Este blog é dedicado a todos os curiosos que desejam saber mais sobre Arte e Música Popular Brasileira. Para os francófonos, uma oportunidade de descobrir um novo e fascinante universo cultural. Para os brasileiros, o interesse em conhecer o ponto de vista de um jornalista europeu sobre sua rica produção artística
Teresa Cristina présente sur Tropicália 27 (bloco 2) (photo Daniel A.)
Tropicália est un programme de Musique Populaire Brésilienne qui passe sur les ondes de Radio Judaica en Belgique (90,2 Fm), tous les lundis de 21h50 à 0h15…Accessible aussi « online » sur www.radiojudaica.be et en podcast sur ce blog et sur PODOMATIC. En vidéo, quelques titres passés sur les ondes ce 22/06.
Tropicália é um programa de MPB que passa na Rádio Judaica na Bélgica (90,2 Fm), todas as segunda feiras, de16h50 as 19h15 (hora Brasil). Também « online », www.radiojudaica.be e em podcast neste blog ou PODOMATIC. Em video, alguns titulos que passaram nas ondas nesse 22 de junho 2009. Aproveite !
BLOCO 1 :
-FERNANDA ABREU : « Brasileiro » (Teta Lando/ Fernanda Abreu) -ALINE MUNIZ :« Não vacile »(Marco de Vita/ Aline Muniz) -FABIANA COZZA : « Canto de Ossanhã »(Vinicius de Moraes/ Baden Powell) -ADRIANA PEIXOTO :« De cabeça pro baixo » (Dalmo Medeiros) -ZECA BALEIRO :« Vai de Madureira »(Zeca Baleiro) -VANESSA BUMAGNY & ZECA BALEIRO : « Radiografia »(Vanessa Bumagny) -FLÁVIO HENRIQUE & ZECA BALEIRO :« Choro do fim do mundo » (Flávio Henrique/ Zeca Baleiro) -TONI PLATÃO :« Louras geladas » (Paulo Ricardo/ Luiz Schiavon) -CEZINHA OLIVEIRA : « Instinto »(Cezinha Oliveira/ Eliane Verbana) -RUBENS NOGUEIRA : « O Samba é o som »(Rubens Nogueira/ P.C. Pinheiro) -CÁSSIA MARIA : « Tá bom também »(C.Maria) -LEILA MARIA :« Seu Tipo » (Eduardo Dusek/ Luis Carlos Góes) -DULCE QUENTAL :« No topo do mundo »(Frejat/ Dulce Quintal)
BLOCO 2 : -TERESA CRISTINA :« Cantar »(Teresa Cristina ) -ELBA RAMALHO :« Último minuto » (Lula Queiroga) -ADRIANA CALCANHOTTO :« Mulher sem razão » (Dé / Bebel Gilberto/ Cazuza) -MILTON NASCIMENTO & JOBIM TRIO : « Chega de saudade » (A.C.Jobim/ Vinicius de Moraes) -LILI ARAÚJO : « Lendas do mar » (Marcos Amorim/ Lili Araujo) -MYLENE : « Clareou » (Mylene/ Fernando Nunes) -TEREZA CRISTINA :« Nem ouro nem Prata » (R.Maurity/ J. Do Nascimento/ J.Jorge/ O.S. de Carvalho) -UNS E OUTROS : « Dia branco » (Geraldo Azevedo) -THAÍS GULIN : « Garoto de aluguel »(Zé Ramalho) -ELIANA PRINTES & CHICO CESAR:« Se chovesse você »(Adonay Pereira/ Eliana Printes/ Eliakin Rufino) -ROBERTO MENDES & LENINE :« Tira essa mulher da roda » (Roberto Mendes/ Capinan) -NILZE CARVALHO : « Andarilho »(Cristino Ricardo/ Nilze Carvalho) -TERESA CRISTINA :« Carrinho de linha »(Walter Queiroz)
BLOCO 3 : -O RAPPA :« Monstro invisível » (M.Lobato/ Falcão/ Xandão/ L.Farias) -SKANK :« Escravo » (Samuel Rosa/ Chico Amaral) -PICASSOS FALSOS :«Rua do desequilibro »(Humberto Effe) -GISELLA :« Capricho da sorte » (Sérgio Santos/ Murilo Antunes) -RUBI :« De onde vem a calma » (Marcelo Camelo) -THAIS MOTTA :« Ai de mim »(Marco Pinheiro/ Chico Alvez) -ELISA QUEIRÓS :« Merecimento »(Fred Martins/ Elisa Queirós) -CAROL SABOYA : « Águas passadas » (Mário Sève/ Chico César) -ZECA PAGODINHO & JOÃO DONATO :« Sambou…sambou » (J.Donato/ J.Mello) -SILVIA MACHETE :« Toda bêbada canta »(Silvia Machete) -MOINHO :« Doida de varrer » (Ana Carolina/ Chacal) -ANNA LUISA : « Bailarina do mar »(Anna Luisa) -PEDRO LUIS E A PAREDE : « Santo samba »(Pedro Luis)
Paulinho da Viola em sua casa, mostrando um quadro de Heitor dos Prazeres (foto Daniel A.)
