Este blog é dedicado a todos os curiosos que desejam saber mais sobre Arte e Música Popular Brasileira. Para os francófonos, uma oportunidade de descobrir um novo e fascinante universo cultural. Para os brasileiros, o interesse em conhecer o ponto de vista de um jornalista europeu sobre sua rica produção artística
Primeira parte do programa divulgada sobre as ondas de Rádio Judaica o 7 de Setembro, às 15:15(hora Brasilia) Première partie de l'émission divulguée sur Radio Judaica, le 7 septembre, à 20h15.
BLOCO 1 : -PEDRO MARIANO :« Três moedas »(Frejat/ George Israel/ M.S.Cécília) -ED MOTTA & JOÃO DONATO : « Bye bye Brasil »(Roberto Menescal/ Chico Buarque) -NEI LOPES :« Chutando o balde »(Nei Lopes) -ALINE CALIXTO :« Enfeitiçado »(Affonsinho) -ANA COSTA & MARTINHO DA VILA : « Coisas simples »(Cláudio Jorge/ Elton medeiros) -MARCOS SACRAMENTO : « Dia santo também »(Paulo Padilha) -CÁSSIA ELLER : « Partido alto »(Chico Buarque) -WILSON SIMONAL :« Não vem que não tem » (Carlos Imperial) -RODRIGO BITTENCOURT : « Ipanema Inn »(Rodrigo Bittencourt) -CRIS AFLALO : « Tudo que respira quer comer » (Carlos Careqa) -ANA CAÑAS : « Na multidão »(A.Cañas/ Liminha/ Arnaldo Antunes) -PITTY :« Fracasso »(Pitty) -LUIZA POSSI :« Vou adiante » (Lokua Kanza/ Frederique Alie/ Chico César)
(texte français, texto português traduzido do francês)
Je suppose que c’est un réflexe humain que d’approcher avec suspicion une jeune artiste dont on loue les talents sans retenues depuis plusieurs mois. La peur d’être déçu sans doute, ou encore d’être victime d’une intelligentsia mondaine -carioca ou paulista- qui se cherche quelques sensations artistiques.Que ce soit certains artistes confirmés (comme Caetano Veloso) ou l’ensemble des journalistes spécialisés –quels que soient leurs styles de prédilection- tous sans exception se sont unis pour dire que nous avions en la personne de Maria Gadú une artiste profondément originale. Et qui était venue pour rester.J’ai voulu volontairement m’éloigner des sources sonores tel Myspace, Youtube ou autre média virtuel, pour attendre patiemment d’apprécier (ou non) le premier album de cette jeune paulista au style décontracté et au look « à la garçonne ». Et pour parler de l’album, ou plutôt de son « habillage », on a rarement vu un aussi bel objet, soigné et luxueux. Preuve que le label Slap /Som livre semble miser beaucoup sur la nouvelle révélation 2009.Ces considérations externes mises à part, le but n’étant pas de me distinguer à tout prix (ou de « faire mon intéressant » comme on dit à Bruxelles), c’est avec joie que je me joins à ces jugements enthousiastes. Et avec d’autant plus de plaisirs qu’il devient difficile de vibrer pour une scène brésilienne globalement fort apathique ces derniers temps.
Maria Gadú est une vraie belle surprise, et son album, un des plus agréables qu’il m’ait été donné d’écouter cette année. Cette jeune artiste de 22 ans nous dévoile son monde musical sans aucun complexe en nous livrant pas moins de 8 compositions sur les 13 titres que contient son premier album. Fait très rare chez les jeunes chanteuses qui osent se lancer dans l’écriture musicale, la qualité est au rendez-vous. Parmi ses créations, Bela Flor, tout comme Shimbalaiê ou Lounge, nous plonge dans une légèreté et une fraîcheur qu’une Vanessa da Mata a perdus depuis longtemps. Le ton est presque bucolique, parfois, comme sur Tudo diferente (André Carvalho)Bien sûr s’il faut évoquer une autre chanteuse, l’ombre de Marisa Monte plane au-dessus du chorinho Altar particular (Gadú) ou Linda Flor (Gugu Peixoto/ Luis Kiari), chansons dont les inclinaisons mélodiques rappellent certains titres de la brune carioca. Pour le reste, Maria Gadú possède une voix réellement originale, délicieusement voilée. Au Brésil, cela fait plusieurs semaines que les radios ont marqué leurs préférences pour Tudo diferente et le délicieux Shimbalaiê - mais Laranjas (Gadú), d’une méchante efficacité, ne sera certainement pas long à suivre.Concernant les reprises, Maria étonne aussi en démontrant un certain culot. Elle enchaîne en fin d’album Baba du répertoire « teenage » de Kelly Key -joué en clin d’œil de manière acoustique- à A Historia de Lily Braun de Chico Buarque et Edu Lobo. Son timbre bluesy s’adapte parfaitement à ce titre, que l’on connaissait à travers la voix cristalline de Gal Costa. Enfin Maria Gadú reprend Ne me quittes pas de Jacques Brel (qui veut expliquer aux Brésiliens que Brel a composé des centaines de chansons, et pas des moindres ?), et ceci avec beaucoup d’audace et d’intelligence. Non pas parce qu’elle en fait un tango, mais surtout parce que la jeune artiste propose un arrangement vocal à deux et trois voix pour cette chanson généralement interprétée comme un triste monologue. On est loin de la version de Maysa, mais c’est une réussite ! Et enfin on comprend ce qu’elle dit !L’impression qui nous reste au sortir de l’album, c’est que Maria Gadú nous a offert un répertoire de qualité d’une manière naturelle et spontanée, et qu’une telle aisance ne peut qu’annoncer les prémisses d’une belle carrière.
