mercredi 7 octobre 2009

05/10 : Caetano Veloso, cœur et âme…

Caetano Veloso, Vivo Rio 05/10 (photo Daniel A.)


(texto português em baixo))

Ayant laissé au vestiaire sa veste de jeans et son trio Cê, à consonance rock, Caetano se présentait ce lundi 5 octobre au Vivo Rio, seul avec sa guitare, pour un concert au bénéfice des enfants déficients cardiaque (Pro criança cardiaca). La presse avait déjà annoncé que le bahianais revisiterait son répertoire classique agrémenté de quelques surprises…Et tel fut le cas.
Dans un véritable esprit d’« um banquinho, um violao » (un petit banc et une guitare), sous une lumière sobre et en costume de ville, Caetano ne pouvait que nous rappeler l’image du maître João Gilberto. À la différence sans doute que l’artiste qui ouvrit le show avec le très approprié Coração vagabundo ne manqua pas de ravir par ses commentaires nonchalants, teinté de fausse naïveté et de vraie ironie. Jouissif ! … Et ceci presque entre chaque chanson.
Les classiques du répertoire : Desde que samba é samba, Qualquer coisa, Sampa, Menino do Rio, Leaozinho, Terra, Menino Deus, Sozinho et Sonho (les deux dernières de Peninha) et d’autres que j’oublie…Parmi les moins habituelles Na asa do vento (Joao do Vale), Coraçao Leviano (Paulinho da Viola), O X do problema (Noel Rosa) ou Fera ferida (Erasmo et Roberto Carlos). Parmi ce pépertoire 5 étoiles, il parvint à glisser quelques chansons de sa phase plus récente comme Odeio, Camisa amarela ou Sem cais, qui, dans cet habillage dépouillé, tiennent difficilement la comparaison. Mais ce n’était pas le plus important ce soir-là…

Après Coraçao vagabundo, il dit : « j’ai voulu ouvrir le show avec cette chanson parce qu’il y a les mots « cœur d’enfant », c’est une de mes plus anciennes chansons…Et parmi celles que j’aime le plus »

Après Terra : « J’aime beaucoup cette chanson…Mais je me demande si elle n’est pas un peu trop longue et ennuyeuse…Parfois, je me sens fatigué quand j’arrive au milieu… ».
Après Você é linda : « J’ai fait cette chanson pour Aracy de Almeida. Je viens de lire un petit livre sur elle écrit par Herminio Bello de Carvalho…Il paraît qu’elle était très fière de ses seins…Je l’ai connue…Mais je ne les ai jamais vus… » .
En rappel, Caetano entonne avec le public Cidade maravilhosa (André Filho, 1935), l’hymne à Rio, encore tout orgueilleuse et ivre d’avoir été choisie ville olympique en 2016.
To be continued…

05/10 : Caetano Veloso, coração e alma..

Tendo deixado no vestiário sua roupa jeans e seu trio Cê -mais consonantes com o rock- Caetano se apresentou nessa segunda, 5 de outubro, no espaço Vivo Rio, sozinho com seu violão, num show beneficente em prol de crianças com deficiências cardíacas (Pró criança cardíaca). A imprensa já havia anunciado que o baiano revisitaria seu repertório clássico acompanhado de algumas surpresas... E assim deu-se o caso.
Dentro do mais verdadeiro espírito d’« um banquinho, um violão », sob um foco de luz sobre si em traje passeio sem gravata, Caetano não pôde deixar de nos remeter à imagem de João Gilberto. Com a diferença óbvia de que o artista que abriu o show com o muito apropriado Coração vagabundo não se furtou a nos divertir com seus comentários casuais, coloridos de falsa ingenuidade e profunda ironia. Prazeroso !... E aqui, ele salpicava quase um desses entre uma canção e outra.
Os clássicos do repertório : Desde que samba é samba, Qualquer coisa, Sampa, Menino do Rio, Leãozinho, Terra, Menino Deus, Sozinho e Sonho (de Peninha), e outros que eu não me lembro agora... Dentre os menos habituais : Na asa do vento (João do Vale), Coração Leviano (Paulinho da Viola), O X do problema (Noel Rosa) e Fera ferida (Erasmo e Roberto Carlos). No entanto, ele não deixou de lado algumas canções de sua fase mais recente - como Odeio, Camisa amarela e Sem cais - que, dentro dessa vestimenta renovada, não desce com muita facilidade. Mas esse não era o ponto mais importante dessa soirée…
Depois de Coração vagabundo : « Eu resolvi abrir o show com essa canção porque tem as palavras « coração de criança » ; é uma de minhas músicas mais antigas... E é uma das quais eu mais gosto. »
Depois de Terra : « Eu gosto muito dessa música...mas é muito comprida... Às vezes fico pensando se não é um pouco chata…e tenho preguiça de cantá-la »
Depois de Você é linda: « Eu fiz essa canção para Aracy de Almeida. Eu acabei de ler um livro curto sobre ela, escrito pelo Herminio Bello de Carvalho… Parece que ela tinha muito orgulho de seus peitos... Eu a conheci... Mas eu nunca os vi… » .
Como bis, Caetano entoa junto com o público Cidade maravilhosa (André Filho, 1935), o hino à cidade do Rio de Janeiro, agora ainda mais orgulhosa e enebriada por ter sido escolhida para sediar os Jogos Olímpicos de 2016.
To be continued…



mardi 6 octobre 2009

3 e 4 de outubro : Thaís Motta, Marvio Ciribelli, Marcos Sacramento, Aline Calixto, Adriana Maciel

(texto português traduzido do francês –post precedente, com outras fotos)

Houve um tempo no qual era praticamente impossível obter-se uma entrevista de um carioca num sábado ou num domingo. O que já não era o caso em São Paulo. Uma época aparentemente superada, uma vez que nesse último final de semana, eu pude me dar ao luxo de encontrar cinco dentre eles. E ainda mais : duas entrevistas no domingo à noite, a partir das 21:45! Os tempos mudaram mesmo…

