Este blog é dedicado a todos os curiosos que desejam saber mais sobre Arte e Música Popular Brasileira. Para os francófonos, uma oportunidade de descobrir um novo e fascinante universo cultural. Para os brasileiros, o interesse em conhecer o ponto de vista de um jornalista europeu sobre sua rica produção artística
-TOM JOBIM :« Águas de março »(Antônio Carlos Jobim) -1973- -TOM JOBIM & EDU LOBO :« Pra dizer adeus »(Edu Lobo/ Capinam) -1981- -NEY MATOGROSSO & RAFAEL RABELLO : « O Mundo é um moinho » (Cartola) -1990- -ZÉ RENATO :« Porque estou aqui » (Zé Renato/ Arnaldo Antunes) -2000- -PAULINHO MOSKA :« O Último dia »(Moska/ Billy Brandão) -1995- -RITA LEE : « Menino bonito »(Rita Lee) -1974- -NILA BRANCO : « Dessa vez » (Nando Reis) -2004- -BARÃO VERMELHO :« Por você » (Frejat/ M. Barros/ M.Sta Cecilia) -1998- -CÁSSIA ELLER : « Partners »(P.Ricardo/ P.Pagni/L.Schiavon) -1994 -LEGIÃO URBANA :« Tempo perdido »(Bonfá/ Russo/ Villa-Lobos) -1993- -RENATO RUSSO : « La forza della vita »(P.Vellesi/ Dati) -1995- -LOS HERMANOS :« Deixe o verão »(Rodrigo Amarante) -2003-
(texte français...texto português traduzido do francês)
*À propos de Fernanda Cunha : Si l’on excepte son premier album « O Tempo e o lugar » (2002), Fernanda Cunha a toujours choisi un thème précis pour constituer le répertoire de ses disques. Pour « Dois corações » (2004), cette très bonne chanteuse de Juiz de Fora(Minas Gerais) avait axé son choix sur deux pianistes compositeurs d’exceptions : le grand Johnny Alf, toujours présenté comme un des pionniers de la bossa nova (même s’il est en réalité bien plus que cela) ; et Suely Costa –la tante de Fernanda- une des compositeurs féminines les plus brillantes et raffinées de la Musique Populaire Brésilienne. Ensuite, pour son troisième album « Zingaro » (2007), la chanteuse avait entrepris le pari difficile -avec le guitariste Zé Carlos- d’adapter en version voix-guitare, la douzaine de chefs d’œuvres que le duo Tom Jobim/ Chico Buarque avait créé pour la postérité. La maman de Fernanda Cunha -Telma Costa (1953-1989)- avait elle-même accompagné Jobim et Vinicius de Moraes dans les années septante, avant d’être l’interprète du sublimissime Eu te amo (Jobim/ Chico Buarque) dans le duo que Chico avait enregistré sur son album Vida (1980).
Pour ce quatrième album « Brasil Canadá », le fil conducteur touche davantage à la vie personnelle de Fernanda Cunha qui nous dévoile son amour pour le grand pays du nord, où depuis 2005, elle se rend régulièrement. C’est par ailleurs en partie à Edmonton au Canada, que Fernanda a enregistré ce disque qui propose une interaction de son choix, d’artistes canadiens et brésiliens. Dans le tumulte et la confusion de notre monde moderne, « Brasil Canadá » apparaît comme une de repos et de relaxation ! Dans un climat cool et intimiste, l’artiste s’entoure de Mike Lent (basse et production du disque), Ricardo Rito (piano), et Sandro Dominelli (batterie) pour une représentation de neuf titres dans une ambiance piano-bar. C’est du moins l’impression que l’on ressent. Le groupe alterne compositions brésiliennes avec celles de compositeurs canadiens. Parmi ceux-ci, l’inévitable Joni Mitchell dont Fernanda Cunha reprend le classique Dreamland de manière malicieuse. Mais s’il vous fallait une raison pour acquérir cet album, O Primeiro jornal de Suely Costa et Abel Silva et Pescador de Marcio Hallack valent déjà leur pesant de reais. Il s’agit là de deux petites perles superbes qu’il serait dommage de perdre. Parmi les chansons issues du répertoire canadien, le très bon Candy (Mack David/ Joan Whitney/ Alex C. Kramer) qui nous remet au temps du jazz des années 30, ou Pacing the cage, pas forcément facile mais réellement beau. La présence de Último desejo de Noel Rosa (avec Suely Costa au piano) semble par contre un peu hors contexte, et l’album termine en demi-teinte avec Some of these days (Shelton Brooks), toujours dans un climat de jazz intimiste ; et Amanheceu (R.Rito/ L.S.Henriques/ F.Cunha), qui nous ramène à la samba de salon. Au final « Brasil Canadá » est un album qui s’apprécie avec le temps, comme tout œuvre qui démontre une certaine subtilité. Mais d’emblée, l’ambiance du disque vous apparaîtra séductrice.
En dessous du texto portugais, une vidéo de Fernanda Cunha avec Johnny Alf: "Luz eterna" (J.Alf), et "Eu te amo" (Jobim/ Buarque) par Tom Jobim, Chico Buarque et Telma Costa.Pour entendre des extraits de "Brasil Canada", rendez-vous bientôt sur Tropicalia en direct, ou sur les futurs podcasts...
Fernanda Cunha avec Suely Costa et Johnny Alf... à qui elle rendit hommage en 2004.
* Sobre Fernanda Cunha : À exceção de seu primeiro álbum, « O Tempo e o lugar » (2002), Fernanda Cunha sempre escolheu um tema específico para construir um repertório de seus discos. Para « Dois corações » (2004), essa excelente cantora de Juiz de Fora (Minas Gerais) focou sua escolha sobre dois pianistas-compositores excepcionais : o genial Johnny Alf, permanentemente apresentado como um dos pioneiros da bossa nova (mesmo que ele seja na verdade bem mais do que isso) ; e Suely Costa – tia de Fernanda – uma das compositoras femininas das mais brilhantes e refinadas da Música Popular Brasileira. Mais tarde, para seu terceiro álbum, « Zingaro » (2006), a cantora apostou no mais difícil – com o violonista Zé Carlos – ao adaptar à versão voz & violão, a dúzia de obras carro-chefes que a dupla Tom Jobim/ Chico Buarque havia criado para a posteridade. A mamãe de Fernanda Cunha, Telma Costa (1953-1989), já tinha ela mesma acompanhado Jobim e Vinicius de Moraes nos anos setenta, antes de tornar-se intérprete da sublimíssima Eu te amo (Jobim/ Chico Buarque), em dueto com o próprio Chico para o álbum deste último, "Vida" (1980).
