Este blog é dedicado a todos os curiosos que desejam saber mais sobre Arte e Música Popular Brasileira. Para os francófonos, uma oportunidade de descobrir um novo e fascinante universo cultural. Para os brasileiros, o interesse em conhecer o ponto de vista de um jornalista europeu sobre sua rica produção artística
CÁSSIA ELLER : destaque deste Tropicalia. Voici la liste des titres joués en direct dans le programme Tropicalia du 01/02. Pour réécouter cette émission et d’autres plus anciennes, cliquez ICI
Eis aqui a lista das canções tocadas ao vivo no programa Tropicália, na Rádio Judaica, o dia 01/02. Pra escutar este programa, e outros mais antigos, cliquem AQUI.
« Non, je ne regrette rien »(Michel Vaucaire/ Charles Dumont) « Aquele grandão » (Mário Manga/ Leda Pasta) « Por enquanto »(Renato Russo) « Teu bem »(Paulo Barnabé) « Malandragem » (Frejat/ Cazuza) « Coronê Antonio Bento » (Luis Wanderley/ João do Vale) « Billy Negão » (Cazuza/ Goffi/ Barros) « Na Cadência do samba » (Ataulfo Alves/ Paulo Gesta) « Vá morar com o diabo » (Riachão) « Gatas extraordinárias »(Caetano Veloso) « Relicário » (c/ Nando Reis)(Nando Reis) « O Segundo sol »(Nando Reis) « Nós » (Tião Carvalho) « Luz del fuego »(c/ Rita Lee) (Rita Lee) « Um branco, um xis, um zero »(Marisa Monte/ Arnaldo Antunes/ Pepeu Gomes) « Partido alto »(Chico Buarque)
"Brasil em brasa" de Rogê, ouvre la première partir de Tropicalia 45.
Part. 1: ROGÊ :« Brazil em brasa »(Rogê/ Arlindo Cruz/ G. Moura/ J. Joviniano) PEDRO LUIS E A PAREDE (c/ Zeca Pagodinho) : « Ela tem a beleza que nunca sonhei » (Pedro Luis) LENINE :« A Mancha »(Lenine/ Lula Queiroga) ZECA BALEIRO :« Elas por elas »(Zeca Baleiro) CHICO CÉSAR : « Girassol »(Chico César) COMPANHIA ITINERANTE : « Samba do S » (Caio Figueiredo) ALINE MUNIZ :« Não vacille » (Marco de Vita/ Aline Muniz) SILVIA MACHETE :« Eu só quero saber de você » (Silvia Machete/ Cassava Nickens) BOSSACUCANOVA, CARLOS LYRA & PEDRO LUIS :« Influênça do jazz »(Carlos Lyra) CAROL SABOYA : « Águas passadas »(Mário Sève/ Chico César) MART’NÁLIA :« Cabide » (Ana Carolina) DORIVAL CAYMMI : « Acontece que sou baiano »(Dorival Caymmi) CHICO BUARQUE :« Cantando no torro »(Chico Buarque)
(texte français, texto português traduzido do francês)
Comme toutes les musiques raffinées et subtiles, le fado se mérite. Et c’est grâce à des artistes comme António Zambujo, que des amateurs novices (comme moi) peuvent trouver petit à petit les clefs de ce monde musical profondément humain et traditionnel. Les puristes vous parleront du fado de Lisbonne ou de Porto, plus enjoué que celui de Coimbra, ou encore de celui moins connu, peut-être, de la région du Alentejo (centro du Portugal), d’où est originaire António Zambujo.Dans le cas de ce jeune artiste de 34 ans, on se rend compte cependant bien vite que l’artiste mêle à ses racines, de nombreux éléments d’influences diverses.Et si « Outro sentido » se retrouve sur ce blog, c’est que son fado métissé a séduit beaucoup de brésiliens, et visiblement pas les moindres. Sur la galerie de photos de son site (ici), on le voit entouré de Ney Matogrosso, Sandra de Sá, Roberta Sá, Pedro Luis, Vanessa da Matta ou encore Caetano Veloso- ce dernier ne tarissant pas d’éloges à son égard.