Escutando hoje :Maria Gadú.
Eu suponho que faz parte da natureza humana aproximar-se com cautela de uma jovem artista a quem a gente cultua ao longo de vários meses seguidos. Pelo medo da gente se decepcionar, sem dúvida, ou ainda de se tornar vítima de alguma « intelligentsia » mundana - carioca ou paulista – que busca sempre eleger alguma nova revelação « cult » no mundo artístico. Quer seja por parte de certos artistas consagrados (como Caetano Veloso), quer pela quase totalidade dos jornalistas especializados – de acordo com suas próprias preferências musicais - todos sem exceção se unem para dizer que temos na pessoa de Maria Gadú uma artista profundamente original. E que veio para ficar. Eu voluntariamente me abstive de recorrer a fontes sonoras tais como o Myspace, o Youtube, ou qualquer outra mídia virtual, para esperar pacientemente e apreciar (ou não) o primeiro álbum dessa jovem paulista, de estilo descontraído e com um visual « à la garçonne ». E para falar do álbum, e sobretudo de sua « roupagem », raramente viu-se um objeto tão bonito para um primeiro disco, bem cuidado e luxuoso. Prova de que o selo Slap/Som livre aposta alto nessa revelação de 2009. Deixando essas considerações externas à parte, a questão não é tanto a de me distinguir a qualquer preço, e é com alegria que me alinho a esses julgamentos entusiásticos. E é também na mesma medida que a mim parece difícil vibrar com um cenário musical brasileiro em termos gerais bastante apático como o que se apresenta nos últimos tempos.
Maria Gadú é mesmo uma bela surpresa, e seu álbum um dos mais agradáveis que vim a escutar esse ano. Essa jovem artista de 22 anos nos revela seu universo musical com a maior naturalidade, sem qualquer cerimônia, ao nos apresentar não menos de 8 composições dentre as 13 faixas. Coisa rara, essa, de se encontrar dentre as jovens cantoras que se arriscam a compor, esse grau de qualidade já tão evidente. Dentre suas criações, Bela Flor, tanto quanto Shimbalaiê e Lounge, nos leva a mergulhar numa ligeireza e frescor que uma Vanessa Da Mata veio a perder ao longo do tempo. O tom é quase bucólico, por vezes, como em Tudo diferente (André Carvalho).E no caso de se evocar uma outra cantora, um reflexo de Marisa Monte desponta no chorinho Altar particular (Gadú) e em Linda Flor (Gugu Peixoto/ Luis Kiari), canções nas quais as inclinações melódicas evocam certos títulos da morena carioca. No mais, Maria Gadú é dona de uma voz realmente original, deliciosamente enevoada. No Brasil, já faz algumas semanas que as rádios demonstram suas preferências por Tudo diferente e o delicioso Shimbalaiê – e ainda por vir Laranjas (Gadú), de uma maliciosa eficácia, que certamente será também eleita muito em breve.Com relação às composições alheias, Maria também nos deixa espantados ao demonstrar uma certa ousadia. Ela interpreta no final do álbum Baba, do repertório « teenage » de Kelly Key – performada no melhor estilo voz & violão – como em A Historia de Lily Braun, de Chico Buarque e Edu Lobo. Seu timbre meio « blues » se adapta perfeitamente a esse título, que nos é dado a conhecer através da voz cristalina de Gal Costa. E por fim, Maria Gadú resgata Ne me quittes pas, de Jacques Brel (quem se habilita a explicar aos brasileiros que Brel compôs centenas de canções geniais, e não só essa ?), e aqui o faz com bastante audácia e inteligência. Não porque ela a cante como a um tango, mas sobretudo porque a jovem artista propõe um arranjo vocal a duas e a três vozes para uma música geralmente apresentada como um triste monólogo. Está longe da versão de Maysa, mas cumpre a sua missão com sucesso ! E permite que até nós, francófonos, finalmente entendamos o que diz a sua letra !A impressão que nos fica ao terminar o álbum é a de que Maria Gadú nos brindou com um repertório de qualidade, interpretado de forma natural e espontânea, e que tal desenvoltura vem simplesmente explicitar as premissas básicas para se fazer uma bela carreira.