Para seu quarto álbum, « Brasil Canadá », lançado agora em 2009, o fio condutor passa bem mais próximo à via pessoal de Fernanda Cunha, que nos revela seu amor pelo grande país do norte, onde desde 2005 ela se apresenta regularmente. Foi parcialmente no exterior – em Edmonton, no Canadá - que Fernanda gravou esse disco, que tem como proposta a interação dessa sua escolha por artistas canadenses e brasileiros No meio do tumulto e da confusão do nosso mundo moderno, « Brasil Canadá » aparece como um reduto de descanso e de relaxamento ! Num clima « cool » e intimista, a artista se cerca de Mike Lent (baixo e produção do disco), Ricardo Rito (piano) e Sandro Dominelli (bateria), para uma apresentação de nove títulos numa ambientação piano-bar. É essa pelo menos a impressão que o trabalho passa. O grupo alterna composições brasileiras com as de compositores canadenses ; dentre esses, a inevitável Joni Mitchell, de quem Fernanda retoma o clássico Dreamland de maneira maliciosa. Mas se for preciso ao menos um par de razões para se adquirir esse álbum, O Primeiro jornal, de Suely Costa e Abel Silva, e de Pescador, de Marcio Hallack, o disco já vale seu peso em reais. Trata-se de duas pequenas pérolas soberbas, e seria uma pena perdê-las. Entre as canções objeto do repertório canadense, a muito boa Candy (Mack David/ Joan Whitney/ Alex C. Kramer), que nos remete aos tempos do jazz dos anos 30, ou Pacing the cage, não necessariamente fácil... mas realmente bela. A presença de Último desejo, de Noel Rosa (com Suely Costa ao piano) soa aqui um tanto fora de contexto. E o álbum termina numa espécie de semitom, com Some of these days (Shelton Brooks) – ainda num clima de jazz intimista - e Amanheceu (R.Rito/ L.S.Henriques/ F.Cunha), que nos conduz ao samba de salão. Finalmente, « Brasil Canadá » é um álbum que se aprecia com o tempo, como toda obra que demonstra uma certa sutileza. Mas de imediato, o clima do disco vai lhes parecer sedutor.
Un animateur de radio, quelque part, seul dans la nuit...!
(texte français plus bas)
Cargueiro noturno...
É uma sensação muito inebriente essa de encontrar-se só diante dos equipamentos de controle de uma estação de rádio, no meio da noite, enquanto a cidade dorme, e quando não há viv´alma no prédio que abriga o estúdio. Uma espécie de sensação de ser o senhor do mundo, ou o capitão de um navio no qual o leme teria sido substituído por uma grande mesa de mixagem da qual eu nem conheço a utilidade da metade dos manches e dos sinais luminosos. Essa sensação de solidão – mas de plenitude – te dá a impressão de reinar sob as ondas hertizianas e através dos meandros da Internet. Os estúdios da Rádio Judaica são grandes, novos em folha, e a iluminação tênue te faz mergulhar nessa atmosfera de mistério que se percebe em certos filmes policiais americanos, nos quais o personagem principal, com sua voz cavernosa, responde às almas aflitas que querem abrir-se em confidências. Nessas cenas, geralmente é o serial killer que, pelo telefone, usa a emissão noturna como um exutório, bem mais íntimo que um confessionário. Bom... Nada assim tão romanceado no meu caso, mas esse clima « noir » intimista em particular era o que predominava nesse último Tropicália da temporada. Na verdade, houve uma mudança de última hora, pois ocorreu um problema técnico que não permitiu que o programa se desenrolasse dentro de seu horário habitual, que é a partir das 21 :45 h (hora de Bruxelas), às segundas-feiras. Foi então um tanto na emergência que eu consegui um horário improvisado nessa última terça, 30 de junho, exatamente à meia-noite. E assim fomos até às 4 da manhã ! Foi então, de qualquer forma, o dia do « Tropicália Night » ! Quatro horas de programa, uma duração fora do comum para uma transmissão que eu desejava que fosse vibrante, pelos meus 20 anos de convivência com as músicas do Brasil (vide os posts de 11 e de 13 de junho). Eu queria simplesmente pincelar de maneira bem sucinta certos momentos musicais que vieram – de uma forma ou de outra – a me envolver e alegrar ao longo dessas duas décadas. De fato, essa abordagem provou-se utópica : quanto mais eu tentava estabelecer uma programação perfeita, compacta, mais eu me afastava dela. Missão impossível. Meu ecletismo cujo sempre gostei de me vangloriar e colocar em destaque, transformou-se no meu maior inimigo (« a mente eclética, mais cedo ou mais tarde, vai levá-lo à loucura... » - já disse o grande sábio !). E eu decidi finalmente – para obter uma maior homogeneidade – sacrificar um bom número dessas pequenas lembranças musicais que seriam tantas quanto as madeleines de Proust. Mas o resultado não foi menos sedutor, como vocês podem constatar mais abaixo.
A transmissão direta tira férias por dois meses, mas o show continua ! Como vocês já sabem, inúmeros episódios inéditos continuarão a ser editados em podcast, numa base semanal até a reprise do programa ao vivo na Rádio Judaica, na segunda-feira 31de agosto de 2009. E esse famoso « Tropicália Night 28 » (em quatro blocos) vai estar então disponível para vocês através do site PODOMATIC, e também através desse blog, ao longo de todas as férias européias. A festa da música tupiniqium tem que rolar de qualquer maneira ! Em tendo apetite, aqui abaixo, então, a lista das fatias servidas...
C’est une sensation très grisante que celle de se retrouver seul aux commandes d’une station de radio, en pleine nuit, tandis que la ville dort, et qu’il n’y a âme qui vive dans le bâtiment qui abrite le studio. Une sorte de sensation d’être le Maître du monde, ou le Capitaine d’un navire où la barre serait remplacer par une grande table de mixage dont je ne connais pas l’utilité de la majorité des manettes et des voyants lumineux. Cette sensation de solitude -mais de plénitude- vous donne l’impression de régner en souverain sur les ondes hertziennes et au travers des méandres d’internet. La moindre stupidité que je pourrais balancer serait relayer partout dans le monde où se trouve le plus basique des ordinateurs.