(texte portugais, traduit du post précédant/ texto português traduzido do post precedente destinado à um público aprendiz)
Em 31 de dezembro de 1995, para festejar a chegada do ano novo, a prefeitura do Rio de Janeiro decidiu organizar um grande show na praia de Copacabana em homenagem ao mestre Antônio Carlos Jobim, falecido lamentavelmente havia pouco mais de um ano, em 8 de dezembro de 1994. Para realizar esse projeto, a cidade não foi mesquinha em relação aos meios para tal, uma vez que conseguiu reunir na mesma cena Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Milton Nascimento e Paulinho da Viola. Qualitativamente, esse show ficou longe de ser tornar inesquecível quando refere-se às interpretações. Contudo, a história pôde registrar esse evento grandioso por sua divulgação execpcional. Mas na verdade, foi por outro motivo que essa festa musical ficará gravada na memória de todos. Ao longo de alguns dias – e mesmo algumas semanas – uma revelação tornou-se polêmica. Enquanto que Chico, Caetano, Gal, Gil e Milton receberam um cachê de 100.000 reais por seus serviços, Paulinho da Viola teve que se contentar com 35.000, sem que os outros protagonistas soubessem do que havia ocorrido. Um gênio do samba seria cotado três vezes mais barato do que uma estrela da MPB tradicional ? Bom, o objetivo aqui não é relatar as manipulações e as consequências dessa história de dinheiro, nem de se saber a quem coube essa falta de elegância. Evidentemente, do ponto de vista estrangeiro, o nome de Paulinho da Viola ressoa de fato de maneira bem menos forte do que os de seus ilustres colegas, aliás da mesma geração. Mas no Brasil, a situação parece bem diferente. Na realidade, esse texto me foi inspirado pelo anúncio dos seis shows que o grande sambista apresentará na gloriosa sala de espetáculos do Canecão do Rio, em seu início da temporada do mês de julho. E sem dúvida ele será capaz de encher essa sala – com capacidade para aproximadamente 2.000 pessoas – mesmo que para um número considerável de dias. Fazia tempo que não tinha visto isso acontecer com um artista : ter vitrine por tanto tempo dentro desse antro mítico. Vai longe o tempo em em que viam-se os nomes de Elis Regina ou Maria Bethânia em cartaz por inúmeras semanas. É bom e saudável que uma instituição de primeira linha da musica popular –duma certa maneira também erudita (claro que uma Ivete Sangalo também poderia encher a sala durante um tempão)- possa ainda realizar essa proeza, dentro de uma sociedadede musical em crise, sem que haja a menor dúvida quanto a seu sucesso.
Paulinho Da Viola faz parte da memória coletiva brasileira ; ele é adorado por todos, e pouca gente parece preocupada em saber a quando remonta seu último álbum de inéditos. De fato, « Bebadosamba » data de 1996 (isso faz 13 anos !), e o artista parece no entanto eternamente presente na atualidade musical brasileira. Naturalmente, esse último álbum foi a reboque de projetos gravados em público, como « Bebadochama » (1997), um duplo cd junto com Toquinho, « Sinal aberto » (1999), ou o último « MTV ao vivo » (2007) - que obteve um bom sucesso popular com a inédita Talismã. Sem esquecer de sua participação em múltiplos projetos e filmes documentários como o excelente « Meu tempo é hoje » (2003) e « O Mistério do samba » (2008), esse último consagrado à Velha Guarda da Portela, sua escola de coração. Mas, enfim, cá estamos... Eu me entreguei um pouco à ficção, ao me perguntar o que teria acontecido à carreira de um Caetano Veloso, um Gilberto Gil, ou um Milton Nascimento se suas últimas obras datassem de 1996, e como seriam, mesmo considerando que eles participaram de diversas manifestações ou projetos em público. Qual dentre eles poderia lotar o Canecão em seu limite por seis dias ? Nenhum deles, provavelmente. O caso de Chico Buarque é que é um pouco diferente. O artista dos olhos verdes já faz um bom tempo que diversificou seus talentos ao debruçar-se sobre a literatura, e sua produção discográfica e suas aparições em cena são no mínimo destiladas em doses homeopáticas. Razão a mais para pensarmos que, como Paulinho da Viola, Chico Buarque não teria qualquer problema em lotar uma grande casa de espetáculos por numerosas noites. Eu recearia que se houvesse uma ausência discográfica de 13 ans, tanto Caetano quanto Gil ou Milton tornariam-se – como Jorge Benjor – ícones respeitados por terem seus deveres cumpridos por longa data, mas mumificados e enclausurados dentro de suas próprias criações. Dessa forma bastante surpreendente, fica a impressão de que a arte de Paulinho ainda é cheia de vida e ainda tem coisas a nos dizer. Isso também porque o seu samba sofisticado enraizado no choro é – como o jazz e a bossa – um estilo clássico nos arranjos e a instrumentação. Chico Buarque, ele também em de alguma forma, tornou-se depois de muito tempo um clássico, que não deve tornar-se especialmente audacioso. A eles, a gente só pede grandes canções. Caetano, quanto a ele – mais ainda do que Gil ou Milton – tem a vantagem de empreender riscos musicais, com as consequêcias que a procura de estilos comporta. Praticando uma MPB miscigenada, o desafio da renovação nem sempre é fácil enfrentar.