Foi acompanhada pelo pianista e produtor Marvio Ciribelli que a excelente cantora Thaís Motta fez a gentileza de vir a Ipanema, a partir de Niterói. Minha vontade de encontrar Thaís residia justamente no fato raríssimo de poder me colocar na presença de uma cantora que, mesmo ainda bastante jovem (ela tem 29 anos), pratica com talento e profissionalismo um estilo puramente brasileiro - a bossa jazz - que não tem de fato maior ressonância dentro de seu próprio país. Como insinua a capa de seu primeiro álbum, « Minha estação », de 2008, Marvio Ciribelli reuniu em torno de Thaís Motta a nata dos instrumentistas que pôde encontrar em Niterói, como Arthur Maia e Marcello Martins, que estão presentes ao lado de um número impressionante de expoentes da MPB. Foi justamente uma boa ocasião para evocar aquela cidade – Niterói – que fica a um passo do Rio, e que é o esconderijo de excelentes músicos que ela abriga. E passando por ela, lembramos que Niterói elegantemente presenteou o Brasil com celebridades como Sérgio Mendes, ou mais recentemente : Zélia Duncan, Suely Mequita e Fred Martins. E existem ainda muitos outros...
A borbulhante Thaís e o simpático Marvio demonstraram uma energia entusiástica no sentido de divulgar seu disco, sem a resignação que já se espera em geral da maior parte dos artistas que se encontram fora do circuito comercial. « Minha estação » é um excelente álbum no qual a cantora e os musicos formam um só corpo consistente, como em todo bom grupo de jazz profissional. A despeito do adiantado da hora da entrevista, o duo se preparou para responder ao meu super – e muito em breve celebre – questionário ; embora, de minha parte, eu tenha caído em mim de que no final desse domingo à noite houve um certo momento crítico para a prática do meu português...
Marcos Sacramento sur les hauteur de Santa Tereza (foto Daniel A.)

No dia anterior, 3 de outubro, sábado, o dia foi pontuado por uma visita feita a Marcos Sacramento, que tem o privilégio de morar na subida de uma colina em Santa Tereza, o bairro que fica acima da Lapa. É o caso de se dizer que a vista daqui do alto é insuperável. Marcos, que eu já havia assistido dois dias antes no Centro Cultural Light, me conta seu percurso envenenado pelos vapores do álcool durante os anos 90. Um assunto sobre o qual ele fala sem tabu. O excelente intérprete não é um sambista propriamente dito. Simplesmente ele vem perpetuando em vida a memória de numerosos nomes de compositores da época de ouro do samba de 1930 a 1950. Mas isso constitui apenas uma parte de seu repertório. Ele inclusive não faz parte do círculo de sambistas de renome, mais em voga, como Zeca Pagodinho ou Diogo Nogueira. E assim ele sofre injustamente de uma falta de atenção nas mídias de divulgação. Um problema muitas vezes enfrentado por parte de artistas de qualidade...
Para encerrar a conversa, é num momento de amargura que Marcos me confidencia que, ao aproximar-se agora de seus 50 anos, ele se questiona se ainda se faz necessário empregar tanta energia em seu métier. Eu considerei isso como um desabafo de um momento de melancolia, uma vez que ele vem sendo um tanto "esmagado" por um universo já muito restrito a bons intérpretes masculinos...

Mais tarde, nesse mesmo sábado eu me encontrei com a nova revelação do samba de Minas Gerais, Aline Calixto, no bairro da Lapa, lotado desde as primeiras horas da noite. A elegante jovem, parecendo sair direto de algum filme do Rio dos anos 20 (quando na cidade, o « mundo civilizado » falava o francês !), coloca seus talentos à disposição de compositores desconhecidos do eixo Rio-São Paulo. Dentre eles, Renegado, Santão, Sandro Borges e Affonsinho – que nos oferecem algumas das melhores faixas do primeiro álbum de Aline, já sob o selo da Warner Music.
No bar animado, onde eu a encontro lá dentro, vem juntar-se a nós Edu Krieger (vide post de 30/09), que também assinou dois títulos no disco da cantora. Juntos, com os produtores de cada um deles, inicia-se uma conversa informal, repleta de considerações artístico-filosófico-cômicas, uma vez que cada um folheou o esboço do meu livro sobre a MPB em francês, que eu começei a levar a cabo recentemente. Pareceu provocar um certo interesse, a menos que ele tenha despertado um tipo de condescendencia por parte de pessoas muito bem educadas !

Adriana Maciel, Parque Lage do jardim Botanico (foto Daniel A.)

Para encerrar essa maratona de final de semana (fatos em desordem, como vocês podem ter constatado !), fui parar no Café do Parque Lage, no Jardim Botânico, para cumprir meu compomisso de domingo à tarde com Adriana Maciel, uma intérprete que lançou o delicadíssimo e intimista « Dez canções », em 2008. Adriana é uma das cantoras cuja estréia eu testemunhei, em 1997, principalmente porque ela já tinha em seus repertório de compositores então também debutantes como Zeca Baleiro e Chico César. Outros como Celso Fonseca, e principalmente Vitor Ramil, são também músicos e compositores recorrentes ao longo dos quatro álbuns dessa cantora de Brasilia, que veio para o Rio para tentar uma carreira teatral pelo final dos anos 80.
Adriana tem a sorte (ou não ?) de não depender da música para viver, o que lhe dá a liberdade de lançar seus projetos de maneira parcimoniosa. De qualquer forma, seu álbum « Poeira leve », de 2003, baseado fortemente sobre o samba e a bossa nova, poderia ser a base de um dvd em projeto, uma vez que « Dez canções » continua sendo para mim uma das belas produções do ano passado. To be continued…

lundi 5 octobre 2009

03 et 04/10, Thaís Motta, Marvio Ciribelli, Marcos Sacramento, Aline Calixto, Adriana Maciel.

Marvio Ciribelli et Thaís Motta (photo Daniel A.)