Les studios de Radio Judaica sont grands, flambant neuf, et la lumière tamisée vous plonge dans cette atmosphère de confidence que l’on voit parfois dans ces films policiers américains, où l’animateur à la voix caverneuse répond aux âmes égarées en souffrance qui se confient. Dans ces scénarios c’est souvent le sérial killer qui, par le biais du téléphone, prend l’émission nocturne pour un exutoire, bien plus intime qu’un confessionnal. Bon…Rien d’aussi romanesque dans mon cas, mais ce climat feutré et particulier était bien celui de ce dernier Tropicália de la saison. En vérité, il y avait eu un buzz de dernière minute, puisqu’un problème technique n’avait pas permis que le programme se déroule dans sa case horaire habituelle, c’est-à-dire le lundi à partir de 21h45 (heure de Bruxelles). C’est donc un peu dans l’urgence que j’obtins une tranche improvisée ce mardi 30 juin, à minuit exactement…Et cela jusqu’à 4 heures du matin ! Ce fut donc en quelque sorte la Tropicália Night ! Quatre heures de programme, un timing inhabituel pour une émission que je voulais flamboyante pour mes 20 années de coexistence avec les musiques du Brésil (voir post du 11 et 13 juin). Je désirais juste survoler de manière très succincte quelques moments musicaux qui m’avaient - d’une manière ou d’une autre- envoûter ou exalter durant ces deux décennies. En fait, cette démarche relevait de l’utopie puisque, plus je tendais à vouloir établir la programmation parfaite, plus je m’en éloignais. Mon éclectisme dont j’aime à me vanter était devenu mon pire ennemi (« eclectic mind will soon or later drives you insane… » disait le grand sage !). Et je décidais finalement -pour tendre à une meilleure homogénéité- de sacrifier bon nombre de ces petits souvenirs musicaux qui étaient autant de madeleines de Proust. Mais le résultat n’en fut pas moins séduisant comme vous pourrez le constater ci-dessous.
L’émission en direct prend congé pour deux mois, mais le show continue ! Comme vous le savez de nombreux épisodes inédits continueront à être édité à raison d’un par semaine, et ceci jusqu’à la reprise du programme, le lundi 31 août 2009. Et cette fameuse Tropicália Night (en quatre blocs) vous sera donc livré sur le site PODOMATIC et sur ce blog tout au long des vacances européennes. En avant goût, voici donc la liste des morceaux diffusés…
TROPICALIA NIGHT, 30/ 06 : Festa da música tupiniquim...
BLOCO 1 : -BETH CARVALHO : « Meu samba diz »(Sombra/ Sombrinha/ Adilson Vitor) -1989- -LUIZ MELODIA & ELZA SOARES : « Fadas »(Luiz Melodia) -2002- -PAULINHO DA VIOLA : « Coração leviano/ Argumento » ao vico (Paulinho da Viola) -1997- -MARIA BETHÂNIA, GILBERTO GIL, CAETANO VELOSO :« Alguém me avisou »(Dona Ivonne Lara) -1980- -FAROFA CARIOCA :« São Gonça »(Seu Jorge) -1997- -MARIA RITA : « Cara valente »(Marcelo Camelo) -2003- -ROSA PASSOS & IVAN LINS : « Abajur lila »(Rosa Passos/ Ivan Lins/ Fernando de Oliveira) -1996- -JOÃO GILBERTO & MIÚCHA :« Izaura »(Herivelto Martins) -1973- -VINICIUS & TOQUINHO : « Samba da volta »(Vinicius de Moraes/ Toquinho) -1973- -SERGIO MENDES & BRAZIL 66 :« Like a lover » (Dori Caymmi/ N.Motta/ M.Bergman/ A.Bergman) -1968- -CHICO BUARQUE :« Cantando no torro »(Chico Buarque) -1988- -GILBERTO GIL :« Pop wu wei » (Gilberto Gil) -1997- -CLARA NUNES : « Ijexá »(Edil Pacheco) -1983-
BLOCO 2 : -GABRIEL O PENSADOR : « Festa da música »(Gabriel o Pensador/ Memê) -1997- -PARALAMAS DO SUCESSO : « O Trem da juventude »(Herbert Vianna) -1998- -MARINA LIMA :« Virgem »(Marina Lima/ Antonio Cícero) -1987- -KID ABELHA :« Grand hotel »ao vivo(G.Israel/ P.Toller/ Lui Farias) -1994- -ADRIANA CALCANHOTTO :« Esquadros »(A. Calcanhotto) -1992- -GUILHERME ARANTES : « Meu mundo e nada mais » ao vivo (G.Arantes) -1990- -DJAVAN : « Carnaval no Rio »(Djavan) -1987- -LEILA PINHEIRO :« Pra iluminar »(Eduardo Gudin) -1988- -CAETANO VELOSO : « Itapuã »(Caetano Veloso) -1991- -BELLO VELLOSO & MARIA BETHÂNIA : « Brincando » (Alexandre Leão/ Mabel Velloso) -1994- -JORGE BENJOR :« Amante amado» (Jorge Ben) -1978-
BLOCO 3 : -FERNANDA ABREU :« Veneno da lata » (F.Abreu/ Will Mowatt/ H.Vianna) -1995- -GAL COSTA :« Salvador não inerte/ Ladeira do Pelô »(Bobôco/ Beto Jamaica/ Betão) -1990- -DANIELA MERCURY :« Batuque »(Rey Zulu/ G.Evangelista) -1992- -BANDA MEL : « Prefixo do verão » (Beto Silva) -1992- -ALCEU VALENÇA & ZIZI POSSI : « Tesoura do desejo » (Alceu Valença) -1992- -NEY MATOGROSSO :« FM Rebeldia » (Alceu Valença) -1993- -CHICO SCIENCE & NAÇÃO ZUMBI : « Rios, pontes e overdrives »(Chico Science/ Zero Quatro) -1994- -LENINE : « Candeeiro encantado » (Lenine/ P.C.Pinheiro) -1997- -ZECA BALEIRO :« Salão de beleza»(Zeca Baleiro) -1997- -RITA RIBEIRO :« Missiva »(Zeca Baleiro) -1997- -ANA CAROLINA : « Garganta »(Totonho Villeroy) -1999- -DANIELA MERCURY : « O Mais belo dos belos/ O Charme da liberdade » (Guiguio/ V.Farias/ A.Poesia) -1992-
BLOCO 4 : -TOM JOBIM :« Águas de março »(Antônio Carlos Jobim) -1973- -TOM JOBIM & EDU LOBO :« Pra dizer adeus »(Edu Lobo/ Capinam) -1981- -NEY MATOGROSSO & RAFAEL RABELLO : « O Mundo é um moinho » (Cartola) -1990- -ZÉ RENATO :« Porque estou aqui » (Zé Renato/ Arnaldo Antunes) -2000- -PAULINHO MOSKA :« O Último dia »(Moska/ Billy Brandão) -1995- -RITA LEE : « Menino bonito »(Rita Lee) -1974- -NILA BRANCO : « Dessa vez » (Nando Reis) -2004- -BARÃO VERMELHO :« Por você » (Frejat/ M. Barros/ M.Sta Cecilia) -1998- -CÁSSIA ELLER : « Partners »(P.Ricardo/ P.Pagni/L.Schiavon) -1994 -LEGIÃO URBANA :« Tempo perdido »(Bonfá/ Russo/ Villa-Lobos) -1993- -RENATO RUSSO : « La forza della vita »(P.Vellesi/ Dati) -1995- -LOS HERMANOS :« Deixe o verão »(Rodrigo Amarante) -2003-
La comédie musicale "Tom & Vinicius", toujours à l"affiche au Théâtre Carlos Gomes de Rio de Janeiro.