Le label MP,B a donc décidé de relancer au Brésil (et aussi dans toute l’Europe), « Outro sentido », le troisième album d’António Zambujo, déjà édité au Portugal depuis 2007.Pour rendre le disque plus attractif, la maison de disques a décidé d’y ajouter trois titres qui associent l’artiste portugais à quelques nom porteurs de la scène brésilienne : Ivan Lins très populaire au Portugal depuis bien longtemps ; Zé Renato qui, lui aussi, a très souvent participé à des projet lusitaniens (avec le groupe Trinadus notamment) ; et le couple « in » carioca Pedro Luis et Roberta Sá.
Cependant, en toute franchise, la présence de ces participations luxueuses n’ajoute rien à la haute qualité intrinsèque de l’album. La présence des titres Quando tu passas por mim (Vnicius de Moraes/ Antônio Maria) et Labios que beijei (J.Casseta/ Leonel Azevedo) -inclus initialement dans l’album- honorait déjà magnifiquement le lien entre le Brésil et le Portugal.Dire qu’António Zambujo est un excellent chanteur participe du pléonasme. Un bon chanteur de fado est par essence doté d’une technique exceptionnelle et beaucoup d’interprètes brésiliens -parmi les meilleurs- s’y sont régulièrement cassés les dents. Mais la voix de Zambujo est suave et séductrice, et la comparaison avec Caetano Veloso paraît inévitable. Foi deus (Alberto Janes), chanté en partie a capella, donne la pleine mesure de son talent, tout comme Chamateia (A.M.Souza/ L.A.Bettencourt) où, seulement accompagné des voix bulgares Angelite, il nous emmène dans les entrailles du sacré. Sublime…António n’est cependant pas un fadiste iconoclaste, et une bonne partie du répertoire de l’album reste dans la conception instrumentale du genre, avec ses guitares portugaises cristallines. Mais les arrangements des guitares classiques et surtout une contrebasse appuyée, enrichissent encore la beauté de l’ensemble… Quand ce ne sont pas des trompettes grégoriennes sur la ballade Ao sul (João Monge/ João Gil) qui interviennent de manière surprenante. La voix d’António se montre aussi parfois minimaliste et discrète comme sur Fadista louco (Alberto Janes) et la « presque » bossa Outro sentido et le chanteur prouve à diverses reprises ici, que le fado ne rime pas -comme on le pense souvent- avec un pathos exacerbé. Un très bel album à savourer, et pour beaucoup, sûrement, un artiste à découvrir…(vidéos en dessous du texte portugais)
António Zambujo entouré de Sandra de Sá et Ney Matogrosso (photo site du chanteur)
Escutando hoje : António Zambujo. Como toda música refinada e sutil, o fado merece-se. E é graças a artistas como António Zambujo, que os apreciadores iniciantes (como eu) podem descobrir pouco a pouco as chaves desse universo musical profundamente humano e tradicional. Os puristas vos falarão sobre o fado de Lisboa ou do Porto, mais alegre e animado do que o de Coimbra, ou ainda daquele menos cohecido, talvez, da região do Alentejo (centro de Portugal)... de onde é originário António Zambujo.No caso desse jovem artista de 34 anos, damo-nos conta rapidamente de que o artista mescla às suas raízes numerosos elementos oriundos de influências diversas.E se « Outro sentido » aporta cá a esse blog, é porque seu fado « mestiço » já seduziu muitos brasileiros, e visivelmente dos mais expressivos. Na galeria de fotos de seu site, o vemos cercado de Ney Matogrosso, Sandra de Sá, Roberta Sá, Pedro Luis, Vanessa da Matta, ou ainda Caetano Veloso - que não se escusa a elogiar o trabalho de António.