(texte français, texto português traduzido do francês)
À la date du 31 mai 2009, j’avais écrit une biographie succincte sur l’excellent chanteur pop soul qu’est Pedro Mariano. Ceci dans le contexte d’un post consacré à l’âge d’or du label Trama de São Paulo (1998-2004) auquel il appartenait. Concernant « Incondicional » qui venait de sortir – mais que je n’avais pas encore écouté-, j’avais noté ceci (c’est toujours gratifiant de citer sa prose !) :« En 2004, Pedro Mariano est contracté par EMI et enregistre « Incondicional », un album qui ne verra jamais le jour car il ne correspond pas aux souhaits de la maison de disques. Et c’est donc 5 ans plus tard, que sur son propre label Nau, l’artiste lance en 2009 cet album d’inédits…Ou comment faire du neuf avec de l’ancien ! » … « Les qualités d’interprète de Pedro Mariano (ainsi que sa belle gueule !) en font un chéri du public carioca et de São Paulo, où il remplit les salles sans la moindre difficulté. Reste à l’artiste à se montrer exigeant quant aux choix de son répertoire car, au pays où les chanteuses sont reines, il serait dommage qu’un interprète masculin de sa trempe ne soit pas au service d’un répertoire de qualité. »
Et donc à l’écoute de ce nouvel album « ancien », le sentiment du fan sera d’entendre une collection de chansons connues, puisque Pedro Mariano a déjà eu l’occasion à maintes reprises de présenter ce répertoire, dont certains titres se retrouvent d’ailleurs sur son dvd « Pedro Mariano ao vivo » (2005). C’est le cas pour le très efficace Três moedas (Frejat/ George Israel/ Mauro Santa Cecília), ou de Colorida e bela, magnifique composition de Jair Oliveira. Ces deux titres -avec Simplesmente (Samuel Rosa/ Chico Amaral)- forment un tir groupé qui ouvre l’album en grand style. Hélas, l’enthousiasme retombe un peu par la suite, sans que l’on soit forcément confronté à du mauvais. Juste du fort banal. Mais soyons honnêtes, au sortir de l’album, le solde nous paraît plutôt positif, grâce à la production impeccable de Pedro et Otávio de Moraes et toujours -au risque de me répéter- à la grande qualité d’interprétation de l’artiste. Sur les 14 titres de l’album, on pointera encore quelques belles plages comme Proxima atração (Marcos e Paulo Sergio Valle), A Casa da dor (Jair Oliveira) chanté avec Luciana Mello, et la belle reprise de A Medida da Paixao de Lenine et Lulu Falcão.
Escutando hoje : Pedro Mariano
Em 31 de maio de 2009, eu havia escrito uma biografia sucinta sobre o excelente cantor pop / soul que é Pedro Mariano, no contexto de um post dedicado à era de ouro do selo Trama, de São Paulo (1998-2004), ao qual ele pertencia. Com relação a « Incondicional », que foi lançado esse ano – mas que eu não tinha escutado ainda – eu já o havia citado (é sempe gratificante a gente poder citar os seus proprios textos !) :…« Em 2004, Pedro Mariano é contratado pela EMI e grava « Incondicional », um álbum que não conhecerá jamais a luz do dia, uma vez que ele não corresponde aos anseios das gravadoras. E é assim que, cinco anos mais tarde, sob seu próprio selo – Nau - o artista lança em maio de 2009 esse álbum de inéditos... Ou seja : começar tudo de novo a partir do antigo ! » (…) « As qualidades de intérprete de Pedro Mariano fazem dele muito querido dos públicos tanto do Rio quanto de São Paulo, onde lota as salas de epetáculos com a maior facilidade. Cabe apenas ao artista mostrar-se mais exigente no tocante à escolha de seu repertório, uma vez que, no país onde as cantoras são rainhas, é um desperdício que um intérprete masculino de seu calibre não esteja a serviço de um repertório de qualidade. »...
É isso aí... E então, ao escutar esse novo "antigo" álbum a impressão que terão os fãs de Pedro será a de estarem ouvindo uma coleção de canções conhecidas, posto que Pedro Mariano já teve a oportunidade de por muitas vezes repetir esse mesmo repertório, a partir do qual certos títulos são encontrados também em seu dvd « Pedro Mariano ao vivo » (2005). É o caso da bastante eficiente Três moedas (Frejat/ George Israel/ Mauro Santa Cecília), ou de Colorida e bela, magnífica composição de Jair Oliveira. Esses dois títulos, junto com Simplesmente (Samuel Rosa/ Chico Amaral), são um tiro certeiro que abre o álbum em grande estilo. Mas eis que, de repente, o entusiasmo em seguida sai um pouco de cena, mas sem que o trabalho soe forçosamente ruim. Simplesmente muito banal. Mas sejamos honestos : ao terminarmos a audição do álbum, o saldo nos parece bem positivo, graças à produção impecável de Pedro e Otávio de Moraes ; e também – correndo aqui o risco de ser repetitivo – à alta qualidade de interpretação do artista. Dentre os 14 títulos do álbum, podemos apontar ainda algumas belas faixas como Próxima atração (Marcos e Paulo Sergio Valle), A Casa da dor (Jair Oliveira) – interpretada junto com Luciana Mello – e a bela reedição de A Medida da Paixão, de Lenine e Lulu Falcão.
Vidéos amateurs de "Três moedas" et de "Simplesmente" qui valent surtout pour le son... Videos amadores que valem mais pelo som do que pelas imagens...
Attention! Ils sont de retour! Eles estao de volta!
(texte français, texto português traduzido do francês)
Et oui ! Après les deux mois de vacances européennes, Tropicalia reprend sa place ce 31 août dans la grille horaire de Radio Judaica. Petit changement cependant, l’émission –qui aura toujours une durée d’environ deux heures trente- passera en direct à 20h15 plutôt qu’à 22h. C’est-à-dire -pour l’instant- à 15h15 au Brésil.Mais pour les curieux qui ont atterri sur ce blog, il est sans doute utile d’en dire un peu plus.Pour ce faire, comme il m’arrive d’être paresseux, je vous colle ici la présentation du programme tel qu’elle est décrite sur le site de Radio Judaica...