(Texto português em baixo)
Pour être complet, il me restait encore à relater un fait pour enfin clore le ‘voyage de poche’ que je fis à Rio de Janeiro, du 2 au 13 avril dernier. Il s’agissait en l’occurrence de la comédie musicale « Tom & Vinicius » à laquelle j’assistai au Théâtre Carlos Gomes au centre ville. Avant de parler de la représentation en elle-même (ce sera la partie 2), une réflexion qui me vint à l’esprit durant le spectacle... Tout bien réfléchi, les deux grands évènements qui imposèrent la Bossa Nova au monde se révélèrent, en fait, des évènements non désirés voire même regrettés par ses propres protagonistes.
D’abord, il y eu le fameux film Orfeu Negro de Marcel Camus qui gagna la palme d’or à Cannes en 1959 et l’Oscar du meilleure film étranger à Hollywood la même année. Si ce classique du cinéma ne possède pas en sois un lien direct avec la Bossa Nova, il jouera le rôle important de faire connaître au monde les noms d’Antônio Carlos Jobim (1927-1994)et de Vinicius de Moraes (1913-1980) qui, à cette époque, étaient les principaux pourvoyeurs du mouvement musical brésilien. Cependant, cette reconnaissance ne se déroula pas comme les deux illustres protagonistes l’avaient rêvée. Orfeu Negro (1959)- le film- était une adaptation (trop) libre de la pièce de Vinicius de Moraes« Orfeu da Conceição », tragédie grecque qui transposait le mythe d’Orphée dans les favelas de Rio de Janeiro. Les premières représentations avaient eu lieu en 1956. Cette œuvre fut, comme on le sait (ou pas), à l’origine de la rencontre de Vinicius et de Tom cette même année, au bar Villarino, quand le déjà illustre poète et diplomate demanda au compositeur et arrangeur de se charger de la mise en musique de son projet. Cette association donna naissance aux premiers chefs d’œuvre du duo comme Se todo fossem iguais a vocé ou Lamentos no morro.
Tom Jobim (au fond), Vinicius et sa compagne d'alors, Lila Bôscoli, et Oscar Niemeyer dans les coulisses de la pièce Orfeu da Conceição. Niemeyer était le concepteur des décors.
Trois ans plus tard, quand Vinicius assista à l’adaptation sur pellicule de sa tragedie gréco/ brésilienne, il la détesta officieusement. De plus, Marcel Camus avait récusé les chansons originales -trop nombreuses et peu adaptées à la conception de son film- et avait demandé de les remplacer par trois nouveaux titres. Les deux compositeurs ne comprirent pas vraiment, mais s’exécutèrent voyant malgré tout le moyen de se faire un peu de blé. Et tant mieux si cela s’accompagnait d’une reconnaissance internationale. Ils composèrent alors trois chansons par téléphone (car Vinicius était alors en place comme diplomate à Montevideo) : A Felicidade, Frevo et O Nosso Amor, auxquels Camus ajoutera pour sa bande sonore un autre classique de la musique brésilienne composé par Luiz Bonfá et Antônio Maria : Manhã de Carnaval. Sans entrer dans les détails, Tom et Vinicius furent loin d’obtenir les retombées financières qu’ils espéraient -et auxquelles ils avaient droit- et regrettèrent amèrement d’avoir accepter le projet et d’avoir vendu, pour pas cher, leurs âmes au réalisateur français. Mais, qu’on le veille ou non, le film les fit connaître aux yeux du monde, à l’époque où le Brésil vivait son âge d’or en cette fin des années cinquante.