(texto português em breve)

Il fut un temps où il était quasiment impossible d’obtenir l’interview d’un carioca un samedi ou un dimanche. Ce qui n’était évidemment pas le cas à São Paulo. Une époque semble-t-il révolue puisque lors de ce dernier week end, je pus m’offrir le luxe de rencontrer cinq d’entre eux, qui plus est, deux le dimanche soir, à 21h45 ! Les temps aurait-ils changé… ?
C’est chaperonné par le pianiste et producteur Marvio Ciribelli, que l’excellente chanteuse Thaís Motta eut l'amabilité de venir jusqu’à Ipanema, depuis Niteroí. Ma volonté de rencontré Thaís réside justement dans le fait rarissime d’être en présence d’une chanteuse -jeune de surcroît (elle a 29 ans)- qui pratique avec talent et professionnalisme un style purement brésilien, la bossa jazz, qui n’a cependant que peu de résonance dans son propre pays. Comme l’indique la pochette de son premier album de 2008, « Minha estação », Marvio Ciribelli a réuni autour de Thaís Motta, la crème des instrumentistes que l’on puisse trouver à Niteroí, comme Arthur Maia ou Marcello Martins, présents aux côtés d’un nombres impressionnants de pointures de la MPB.
Ce fut justement l’occasion d’évoquer cette ville, qui se trouve à un jet de pierre de Rio, et le nid d’excellents musiciens qu’elle abrite. Par le passé, Niteroí a également offert au Brésil des célébrités comme Sérgio Mendes, ou plus récemment Zélia Duncan, Suely Mequita ou Fred Martins. Et il en existe bien d’autres…
La pétillante Thaís et Marvio démontrent une énergie débordante pour trouver tous les moyens de divulguer leur album sans l’abnégation dont font preuve en général la plupart des artistes qui se trouvent hors du circuit commercial. « Minha estação » est un excellent album où la chanteuse et les musiciens font corps, comme dans tout bon groupe de jazz professionnel.
Malgré l’heure tardive de l’interview, le duo se prête, lui aussi, à mon super –et bientôt célèbre- questionnaire, tandis que de mon côté, j’ai pu me rendre compte que le dimanche soir s’avère un moment critique pour la pratique de mon portugais…

Le jour précédant, samedi 3 octobre, la journée fut ponctuée par la visite rendue à Marcos Sacramento, qui a le privilège d’habiter à flanc de colline, de Santa Tereza, le quartier qui surplombe Lapa. C’est dire si la vue est imprenable. Marcos, que j’avais vu deux jours plus tôt au Centro Cultural Light, me raconte son parcours envenimé par les vapeurs d’alcool durant les années 90. Un sujet dont il parle sans tabou. L’excellent interprète n’est pas à proprement parlé un sambista. Tout au plus, il maintient en vie la mémoire de nombreux noms de compositeurs de l’époque dorée de la samba des années 1930 à 1950. Mais ceci ne constitue qu’une partie de son répertoire. Il ne fait d’ailleurs pas partie du cercle des sambistas de renom, plus en vogue, comme Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz ou Diogo Nogueira. Et il souffre injustement d’un manque de présence dans les médias de divulgation. Un problème entendu maintes fois, hélas...
En fin de discussion, c’est dans un moment d’amertume qu’il me confie qu’à l’approche de ses 50 ans, il se demande s’il est encore nécessaire d’engager tant d’énergie dans son métier. Je mettrai cela sous le coup d’un moment de spleen, car ce serait dommage pour le monde déjà restreint des bons interprètes masculins…

Aline Calixto, dans les lumières de Lapa (photo Daniel A.)

Plus tard dans la journée, rencontre avec la nouvelle révélation de la samba du Minas Gerais,
Aline Calixto, dans le quartier de Lapa, bondé dès les premières heures de la soirée. L’élégante jeune femme, tout droit sortie d’un film du Rio des années 1920 (quand, dans la ville, le beau monde parlait le français !), met ses talents à dispositions de compositeurs de sa région inconnus sur l’axe de Rio-São Paulo. Parmi eux, Renegado, Santão, Sandro Borges ou Affonsinho qui donne parmi les meilleures plages du premier album d’Aline, déjà signé chez Warner Music.
Dans le bar animé où la rencontre à lieu, vient se joindre à nous Edu Krieger (voir texte du 30/09) qui lui aussi, a signé deux titres sur le disque de la chanteuse. Ensemble, avec les producteurs de chacun d’eux, s’engage une conversation informelle faite de considérations artistico-philosofico-comique, tandis que chacun feuillette l’ébauche de l’ouvrage sur la MPB en langue française, que j’ai mise en chantier récemment. Il semble provoqué un certain intérêt, à moins qu’il ne s’agisse que d’une politesse entre gens bien élevés !

Pour terminer ce marathon de fin de semaine (dans le désordre, comme vous l’aurez constaté), c’est au café du Parque Lage, au Jardim Botanico, qu’a lieu ma rencontre de dimanche après midi avec Adriana Maciel, une interprète qui avait lancé le très délicat et intimiste « Dez canções » en 2008. Adriana est une des chanteuses que je suis depuis ses débuts en 1997, principalement parce qu’elle avait déjà à son répertoire des compositeurs alors débutants comme Zeca Baleiro ou Chico César. D’autres comme Celso Fonseca ou principalement Vitor Ramil, sont restés des musiciens et compositeurs récurant tout au long des quatre albums de cette chanteuse de Brasilia, qui a migré vers Rio pour une carrière théâtrale vers la fin des années 80.
Adriana a la chance (ou malchance ?) de ne pas dépendre de la musique pour vivre, ce qui lui laisse la liberté de sortir ses projets de manière parcimonieuse. Quoi qu’il en soit, son album « Poeira leve » de 2003, basé davantage sur la samba et la bosa nova, pourrait être la base d’un dvd en projet, tandis que « Dez canções » reste pour moi, une des belles productions de l’année dernière.
To be continued…


samedi 3 octobre 2009

En direct sur la musique : 01/10, Ana Costa et Zélia Duncan.

Zélia Duncan, Espace Tom Jobim, 01/10 (photo Daniel A.)

(texte français, texto português traduzido do francês)


Cette soirée du premier octobre était celle de Zélia Duncan, mais avant cela, dans le quartier de Catete, c’était un rencontre avec une sambiste de talent dans un butequim traditionnel qui m’attendait…

En 2007, le premier album d’Ana Costa, « Meu Carnaval », comptait parmi les meilleures productions cariocas. La chanteuse et compositrice se situait dans la lignée de Mart’nália, ouvrant les frontières de la samba aux influences pop et soul. Dans ma chasse aux interviews de l’année dernière, j’avais donc voulu rencontrer l’artiste, mais en pleine finalisation de son second album, Ana avait dû annuler en dernière minute.
« Novos alvos » est donc sorti entre-temps et -comme j’ai déjà pu l’écrire ici- il propose un visage très contrasté par rapport à son prédécesseur. Parmi des sambas aux rythmes traditionnels, Ana Costa interprète des compositions aux thèmes plus personnels et aux mélodies plus complexes. Notre « non rencontre » (desencontro, comme disait Vinicius) de l’année dernière s’avéra donc un mal pour un bien, puisqu’en ce premier octobre, Ana pu m’expliquer le chemin parcouru entre « Meu Carnaval », album enjoué et lumineux, et « Novos alvos » qui -comme son titre l’indique- recherche d’autres chemins.