"Tropicalia" vous propose chaque semaine un voyage passionnant à travers les musiques du Brésil, styles, régions et générations confondues. Bien sûr, vous y retrouverez les rythmes classiques de ce pays métissé comme la Bossa, la Samba, le Chorinho, ou tous les rythmes du "Nordeste" (forro, frevo, baião…). Mais aussi tout ce qui se fait en matière de pop, rock, soul...."Tropicalia", c’est donc l’histoire de la Musique Populaire Brésilienne (MPB) du début du 20 e siècle jusqu’aux dernières nouveautés reçues en droite ligne de là-bas! L’émission eut l’honneur d’être considérée, par la presse spécialisée brésilienne comme l’une des meilleures dans son genre hors des frontières de ce grand pays. Elle fut le sujet de nombreux articles dans la grande presse tel le "Globo", le "Jornal do Brasil" ou "O Dia".
Belle présentation n’est-ce pas ? Cependant, à l’époque de cette accroche de l’émission, Tropicalia n’avait pas encore sa forme sous podcast. C’est chose faîte depuis environ quatre mois, et vous pouvez retrouver toutes les émissions diffusées depuis le mois de mai dernier sur Tropicalia Podomatic (aussi sur la colonne de droite du blog).Comme chaque émission dure environ 150 minutes, elle sera divisée en deux (voire trois) podcasts pour un meilleur confort d’écoute. Elles seront donc disponibles sur le site Podomatic, mais aussi sur ce blog, avec la liste des titres joués sur antennes. Les podcasts suivront l’émission en direct de un ou deux jours.
L'arrivage des nouveauté du mois de juillet.../ A safra do mês de julho...
Que ce soit en « live » ou en différé, j’espère vous retrouver nombreux au rendez-vous de ce programme, car ce ne sont pas les nouveautés qui vont manquer. En effet, la production de bons albums a été particulièrement abondante ces trois derniers mois. Ce qui me fait dire que 2009 s’annonce d’un meilleur cru que 2008.En date du 26 juillet, j’avais déjà publié la dernière livraison d’une quarantaine d’albums tout chauds. À ceux-ci -comme le hasard fait bien les choses pour cette émission de la rentrée- s’ajoute un dernier arrivage très prometteur.Voici donc un aperçu de ce que vous pourrez écouter –entre autres- sur les antennes de Tropicalia à partir de lundi prochain…
JOÃO BOSCO :« Não vou pro ceu »(MP,B/ Universal) MARIA GADÚ :« Maria Gadú »(Som livre) ANA CAROLINA :« Nove »(Armazém/ Sony Music) PITTY :« Chiaroscuro »(Deckdisc) ANA CAÑAS :« Hein ? » (Sony) TIÊ : « Sweet jardim » (indep.) NEI LOPES :« Chutando o balde »(Fina flor) DIOGO NOGUEIRA :« Tô fazendo a minha parte »(EMI) FERNANDA TAKAI :« Luz negra »(Deckdisc) MÁRIO SERGIO :« Nasci para cantar e sambar »(LGK/ Som livre) RODRIGO SANTOS : « O Diário do homen invisível »(Som livre) MART’NÁLIA :« Minha cara »(rééd.1997-Biscoito fino) JOÃO CALLADO : « João Callado » (Biscoito fino) EMILIO SANTIAGO :« Feito para ouvir » (reéd.1977-Dubas/ Universal) RAIMUNDO FAGNER : « Uma Canção na rádio »(Som livre) WILSON SIMONAL : « Simonal-Ninguém sabe o duro que dei »(EMI) KLEITON & KLEDIR : « Autoretrato »(Som livre) Serie Perfil : MARIA RITA, LENINE, FREJAT(Som livre/ Globo Warner) ANDRE LEMOS : « Confete e serpentina »(indep.)
…et en prévision, pour septembre, les nouveaux albums deALCIONE (« Acesa »), BRUNA CARAM(« Feriado Pessoal »), ANGELA JOBIM(« Interpreta Sérgio Napp »),PAULINHO MOSKA (« Zoombido 2 »),MARCEL POWELL TRIO(« Corda com bala »), SIMONE (« Na veia »), ROBERTA SÁ(« Pra se ter alegria »),WAGNER TISO(« Samba & jazz »)…et d’autres encore ! Bref, maintenant, vous n’avez plus d’excuses !
"Lamentos do morro" (Garoto) por Yamandu Costa, abrirá, como de costume, o Tropicália show.
Tropicália, o retorno ! Muito samba, muito choro e rock’n’roll !
Pois enfim ! Passados os dois meses das férias de verão européias, o programa Tropicália retorna à grade da Rádio Judaica, aqui em Bruxelas, nesse próximo 31 de agosto. Apenas, no entanto, com uma pequena mudança na transmissão (que continua com aproximadamente duas horas e meia de duração) : o horário passa das 22 :00 para as 20 :15. O que vale dizer – pelo menos por enquanto – que ele começa agora a partir das 15 :15 aí no Brasil.Mas para os curiosos que aterrissaram agora a este blog, é sem dúvida bastante útil que se diga algo mais a respeito.Como ainda ando meio preguiçoso, acho mais fácil « colar » aqui a apresentaçao do programa que fica no próprio site da Rádio Judaica (aqui traduzido do francês).