L’autre célèbre événement, celui-ci véritablement lié à la divulgation de la Bossa Nova dans le monde : le fameux concert du 21 novembre 1962 au Carnegie Hall de New York. Décrit en détail avec humour dans son livre « Chega de saudade » (Companha das letras), Ruy Castro nous raconte que tant la préparation que le show lui-même se révéla une « Bagunça » (désordre) totale. De l’amateurisme au meilleur de sa forme. Pour rappel, certaines bonnes âmes américaines, animés par l’amour de la musique et surtout la perspective de belles rentrées financières, décidèrent de présenter aux Américains les figures de proue de la Bossa Nova, mouvement encore tout jeune à l’aube des années soixante. Participeront entre autres à ce concert anthologique : Sérgio Mendes, Sérgio Ricardo, Oscar Castro Neves, Luiz Bonfá, Agostinho dos Santos, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Chico Feitosa et bien sûr João Gilberto et Antônio Carlos Jobim. La Bossa avait cependant déjà obtenu ses entrées aux Etats-unis, grâce aux jazzmen Charlie Bird, Herbie Mann ou Stan Getz. Et Desafinado de Jobim/ Newton Mendonça avait été l’objet, cette année-là, de onze versions, dont celle de Charly Bird et Stan Getz sur l’album « Jazz samba » qui s’était vendu à plus d’un million d’exemplaires. Le show en lui-même fut une petite catastrophe et il suffit d’écouter l'album « Bossa nova at the Carnegie Hall » (Audio Fidelity) pour s’en convaincre sans trop d’effort. Mais tandis que la presse brésilienne se gaussait de leurs compatriotes, descendant en flammes, à juste titre, leurs prestations, les Américains -toujours à la recherche de nouvelles sensations exotiques- furent d’un enthousiasme délirant. Tout devint Bossa Nova, jusqu’aux marques de machines à laver. Les Américains iront jusqu’à inventer le 'pas de danse Bossa Nova'(« quick, quick, slooooww… »), une idée qui n’avait pas effleuré l’esprit des Brésiliens eux-mêmes. Cet engouement est particulièrement bien rendu dans la comédie musicale « Tom & Vinicius », qui n'est pas sans faire preuve d'un certain sarcasme bon enfant tant à l'égard des Américains que des Français, et des gringos, en général... En fait, si la Bossa avait déjà conquis les USA avant même ce concert, à partir de cette fameuse soirée, certains des protagonistes trouvèrent là, l’occasion de signer quelques contrats intéressants. Quelques mois plus tard, Antônio Carlos Jobim enregistrera à New York au mois de mai 1963, l’album instrumental « Antônio Carlos Jobim, The Composer of Desafinado plays », un des albums clés de la Bossa Nova, qui resta au sommet des ventes de nombreuses semaines. En définitive, comme pour le film de Marcel Camus, ce concert événement -qui s’avéra un fiasco artistique- ouvrit au monde les portes d’un Brésil musical novateur …
(texto português traduzido do francês, destinado aos leitores aprendizes)
Tom Jobim e Vinicius de Moraes, o musical (Parte I)
Para fazer um serviço completo, me resta ainda relatar um fato para fechar enfim a minha « viagem de bolso » ao Rio, de 2 a 13 de abril últimos. Tem a ver com a comédia musical « Tom & Vinicius », aquela à qual assisti no Teatro Carlos Gomes, no Centro da Cidade. Antes de falar da repesentação em si (que será a Parte II), queria fazer uma reflexão que me veio à alma durante o espetáculo. Ponderando bem, os dois grandes eventos que projetaram a Bossa Nova no mundo, revelaram-se, de fato, eventos não desejados ou até lamentados por seus próprios protagonistas.
De um lado, há o filme « Orfeu Negro », de Marcel Camus, que conquistou a Palma de Ouro em Cannes em 1959 e o Oscar de melhor filme estrangeiro em Hollywood no mesmo ano. Se esse clássico do cinema não tem nem de perto alguma coisa a ver diretamente com a Bossa, ele ao menos cumpriu o importante papel de levar ao conhecimento mundial os nomes de Antonio Carlos Jobim (1927-1994) e de Vinicius de Moraes (1913-1980), que, na época, eram os principais fornecedores de clássicos desse movimento musical brasileiro. Ao mesmo tempo, esse reconhecimento não se desenrolou exatamente da maneira como os dois ilustres protagonistas o haviam sonhado. "Orfeu Negro" (1959) – o filme - foi uma adaptação livre (demais) da peça de Vinicius de Moraes : « Orfeu da Conceição », tragédia grega que transpunha o mito de Orfeu para o ambiente das favelas do Rio de Janeiro. As primeiras apresentações começaram em 1956. Essa produção, como é sabido (ou não), teve origem a partir do encontro de Vinicius e Tom, em 1956, no bar Villarino, quando o já ilustre poeta e diplomata pediu ao compositor e arranjador que se encarregasse da parte musical de seu projeto. Essa associação deu à luz os primeiros carros-chefes da dupla, como Se todos fossem iguais a você e Lamentos no morro. Três anos mais tarde, quando Vinicius assistia à adaptação para película de sua tragédia greco-brasileira, ele a detestou oficiosamente. De mais a mais, Marcel Camus havia recusado as canções originais, muito numerosas e de difícil adaptação à concepção de seu fime, tendo então o cineasta pedido que se substituíssem essas canções por três novos títulos só. Os dois compositores não compreenderam exatamente o porquê do pedido, mas eles cumpriram o compromisso mesmo a contragosto, posto que seria uma forma de plantar uma semente que daria luz a um certo retorno financeiro. E tanto melhor se isso viesse a ser acompanhado de um reconhecimento international. Eles compuseram então três canções por telefone (uma vez que Vinicius estava na época lotado como diplomata em Montevidéu) : A Felicidade, Frevo e O Nosso Amor, às quais Camus adicionaria para a trilha sonora do filme um outro clássico da música brasileira, composta por Luiz Bonfá e Antônio Maria : Manhã de Carnaval. Sem entrar em maiores detalhes, Tom e Vinicius ficaram longe de obter os lucros que esperavam – para falar honestamente, foram um pouco roubados neste assunto – e arrependeram-se amargamente de terem aceito o projeto e de terem também vendido suas almas por tãopouco ao diretor francês. Porém, satisfeitos ou não, o filme os fez ficar conhecidos aos olhos do mundo, numa época em que o Brasil vivia seus anos dourados, pelo final da década de cinquenta.