O selo MP,B decidiu então relançar no Brasil (e também dentro da Europa), « Outro sentido », o terceiro álbum de António Zambujo, já lançado em Portugal a partir de 2007.Para fazer do disco algo mais atrativo aos olhos do público brasileiro, a gravadora decidiu adicionar três títulos que vêm a associar o artista português a alguns nomes de « palca » da cena musical braileira : Ivan Lins, que é muito popular em Portugal já faz muito tempo ; Zé Renato, que, esse também, participou com assiduidade de projetos lusitanos (com o grupo Trinadus, mais notadamente) ; e o casal musical carioca mais« in » - Pedro Luis e Roberta Sá.No entanto, com toda a franqueza, a presença dessas participações « luxuosas » não agregam nada de especial à alta qualidade intrínseca do próprio álbum. A presença dos títulos Quando tu passas por mim (Vnicius de Moraes/ Antônio Maria) e Lábios que beijei (J.Casseta/ Leonel Azevedo) – incluídos inicialmente no disco – já honravam magnificamente os fortes laços que unem o Brasil a Portugal. Dizer que António Zambujo é um excelente cantor é mero pleonasmo. Um bom cantor de fado é por essência dotado de uma técnica excepcional, e muitos dos intérpretes brasileiros – mesmo dentre os melhores – quando entram nesse campo costumam enrolar a língua. Mas o timbre da voz de Zambujo é suave e sedutora, e a comparação com Caetano Veloso parece inevitável. Foi Deus (Alberto Janes), cantado à capela, na exata medida de seu talento, tanto quanto Chamateia (A.M.Souza/ L.A.Bettencourt), acompanhado somente pelas vozes búlgaras do grupo Angelite, nos conduz às vísceras do sagrado. Sublime…António não é no entanto um fadista iconoclasta, e uma boa parte do repertório do seu álbum segue os trilhos da concepção instrumental do gênero, com suas guitarras portuguesas cristalinas. Mas os arranjos das guitarras clássicas, e contando sobretudo com o apoio de um contrabaixo, enriquecem ainda mais a beleza do conjunto... Isso quando não são os trompetes gregorianos inseridos na balada Ao sul (João Monge/ João Gil), que intervêm de maneira surpreendente. A voz de António mostra-se também por vezes minimalista e discreta, como em Fadista louco (Alberto Janes) e na « quase » bossa Outro sentido. Isso nos prova aqui, por diversas vias, que o fado não rima sempre – ao contrário do que se pensa - apenas com uma eloquência exacerbada. « Outro sentido » é um belíssimo álbum a ser degustado ; e, com toda a certeza, pela voz de um grande artista a ser descoberto...
C’est en 1997 que j’ai pris connaissance pour la première fois du nom de Lula Queiroga sur l’album « O Dia em que faremos contato » de Lenine, un disque qui avait bousculé certaines de mes certitudes musicales. Lula Queiroga apparaissait aux crédits de plusieurs titres. Parmi ceux-ci, le rageur Dois olhos negros dont il était l’unique auteur, un rock viscéral et tribal à la ligne mélodique tortueuse, délivré sans concession par Lenine. Par la suite, en cherchant bien, je retrouvais « Baque solto » (1983), premier essais discographique signé par les deux compères qui ne présageait en rien du son qu’ils allaient nous livrer par la suite. Lenine connut une reconnaissance nationale et internationale vers la fin des années 90, tandis que Lula Queiroga, se cantonnait à une carrière plus discrète, surtout dédié à la composition pour autrui. Il lança cependant les très estimés « Aboiando a vaca mecânica » (2001) et « Azul Invisivel vermelho cruel » (2004), disques que je n’ai jamais eu la chance d’avoir entre les mains. Cependant certains des titres inclus dans ces albums –et d’autres de ses compositions- se retrouvèrent aux répertoires de Ney Matogrosso, Zizi Possi, Elba Ramalho, Zélia Duncan, Virginia Rosa, Paula Morelenbaum, et bien d’autres. Plus récemment, ce furent Belo estranho dia de amanhã sur le dernier album de Roberta Sá (2007) et Tem juizo mas não usa , la meilleure plage de « Ponto enredo » (2008) de Pedro Luis e a Parede, qui attirèrent mon attention. Je fus surpris de voir que ces deux titres –parmi les plus joués sur Tropicália- étaient issus du même esprit créateur. L’une une bossa délicate, l’autre une samba rock vénéneuse et irrésistible. Elles sont d’ailleurs inclues dans des versions quelque peu distinctes sur le nouvel album de Lula Queiroga, "Tem juizo mas não usa", du même titre composé avec Pedro Luis.
Lenine...plus 'animal' (photo Daniel A.)