"Tropicália" apresenta a vocês toda semana uma viagem apaixonante através das músicas do Brasil, com seus estilos, regiões e gerações os mais variados. Assim, vocês vão poder rememorar os ritmos clássicos desse país « mestiço », como a Bossa, o Samba, o Chorinho, ou todos os ritmos do Nordeste (forró, frevo, baião…). Mas também tudo que se vem fazendo em matéria de pop, rock, soul... "Tropicália" é, então, a história da Musica Popular Brasileira (MPB) do início do século XX até às mais recentes novidades recebidas em linha direta aí do Brasil ! Essa transmissão do programa Tropicália teve a honra de ter sido considerada, pela imprensa brasileira especializada, como uma das melhores de seu gênero fora das fronteiras desse grande País. Ela foi objeto de numerosos artigos contidos em veículos da grande imprensa, como « O Globo », "Jornal do Brasil" e "O Dia".
Bela apresentação, não é mesmo ? No entanto, pela época desse empreendimento de trasmissão, Tropicália não contava ainda com seu formato em podcast. Isso foi concretizado faz uns quatro meses, e vocês podem escutar todos os programas transmitidos a partir de maio desse ano através do site podomatic (na coluna à direita do blog).Cada programa dura mais ou menos uns 150 minutos, que será dividida em dois (às vezes três) podcasts, para permitir um maior conforto ao ouvinte. Essas transmissões estarão disponíveis então no site Podomatic mencionado acima, mas também no próprio blog aqui, com a lista do títulos emitidos pelas ondas. Os podcasts das transmissões subsequentes, a partir desse dia 31, segunda, estarão disponíveis em um ou dois dias após cada programa.
...Et l'arrivage des nouveautés du mois d'août.../ E a safra do mês de agosto...
Quer seja « ao vivo », ou de qualquer outra forma, eu desejo que vocês compareçam ao programa, já que novidades é que não vão faltar ! De fato, a produção de bons álbuns foi particularmente abundante nesses três últimos meses. Isso me leva a dizer que 2009 já acena com uma safra musical melhor do que a de 2008. Na data de 26 de julho, eu já havia publicado a lista com a mais recente encomenda que me chegou, de uns quarenta discos recém saídos do forno. Assim, ao acaso que fará com que tudo ande bem para essa transmissão da nossa reentrada no ar, vem juntar-se um último lote bastante promissor.Abaixo, então, um apanhado do que vocês poderão escutar – dentre outros títulos – através das antenas do Tropicália a partir da próxima segunda...
JOÃO BOSCO :« Não vou pro céu »(MP,B/ Universal) MARIA GADÚ :« Maria Gadú »(Som livre) ANA CAROLINA :« Nove »(Armazém/ Sony Music) PITTY :« Chiaroscuro » (Deckdisc) ANA CAÑAS :« Hein ? » (Sony) TIÊ :« Sweet jardim » (indep.) NEI LOPES :« Chutando o balde »(Fina flor) DIOGO NOGUEIRA : « Tô fazendo a minha parte » (EMI) FERNANDA TAKAI : « Luz negra » (Deckdisc) MÁRIO SÉRGIO :« Nasci para cantar e sambar » (LGK/ Som livre) RODRIGO SANTOS :« O Diário do homen invisível »(Som livre) MART’NÁLIA :« Minha cara »(reed. 1997-Biscoito fino) JOÃO CALLADO : « João Callado »(Biscoito fino) EMILIO SANTIAGO :« Feito para ouvir » (reed. 1977-Dubas/ Universal) RAIMUNDO FAGNER : « Uma Canção na rádio » (Som livre) WILSON SIMONAL :« Simonal-Ninguém sabe o duro que dei »(EMI) KLEITON & KLEDIR :« Autoretrato »(Som livre) Série Pefil :MARIA RITA, LENINE, FREJAT(Som livre/ Globo Warner) ANDRÉ LEMOS : « Confete e serpentina »(indep.)
… e previsto para setembro, os novos álbuns de ALCIONE(« Acesa »), BRUNA CARAM(« Feriado Pessoal »), ANGELA JOBIM (« Interpreta Sérgio Napp »),PAULINHO MOSKA(« Zoombido 2 »), MARCEL POWELL TRIO(« Corda com bala »), SIMONE(« Na veia »), ROBERTA SÁ(« Pra se ter alegria »), WAGNER TISO(« Samba & jazz »)… e ainda outros !Muito em breve, vocês não terão mais desculpas para não comparecer !Até segunda, meus caros amigos...Vai ter muito samba, muito choro e rock’roll.. !