Enfim…eis então o que esses shows a vir de Paulinho da Viola me levaram à pensar…E, abençoados aqueles que estarão presentes nos dias 10, 11, 12 e 17, 18, 19 de julho, no Canecão do Rio de Janeiro.
Paulinho da Viola: la samba faîte élegance! (photo divulgation)
(texto português em breve)
Le 31 décembre 1995, pour fêter l’arrivée de l’an neuf, la préfecture de Rio de Janeiro avait décidé d’organiser un grand concert sur la plage de Copacabana en hommage au Maître Antônio Carlos Jobim, disparu à peine un an auparavant, le 8 décembre 1994. Pour réaliser ce projet, la ville n’avait pas lésiné sur les moyens puisqu’elle avait réussi à réunir sur la même scène Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Milton Nascimento et Paulinho da Viola. Qualitativement, ce concert fut loin d’être inoubliable si l’on se réfère aux nombreuses approximations des prestations. Néanmoins, l’histoire aurait pu retenir cet événement grandiose pour son affiche exceptionnelle. Ce sera cependant pour un autre fait que cette fête musicale restera dans les mémoires.Pendant plusieurs jours après le concert –et même plusieurs semaines- une révélation sera sujette à polémique. Tandis que Chico, Caetano, Gal, Gil et Milton s’étaient vus offrir 100.000 reais (30.000 euros actuels) pour leurs services, Paulinho da Viola avait dû se contenter de 35.000, sans que les principaux protagonistes ne soient d’ailleurs au courant. Un génie de la samba se négocierait-il trois fois moins cher qu’une star de la MPB traditionnelle?Bon, le but n’est pas ici de raconter les tenants et les aboutissants de cette histoire d’argent, ni de savoir à qui incombe ce manque d’élégance. .Bien sûr, vu de l’étranger, le nom de Paulinho da Viola résonne en effet beaucoup moins fort que celui de ses illustres collègues, par ailleurs de la même génération. Mais au Brésil, la situation semble bien différente.En fait, ce texte m’a été inspiré par l’annonce des six concerts que le grand sambista présentera dans la glorieuse salle du Canecão de Rio, en ce début du mois de juillet. Et nul doute qu’il pourrait prétendre remplir cette salle -d’une contenance de 2000 personnes environ- pour de nombreux jours encore.Cela faisait un bail que je n’avais plus vu un artiste tenir l’affiche aussi longtemps dans cet antre mythique. Il est loin le temps où l’on voyait le nom d’Elis Regina ou Maria Bethânia s’étaler en grand pour plusieurs semaines. C’est bel et bien le propre d’une institution de la MPB de pouvoir encore réaliser cet exploit dans une société musicale en crise, sans qu’il y ait le moindre doute quant à son succès.
Trois "portelenses" de coeur: l'acteur Antonio Fagundas, Zeca Pagodinho et Paulinho da Viola (photo Marcos Serra Lima)
Paulinho Da Viola fait partie de la mémoire collective brésilienne, il est adoré de tous, et peu de gens semblent soucieux de savoir à quand remonte son dernier album d’inédits.De fait, « Bebadosamba » date de 1996 (cela fait 13 ans !), et l’artiste semble pourtant éternellement présent dans l’actualité musicale brésilienne. Bien sûr, ce dernier album fut suivi de projets enregistrés en public comme « Bebadochama » (1997), un double cd avec Toquinho, «Sinal aberto » (1999), ou le dernier « MTV ao vivo » (2007) qui connut un beau succès populaire avec l’inédit Talismã. Sans oublier sa participation à de multiples projets et films documentaires comme l’excellent « Meu tempo é hoje » (2003), ou « O Mistério do samba » (2008) consacré à la Velha Guarda da Portela, son école de cœur. Mais, en fait voilà….Je me faisais juste un peu de fiction en me demandant ce qu’il serait advenu de la carrière d’un Caetano Veloso, Gilberto Gil, ou Milton Nascimento si leurs derniers opus dataient de 1996, et cela même en considérant qu’ils participent à diverses manifestations ou projets en public. Lequel d’entre eux pourrait remplir six jours le Canecão à ras bord ? Aucun probablement.Le cas de Chico Buarque est quelque peu différent. L’artiste aux yeux bleus s’est déjà depuis longtemps diversifié en tendant vers la littérature, et sa production discographique et ses apparitions sur scène sont pour le moins distillées à dose homéopathique. Raison de plus pour penser que, comme Paulinho da Viola, Chico Buarque n’aurait aucun mal à remplir une grande salle pour de nombreuses soirées. Je crains qu’avec une absence discographique de 13 ans, tant Caetano que Gil ou Milton seraient devenus -comme Jorge Benjor- des îcones respectés pour leurs devoirs accomplis depuis bien longtemps, mais momifiés et figés dans leur création. Car assez étonnement, on a l’impression que l’art de Paulinho da Viola est encore vivace et a encore des choses à nous raconter. Cela tient aussi du fait que la samba –comme le jazz ou la bossa- est un style classique par essence. Chico Buarque, lui aussi en quelque sorte est devenu depuis longtemps un classique, qui ne se doit pas d’être forcément audacieux. Caetano, quant à lui -plus encore que Gil ou Milton- prend davantage de risques musicaux, avec les aléas que cela comporte. Pratiquant une MPB métissée, le défi du renouvellement n’est pas toujours facile à relever.Bref, voilà donc ce que l’annonce de ces concerts de Paulinho da Viola m’a amené à penser et, quoi qu’il en soit, bienheureux ceux qui seront présents les 10, 11, 12 et 17, 18, 19 juillet au Canecão de Rio de Janeiro.