Bien sûr, Lenine et Lula Queiroga ont bu aux mêmes sources sonores : le rock, l’électro, l’afrocyber culture de Chico Science et à l’héritage ancestral du Pernambuco. Cependant les deux artistes ont des personnalités bien différentes. Physiquement, sur scène ou vocalement, Lenine possède cette attitude primale, et une sauvagerie instinctive qui ne sont pas le propre de Queiroga, artiste à la posture plus intellectuelle. D’où une projection médiatique visuelle plus évidente pour Lenine. Mais Lula possède en main une palette harmonique bien plus riche en termes de composition, ainsi qu’une volonté constante de recherche quant à l’instrumentation. Pour résumé, je dirais que Lula Queiroga aurait pu composer chacun des titres de Lenine, mais que l’inverse est peu probable. Lenine est un troubadour moderne, un interprète sans égale, maître de sa guitare percussive et des atmosphères musicales qu’il veut installer. Qu’elles soient angoissantes, orageuses ou parfois méditatives. Il reste tout simplement plus rock que son « gémeaux » de Recife.
De son côté, Lula Queiroga est un inventeur de sons contemporains, un expérimentateur, pas très éloigné parfois de certains avant-guardistes de São Paulo (je pense à André Abujamra, à Itamar Assumpção pour certaines lignes mélodiques saccadées, voire à Arnaldo Antunes dans ses intonations). C’est ce mélange peu définissable, qui emprunte à une multitude d’influences passionantes, que Lula Queiroga nous offre dans « Tem juizo mas não usa ». À chaque écoute, il nous livre de nouvelles surprises aux entournures de chaque ligne mélodique. Il est trop tôt pour dire si l’album sera une des meilleures productions de l’année, mais il sera difficile de faire plus contemporain.
LULA QUEIROGA:« Tem juizo mas não usa » (Luni prod.)
(texto português traduzido do francês, destinado aos leitores aprendizes)
Pequeno estudo comparado : Lula Queiroga e Lenine.
Foi em 1997 que eu tomei conhecimento pela primeira vez do nome de Lula Queiroga, através do álbum « O Dia em que faremos contato », de Lenine ; um disco que veio balançar algumas de minhas certezas musicais. Um verdadeiro choque… Lula Queiroga aparecia nos créditos de diversas faixas. Dentre algumas, Dois olhos negros , do qual ele é o único autor : um rock visceral e tribal, de linha melódica tortuosa, executado sem concessões por Lenine. Na sequência, procurando bem, eu reencontrei « Baque solto » (1983), primeiro ensaio discográfico assinado pelos dois amigos de longa data, que ainda não nos mostrava o som com o qual eles iriam nos invadir, 10 anos depois. Lenine é senhor de um reconhecimento nacional e internacional desde o final dos anos 90, enquanto que Lula Queiroga encastelou-se numa carreira mais discreta, dedicada sobretudo à composição para terceiros. Mas ele lançou, em paralelo, os apreciados « Aboiando a vaca mecânica » (2001) e « Azul Invisivel vermelho cruel » (2004), discos que eu jamais tive a oportunidade de ter em mãos. Porém, alguns títulos constantes desses álbuns - além de outras de suas composições – nos trazem de volta aos repertórios de Ney Matogrosso, Zizi Possi, Elba Ramalho, Zélia Duncan, Virginia Rosa, Paula Morelenbaum, além de outros. Mais recentemente, foram Belo estranho dia de amanhã, do mais recente álbum de Roberta Sá (2007) ; e Tem juizo mas não usa (Lula Queiroga/ Pedro Luis), a melhor faixa de « Ponto enredo » (2008), de Pedro Luis e a Parede, que me chamaram a atenção. Eu me surpreendi ao verificar que esses dois títulos – dentre os mais tocados no Tropicália – são resultado do mesmo espírito criativo. O primeiro é uma bossa delicada ; o outro um samba-rock « envenenado » e irresistível. Essas faixas estão também inclusas, sob versões um pouco diferentes, dentro de « Tem juizo mas não usa », terceiro disco de Lula, que acabou de sair. Na verdade, Lenine e Lula Queiroga beberam das mesmas fontes sonoras : do rock, do eletro, da cultura afrocyber do Mangue Beat, e da herança ancestral de Pernambuco. Não obstante, os dois artistas têm