O outro célebre evento - esse sim, verdadeiramente ligado à divulgação da Bossa Nova no mundo : o famoso concerto de 21 de novembro de 1962 no Carnegie Hall de Nova Iorque – é descrito com humor por Ruy Castro em seu livro « Chega de Saudade » (Companhia das Letras). Ele nos conta que tanto a preparação quanto o show em si mesmo viraram uma bagunça total. De um amadorismo de primeira ! Por alguma lembrança, certas boas almas americanas, animadas pelo amor à música, e sobretudo movidas pela perspectiva de uma boa entrada financeira, decidiram apresentar aos americanos as figuras de proa da Bossa Nova, movimento ainda muito jovem, na alvorada dos anos sessenta. Participaram, entre outros, desse concerto antológico : Sérgio Mendes, Sérgio Ricardo, Oscar Castro Neves, Luiz Bonfá, Agostinho dos Santos, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Chico Feitosa ; e, naturalmente, João Gilberto e Antônio Carlos Jobim. A Bossa já tinha, nesse meio tempo, conseguido penetrar nos Estados Unidos, graças aos jazzmen Charlie « Bird » Parker, Herbie Mann, Gerry Mulligan e Stan Getz. E Desafinado, de Jobim / Newton Mendonça, já tinha sido objeto, naquele mesmo ano de 62, de onze versões, dentre as quais a de Charlie Parker e Stan Getz, no álbum « Jazz samba », que chegou a vender mais de um milhão de cópias. O show propriamente dito foi uma pequena catástrofe, e basta escutar o cd « Bossa nova at the Carnegie Hall » (Audio Fidelity) para que a gente possa se convencer facilmente, sem esforço. Mas enquanto a imprensa brasileira zombou de seus compatriotas demolindo ardorosamente, suas apresentações, os americanos – sempre em busca de novas sensações exóticas – foram de um entusiasmo delirante. Tudo virou Bossa Nova, até os modelos das novas máquinas de lavar. Os americanos chegaram até a inventar o passo de dança da Bossa Nova (« Quick, quick, slooooww… »), uma idéia que não havia passado pela cabeça nem dos próprios brasileiros. Esse deslumbramento é particularmente bem desenvolvido na comédia musical « Tom & Vinicius ». Na verdade, mesmo já tendo a Bossa conquistado os Estados Unidos antes desse famoso concerto, alguns de seus protagonistas que lá se apresentaram tiveram a oportunidade de assinar contratos interessantes. Alguns meses mais tarde, Antônio Carlos Jobim iria gravar em Nova Iorque, em maio de 1963, o álbum instrumental « Antônio Carlos Jobim, The Composer of Desafinado plays », um dos discos-chave da Bossa Nova, que acabou ficando no topo das vendas por inúmeras semanas.
Definitivamente, assim como ocorreu com o filme de Marcel Camus, esse concerto, que foi um grande fiasco artístico, também abriu para o mundo as portas de um Brasil musical inovador ...
En vidéo: -Medley comprenant "A Felicidade" dans sa partie finale, Vinicius de Moraes et Tom Jobim se souviennent d'Orfeu...Extrait d'un Spécial de la RTSI, télévision suisse italienne, avec aussi Toquinho et Miucha.
-La Bossa Nova a conquis les Etas-Unis: Astrud Gilberto et Stan Getz présente "The Girl fom Ipanema" (Tom Jobim/ Vinicius de Moraes)
Antonio Carlos Jobim (1927-1994)... pour ouvrir le Tropicália de ce lundi 20/04...
Et oui, c’est le grand retour de Tropicália ce lundi 27 avril, sur Radio Judaica (90,2 FM). Pour rappel, l’émission passe sur les ondes vers 21h50, et va jusqu’à…l’épuisement de l’animateur. Bon, disons que le concept du programme a trouvé son format sur environ 2H30 de diffusion. Tropicália s’écoute également online en accédant au site de la station : www.radiojudaica.be. Au menu de demain, les sujets abordés sur ce blog ces dernières semaines…Et ce n’est pas la matière qui manque. On écoutera donc entre beaucoup d’autres choses… Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Roberta Sá, Mart’nália, Zé Renato, Leny Andrade, mais aussi des artistes moins connus et largement évoqués ici comme Mariana Baltar, Fred Martins, Bena Lobo, Cris Aflalo, Verônica Ferriani, Mariana Aydar, Thaís Motta ou Elisa Queirós.
Parmi les nombreuses nouveautés, on découvrira les nouveaux albums de Lula Queiroga, Alceu Valença, Guinga, Bangalafumenga, Verônica Sabino, Nana Caymmi ( !)…et puis….et puis…je vous propose de me rejoindre pour découvrir bien les autres surprises… Je vous retrouve sur les ondes !!
Pois é…Tropicália esta de volta esta segunda feira, 27 de abril, na Rádio Judaica (90,2 FM). Só para lembrar a vocês, o programa passa nas ondas às 16h50 (hora Brasil) até …o esgotamento do apresentador. Bom, digamos que 2 horas e 30 minutos de duração do programa, parece ser o formato ideal, até agora. Pode se ouvir Tropicália online, acessando www.radiojudaica.be No cardápio, amanhã, as pautas desenvolvidas neste blog, durantes essas últimas semanas…E não foram poucas ! Vamos ouvir a música do Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Roberta Sá, Mart’nália, Zé Renato, Leny Andrade, mas também artistas menos conhecidos como Mariana Baltar, Fred Martins, Bena Lobo, Cris Aflalo, Verônica Ferriani, Mariana Aydar, Thaís Motta ou Elisa Queirós.
Por falar de novidades, a gente desfrutara dos novos discos de Lula Queiroga, Alceu Valença, Guinga, Bangalafumenga, Verônica Sabino, Nana Caymmi ( !), e que mais?…melhor se ligar para saber das inúmeras surpresas (pois também ainda não escolhi tudo !) Então, espero vocês amanhã…
La Bossa, définitivement éternelle avec Fred Martins.
(texto português em baixo)
Est-il possible et envisageable aujourd’hui, d’enregistrer un disque de Bossa Nova avec les éléments constitutifs de l’époque de son âge d’or… En d’autres termes avec une instrumentation classique et intimiste, sans que le résultat ne sonne suranné ou emprunt d’une nostalgie perdue. En fait, ce serait poser la même question si je demandais s’il était concevable d’enregistrer un album pop ou rock avec seulement deux guitares, une basse et une batterie. La question est stupide (mais c’est fait exprès !) et Fred Martins nous le prouve de belle manière, sur son troisième album personnel, « Guanabara », qui rend hommage à ses maîtres qui l’ont emmené vers sa carrière musicale : Antônio Carlos Jobim et João Gilberto.
