peut espérer qu’il n’hésitera pas à nous proposer le meilleur de ces deux albums « Cê » (2007) et « Zii et Zie » (2009) -plutôt teinté de rock alternatif-, mêlé aux incontournables Menino do Rio, Leãozinho, Sampa ou Qualquer coisa.
Je prendrai mon bâton de pèlerin pour vous en rendre compte ici, sur ce blog.

(Caetano Veloso, à L’Ancienne Belgique de Bruxelles, le 7 juilllet, à 20h)

Gilberto Gil revient avec des rythmes nordestins (photo Daniel A.)

Quant à Gilberto Gil, il se produira dans le cadre du Gent Jazz Festival, qui propose le 15 juillet, une soirée entièrement lusophone. On y verra la paulista Cibelle à 18h30, suivie à 20h de la grande et divine chanteuse portugaise Mariza avec son fado métissé de multiples influences.
Gil clôturera la soirée à 22h30, pour le show intitulé « For all », de l’expression anglaise « pour tous »- faussement supposée pour avoir donné le nom à l’origine du style Forró.
Le bahianais sera entouré par les musiciens qui l’accompagnent sur son récent « Fé na festa », judicieusement sorti ce mois de juin au Brésil, époque des « Festas juninas » qui célèbrent les saints populaires tels que São Antonio, São Pedro, et surtout São João.

En réalité, ce nouvel album est une réelle belle surprise que l’on attendait plus.
Si, après sa charge ministérielle, Gil est revenu en force avec divers bons projets scéniques, il nous avait laissés dubitatifs quant à son dernier album studio. « Banda larga cordel » (2008) était pour le moins un disque moyen et on pouvait craindre que son flirt avec la politique avait éteint son inspiration. Mais « Fé na festa » nous montre un Gil en pleine force créatrice, plongé dans toute la richesse des rythmes du Nordeste.
Dans son album « Eu tu, eles » (2000), Gil abordait déjà avec bonheur le répertoire des grands compositeurs qui avaient popularisé ces styles dans tout le Brésil. Mais dans « Fé na festa », il est le principal artisan de son répertoire avec dix titres sur treize, qu’il signe seul ou en en collaboration. Et Assim sim, Vinte e seis, ou O livre-atirador e a pegadora, sonnent déjà comme des classiques du genre.
Entouré par Toninho Ferragutti (acordéon), Sergio Chiavazzoli (Guitare), Arthur Maia (basse, Jorge Gomes (Zabumba) ou encore le carioca-français Nicolas Krassik (rabeque), Gil nous livre un son des plus authentiques.
Et nul doute que le 15 juillet à Gent, Gilberto Gil prolongera les fêtes de juin au rythme du forró et du baião…

(Gilberto Gil se produira au Gent Jazz Festival de Gent, le 15 juillet, à 22h30.)

En vidéo: "Vinte e seis" (G. Gil)

lundi 28 juin 2010

TROPICALIA 57 (part.1)

Moska com "Muito Pouco", aguardando os dois cd's "Muito" e "Pouco"
Moska avec "Muito pouco", en attendant ses deux albums, Muito" et "Pouco"
(photo Daniel A.)

Eis aqui a lista das canções tocadas ao vivo no programa Tropicália, na Rádio Judaica, o dia 21/06. Pra escutar este programa, e outros mais antigos, cliquem AQUI.

Voici la liste des titres joués en direct dans le programme Tropicalia du 21/06, sur Radio Judaica. Pour réécouter cette émission et d’autres plus anciennes, cliquez ICI

SAMUEL ROSA : « Carango » (Carlos Imperial/ Nonato Buzar)
CHICO BUARQUE : « Feijoada completa » (Chico Buarque)
JORGE VERCILLO : « Verdade oculta » (Jorge Vercilo)
GILBERTO GIL : « Assim, sim » (Gilberto Gil)
CARLOS NUNES : « Vou vivendo » (Pinxinginha/ Benedito Lacerda)
DEA TRANCOSO : « Passarinho pintadinho » (Domínio público/ Déa Trancoso)
CHICO SALES : « O Bicho pega » (Bule Bule)
PAULA MORELENBAUM : « Chovendo na roseira » (Antonio Carlos Jobim)
LENY ANDRADE : « Vete de mi » (Virgilio Expósito/ Homero Expósito)
PAULINHO MOSKA : « Muito pouco » (Moska)
BRUNO MORAIS : « A Vontade » (Bruno Morais/ Ivana Debértolis)
EDU LOBO : « A Historia de Lily Braun » (Edu Lobo/ Chico Buarque)
ANTONIA ADNET (C/ Roberta Sa): « Discreta » (Antonia Adnet/ João Cavalcanti)
MAYRA ANDRADE : « Stória, stória… » (Mayra Andrade)

dimanche 27 juin 2010

En écoute aujourd’hui : Jorge Ailton.