José Miguel Wisnik (Bloco 2): Une musique populaire belle et érudite à la fois (photo divulgation)
Tropicália est un programme de Musique Populaire Brésilienne qui passe sur les ondes de Radio Judaica en Belgique (90,2 Fm), tout les lundis de 21h50 à 0h15…Accessible aussi « online » sur www.radiojudaica.be et en podcast sur ce blog et sur PODOMATIC. En vidéo, quelques titres passés sur les ondes ce 08/06.
Tropicália é um programa de MPB que passa na Rádio Judaica na Bélgica (90,2 Fm), todas as segunda feiras, de16h50 as 19h15 (hora Brasil). Também « online », www.radiojudaica.be e em podcast neste blog ouPODOMATIC. Em video, alguns titulos que passaram nas ondas nesse 15 de junho 2009. Aproveite !
BLOCO 1 : -ROGÊ : « Pra dançar »(Rogê/ Gabriel Moura) -DAÚDE :« Pata pata »(Myriam Makeba/ Kerry Ragaudy) -TONY GARRIDO :« Os Nerds »(Toni Garrido/ Charles Marcilac) -ALCEU VALENÇA :« Maracajá »(Alceu Valença) -GERALDO AZEVEDO : « Dia Branco »(Geraldo Azevedo/ Renato Rocha) -LETÍCIA TUÍ : « Cordel »(O.G.Pereira/ Beto Valente) -LÚCIA MENEZES :« Uva de caminhão »(Assis Valente) -EDU LOBO :« O Cordão da saideira »(Edu Lobo) -WADO :« Tarja preta »(Wado/ Siri/ Santo Samba) -MOSKA & MART’NÁLIA :« Entretanto »(Mart’nália/ Mombaça) -EMILIO SANTIAGO :« Quero alegria »(Nelson Cavaquinho/ Guilherme de Brito) -LUIZ MELODIA :« Estácio holly estácio »(Luiz Melodia) -LUIZ MELODIA & JANE REIS : « Choro de passarinho »(R.Piau/ E.Amaral/ R.Cardoso) -PARALAMAS DO SUCESSO : « Aposta em mim »(Vianna/ Ribeiro/ Barone) -LUCIANA PESTANA :« Entre eu e você »(Luciana Pestana/ Gastão Villeroy)
BLOCO 2 : -EUGÉNIA MELO E CASTRO & ADRIANA CALCANHOTTO :« Bem querer/ Futuros amantes » (Chico Buarque) -PEDRO ABRUNHOSA & LENINE :« Diabo no corpo » (Pedro Abrunhosa) -LULA QUEIROGA : « Fulana »(Lula Queiroga ) -VELHA GUARDA DA PORTELA :« Lenço » -CAETANO VELOSO :« Lapa »(Caetano Veloso) -ARNALDO ANTUNES :« Sampa »(Caetano Veloso) -WILMA ARAÚJO :« Beleza delicateza » (Gustavo Gomes/ Vera Rocha) -IVAN LINS :« Somos todos Iguais esta noite »(Ivan Lins/ Vitor Martins) -DJAVAN :« Alagoas »(Djavan) -NEY MATOGROSSO : « Ode aos ratos »(Edu Lobo/ Chico Buarque) -MARIA ALCINA :« Espaço sideral »(Moisés Santana) -EVELINE HECKER : « Tempo sem tempo »(José Miguel Wisnik/ Jorge Mautner) -ZIZI POSSI :« Mais simples »(José Miguel Wisnik) -LITTLE JOY :« The Next time around »(Moretti/ Amarante) -LOS HERMANOS :« Retrato pra Iaiá »(Rodrigo Amarante)
BLOCO 3 : -JOTA QUEST : « La Plata »(Flausino/ Buzelin/ Lara/ Fonseca/ Diniz) -MARCELO D2 :« Desabafo »(MD2/ Nave/ Ivan Lins) -ROBERTO CARLOS :« Detalhes »(Roberto Carlos/ Erasmo Carlos) -FERNANDA TAKAI :« Debaixo dos caracois do seus cabelos »(Roberto Carlos/ Erasmo Carlos) -ADRIANA MACIEL :« Perto do teu coração selvagem »(Vitor Ramil) -VERONICA SABINO : « Tardes »(Adriana Calcanhotto) -CELSO FONSECA :« Queda » (Luciano Salvador Bahia) -VANDER LEE : « Obscuridade »(Vander Lee/ Cartola) -VINCENTE BARRETO : « A Barca do desejo »(Vincente Barrreto/ Zeh Rocha) -MARCOS SACRAMENTOS :« Meu rádio e meu mulato » (Herivelto Martins) -MARIANA BALTAR :« Pressentimento »(H.B. De Carvalho/ Elton Medeiros) -ZECA PAGODINHO :« Caviar »(Luiz Grande/ Barbeirinho de Jacarezinho/ Marcos Diniz) -ED MOTTA :« The Runaways » (Ed Motta/ Robert Gallagher)
Rio nao é sempre um cartão postal (foto Pablo Jacob)
(* « Maricotinha »- Dorival Caymmi)
(texto traduzido do post precedente)
« A vida, companheiro… A vida é a arte do encontro », como disse o poeta Vinicius de Moraes. Eu aderi sem restrições a essa máxima, genial por tamanha verdade e simplicidade. De minha parte, eu poderia parodiá-la humildemente, ao escrever, queridos amigos, que a vida é às vezes a arte de prever como será o tempo amanhã. Eu sei... Essa minha versão não tem a mesma força poética, mas há exatamente 20 anos que os primeiors raios de sol que surgiram na manhã de 13 de junho de 1989, não surgiram apenas para agradar o povo amável, como também vieram para mudar radicalmente a minha vida... Em março de 1989, eu e um colega legal havíamos decidido empreender nossa primeira viagem exótica. Eu entendo por tal, algo para além das fronteiras européias : um tipo de viagem iniciática em busca de uma cultura verdadeiramente incomum. Nenhuma idéia nos veio à mente, mas um outro cara que tinha acabado de chegar do Rio de Janeiro nos fez imaginar a cidade como um lugar sempre em festa, onde o paraíso estaria à nossa disposição por alguns trocados. Ele coloriu sua descrição