(texte français, texto português traduzido do francês)
Comme toutes les musiques raffinées et subtiles, le fado se mérite. Et c’est grâce à des artistes comme António Zambujo, que des amateurs novices (comme moi) peuvent trouver petit à petit les clefs de ce monde musical profondément humain et traditionnel. Les puristes vous parleront du fado de Lisbonne ou de Porto, plus enjoué que celui de Coimbra, ou encore de celui moins connu, peut-être, de la région du Alentejo (centro du Portugal), d’où est originaire António Zambujo.Dans le cas de ce jeune artiste de 34 ans, on se rend compte cependant bien vite que l’artiste mêle à ses racines, de nombreux éléments d’influences diverses.Et si « Outro sentido » se retrouve sur ce blog, c’est que son fado métissé a séduit beaucoup de brésiliens, et visiblement pas les moindres. Sur la galerie de photos de son site (ici), on le voit entouré de Ney Matogrosso, Sandra de Sá, Roberta Sá, Pedro Luis, Vanessa da Matta ou encore Caetano Veloso- ce dernier ne tarissant pas d’éloges à son égard.
Le label MP,B a donc décidé de relancer au Brésil (et aussi dans toute l’Europe), « Outro sentido », le troisième album d’António Zambujo, déjà édité au Portugal depuis 2007.Pour rendre le disque plus attractif, la maison de disques a décidé d’y ajouter trois titres qui associent l’artiste portugais à quelques nom porteurs de la scène brésilienne : Ivan Lins très populaire au Portugal depuis bien longtemps ; Zé Renato qui, lui aussi, a très souvent participé à des projet lusitaniens (avec le groupe Trinadus notamment) ; et le couple « in » carioca Pedro Luis et Roberta Sá.
Cependant, en toute franchise, la présence de ces participations luxueuses n’ajoute rien à la haute qualité intrinsèque de l’album. La présence des titres Quando tu passas por mim (Vnicius de Moraes/ Antônio Maria) et Labios que beijei (J.Casseta/ Leonel Azevedo) -inclus initialement dans l’album- honorait déjà magnifiquement le lien entre le Brésil et le Portugal.Dire qu’António Zambujo est un excellent chanteur participe du pléonasme. Un bon chanteur de fado est par essence doté d’une technique exceptionnelle et beaucoup d’interprètes brésiliens -parmi les meilleurs- s’y sont régulièrement cassés les dents. Mais la voix de Zambujo est suave et séductrice, et la comparaison avec Caetano Veloso paraît inévitable. Foi deus (Alberto Janes), chanté en partie a capella, donne la pleine mesure de son talent, tout comme Chamateia (A.M.Souza/ L.A.Bettencourt) où, seulement accompagné des voix bulgares Angelite, il nous emmène dans les entrailles du sacré. Sublime…António n’est cependant pas un fadiste iconoclaste, et une bonne partie du répertoire de l’album reste dans la conception instrumentale du genre, avec ses guitares portugaises cristallines. Mais les arrangements des guitares classiques et surtout une contrebasse appuyée, enrichissent encore la beauté de l’ensemble… Quand ce ne sont pas des trompettes grégoriennes sur la ballade Ao sul (João Monge/ João Gil) qui interviennent de manière surprenante. La voix d’António se montre aussi parfois minimaliste et discrète comme sur Fadista louco (Alberto Janes) et la « presque » bossa Outro sentido et le chanteur prouve à diverses reprises ici, que le fado ne rime pas -comme on le pense souvent- avec un pathos exacerbé. Un très bel album à savourer, et pour beaucoup, sûrement, un artiste à découvrir…(vidéos en dessous du texte portugais)
António Zambujo entouré de Sandra de Sá et Ney Matogrosso (photo site du chanteur)
Escutando hoje : António Zambujo. Como toda música refinada e sutil, o fado merece-se. E é graças a artistas como António Zambujo, que os apreciadores iniciantes (como eu) podem descobrir pouco a pouco as chaves desse universo musical profundamente humano e tradicional. Os puristas vos falarão sobre o fado de Lisboa ou do Porto, mais alegre e animado do que o de Coimbra, ou ainda daquele menos cohecido, talvez, da região do Alentejo (centro de Portugal)... de onde é originário António Zambujo.No caso desse jovem artista de 34 anos, damo-nos conta rapidamente de que o artista mescla às suas raízes numerosos elementos oriundos de influências diversas.E se « Outro sentido » aporta cá a esse blog, é porque seu fado « mestiço » já seduziu muitos brasileiros, e visivelmente dos mais expressivos. Na galeria de fotos de seu site, o vemos cercado de Ney Matogrosso, Sandra de Sá, Roberta Sá, Pedro Luis, Vanessa da Matta, ou ainda Caetano Veloso - que não se escusa a elogiar o trabalho de António.