Ana Costa au Bar Gétulio, Catete (photo Daniel A)


Pour innover un peu, j’avais décidé de terminer l’interview par un petit questionnaire « à la Proust », remanié, auquel la chanteuse, amusée, se soumit avec beaucoup d’application. Pour tuer le temps, j’avais confectionné ce petit jeu durant le trajet de dix heures qui liait Lisbonne à Rio de Janeiro. L’essai paraissant concluant, je me dis que je ferais bien de cet exercice, un rituel obligatoire ! Si le cœur de l’interview servira à des fins diverses, je publierai ce questionnaire sans prétention, dès mon retour au pays…

Em 2007, o primeiro álbum de Ana Costa, « Meu Carnaval », constava, ao meu ver, entre as melhores produções cariocas. A cantora e compositora situa-se na linha de Mart’nália, ampliando as fronteiras do samba para permitir a entrada das influências do pop e do soul. Na minha caça por entrevistas no ano passado, eu queria então encontrar a artista ; no entanto, Ana estava em plena fase de finalização de seu segundo álbum, motivo pelo qual a entrevista foi cancelada no último minuto. « Novos alvos » veio então a ser lanaçado nesse meio tempo, e - como eu já tive a oportunidade de escrever aqui – ele propõe um perfil bem contrastante em relação ao disco que o precedeu. Intercalando com os sambas de ritmos tradicionais, Ana Costa interpreta composições ligadas a temas mais pessoais e com melodias mais complexas. Nosso « não encontro » (desencontro, como diria Vinicius) do ano passado, transformou-se de um mal para um bem, uma vez que nesse dia primeiro de outubro, Ana pôde me explicar o caminho percorrido entre « Meu Carnaval », álbum alegre e luminoso, e « Novos alvos » ; que, como seu título já assim o indica, aponta para algo diferente. Para inovar um pouco, eu resolvi terminar a entrevista aplicando um pequeno questionário « à la Marcel Proust », remodelado, ao qual a cantora divertidamente submeteu-se com grande dedicação. Para matar o tempo, eu havia elaborado esse « joguinho », durante o trajeto de dez horas que ligavam Lisboa ao Rio. A experiência, que me pareceu gratificante, me leva a crer que eu deveria fazer desse exercício, um ritual obrigatório ! Se o âmago da entrevista vier a servir a diversas finalidades, publicarei esse questionário sem qualquer presunção, por ocasião de meu retorno na velha Europa.

Zélia Duncan reprend "Flores" ...Une fan n'a pas manque l'occasion
(photo Daniel A.)


Le soir, c’est baignée dans un jeu de lumières particulièrement raffiné, que Zélia Duncan égrainait les titres de son dernier album « Pelo sabor do gesto », à l’Espaço Tom Jobim du Jardim Botanico. L’album, qui sera sans doute cité par beaucoup comme l’une des meilleures productions de l’année, marque un retour franc de Zélia vers la pop, comme le prouvent l’irrésistible Tudo sobre você (John Ulhoa/ Zélia Duncan) ou Boas razões (Alex Beaupain/ Zélia Duncan) qui ouvrit le concert dans un rythme galopant. Malgré une balance du son qui mit un certain temps à se mettre en place, le show dévoila une artiste se donnant corps et âme, affirmant une fois de plus sa forte présence scénique.
Depuis " Sortimento" (2001), il faut bien avouer que la discographie de Zélia maintient un niveau impressionnant, jonglant tant avec la samba, l’avant-garde de São Paulo, et la pop du Minas Gerais de John Ulhoa et Beto Villares, les deux producteurs magiciens de son dernier album. Avec tant de cartes en main, Zélia a suffisamment d’atouts pour consolider dans l’avenir son statut d’artiste confirmé de la MPB.

Na noite desse mesmo dia primeiro, é banhada por um jogo de luzes particularmante refinadas, que Zélia Duncan entremeou com os títulos de seu último álbum, « Pelo sabor do gesto », no Espaço Tom Jobim, que fica no Jardim Botânico. O álbum, que será sem sombra de dúvida citado por muitos como uma das melhores produções do ano, marca um retorno direto em direção ao pop, o que vem prová-lo a irresistível Tudo sobre você (John Ulhoa/ Zélia Duncan) ou Boas razões (Alex Beaupain), que abriu o show num ritmo galopante. A despeito do mal balanceamento do som, que levou um certo tempo até chegar a seu prumo, o espetáculo desvela uma artista no ápice de sua arte, afirmando de uma vez por todas sua forte presença cênica. Desde "Sortimento "(2001), é justo admitir que a discografia de Zélia vem mantendo um nível impressionante, fazendo malabarismos : tanto com o samba, quanto com a vanguarda de São Paulo e o pop de Minas Gerais de John Ulhoa e Beto Villares – os dois magos de seu último álbum. Com tantas cartas na manga, Zélia já conta com trunfos suficientes para consolidar ainda mais seu status de artista consagrada da MPB.

jeudi 1 octobre 2009

Retour en direct sur la musique : 30/09, Marcos Sacramento.

Marcos Sacramento, Centro Cultural Light, 30/09 (photo Daniel A.)

(texte français/ texto português traduzido do francês)