personalidades bem diferentes. Fisicamente, em cena ou vocalmente, Lenine é dono de uma atitute primal e de uma selvageria instintivas, que não são próprias de Queiroga - artista de postura mais intelectual. Daí uma projeção midiática visual mais evidente para Lenine. Mas Lula tem nas mãos uma paleta harmônica bem mais rica em termos de composições, bem como um impulso constante de proceder à pesquisa instrumental. Em resumo, eu diria que Lula Queiroga poderia ter composto qualquer título de Lenine, mas o inverso é pouco provável. Lenine é um trovador moderno, um intérprete sem igual ; mestre de sua guitarra percussiva e das atmosferas musicais que ele pretende criar. Quer elas soem angustiantes, tempestuosas, ou por vezes meditativas. Resta-lhe simplesmente mais rock do que seu « gêmeo » de Recife. Por seu lado, Lula Queiroga é um inventor de sons contemporâneos, um experimentador, não tão distante assim de certos vanguardistas de São Paulo (eu penso em André Abujamra ou Itamar Assumpção para certas linhas melódicas mais bruscas, à maneira de Arnaldo Antunes em suas entonações), ou em Portugal, Pedro Abrunhosa. É essa mistura, meio indefinida, que conduz a uma multiplicidade de influências apaixonantes, e que Lula Queiroga nos oferece em « Tem juizo mas não usa ». A cada vez que se ouve, ele nos aponta novas surpresas através dos contornos de cada linha melódica. Ainda é muito cedo para dizer se esse álbum será uma da melhores produções do ano, mas será difícil que se faça algo mais comtemporâneo.
En vidéo: LULA QUEIROGA (live):« Tem juizo mas não usa » (Pedro Luis/ Lula Queiroga) LENINE:"Dois olhos negros" (live MTV") (Lula Queiroga)
L’histoire de Bena Lobo est celle du problème universellement connu dans le monde des arts (mais pas seulement) : être le descendant d’une lignée illustre. Et donc de la difficulté de se forger un prénom. Mais pour Bena (ou Bernardo) ; le destin a mis la barre très haut. Fils d’Edu Lobo, un des compositeurs les plus importants de la musique populaire brésilienne moderne (et donc du monde !), et petit-fils de Fernando Lobo (1915-1996), autre célèbre compositeur, historien et écrivain, voilà ce qui s’appelle un héritage lourd à porter. Et comme si cela ne suffisait pas, la maman n’est autre que Wanda Sá, une des protagonistes des premiers moments de la Bossa Nova.
La première fois que j’ai pris connaissance de l’existence de Bena, ce fut dans les pages de « Caras », célèbre revue qui nous raconte les petites histoires de toutes les jet sets réunies. On l’y voyait jouer pour une fête donner par une personnalité qui m’était inconnue. Il n’avait donc rien pour que je m’y intéresse à la base. Peu de temps après, sortait son deuxième album, « Sábado », où il apparaissait sur la pochette en playboy au sourire carnassier, lunette de soleil…Ce qui me le rendait encore plus suspect ! Mais la présence de Lenine, Seu Jorge, Milton Nascimento, Pedro Luis et d’autres invités prestigieux, cités sur les crédits de la pochette, me poussa à la curiosité. Et grand bien me fit, car à l’écoute de cet album, je fus plutôt impressionné par la qualité des compositions de Bena, divisées entre la samba funk et les mélodies très empruntes des harmonies du Nordeste. Est-ce à cause de l’ADN de ses origines du Pernambuco…Quoi qu’il en soit, l’idée que Bena était le fils de qui que ce soit avait disparue de mon esprit. Seulement voilà, être non seulement « fils de », mais aussi être pote avec le gratin de la MPB, ancienne et nouvelle génération confondue…Voire même de fréquenter la jeunesse dorée de la Zone Sud de Rio, ce sont autant de raisons pour que la presse spécialisée se pince le nez. Quand je l’ai rencontré, en 2008, je me suis retrouvé devant un gars sympa, avenant et d’une grande simplicité (voire humilité). J’ai perçu un artiste qui devait non seulement dédier son énergie à la composition, mais aussi à se poser comme artiste à part entière, quel que soit son entourage prestigieux. Et peut-être que là, Bena n’a pas toujours fait les bons choix.