com alguns elementos pesuasivos como as caipirinhas, as praias com seus coqueiros (é mesmo ?!?) e as brasileiras todas clonadas a partir de Gisèle Bunschen e Thaís Araújo. E de fato, com uma inflação galopante na ocasião – quase surrealista ! – todos os preços para o turista pareciam ridiculamente baixos mesmo. Muito sinceramente, a idéia do Brasil não me encantou muito. As fotos dos panfletos mostrando as pistas ao longo das praias (da Avenida Atlântica, em Copacabana ; e da Vieira Souto, em Ipanema) me pareciam bastante desagradáveis. Em resumo : para mim, os brasileiros eram um bando de loucos simpáticos que se maquiavam escandalosamente e que, uma vez por ano, faziam barulho no Caranaval. Aquilo que se dizia ser o samba – o que parecia ser – eu achava simplesmente insuportável depois de ouvir por dois minutos. Musicalmente, enquanto eu bebia da fonte do rock alternativo e do soul norteamericanos, minha mãe escutava na sala um certo Sergio Mendes & Brasil 66, que eu comparava ao tipo de música que se poderia ouvir nos shows de Las Vegas. Havia também os dois álbuns « Vinicius & Toquinho en la fusa » (1971), com Maria Bethânia e Maria Creuza ; e para ser franco, eu achava a Bossa Nova insípida – sem nuance e particularmente enfadonha… Esses dois álbuns viriam a se tornar um pouco mais tarde as minhas « tábuas dos dez mandamentos »... O primiro degrau de uma escada sem fim (puxa! Bela imagem, não é ?)… Com relação à viagem, apático e sem imaginação, concordei então em ir para o Rio, imaginando que um dia eu poderia falar dessa agradável excursão a meus futuros filhos... ou aos filhos dos outros. « Rio ? É preciso ir lá uma vez na vida». À parte o fato de que logo contarei 40 viagens ao Brasil.
Nós desembarcamos no aeroporto do Galeão, no dia 10 de junho de 1989, e desde então, um dilúvio nos acolheu francamente. Eu não preciso explicar a vocês que atravessar a zona norte cercada de favelas pela primeira vez nessas condições nos parecia mais próximo do apocalypse de um pós-guerra do que propriamente da descoberta de um Paraíso perdido... Chegando ao Hotel Excelsior de Copacabana (então em reforma), constatamos que sair de lá seria uma missão impossível, de tanta água cobrindo as ruas. E a situação não mudou pelos próximos dois e três dias. Minhas atividades ficaram reduzidas ao vai-e-vem entre o bar de reputação duvidosa e a televisão que transmitia o programa do Faustão (extremamente traumatizante para quem ainda não conhecia !), que gritava num idioma o qual eu não compreendia uma palavra sequer. Havia também a janela de onde eu não via o Redentor, mas sim uma nesga de mar e alguns cogumelos onde se lia « Coca-Cola » : as barracas de sol plantadas nas varandas vazia. A depressão extrema! Menos paciente do que eu, meu colega de quarto me comunica então rancorosamente que se nada mudasse, ele não via razão alguma para ficar um dia a mais sequer vivendo tamanho pesadelo. Pelo meu lado, eu tinha poucos argumentos para confrontá-lo. O céu parecia fechado como um nariz entupido de gripe, e nós já tínhamos arrumado nossa bagagem naquela tarde de 12 de junho. Mas então, alguma coisa aconteceu durante a noite... Uma reunião secreta entre os Orixás cheios de misericórda ? O fato é que na manhã do dia 13, o céu se abriu a mim como o mar a Moisés, e um sol radiante expulsou nosso humor melancólico. « The rest is history » - O resto é história, como se diz ; ou, mais humildemente, faz parte da minha história. No limite de voltar para casa decididos a definitivamente nunca mais voltarmos um dia ao Brasil, nós ficamos 3 semanas ; e muito em breve, no que me diz respeito, serão quase 40 viagens em 20 anos. Na verdade, na ocasião, eu não tinha ainda sido radicalmente contaminado pelo vírus da música brasileira ; mas ele infiltrou-se insidiosamente em mim, à espera de um sinal... No meu retorno à Bélgica, algumas boas almas me ofereceram ingressos para assistir aos shows de Maria Bethânia, assim como de João Gilberto, que se apresentavam no Palácio de Belas Artes de Bruxelas (Palais des Beaux Arts de Bruxelles), dentro da programação do festival « Viva Brasil ». E aí sim, a doce obssessão se revelaria, tomando conta de todo o meu ser... E a visita de um exorcista não é nada urgente... P.S. : Devo apresentar as minhas desculpas por uma das frases citadas anteriormente nesse post : eu já pude encontrar alguns brasileiros sem maquiagem ; e pensando bem, eles fazem barulho ao longo do ano inteiro..!