Hier encore le ciel n’a pas fait de cadeau, et il m’aura fallu près de 90 minutes, entre l’heure du midi, pour rejoindre le centre ville à partir d’Ipanema. Marcos Sacramento s’y présentait au Centro Cultural light. J’adore ces concerts qui se déroulent à ce moment de la journée, quand on se sent encore frais dans son corps et dans sa tête…Sauf si vous avez fait quelques excès la veille…
Pour une nouvelle session de "Tempero Musical", ce fut au tour de Marcos Sacramento de répondre aux questions de l’enthousiaste Ricardo Cravo Albin, toujours grand pourfendeur de la musique traditionnelle brésilienne. Je ne sais pas s’il s’en souvient mais, de passage à Bruxelles en 2005, l’historien musical (et directeur du Musée de l’Image et du Son de Rio de Janeiro) avait participé à une de mes émissions Tropicália, déjà sur Radio Judaica.
En avril dernier, j’avais eu la chance d’entendre –dans cette formule de chansons entrecoupées de questions et d’anecdotes- l’excellente Mariana Baltar. Et des similitudes existent bien entre Sacramento et Mariana, deux artistes qui –pour une bonne partie de leur répertoire- se font fort de remettre en valeur la samba de tradition et leurs grands auteurs. Marcos Sacramento a cependant déjà une solide carrière derrière lui.
Allons droit au but… Marcos Sacramento est tout simplement un des meilleurs interprètes masculins que la samba compte en son sein actuellement. Et comme je pouvais m’y attendre, les titres qui composent son dernier album « Na cabeça » prennent ici leur vraie dimension. Pour cela, pas besoin d’orchestre : la virtuosité du guitariste et compositeur Luiz F. Alcofra suffit à la représentation.
Sur scène, Marcos est un artiste solaire et –je ne sais pas s’il aimerait cette comparaison- je vois en lui comme un croisement d’Emilio Santiago et de Ney Matogrosso (Il y a pire comme référence !) L’artiste se montre concentré et techniquement irréprochable sur les titres plus graves, mais sait se montrer d’une exubérance de bon goût sur les sambas légères. C’est un réel interprète dans le sens où il vit et joue ses chansons...Je reviendrai sur Sacramento, puisqu’une rencontre avec l’artiste est prévue pour ce samedi…

Le reste de la journée fut trop maussade pour qu’on s’y attarde. Il faisait juste un temps à mettre un journaliste musical dans un Shopping Center pour une mise à jour de sa discothèque. Et voici donc pour la récolte depuis le début de ce voyage…(voir plus bas)

Diálogo musical entre Luiz F. Alcofra e Marcos Sacramento
(foto Daniel A.)


Ontem esse céu cinzento do Rio ainda não me presenteou com uma nesga de Sol, e isso me custou em torno de 90 minutos, por volta do meio-dia, para que eu pudesse regressar ao centro da cidade, partindo de Ipanema. Marcos Sacramento apresentava-se no Centro Cultural Light. Sempre gostei desses shows que acontecem nessa hora do dia, quando é possível sentir-se ainda bem disposto, tanto em termos de corpo quanto de mente... A não ser que você tenha caído na farra na véspera.
Nessa nova sessão « Tempero Musical », aconteceu de Marcos Sacramento responder às perguntas do entusiasta Ricardo Cravo Albin, sempre o grande defensor da música tradicional brasileira. Eu não sei se ele, Cravo Albin, ainda se lembra ; mas de passagem por Bruxelas, em 2005, o historiador musical (na época diretor do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro) participou de uma de minhas transmissões do programa Tropicália, já então hospedado na Rádio Judaica. Em abril passado, eu tive a oportunidade escutar – nessa fórmula de apresentar músicas entrecortadas por perguntas e anedotas – a excelente Mariana Baltar. E existem de fato similaridades entre Sacramento e Mariana, dois artistas que, por causa em boa parte de seus repertórios, se esforçam em devolver o justo valor aos sambas tradicionais e a seus grandes autores. Marcos Sacramento faz esse tipo de movimento, embora já possua uma carreira firmada atrás de si, sobre a qual comentarei posteriormente. Vamos então direto ao ponto... Marcos Sacramento é simplesmente um dos melhores intérpretes masculinos que o samba abriga em seu seio atualmente. E como eu pude prever, os títulos que constam de seu mais recente álbum, « Na cabeça », expressam aqui sua verdadeira dimensão. Para tanto, sem precisar de uma orquestra, o virtuosismo do violonista e compositor Luiz F. Alcofra basta à apresentação.
Em cena, Marcos é um artista solar, e – não sei se ele gostaria dessa comparação – eu enxergo nele um mistura de Emilio Santiago com Ney Matogrosso. O artista se mostra concentrado e tecnicamente irretocável nas faixas mais graves ; porém, sabe arvorar-se de uma exuberância de bom gosto nos sambas ligeiros. É um verdadeiro intérprete, na forma como ele vive suas músicas... Eu voltarei a Sacramento, uma vez que uma entrevista minha com o artista está prevista para esse sábado...


O resto do dia ficou meio parado com esse tempo chuvoso. Mas foi o ideal para que um certo jornalista musical se enfiasse dentro de um Shopping Center para uma rápida atualização de sua discoteca. E aqui abaixo vai a primeira safra colhida desde o início dessa viagem...


-ZÉ PAULO BECKER : « Pra tudo ficar » (Biscoito fino)
-J.VELLOSO : « E os cavaleiros de Jorge » (Quitanda)
-REGINA SOUZA : « Outonos » (Biscoito fino)
-CLÁUDIA CUNHA : « Respode à roda » (Biscoito fino)
-BEBEL GILBERTO : « All in one » (Verve)
-JOYCE : « Slow music » (Biscoito fino)
-VANESSA BUMAGNY : « Pétala por pétala » (Universal)
-RODRIGO BRAGANÇA : « Lágrimas de chorar estrelas » (Tratore)
-EDU KRIEGER : « Correnteza » (Biscoito fino)
-ARNALDO ANTUNES : « Iê iê iê » (Rosa celeste)
-ANA DE HOLLANDA : « Só na canção » (CPC/Umes)
-CASUARINA : « MTV Apresenta » cd/dvd (Sony)
-JAIME ALEM : « Dez cordas do Brasil » (Repique brasil)
-ISABELLA TAVIANI : « Meu coração não quer viver batendo devagar » (Universal)
-CÉU : « Vagarosa » (Universal)
-ÂNGELA JOBIM : « Interpreta Sergio Napp » (Fumproarte)
-VANESSA PINHEIRO : « Varanda » (indép)
-WAGNER TISO : « Samba e jazz » (indép)
-ERASMO CARLOS : « Rock’n’roll » (Coqueiro verde)
-Varios : « Nego » (Biscoito fino)
-OMARA PORTUONDO : « Gracias » (Biscoito fino)
-ALBERTO ROSENBLIT : « De bem com a vida » (Dabliú)
-TANTINHO : « Canta Padeirinho da Mangueira » (indép)
-CEUMAR : « Live in São Paulo » (Circus)
-CLAUDIO LINS : « Cara » (Biscoito fino)
-Varias : « Elas cantam Paulinho da Viola » (Lua)
-LUCAS SANTTANA : « Sem nostalgia » (YB Music)
-DANIEL ACHEDJIAN : « Depois de tudo isso, não tenho mais grana ! » (muito indép)

mercredi 30 septembre 2009

Retour en direct sur la musique : 29/09, Edu Krieger.