Peu de temps après, il enregistrait fin 2006, au Théâtre Rival (RJ), le dvd homonyme au disque, « Sábado, ao vivo », qui n’est sorti qu’en décembre 2008. C’est dire si, pour l’artiste, c’est déjà une production qui fait déjà partie de ses souvenirs lointains.
Profitant de ce ‘voyage de poche’, nous avions décidé de nous revoir, histoire de parler de ses projets… Et j’avais pour le coup, eu le temps de visionner le dvd en question, la veille. Comme pour l’album en studio – à mon avis- il commet l’erreur de ne pas s’affirmer seul ; et invite sur scène une pléiade de noms fameux. Le super bassiste Arthur Maia, João Donato, Pedro Luis, Edu Lobo, sans parler –et ça, c’est une bonne idée- de Carlos Malta e Pife Muderno. Si, indiscutablement, la prestation de ses propres compositions constitue le point fort du show, il est à se demander si les hommages –sincères- rendu à ses maîtres -comme Chico Buarque, Caetano Veloso, Tom Jobim, João Donato, ou à son propre père- ne viennent pas un peu tôt dans sa carrière. Autre erreur sans doute –et cela il me l’avouera lui-même avant que je ne lui en parle- les trop nombreux close ups sur le public, pour la plupart constitué d’amis et de célébrités venues de tous les horizons. Difficile après cela, d’obtenir une certaine crédibilité de la critique. Par instants, j’ai senti le garçon un peu désappointé face à cette indifférence que semble montrer la presse de Rio, principalement. Mais Bena Lobo n’est pas décidé à baisser les bras. Il n’est bien sûr pas question de se cloîtrer et d’ignorer ses amitiés franches, aussi célèbres soit-elles…Mais sans doute d’oser s’affirmer seul en tant qu’artiste. Le garçon possède, à mon avis, le talent requis pour cela.
Paulo César Pinheiro, un des plus grands poètes de la samba (photo M.L.Thompson)
Le compositeur a déjà entamé un projet qui pourrait enfin lui apporter une certaine reconnaissance: celui de sortir fin de cette année 2009, un album en collaboration avec Paulo César Pinheiro, un des plus importants paroliers (lettriste) de la samba. Si pour les arrangements ou la production de ce disque, il pouvait aussi compter sur un arrangeur du calibre d’un Dori Caymmi (c’est une idée pressentie, mais non conclue encore), cela pourrait donner naissance à un bien beau projet. En attendant Bena s’active aux répétitions d’une série de shows à venir prochainement avec son ami et collègue Daniel Gonzagua, lui aussi artiste talentueux, dernier maillon d’une filiation prestigieuse, celle de Gonzaguinha (1945-1991) et Luiz Gonzagua (1912-1989).C'est d'ailleurs ce parallèle de filiation entre les deux artistes qui sera mis à l'honneur. Quant à moi, j’attends surtout le projet qui l’affirmera en tant qu’artiste autonome.
(tradução do texto francês, destinado aos leitores aprendizes)
Viagem de bolso, flashback : Bena Lobo.
A história de Bena Lobo é daquelas do tipo que abordam um problema universalmente conhecido no mundo das artes (mas não somente) : ser o descendente de uma linhagem ilustre. E daí a dificuldade de se forjar um « nome próprio ». Mas para Bena (ou Bernardo) ; o destino colocou o desafio muito acima do comum. Filho de Edu Lobo, um dos compositores mais importantes da moderna música popular basileira (e quiçá do mundo !) e filho caçula de Fernando Lobo (1915-1996), outro célebre compositor e escritor, convenhamos que se trata e uma herança pesada de se carregar. E como se isso não fosse o bastante, sua mamãe não é ninguém menos que Wanda Sá, uma das protagonistas dos primeiros momentos da Bossa Nova.