Depuis les années 80, on nous a servi des soupes tellement gluantes de bossa-lounge-électro-pop, que l’album de Fred nous apparaît tout simplement original ! De plus « Guababara » n’est pas une énième relecture des classiques du genre. Il s’agit bien là d’un album de treize nouveaux titres de sa composition avec quelques-uns de ses partenaires d’écriture comme Marcelo Diniz, Manoel Gomes ou Francisco Bosco. Sans aucun artifice, Fred au chant et à la guitare se fait accompagner d’Alex Rocha à la contrebasse, et de Marcio Baia à la batterie, tandis que de manière bien à propos, interviennent çà et là, un ensemble de cordes dirigé par Jessé Sadoc, et une section de cuivre emmenée par Marcelo Martins. Ces arrangements n’est pas sans m’évoquer, par instant, la sonorité de l’album « João » (1991), de João Gilberto. Attention cependant ! « Guanabara » est un disque de musiciens qui se déguste sur plusieurs écoutes. Un survol trop rapide, et vous aurez vite fait de le trouver trop uniforme. Ce n’est pas un album facile, comme ne le sont pas non plus les harmonies que Fred Martins utilise.Et si vous prenez votre temps, vous découvrirez que de petites perles comme Amo tanto, Agora é com você, Breve primavera ou Tudo teu (pour citer mes préférées), vous récompenseront de votre patience et -qui sait- deviendront peut être un jour des classiques…de la Bossa Nova. Enfin, il est amusant de constater que plus nous nous dirigeons vers la fin des plages ensoleillées de « Guanabara », plus l’album retrouve le style pop initial de Fred comme avec Doceamargo et Por um fio, qui clôturent l’album. Alors, « Guanabara » : « The Last and definitive Bossa Nova album » ?
(texto português traduzido do francês, destinado aos leitores aprendizes)
Ouvindo hoje : Fred Martins.
Será que é possível vislumbrar nos dias de hoje a gravação de um disco de Bossa Nova, com os elementos que a constituíam em sua época de ouro.. ? Em outros termos, quero dizer : contando com arranjos e instrumental clássicos e intimistas, sem que o resultado soe ultrapassado ou contaminado por uma nostalgia perdida ? Na realidade, seria o mesmo que perguntar se hoje seria possível gravar um álbum pop ou rock apenas com duas guitarras, um baixo e uma bateria. Pois é, a pergunta é idiota - mas foi de propósito ! - e Fred Martins nos prova que sim, da maneira mais elegante, através de seu terceiro álbum solo, « Guanabara », que homenageia a seus mestres que o levaram à música: Antônio Carlos Jobim e João Gilberto. Desde os anos 80, a gente passou a escutar tantas saladas mistas do tipo bossa-lounge-eletro-pop, que o som tão simples do Fred nos parece original! E mais, « Guababara » não é uma enésima releitura de clássicos do gênero. Ele transita bem através de um álbum de treze novos títulos de sua autoria, sendo que alguns desses em parceria com letristas como Marcelo Diniz, Manoel Gomes ou Francisco Bosco. Sem qualquer artifício, Fred na voz e no violão se faz acompanhar de Alex Rocha no contrabaixo, e de Marcio Baia na bateria ; e além disso, no máximo, e bem a propósito, intervêem aqui e ali um conjunto de cordas dirigido por Jessé Sadoc e uma sessão de metais conduzida por Marcelo Martins. Esses arranjos não deixaram de me evocar, por instantes, a sonoridade do álbum « João » (1991), de João Gilberto. No entanto, atenção ! : « Guanabara » é um disco de musicistas para ser degustado ao longo de várias audições. De uma sorvida rápida, vocês podem vir a achá-lo uniforme. Esse não é um disco fácil, assim como não são as harmonias que Fred utiliza. E se vocês tiverem um pouco de tempo , descobrirão que pequenas pérolas como Amo tanto, Agora é com você, Breve primavera ou Tudo teu - (para citar minhas preferências) - recompensarão sua paciência e levarão vocês a crer – talvez – que esses títulos se tornarão os novos clássicos... da Bossa Nova. Enfim, é interessante constatar que quanto mais nos dirigimos ao final das praias ensolaradas de « Guanabara », mais o álbum resgata o estilo pop inicial de Fred, como em Doceamargo (que já estava no seu dvd « Tempo afora ») e Por um fio , que fecham o cd. Então, « Guanabara » : « The ultimate Bossa Nova Album » ?
Fred Martins: "Guanabara" (Sete Soís)
En écoute à droite------Agora é com você------Escuta a direita
Le monde fascinant d' Osgêmeos, graffitistes de Sao Paulo.
(texto português em baixo)
Il existe certains artistes avec qui, durant les interviews, il se crée obligatoirement certaines affinités. Il est vrai que, dans la mesure du possible, j’essaie toujours de sortir du format traditionnel ‘question/réponse’, pour engager vers une conversation plus informelle. Ce n’est pas toujours facile -surtout avec les plus célèbres d’entre eux- et puis cela dépend bien évidemment de la personnalité de chacun. Avec Fred Martins -que je considère comme un des compositeurs les plus doués de sa génération- j’ai pu garder régulièrement le contact et ce fut avec plaisir que je pus déjeuner avec cet artiste de Niterói au Centro Cultural Banco do Brasil. C’est dans cet espace que s’exposent pour l’instant les ‘graffitistes’ de São Paulo appelés Osgêmeos, autrement dit, les Jumeaux (en réalité Gustavo et Otávio Pandolfo).. Pour parler de ceux-ci, ils ont déjà acquis une forte réputation internationale, et j’avais pris connaissance de leur art en visionnant le dvd de l’artiste Siba, du Pernabuco, pour lequel ils avaient entièrement envahi la scène du Théâtre Municipal de Niterói de leur monde. (À propos, même si Niterói se situe à un jet de pierre de Rio, il est aussi conseillé d’appeler un de ses habitants de Carioca, que de qualifier un irlandais d’anglais…un basque d’espagnol, etcetera !). Le monde de ces ‘jumeaux’ est assez fascinant, mais comme tous les artistes de rue qui conquièrent une notoriété (Jean Michel Basquiat, Keith Haring…), la récupération mercantile de leur art aura sans doute raison de l’essence même de leur travail…Enfin, en attendant, leurs personnages issus de la réalité urbaine sont assez singuliers et interpellants. Outre le graphisme, ils pratiquent par ailleurs la sculpture et créent de véritables installations. J’aime assez…
Fred Martins, conquis par l'expo du CCBB (?) (photo Daniel A.)