Rio sous la pluis n'est cependant pas dénué de charme... (photo E.F. Gollo de Mesquita)
« A vida, companheiro…A vida é a arte do encontro » disait le poète Vinicius de Moraes. « La vie, cher compagnon, c’est l’art des rencontres… ». J’ai toujours adhéré à cette maxime, géniale de tant d’évidence et de simplicité. De mon côté, je pourrais parodier très humblement, en écrivant que la vie, chers amis, c’est parfois l’art de prédire la pluie et le beau temps. Je sais que cela n’a pas la même force poétique, mais il y a 20 ans exactement, les premiers rayons de soleil qui apparurent au matin du 13 juin 1989, n’auront pas seulement égaillé la journée du bon peuple, comme ils auront radicalement changé ma vie…
En mars 1989, avec un bon camarade, nous avions décidé d’entreprendre notre premier voyage exotique. J’entends par là hors des frontières européennes, une sorte de voyage initiatique à la recherche d’une vraie culture inconnue. Aucune idée ne s’imposait à nous, mais un autre lascar qui revenait de Rio de Janeiro nous faisait miroiter la ville comme un pays de cocagne, où le paradis était à notre disposition pour pas un rond. Il agrémentait sa description de quelques éléments persuasifs comme les caipirinhas, les plages avec ses cocotiers (ah bon ?), et les brésiliennes toutes clonées à partir de Gisèle Bunschen ou Thaís Araújo. Et de fait, avec une inflation galopante à l’époque –presque surréaliste !-, tous les prix pour le touriste paraissaient ridiculement bas. Très sincèrement, l’idée du Brésil ne m’enchantait guère. Les photos des guides montrant les autoroutes le long des plages (l’Avenida Atlantica de Copacabana et la Vieira Souto à Ipanema) me semblaient assez rébarbatives. Et en résumé pour moi, les brésiliens étaient de charmants doux dingues qui se maquillaient outrageusement pour faire du boucan un fois par an, au Carnaval. Cela s’appelait de la samba -paraît-il- et je trouvais cela assez insupportable au-delà de deux minutes. Musicalement, tandis que je m’abreuvais de rock alternatif et de soul américaine, ma mère écoutait dans son salon un certain Sergio Mendes & Brasil 66, que j’apparentais à une musique de shows pour Las Vegas. Il y avait aussi les deux albums « Vinicius & Toquinho en la fusa » (1971), avec Maria Bethânia et Maria Creuza, et pour être franc, je trouvais la Bossa Nova insipide, sans nuance et particulièrement ennuyeuse…Ces deux albums constitueront quelques mois plus tard mes tables de la loi… La première marche d’un escalier sans fin (belle image, Daniel !)… Pour revenir au voyage, fainéant et sans imagination, j’acquiesçais donc pour Rio, dans l’idée que je pourrais parler de cette aimable excursion à mes petits-enfants…ou ceux des autres. « Rio ? Il faut l’avoir fait une fois dans sa vie ». Sauf que cela fera bientôt 40 voyages, bien que cela se soit joué à peu de chose.