A primeira vez em que tomei conhecimento da existência de Bena, foi através das páginas de «Caras », famosa revista que nos conta historinhas de todo tipo acerca de personalidades do jet set brasileiro. Podia-se vê-lo tocando numa festa organizada por uma « celebridade » que me era desconhecida. Não havia então nada naquilo que me interessasse a princípio. Um certo tempo depois, tendo saído seu segundo álbum, « Sábado », em cuja capa ele aparecia como um playboy a sorrir com certo escárnio, sob óculos escuros... Aí é que eu o achei ainda mais suspeito ! Mas as presenças de Lenine, Seu Jorge, Milton Nascimento, Pedro Luis e de tantos outros convidados de prestígio citados nos créditos da caixa, me rendi à curiosidade. No que fiz muito bem, uma vez que ao ouvir esse disco, eu fiquei acima de tudo impressionado com a qualidade das composições de Bena, divididas entre o samba funk e as melodias bem influenciadas pelas harmonias do Nordeste. E isso por causa, provavelmente, do registro em seu DNA das suas origens pernambucanas... E mesmo apesar disso, a idéia de que Bena é filho de quem é, já tinha então desaparecido de meu espírito. E dessa forma, sendo não somente « filho de », mas ao mesmo tempo ser amigo fiel de boa parte do pessoal da MPB, antiga e nova gerações se confundindo, somam-se as razões para que a imprensa especializada lhe torça o nariz. Quando eu o reencontrei, em 2008, eu me vi novamente frente a um cara simpático, receptivo, e de uma grande simplicidade (eu diria mesmo humildade). Eu percebi um artista que não deveria dedicar sua energia somente à composição, mas também a se colocar como um artista por inteiro, independente de sua prestigiada « entourage ». Um tempo depois, ele gravou, em fins de 2006, no Teatro Rival (RJ), o dvd homônimo ao disco, « Sábado ao vivo », que só veio a ser lançado em dezembro de 2008. Seria o caso de se considerar, em relação ao artista, que esse trabalho é uma produção que já faz parte de uma memória longíncua do mesmo.
Aproveitando essa « viagem de bolso », nós resolvemos nos rever, a fim de conversar sobre seus projetos... E eu tive, por acaso, um tempo para dar uma olhada no dvd em questão, na véspera. Assim como para o álbum em estúdio – a meu ver – ele cometeu o erro de não se afirmar por si só, convidando para dividir a cena uma plêiade de nomes famosos. O super baixista Arthur Maia, João Donato, Pedro Luis, Edu Lobo, sem falar – e essa, sim, é uma boa idéia : Carlos Malta e Pife Muderno. Se, indiscutivelmente, a apresentação de suas próprias composições constitui o ponto forte do show, ele deve se questionar se as homenagens – sinceras – prestadas a seus mestres como Chico Buarque, Caetano Veloso,Tom Jobim, João Donato, e até mesmo a seu próprio pai, chegaram cedo demais à sua carreira. Outro erro, sem dúvida – e esse ele mesmo me confessou antes que eu mencionasse : o excesso de closes sobre o público, constituído em sua maor parte por amigos e celebridades vindas de todas as origens. Fica difícil, depois disso, de se obter uma certa credibilidade por parte da crítica. Por instantes, eu senti o rapaz um pouco desapontado frente a essa indiferença a ele dispensada, principalmente por parte da imprensa carioca. Mas Bena Lobo não resolveu ficar de braços cruzados. Nem tampouco isolar-se ou ignorar suas amizades verdadeiras, tão célebres por elas mesmas... Mas sem dúvida deve ousar afirmar-se mais por si só como artista. Ele possui, a meu ver, o talento necessário para tanto. O compositor já encetou um projeto que poderá enfim trazer-lhe um certo reconhecimento : aquele a ser lançado nesse ano de 2009 ; um álbum em colaboração com Paulo César Pinheiro, um dos mais importantes letristas do samba. Se para os arranjos ou para a produção desse disco ele puder contar também com um arranjador do calibre de um Dori Caymmi (é uma idéia já em pauta, mas ainda não concluída), assim será possível dar à luz um projeto bem legal. No aguardo, Bena trabalha na repetição de uma série de shows a estrear proximamente com seu amigo e colega Daniel Gonzagua, esse também um artista muito talentoso, e o mais jovem egresso de uma filiação de prestígio : Gonzaguinha (1945-1991) e Luiz Gonzagua (1912-1989). Quanto a mim, aguardo sobretudo o projeto que o afirmará como um artista autônomo que ,afinal, ele já é. Só lhe falta prova-lo para uma certa crítica.
En vidéo, Edu Lobo e Bena: "Na Carreira" (Edu Lobo/ Chico Buarque)
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