Edu Krieger et sa huit cordes au Rival, 29/09,
présentation de "Correnteza" (photo Daniel A.)

(texte français, texto português traduzido do francês)


Pluie, confusion, trafic, énervement…Voilà dressé le tableau de la première journée de ce voyage sur l’axe Rio-São Paulo. Un temps pourri où chaque initiative prend dès lors un temps démesuré. Sans parler du stresse du décalage horaire. Angoisse ! Et pourtant, loin de me démonter, je pars à la chasse de quelques tickets de concert à venir, et je passe -tel un rituel obligé, mais longtemps espéré- au Modern Sound, le méga-magasin de cd’s et dvd’s de la Barrata Ribeiro à Copacabana.
Confusion, oui, dans laquelle j’ai un peu de mal à organiser dans ma tête mon agenda de shows, d’interviews, de préparation de celles-ci, de textes à rédiger…Et un peu de temps pour MOI ! Et si je lâchais tout pour flâner aux bords des vagues ou dans la forêt de Tijuca.. ? Sauf que voilà…Il pleut encore et toujours !
Concerts prévus entre autres : Zélia Duncan, jeudi premier octobre ; Caetano Veloso, le 5, au Vivo Rio, pour un concert carritatif, en format voix guitare ; et Mariana Aydar le 7 octobre au Canecão.
Pour clore la journée d’hier, le show tout en douceur d’Edu Krieger –artiste éminemment doué et sympathique- qui présentait au Théâtre Rival « Correnteza », son second cd très attendu, après le justement acclamé « Edu Krieger », sorti en 2007. Ce dernier avait placé la barre très haut pour un premier album, et je n’ai pas encore eu le temps d’entendre son dernier-né, acquis après le concert. De ce que j’ai pu écouter en "live", on reste dans un excellent niveau de composition, même s’il semble utiliser quelques ficelles déjà entendues. À vérifier sur l’album. Entouré d’un accordéoniste et d’un percussionniste, Edu démontre une grande habilité sur la guitare à 8 cordes (jusqu'au s’arrêtera-t-il ?). À la fin du concert, rapide discussion avec la productrice de la nouvelle révélation de la samba féminine, Aline Calixto, à propos de laquelle j’avais déjà pu écrire quelques lignes ici même. Une interview est en vue, même chose pour Edu Krieger. To be continued...

29 de setembro, chegada...Primeiro dia.

Chuva, confusão, trânsito, irritação... Eis o pano de fundo do meu desembarque nessa viagem cobrindo o eixo Rio-São Paulo. Um tempinho viscoso aqui no Rio, quando cada iniciativa leva então um tempo cronológico desmesurado até conseguir concretizar cada ação. Sem falar no estresse do efeito do fuso horário. Ansiedade é a palavra ! E no entanto, longe de me permitir desabar, parto em busca de ingressos para alguns shows à vista, e dou uma passada – já um ritual obrigatório, mas há muito tempo esperado - na Modern Sound, a mega loja de cd’s e dvd’s que fica na Rua Barata Ribeiro, em Copacabana.
Uma confusão, sim, na qual eu mal organizei na minha cabeça a agenda de shows, de entrevistas (e a preparação das mesmas em si), e também a ordem dos textos a redigir... E um pouco de tempo para MIM ! E se eu largasse tudo para relaxar junto ao mar, ou flanar pela floresta da Tijuca adentro... ? Ah sim…pois é…Tá chovendo !

Shows previstos, dentre outros : Zélia Duncan, na quinta, primeiro de outubro ; Caetano Veloso, dia 5, no espaço Vivo Rio, num espetáculo beneficente, no formato voz & violão ; e Mariana Aydar no dia 7 de outubro, no Canecão. Coincide isso tudo com esse período do FestRio, que distrai muito as pessoas desses espetáculos todos ; 8 de outubro, a premiação e a festa de encerramento ... depois tudo volta ao normal.

E para coroar o dia de ontem, 29 de setembro, o show de Edu Krieger – artista eminentemente talentoso e simpático – que apresentou no Teatro Rival, na Cinelândia, « Correnteza », seu segundo cd muito aguardado, depois do merecidamente aclamado « Edu Krieger », lançado em 2007. Esse último mencionado colocou o nível do trabalho do artista num patamar muito alto para um primeiro álbum, e eu não tive ainda tempo de escutar seu recém-nascido, que comprei logo depois do show. Do que pude apreender « ao vivo », Edu continua mantendo um excelente nível de composição, mesmo que ele pareça fazer uso de alguns códigos já decifrados. A verificar através do álbum.
Cercado por um acordeonista e de um percussionista, Edu demonstra uma grande habilidade com o violão de oito cordas (aonde será que ele vai parar ?). No final do show, uma rápida conversa com a produtora da nova revelação do samba feminino, Aline Calixto, a respeito de quem já escrevi algumas linhas aqui mesmo no blog. Mais uma entrevista em foco, com Aline, e o mesmo com relação a Edu Krieger...
To be continued...

samedi 26 septembre 2009

Retour en direct sur la musique (nouveau voyage).

Voyage sur l'axe Rio-São Paulo...
(Rio sur une oeuvre de Lia Mittarakis, 1934-1998)

(texte français
, texto português traduzido do francês)


Les fidèles visiteurs de ce blog auront constaté un ralentissement significatif quant à l’édition de nouveaux textes. Et de fait, un nouveau voyage sur l’axe Rio-São Paulo s’annonce, avec tous les préparatifs que cela suppose. Plus que la volonté de rencontrer les artistes, c’est une grande soif de concert que je veux assouvir. Vivre la musique, toute l’année, à travers des albums et des dvd’s, aseptise la passion. Il manque une dimension fondamentale.
Finalement, bien plus que le support sur lequel elle est gravée (le premier enregistrement sonore ne date que d’environ 130 ans), la musique est depuis la nuit des temps, une réunion de musiciens qui prennent plaisirs à jouer pour un public amateur. C’était comme cela dans les grottes de Lascaux, à la cour de Louis XIV, ou à la grande messe de Woodstock. Et en ces temps de crises du disque, le concert reste plus que jamais la source de revenu des artistes, quel que soit leur statut. Alors oui, il m’est difficile d’habiter loin de ma passion musicale, et de passer mon temps sur Youtube pour tenter de ressentir des vibrations. Ce voyage est dès lors bienvenu ! Bon, après m’être posé en victime des circonstances, j’avoue avoir été ravi de recevoir cette semaine par courrier, une dernière salve d’album avant mon départ. Comme d’habitude, je vous les colle ici…