Pour revenir à Fred Martins, son nom m’était d’abord apparu sur la pochette de bons nombres d’artistes, féminines principalement, comme Thaís Motta, Elisa Queiros, et d’autres ; mais aussi d’artistes plus confirmés tel que Ney Matogrosso ou Zélia Duncan. Ses deux albums personnels -« Janelas » (2001) et « Raro e comum » (2005)- avaient attiré l’attention de la critique, et le prestigieux prix Visa du meilleur compositeur qu’il gagna en 2006, lui permit d’ouvrir un chemin vers une reconnaissance encore un peu timide. Son dvd « Tempo afora » (2007) sorti dans la foulée, nous a fait découvrir un artiste complet, mélodiste pop (ou MPB si vous préférez) subtil, et un excellent musicien. Il travailla de nombreuses années à retranscrire les partitions pour les fameux « songbooks » de Almir Chediak.
Notre rencontre informelle de mardi dernier fut l’occasion pour lui de me donner son dernier-né, « Guanabara » en vente au Brésil fin de ce mois d’avril. L’album est entièrement tourné vers ce qui l’amena à la musique : la Bossa Nova de Jobim et de João Gilberto. Sans encore avoir pu l’écouter, ce qui me paraît primordial, c’est qu’il est constitué de compositions complètement nouvelles et non de reprises géniales, certes, mais mille fois entendues. L’hommage de Fred à ses maîtres se restreint donc uniquement à respecter l’esprit du style, acoustique et intimiste : une voix, une guitare, une contrebasse, une batterie, avec de çà et là, un accompagnement de cordes. Si l’on accepte le fait qu’un style musical naît en accord avec les contextes de son époque, il n’y a aucune raison de penser que la Bossa (comme le rock, le jazz, et toutes musiques populaires) doive mourir à un moment donner. L’esthétique musicale d’un mouvement est là pour durer. La Bossa Nova, en tant que musique, n’est pas morte en 1964, et des artistes comme Fred Martins sont là pour le prouver. Il ne reste plus qu’à se plonger dans sa baie de « Guanabara ».
PS : Fred est également un excellent dessinateur et illustrateur, mais je n’ai rien pu trouver sur le net pour le prouver ici…
Texto português traduzido do francês, destinado aos leitores aprendizes.
Viagem de bolso ao Rio, 8 de abril : Fred Martins… E ‘Os Gêmeos’.
Existem certos artistas com os quais, ao longo das entrevistas, criam-se naturalmente certas afinidades. É verdade que, na medida do possível, eu busco sempre evitar o tradicional formato « pergunta / resposta », a fim de promover uma conversa mais informal. Isso não é sempre fácil, sobretudo lidando com os nomes mais célebres, e afinal isso depende também da personalidade de cada um. Com Fred Martins, que eu considero um dos compositores mais afáveis de sua geração, pude manter um contato regular, e foi com grande prazer que eu pude almoçar com esse artista de Niterói no Centro Cultural Banco do Brasil. É nesse mesmo espaço onde se encontra agora a exposição dos grafiteiros de São Paulo chamados de ‘Osgêmeos’ - Gustavo e Otávio Pandolfo. Para falar desses dois, há que lembrar que eles já conquistaram uma forte reputação internacional, e eu já conhecia previamente o trabalho deles em função de assistir ao dvd do artista Siba, de Pernambuco, no qual eles invadiram a cena no Teatro Municipal de Niterói com seus mundo imaginário. (A propósito, mesmo que Niterói se situe geograficamente a um pulo do Rio – basta atravessar uma ponte – é tão aconselhado chamar um de seus habitantes de Carioca, assim como qualificar um irlandês de inglês... ou um basco de espanhol, etc. !). O universo desses « gêmeos » é extremamente fascinante, mas como todos os artistas de rua que conquistaram alguma notoriedade (Jean Michel Basquiat, Keith Haring...), o retorno comercial desse tipo de arte virá sem dúvida em razão da essência mesma de seus trabalhos... Porém, enxergo seus personagens captados da realidade urbana como bastante peculiares e instigantes. Além do grafismo, eles fazem esculturas, criando inclusive verdadeiras instalações. Eu gosto bastante...
Voltando ao Fred Martins, seu nome me vinha a reboque de apresentações de bons nomes femininos, principalmente Suely Mesquita, Thaís Motta e Elisa Queiros, dentre outras ; mas também ao lado de artistas mais consagrados como Ney Matogrosso ou Zélia Duncan. Seus dois álbuns pessoais -« Janelas » (2001) e « Raro e comum » (2005)- chamaram a atenção da crítica e a obtenção do prestigiado Prêmio Visa de melhor compositor, que ele ganhou em 2006, o que o permitiu abrir um caminho próprio, sob um reconhecimento então ainda tímido. Seu dvd « Tempo afora » (2007) saiu nesse rastro, e nos permitiu descobrir um artista completo : um melodista pop (ou MPB, se vocês assim o preferem) sutil, e um excelente musicista. Ele trabalhou por vários anos na retranscrição de numerosas partituras para os famosos « songbooks » do Almir Chediak. Nosso reencontro informal dessa última terça-feira foi a oportunidade que tivemos para que ele me presentear com seu recém-nascido « Guanabara » , a ser colocado à venda no Brasil ao final desse mês de abril. O álbum é inteiramente voltado à o que lhe levou à música : a Bossa Nova de Jobim e de João Gilberto. Mesmo até agora sem ter podido ouvi-lo, o que me parece primordial é o fato de que é um disco constituído de composições completamente novas, e não de regravações geniais – tudo bem, mas já mil vezes absorvidas. A homenagem de Fred a seus mestres se restringe então a respeitar o espírito do estilo bossanovista - acústico e intimista : uma voz, um violão, um contrabaixo, uma bateria e, aqui e ali, um acompanhamento de cordas. Se aceitamos o fato de que um estilo musical nasce no contexto geral de sua época, não há razão para se imaginar que a Bossa (como o rock, o jazz, e todas as músicas populares) deva morrer no momento seguinte. A estética musical de um movimento está ali para perdurar. A Bossa Nova, como música, não acabou-se em 1964, e os artistas como Fred Martins estão aí para comprovar. Não me resta nada além de mergulhar dentro dessa baía de « Guanabara ».
P.S. : Fred é também um excelente desenhista e ilustrador, mas eu ainda não pude buscar algo na rede para mostrar a vocês aqui...
En vidéo: Merecimento (Fred Martins) par Elisa Queiros et Fred Martins (vidéo amateur) Novamente par Fred Martins.
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