Nous débarquons donc à l’aéroport Galeão, le 10 juin 1989, et dès le départ, une pluie diluvienne nous accueille fraîchement. Je vous prie de croire que traverser pour la première fois la zone nord jonchée de favelas dans des conditions pareilles ressemble plus à une apocalypse d’après guerre qu’à un Eden retrouvé… Arrivé à l’Excelsior de Copacabana (depuis lors rénové), il nous fallait constater que sortir de l’hôtel était mission impossible tant les eaux avaient monté dans les rues. Et la situation n’allait pas s’arranger le deuxième et troisième jours. Mes activités étaient réduites aux va-et-vient entre le bar miteux et la télévision qui diffusait Faustão (très traumatisant quand on ne connaît pas !) qui criait dans une langue dont je ne comprenais pas un traître mot. Il y avait aussi la fenêtre d’où je ne voyais pas le Rédempteur, mais un bout de mer déchaînée et quelques champignons Coca-Cola, les parasols des terrasses désertes. La grosse déprime ! Moins patient que moi, mon camarade de chambrée m’annonça vindicativement que si rien ne changeait, il ne voyait plus la raison de rester un jour de plus dans un tel cauchemar. Et de mon côté, je voyais peux d’arguments à lui opposer. Le ciel semblait bouché comme un nez grippé, et nous apprêtions déjà nos sacs, au soir du 12 juin. Mais alors que s’est-il passé durant la nuit…Un conciliabule au sommet entre les Orixas pris de pitié ? Toujours est-il qu’au matin du 13, le ciel s’était ouvert à moi comme la mer à Moïse, et un soleil radieux balaya notre humeur maussade. « The rest is history » comme on dit, ou plus humblement, fait partie de mon histoire. Au lieu de rentrer au bercail avec la décision définitive de ne jamais revenir un jour au Brésil, nous restâmes 3 semaines et s’en suivirent, en ce qui me concerne, presque 40 voyages en 20 ans. En réalité, je n’avais pas encore été contaminé par le virus de la musique brésilienne, mais il s’était insidieusement infiltré en moi, attendant un signal… À mon retour en Belgique, quelques bonnes âmes m’avaient offert des tickets pour aller voir les concerts de Maria Bethânia ainsi que de João Gilberto qui se produisaient aux Palais des Beaux Arts de Bruxelles dans le cadre du festival « Viva Brasil ». Et là oui, la douce maladie se réveilla et pris possession de tout mon être…Et la venue d’un exorciste n’est pas pour demain…
P.S : je tiens à présenter mes excuses pour une des phrases cités ci avant : j’ai pu rencontrer quelques brésiliens non maquillés, et tout bien pensé, ils font du boucan toute l’année…
Un Tropicalia 25 (bloco 2) aux parfums cubains et sud américain. Ici avec les divas Maria Bethânia et Omara Portuondo (photo divulgation)
Tropicália est un programme de Musique Populaire Brésilienne qui passe sur les ondes de Radio Judaica en Belgique (90,2 Fm), tout les lundi de 21h50 à 0h15…Accessible aussi « online » sur www.radiojudaica.beet en podcast sur ce blog et surPODOMATIC. En vidéo, quelques titres passés sur les ondes ce 08/06.
Tropicália é um programa de MPB que passa na Rádio Judaica na Bélgica (90,2 Fm), todas as segunda feiras, de16h50 as 19h15 (hora Brasil). Também « online », www.radiojudaica.be e em podcast neste blog ouPODOMATIC.
BLOCO 1
BENA LOBO : « Sábado »(Seu Jorge/ Bena Lobo/ Daniel Gonzaga/ Régis Faria) MILTON NASCIMENTO :« Imagens e semelhança »(Bena Lobo/ Kiko Continento) MARINA MACHADO :« Tempo quente »(Anderson Guerra) ERIKA MACHADO : « As coisas »(Erika Machado/ Cecília Silveira) MOACYR LUZ & IVAN LINS :« Clareou »(Moacyr Luz/ Ivan Lins/ Aldir Blanc) MOSKA & CHICO CÉSAR :« Tambor »(Chico César) MARIANA AYDAR :« Beleza »(Luiza Maita/ Rodrigo Campos) CRIS AFLALO : « Quase tudo »(Péricles Cavalcanti/ Arnaldo Antunes) PATRICIA MELLODI :« Perola »(Patricia Mellodi) JARDS MACALÉ & FREJAT :« Mal secreto »(Macalé/ Waly Salamão) ZÉLIA DUNCAN & FREJAT :« Mãos atadas »( Simone Saback) CAETANO VELOSO & ROBERTO CARLOS :« Tereza da Praia »(Tom Jobim/ Billy Blanco) JOTA QUEST :« Além do horizonte »(Roberto Carlos/ Erasmo Carlos) SILVIA MACHETE : «Esta noite serenô»(Hervé Cordovil)
BLOCO 2 :
PRETA GIL : « Sinais de fogo »(Ana Carolina/ Totonho Villeroy) ANA CAROLINA :« Armazem » (Ana Carolina) ROGÊ :« Brasil em brasa »(Rogê/ Arlindo Cruz/ Gabriel Moura/ J.Joviniano) TONI PLATÃO :« Amor meu grande amor" (Angêla Rôrô/ Ana Terra) CRIS BROWN :« Dry martini drama »(Alvin L./ Dé) ADRIANA MACIEL : « Vida em marte »(David Bowie vers. Seu Jorge) LOS HERMANOS : « Cher Antoine »(Rodrigo Amarante) CARLINHOS BROWN :« Carlito Marón»(Carlinhos Brown/ Arnaldo Antunes) IVAN LINS : « Ai ai ai ai »(Ivan Lins/ Vitor Martins) TRÊS MENINAS DO BRASIL :« Seo Zé »(Carlinhos Brown/ Marisa Monte/ Nando Reis) MARIA BETHANIA & OMARA PORTUONDO :« Tal vez »(Juan Formell) CAETANO VELOSO :« Capullito de aleli »(Rafael Hernández) CHICO BUARQUE :«Como se fosse primavera »(Pablo Milanés/ Nicolás Guillén) IVETE SANGALO :« Tanta saudade » (Djavan/ Chico Buarque) JOÃO DONATO :« Bananeira »(J.Donato/ Gilberto Gil) PAULINHO MOSKA & JORGE DREXLER :« Dos colores : blanco y negro »(Jorge Drexler)
Chico Buarque aux couleurs de la Mangueira (photo Luciana Prezias)
(texto português em baixo)
En 1998, l’École de Samba de la Mangueira fête ses 70 années d’existence. Pour cette occasion, sa communauté décide de créer le Centre de Mémoire de l’Estação Primeira et recherche des fonds à cette fin. Pour le défilé, après Tom Jobim en 1992, et la fine équipe des bahianais –Gil, Caetano, Gal et Bethânia- en 1994, une autre star de la MPB, et mangueirense de confession, est mis à l’honneur : Chico Buarque de Hollanda. Il sera le thème choisi de la G.R.E.S. Estação Primeira da Mangueira pour 1998. Et en vue de récolter de quoi ériger le fameux Centre de Mémoire, c’est à nouveau Hermínio Bello de Carvalho qui prend l’initiative d’un album, « Chico Buarque de Mangueira », qui sera enregistré dans les derniers mois de 1997. À cette époque, Chico s’apprête à lancer un nouvel album d’inédits, « As Cidades », cinq ans après « Paratodos » (1993), une des nombreuses œuvres majeures de sa carrière.