Os fiéis visitantes desse blog já devem ter constatado um rareamento signifivativo na edição de novos textos. E, de fato, uma nova viagem cobrindo o eixo Rio-São Paulo se anuncia, com todos os preparativos que a ela se fazem necessários. Mais do que a vontade de reencontrar os artistas, tenho uma grande sede de assistir a shows, que pretendo saciar. Viver a música, ao longo da maior parte do ano, somente através de cd´s e dvd’s, torna essa minha paixão meio ascéptica. Fica faltando uma dimensão fundamental.
Afinal, mais do que o suporte sobre o qual ela é gravada (o primeiro registro sonoro data em torno de 130 anos atrás), a música existe desde a mais remota noite dos tempos; uma reunião de músicos que têm prazer a partir de tocar para um público amante da mesma. Assim foi nas cavernas de Lascaux, na corte de Luis XIV, e na grande bagunça de Woodstock. E nesses tempos de crise do mercado fonográfico, o show, mais do que nunca, passa a ser a fonte de renda dos artistas, qualquer que seja o status de cada um. Então, sim, de fato... não me é fácil morar assim tão longe da minha grande paixão musical, e ter que passar meu tempo em frente ao Youtube para tentar absorver as vibrações sonoras. Esse viagem agora é então mais do que bem vinda!
Bom, depois de posar como uma vítima das circunstâncias, eu devo confessar que senti uma grande alegria ao receber pelo correio, essa semana, uma última leva de álbuns antes da minha partida. Como de hábito, eu posto essa remessa abaixo para vocês...

DVD’S :
-ROBERTA SÁ :
« Pra se ter alegria » (Universal)

-DORIVAL CAYMMI :
« MPB especial 1972 » (Biscoito fino)

-DETONAUTAS ROQUE CLUBE : « Acústico » (Sony music)
-GONZAGUINHA : « Luiz Gonzaga do Nascimento Junior » (Emi)
-FERNANDA TAKAI :
« Ao vivo, Luz Negra » (Deckdisc)


CD’S :

-PAULINHO MOSKA & convidados : « Zoombido II » (Biscoito fino)
-DIOGO POÇAS : « Tempo » (Warner)
-BRUNA CARAM :
« Feriado pessoal » (Dabliú)

-MARCIO MONTARROYOS :
« O Rio e o mar » (Emi)

-MARCEL POWELL TRIO :
« Corda com bala » (Rob digital)

-CHIQUINHA GONZAGA :
« Chiquinha e seu tempo » (Biscoito fino)

-Varias :
« Elas cantam Roberto Carlos » (Sony music)

-MARIA JOÃO QUADROS :
« Fado mulato » (Biscoito fino)

-FREJAT :
« Perfil » (Som livre/ Warner)

-MARCOS VALLE & CELSO FONSECA : « Página central » (Biscoito fino)
-LEANDRO SAPUCAHY :
« Cantando Roberto Ribeiro » (Warner)

-ALCIONE : « Acesa » (Sony music)

Voyage sur l'axe Rio-São Paulo...
(São Paulo sur une oeuvre de Agostinho batista de Freitas, 1927-1997)

Pour les interviews, contrairement aux années précédentes, je ne pars pas avec un agenda chargé. Je me laisserai porter au fil des jours, avec quelques règles que je me suis fixées.
-Éviter les interviews avant le show : le stresse de l’artiste le rend absent de la conversation ou le « soundcheck » interminable vous fait attendre des heures.
-Éviter les interviews après le show : moment où l’artiste se retrouve entourés de ses amis, sa famille, ses fans, et où votre rencontre est repoussée à 3 heures du matin.
-Éviter l’interview durant une promotion d’album quand l’artiste est fatigué de répéter la même chose à des dizaines de journalistes qui posent des questions peu originales, quoique légitimes.
-Éviter les artistes qui picollent ou fument des joints durant l’interview (cela arrive plus souvent qu’on ne le croit !)
-Éviter les interviews que l’on vous propose au siège de la maison de disques, dans une ambiance de bureau, froide et aseptisée. Le lieu de l’interview est souvent essentiel à la réussite de celle-ci. Préférer un endroit informel ou la résidence même de l’artiste.
-Éviter les chanteurs ou chanteuses dans le tourbillon du succès, quand il faut batailler ferme pour obtenir une audience…Et quand bien même on aura la bonté de vous l’accorder, il faudra vous contenter de 15 minutes. Mieux vaut alors attendre un prochain voyage, quand la pression médiatique sera retombée, en espérant que l’artiste n’aie pas lui-même disparu de la scène musicale…

Bref, en résumé, les meilleurs « clients » sont les nouveaux talents qui ont encore l’enthousiasme de parler de leur art, ou alors les artistes confirmés qui, sans actualité ni sans pression,vous reçoivent chez eux avec chaleur et courtoisie.


Com relação às entrevistas, ao contrário do que tem ocorrido nos anos anteriores, eu não saio aqui de Bruxelas dessa vez com uma agenda abarrotada. Eu me permitirei completá-la ao longo dos dias, seguindo algumas regras que eu mesmo me impus:
-Evitar as entrevistas antes do show: o estresse do artista o deixa alheio à conversa, e a interminável « passagem de som » te deixa esperando por horas a fio.
-Evitar as entrevistas depois do show: momento no qual o artista se encontra cercado de seus amigos, sua família, seus fãs, e quando teu encontro com ele vai acontecer lá pelas três da manhã.
-Evitar a entrevista durante a promoção de um álbum, quando o artista está cansado de repetir a mesma coisa a dezenas de jornalistas que fazem perguntas pouco originais, mesmo que válidas.
-Evitar os artistas que bebem e / ou fumam durante a entrevista (isso acontece mais amiúde do que se pode imaginar!)
-Evitar as entrevistas para as quais te convidam à sede da gravadora, num ambiente frio e ascéptico. O local da entrevista é muito importante para o seu sucesso. Dar preferência a um espaço informal, ou mesmo à residência do artista.
-Evitar os cantores e cantoras que se encontram no turbilhão do sucesso, quando é necessário travar uma dura batalha para obter uma « audiência »... E quando até mesmo eles ou elas têm a bondade de te receber, você vai ter que se contentar com uns 15 minutos de atenção. Melhor nesse caso esperar por uma próxima viagem, quando a pressão midiática estará arrefecida... e na esperança de que o artista, ele próprio, não tenha desaparecido da cena musical...
Resumidamente: os melhores « clientes » são os novos talentos que ainda têm o entusiasmo de falar sobre sua arte; ou ainda os artistas já consagrados, sem qualquer tipo de pressão, e que vão te receber « em casa », com afeto e cortesia.