(texto français/ texto português traduzido do francês)

Si l’on considère que des noms comme Lulu Santos, Marina Lima, ou encore les groupe Kid Abelha ou Skank, comptent parmi les meilleurs représentants de la pop intelligemment commerciale, il nous faut constater que nous sommes en présence d’artistes qui sont issus des années 80 ou 90…
Et en réalité, dans ce créneau spécifique, je ne vois pas –à priori- beaucoup de nouveaux noms marquants qui ont émergé ces dernières années.
Je ne parle pas d’une Vanessa da Mata ou d’une Ana Carolina, qui possèdent malgré tout une forte connotation brésilienne.
Mais Jorge Ailton pourrait bien occuper une place intéressante dans cet espace assez délaissé par la jeune génération.
Et il est sans doute symptomatique de constater que c’est sous le label de Paula Toller (la chanteuse de Kid Abelha, justement) –La Toller LMC- que sort son album « O Ano 1 ».
De même, le nom d’Ailder fut remarqué pour avoir signé un des meilleurs titres de l’album « Singular » (2009) de Lulu Santos, en l’occurrence Atropelado, présent aussi sur ce premier disque de celui qui fut le bassiste de Sandra de Sa, Mart’nália, Tony Garrido et de la propre Paula Toller.
« O Ano 1 » étonne par sa maturité déjà démontrée tant dans les compositions que par la production, pour un premier album qui vogue entre la soul, le rock et le funk, et qui parfois nous ramène dans les années 70. Ano 1, qui ouvre l’album -ou encore Substantivo feminino- m’évoquent fortement le son de Leny Kravitz, par sa batterie brute et sa basse ronflante, mixée en évidence. Si certaines plages pêchent par une certaine banalité mélodique (le refrain de Soliquida ou Coraçao retrô), la moyenne reste cependant très efficace, comme le déjà cité Atropelada, l’excellent O Obvio ou la plage titulaire.
Reste à voir si le public suivra l’intérêt que les médias lui ont dédié. Jorge Ailton le mérite à coup sûr…


Escutando hoje : Jorge Ailton.

Se a gente considera que nomes como os de Lulu Santos, Marina Lima, ou ainda os dos grupos Kid Abelha e Skank, representam os melhores representantes do pop inteligentemente comercial, nos cabe constatar que estamos na presença de artistas que são originários dos anos 80 e 90...
E na realidade, nessa categoria, eu não vejo –a priori- muitos nomes marcantes que tenham emergido nesses últimos anos.
Eu não falo de uma Vanessa da Mata ou de uma Ana Carolina, que possuem, apesar de tudo, uma certa conotação brasileira (isso do ponto de vista de um gringo !)
Mas Jorge Ailton poderia perfeitamente ocupar um lugar interessante nesse espaço bastante abandonado pela nova geração.
E é sem dúvida sintomático constatar que é sob o selo de Paula Toller (a cantora do Kid Abelha, justamente) –La Toller LMC- que é lançado seu álbum « O Ano 1 ».
Além do mais, o nome de Ailton foi notado por ter assinado um dos melhores títulos do álbum « Singular » (2009), de Lulu Santos ; no caso, a canção Atropelado (J. Ailton/ Apoena), presente também no primeiro disco daquele que foi o baixista de Sandra de Sá, Mart’nália, Tony Garrido e da própria Paula Toller.

« O Ano 1 » surpreende pela sua maturidade, demonstrada tanto através das composições quanto da produção, para um primeiro álbum que navega entre o soul, o rock, e o funk, e que por vezes nos reconduz aos anos 70. O Ano 1 (J. Ailton/ A. Vaz/ L. Monteiro), que abre o disco –como também Substantivo feminino (J. Ailton/ M. Bartilotti)- me evocam fortemente o som de Leny Kravitz, por sua bateria bruta e seu baixo estertoroso, evidentemente mixados. Se algumas faixas pecam por uma certa banalidade melódica (o refrão de Soliquida ou Coração retrô, essa assinada com Paula Toller), a maioria, no entanto, mostra-se muito eficaz, como a já referida Atropelada, a excelente O Óbvio (J. Ailton), e a faixa título.
Resta saber se o público acompanhará o interesse que as mídias a ele dedicaram. Jorge Ailton o merece, com certeza...


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