O selo MP,B decidiu então relançar no Brasil (e também dentro da Europa), « Outro sentido », o terceiro álbum de António Zambujo, já lançado em Portugal a partir de 2007.Para fazer do disco algo mais atrativo aos olhos do público brasileiro, a gravadora decidiu adicionar três títulos que vêm a associar o artista português a alguns nomes de « palca » da cena musical braileira : Ivan Lins, que é muito popular em Portugal já faz muito tempo ; Zé Renato, que, esse também, participou com assiduidade de projetos lusitanos (com o grupo Trinadus, mais notadamente) ; e o casal musical carioca mais« in » - Pedro Luis e Roberta Sá.No entanto, com toda a franqueza, a presença dessas participações « luxuosas » não agregam nada de especial à alta qualidade intrínseca do próprio álbum. A presença dos títulos Quando tu passas por mim (Vnicius de Moraes/ Antônio Maria) e Lábios que beijei (J.Casseta/ Leonel Azevedo) – incluídos inicialmente no disco – já honravam magnificamente os fortes laços que unem o Brasil a Portugal. Dizer que António Zambujo é um excelente cantor é mero pleonasmo. Um bom cantor de fado é por essência dotado de uma técnica excepcional, e muitos dos intérpretes brasileiros – mesmo dentre os melhores – quando entram nesse campo costumam enrolar a língua. Mas o timbre da voz de Zambujo é suave e sedutora, e a comparação com Caetano Veloso parece inevitável. Foi Deus (Alberto Janes), cantado à capela, na exata medida de seu talento, tanto quanto Chamateia (A.M.Souza/ L.A.Bettencourt), acompanhado somente pelas vozes búlgaras do grupo Angelite, nos conduz às vísceras do sagrado. Sublime…António não é no entanto um fadista iconoclasta, e uma boa parte do repertório do seu álbum segue os trilhos da concepção instrumental do gênero, com suas guitarras portuguesas cristalinas. Mas os arranjos das guitarras clássicas, e contando sobretudo com o apoio de um contrabaixo, enriquecem ainda mais a beleza do conjunto... Isso quando não são os trompetes gregorianos inseridos na balada Ao sul (João Monge/ João Gil), que intervêm de maneira surpreendente. A voz de António mostra-se também por vezes minimalista e discreta, como em Fadista louco (Alberto Janes) e na « quase » bossa Outro sentido. Isso nos prova aqui, por diversas vias, que o fado não rima sempre – ao contrário do que se pensa - apenas com uma eloquência exacerbada. « Outro sentido » é um belíssimo álbum a ser degustado ; e, com toda a certeza, pela voz de um grande artista a ser descoberto...
-TOM JOBIM :« Águas de março »(Antônio Carlos Jobim) -1973- -TOM JOBIM & EDU LOBO :« Pra dizer adeus »(Edu Lobo/ Capinam) -1981- -NEY MATOGROSSO & RAFAEL RABELLO : « O Mundo é um moinho » (Cartola) -1990- -ZÉ RENATO :« Porque estou aqui » (Zé Renato/ Arnaldo Antunes) -2000- -PAULINHO MOSKA :« O Último dia »(Moska/ Billy Brandão) -1995- -RITA LEE : « Menino bonito »(Rita Lee) -1974- -NILA BRANCO : « Dessa vez » (Nando Reis) -2004- -BARÃO VERMELHO :« Por você » (Frejat/ M. Barros/ M.Sta Cecilia) -1998- -CÁSSIA ELLER : « Partners »(P.Ricardo/ P.Pagni/L.Schiavon) -1994 -LEGIÃO URBANA :« Tempo perdido »(Bonfá/ Russo/ Villa-Lobos) -1993- -RENATO RUSSO : « La forza della vita »(P.Vellesi/ Dati) -1995- -LOS HERMANOS :« Deixe o verão »(Rodrigo Amarante) -2003-
(texte français...texto português traduzido do francês)
*À propos de Fernanda Cunha : Si l’on excepte son premier album « O Tempo e o lugar » (2002), Fernanda Cunha a toujours choisi un thème précis pour constituer le répertoire de ses disques. Pour « Dois corações » (2004), cette très bonne chanteuse de Juiz de Fora(Minas Gerais) avait axé son choix sur deux pianistes compositeurs d’exceptions : le grand Johnny Alf, toujours présenté comme un des pionniers de la bossa nova (même s’il est en réalité bien plus que cela) ; et Suely Costa –la tante de Fernanda- une des compositeurs féminines les plus brillantes et raffinées de la Musique Populaire Brésilienne. Ensuite, pour son troisième album « Zingaro » (2007), la chanteuse avait entrepris le pari difficile -avec le guitariste Zé Carlos- d’adapter en version voix-guitare, la douzaine de chefs d’œuvres que le duo Tom Jobim/ Chico Buarque avait créé pour la postérité. La maman de Fernanda Cunha -Telma Costa (1953-1989)- avait elle-même accompagné Jobim et Vinicius de Moraes dans les années septante, avant d’être l’interprète du sublimissime Eu te amo (Jobim/ Chico Buarque) dans le duo que Chico avait enregistré sur son album Vida (1980).
Pour ce quatrième album « Brasil Canadá », le fil conducteur touche davantage à la vie personnelle de Fernanda Cunha qui nous dévoile son amour pour le grand pays du nord, où depuis 2005, elle se rend régulièrement. C’est par ailleurs en partie à Edmonton au Canada, que Fernanda a enregistré ce disque qui propose une interaction de son choix, d’artistes canadiens et brésiliens. Dans le tumulte et la confusion de notre monde moderne, « Brasil Canadá » apparaît comme une de repos et de relaxation ! Dans un climat cool et intimiste, l’artiste s’entoure de Mike Lent (basse et production du disque), Ricardo Rito (piano), et Sandro Dominelli (batterie) pour une représentation de neuf titres dans une ambiance piano-bar. C’est du moins l’impression que l’on ressent. Le groupe alterne compositions brésiliennes avec celles de compositeurs canadiens. Parmi ceux-ci, l’inévitable Joni Mitchell dont Fernanda Cunha reprend le classique Dreamland de manière malicieuse. Mais s’il vous fallait une raison pour acquérir cet album, O Primeiro jornal de Suely Costa et Abel Silva et Pescador de Marcio Hallack valent déjà leur pesant de reais. Il s’agit là de deux petites perles superbes qu’il serait dommage de perdre. Parmi les chansons issues du répertoire canadien, le très bon Candy (Mack David/ Joan Whitney/ Alex C. Kramer) qui nous remet au temps du jazz des années 30, ou Pacing the cage, pas forcément facile mais réellement beau. La présence de Último desejo de Noel Rosa (avec Suely Costa au piano) semble par contre un peu hors contexte, et l’album termine en demi-teinte avec Some of these days (Shelton Brooks), toujours dans un climat de jazz intimiste ; et Amanheceu (R.Rito/ L.S.Henriques/ F.Cunha), qui nous ramène à la samba de salon. Au final « Brasil Canadá » est un album qui s’apprécie avec le temps, comme tout œuvre qui démontre une certaine subtilité. Mais d’emblée, l’ambiance du disque vous apparaîtra séductrice.