Esthétique "pop art" pour un des excellents albums pop/rock de 2009.
"Mordida de Rodrigo Bittencourt.


Avant de partir, je regrette de n’avoir pas eu le temps de vous avoir parler ici des très bons albums de jeunes artistes qui m’ont surpris comme Renato Godá (réédition de son E.P. de sept titres), Rodrigo Bittencourt (« Mordida »), ou Diogo Poças (« Tempo »). L’occasion m’en sera certainement donnée durant ce voyage, mais ceux qui ont écouté le programme Tropicália (en direct ou en podcast), ont déjà pu découvrir leurs talents. Même chose pour le bon album de Simone (« Na veia »), la superbe réédition de « Feito pra ouvir » d’Emilio Santiago, l’étonnant album de Tânia Grinberg (« Na paleta do pintor »), le très beau « Álbum de retrato » de Rosa Emília, ou encore l’excellent « Tudo que respira quer comer » de Carlos Careqa.

Bien…Jeunes gens…On se retrouve ici la semaine prochaine pour le compte-rendu de mes errements musicaux et artistiques au Brésil !


Antes de partir, eu lamento não ter tido tempo de ter falado aqui de muito bons álbuns de jovens artistas que me surpreenderam, como Renato Godá (reedição de seu E.P. de sete títulos), Rodrigo Bittencourt (« Mordida »), e Diogo Poças (« Tempo »). A oportunidade certamente surgirá durante essa viagem; mas aqueles que escutam o programa Tropicália (« ao vivo » ou em podcast) já puderam conferir esses talentos. O mesmo ocorre com o bom disco de Simone (« Na veia »), a soberba reedição de « Feito pra ouvir », de Emilio Santiago, o surpreendente disco de Tânia Grinberg (« Na paleta do pintor »), o belo « Álbum de retrato » de Rosa Emília, e ainda o excelente « Tudo que respira quer comer » de Carlos Careqa.
Bem, gente…nos reencontramos aqui na próxima semana, para o relato de minhas aventuras musicais e artísticas no Brasil!




Segunda parte do programa divulgada sobre as ondas de Rádio Judaica o 14 de Setembro, às 15:15 (hora Brasilia)
Deuxième partie de l'émission divulguée sur Radio Judaica, le 14 septembre, à 20h15.


BLOCO 2 :

-SIMONE :
«Love » (Paulo Padilha)
-PAULO PADILHA : « O Cobrador » (Paulo Padilha)
-ALCIONE : « Sufoco » (Chico da Silva/ Antônio José)
-MARCOS SACRAMENTO & CLARA SANDRONI : « Bocoché » (Baden Powell/ Vinicius de Moraes)
-CHICO BUARQUE : « Dura na queda » (Chico Buarque)
-DIOGO NOGUEIRA : « Sou eu » (Ivan Lins/ Chico Buarque)
-RENATO GODÁ : « O que você quer eu não sei » (Renato Godá)
-NEY MATOGROSSO : « Lema » (Carlos Rennó/ Lukua Kanza)
-ARNALDO ANTUNES : « Paradeiro » (Arnaldo Antunes/ Carlinhos Brown/ Marisa Monte)
-NANDO REIS : « Pra você guardei o amor » (Nando Reis)
-CARLOS CAREQA (c/TATIANA PARRA) : « Isso passará » (C.Careqa)
-ANDRÉ ABUJAMRA : « Essa música não existe » (André Abujamra)
-SIMONE : « Certas noites » (Dé Palmeira/ Adriana Calcanhotto)
-VANESSA DA MATA : « Ai, ai, ai » (Liminha/ Vanessa da Mata)

dimanche 20 septembre 2009




Primeira parte do programa divulgada sobre as ondas de Rádio Judaica o 14 de Setembro, às 15:15 (hora Brasilia)
Première partie de l'émission divulguée sur Radio Judaica, le 14 septembre, à 20h15.

BLOCO 1 :
-ANA CAROLINA : « Torpedo » (Ana Corolina/ Mombaça/ Gilberto Gil)
-PAULA TOLLER : « Derretendo satélites » (Herbert Vianna/ Paula Toller)
-MARIA GADÚ : « Shimbalaiê » (Maria Gadú)
-ANNA LUISA : « Do zero » (Seu Jorge/ Pedro Luis)
-JOÃO GILBERTO : « Doralice » (Dorival Caymmi)
-EMILIO SANTIAGO : « Tristeza de nós dois » (Durval Ferreira/Bebeto/ M.Heinhorn)
-LENY ANDRADE : « O Sol nascerá » (Cartola/ Elton Medeiros)
-GEORGE ISRAEL : « As rosas não falam » (Cartola)
-FERNANDA PORTO : « Cidade sem fim » (Fernanda Porto)
-ANTÓNIO ZAMBUJO : « Quando tu passas por mim » (Vinicius de Moraes/ Antônio Maria)
-SÉRGIO GODINHO : « Lisboa que amanhece » (Sérgio Godinho)
-PEDRO ABRUNHOSA (c/LENINE) : « Um Mágico no peito » (P.Abrunhosa)
-TOTONHO VILLEROY : « Una louca tempestad » (Villeroy/ Bebeto Alvez)
-ANA CAROLINA : « Tá rindo, é ? » (Ana Carolina/ Mombaça/ Antônio Villeroy)

CE BLOG EST DÉDIÉ AUX CURIEUX QUI AIMERAIENT CONNAÎTRE L'ART ET LA MUSIQUE POPULAIRE BRÉSILIENNE. UNE OCCASION POUR LES FRANCOPHONES DE DÉCOUVRIR UN MONDE INCONNU OU IL EST DE MISE DE LAISSER SES PRÉJUGES AU VESTIAIRE.