En dessous du texto portugais, une vidéo de Fernanda Cunha avec Johnny Alf: "Luz eterna" (J.Alf), et "Eu te amo" (Jobim/ Buarque) par Tom Jobim, Chico Buarque et Telma Costa.Pour entendre des extraits de "Brasil Canada", rendez-vous bientôt sur Tropicalia en direct, ou sur les futurs podcasts...
Fernanda Cunha avec Suely Costa et Johnny Alf... à qui elle rendit hommage en 2004.
* Sobre Fernanda Cunha : À exceção de seu primeiro álbum, « O Tempo e o lugar » (2002), Fernanda Cunha sempre escolheu um tema específico para construir um repertório de seus discos. Para « Dois corações » (2004), essa excelente cantora de Juiz de Fora (Minas Gerais) focou sua escolha sobre dois pianistas-compositores excepcionais : o genial Johnny Alf, permanentemente apresentado como um dos pioneiros da bossa nova (mesmo que ele seja na verdade bem mais do que isso) ; e Suely Costa – tia de Fernanda – uma das compositoras femininas das mais brilhantes e refinadas da Música Popular Brasileira. Mais tarde, para seu terceiro álbum, « Zingaro » (2006), a cantora apostou no mais difícil – com o violonista Zé Carlos – ao adaptar à versão voz & violão, a dúzia de obras carro-chefes que a dupla Tom Jobim/ Chico Buarque havia criado para a posteridade. A mamãe de Fernanda Cunha, Telma Costa (1953-1989), já tinha ela mesma acompanhado Jobim e Vinicius de Moraes nos anos setenta, antes de tornar-se intérprete da sublimíssima Eu te amo (Jobim/ Chico Buarque), em dueto com o próprio Chico para o álbum deste último, "Vida" (1980).
Para seu quarto álbum, « Brasil Canadá », lançado agora em 2009, o fio condutor passa bem mais próximo à via pessoal de Fernanda Cunha, que nos revela seu amor pelo grande país do norte, onde desde 2005 ela se apresenta regularmente. Foi parcialmente no exterior – em Edmonton, no Canadá - que Fernanda gravou esse disco, que tem como proposta a interação dessa sua escolha por artistas canadenses e brasileiros No meio do tumulto e da confusão do nosso mundo moderno, « Brasil Canadá » aparece como um reduto de descanso e de relaxamento ! Num clima « cool » e intimista, a artista se cerca de Mike Lent (baixo e produção do disco), Ricardo Rito (piano) e Sandro Dominelli (bateria), para uma apresentação de nove títulos numa ambientação piano-bar. É essa pelo menos a impressão que o trabalho passa. O grupo alterna composições brasileiras com as de compositores canadenses ; dentre esses, a inevitável Joni Mitchell, de quem Fernanda retoma o clássico Dreamland de maneira maliciosa. Mas se for preciso ao menos um par de razões para se adquirir esse álbum, O Primeiro jornal, de Suely Costa e Abel Silva, e de Pescador, de Marcio Hallack, o disco já vale seu peso em reais. Trata-se de duas pequenas pérolas soberbas, e seria uma pena perdê-las. Entre as canções objeto do repertório canadense, a muito boa Candy (Mack David/ Joan Whitney/ Alex C. Kramer), que nos remete aos tempos do jazz dos anos 30, ou Pacing the cage, não necessariamente fácil... mas realmente bela. A presença de Último desejo, de Noel Rosa (com Suely Costa ao piano) soa aqui um tanto fora de contexto. E o álbum termina numa espécie de semitom, com Some of these days (Shelton Brooks) – ainda num clima de jazz intimista - e Amanheceu (R.Rito/ L.S.Henriques/ F.Cunha), que nos conduz ao samba de salão. Finalmente, « Brasil Canadá » é um álbum que se aprecia com o tempo, como toda obra que demonstra uma certa sutileza. Mas de imediato, o clima do disco vai lhes parecer sedutor.
CE BLOG EST DÉDIÉ AUX CURIEUX QUI AIMERAIENT CONNAÎTRE L'ART ET LA MUSIQUE POPULAIRE BRÉSILIENNE. UNE OCCASION POUR LES FRANCOPHONES DE DÉCOUVRIR UN MONDE INCONNU OU IL EST DE MISE DE LAISSER SES PRÉJUGES AU VESTIAIRE.