Comme pour Piano na Mangueira (Jobim/ Buarque) qui ouvrait l’album « No Tom da Mangueira » (repris ici par Jamelão, le chanteur officiel des samba- enredo de l’école depuis les années 50), « Chico Buarque de Mangueira » s’ouvre sur le bel inédit Chão de Esmeralda écrit par Chico et Hermínio Bello de Carvalho. Ce dernier conçoit l’album de manière un peu différente que « No Tom da Mangueira » (1992). Pas question ici d’exhumer les voix de ceux qui ont fait la gloire de la Mangueira par diverses astuces techniques. De même, il n’envisage pas d’élargir le cercle des invités au-delà du monde de la samba de tradition. Il sera conçu et confectionné par des Mangueirenses de pure souche, si l’on excepte la participation de deux Portelenses (intégrants de l’Ecole de Portela), João Nogueira (1941-2000) et Cristina Buarque (sœur du chanteur). Ces aimables interactions entre Écoles et Velhas Guardas (vieilles guardes) ont toujours existé car, s’il y a bien compétition sur l’Avenida Marquês de Sapucaí (Sambodrome), nous sommes avant tout dans le monde de la musique, et non du sport. Après Chão de esmeralda, l’album offre cinq magnifiques pot pourris qui reprennent les classiques de la Mangueira composés par Cartola (1908-1980), Carlos Cachaça (1902-1999), Padeirinho (1927-1987), Nelson Cavaquinho (1910 1986), Nelson Sargento ou Geraldo Pereira (1918-1955), pour citer les principaux. Quant aux interprétations, elles sont laissées à Chico Buarque, bien sûr, mais aussi à Leci Brandão, Alcione, João Nogueira (1941-2000), Carlinhos Vergueiro, Nelson Sargento, Jamelão (1913-2008)et la Velha Guarda da Mangueira (les plus anciens intégrants de l’école). Le fait d’avoir laissé le répertoire aux mains de véritables sambistas donne une cohésion que n’avait pas « No Tom da Mangueira ». De même, la production et les arrangements apparaissent bien plus supérieurs. « Chico Buarque de Mangueira » dépasse le fait d’être un album historique comme celui en hommage à Tom Jobim. Il devient tout simplement un des meilleurs albums de samba de ces 20 dernières années. Après les medleys, l’album se termine, entre autres, par le magnifique Divina dama de Cartola chanté par Chico Buarque, ou encore Estação derradeira que ce dernier avait composé pour l’album « Francisco » (1987). Une version interprétée par Alcione mais qui n’atteint cependant pas la force poignante et viscérale de l’original. La samba-enredo « Chico Buarque da Mangueira » (qui n’est pas dans cet album) portera la G.R.E.S. Escola de Mangueira vers le titre de championne cet année-là.
En vidéos:Chao de esmeralda (Chico Buarque/ H.B. de Carvalho), et la samba-enredo Chico Buarque da Mangueira.
Lembrando hoje: “Chico Buarque de Mangueira” (II)
(texto português traduzido do francês, destinado a um público aprendiz)
Em 1998, a Escola de samba da Mangueira comemorou seus 70 anos de existência. Para essa ocasião, sua comunidade decidiu criar o seu Centro de Memória e buscar os recursos para essa finalidade. Para o desfile, depois de Tom Jobim em1992, e a fina equipe dos baianos - Gil, Caetano, Gal e Bethânia, em 1994, uma outra estrela da MPB, e mangueirense de coração, tem a honra de participar: Chico Buarque de Hollanda. Ele será o tema escolhido pela G.R.E.S. Estação Primeira da Mangueira para 1998. E afim de organizar o famoso Centro de Memória, é novamente Hermínio Bello de Carvalho que toma a iniciativa para a produção do álbum « Chico Buarque da Mangueira », que virá a ser gravado nos últimos meses de 1997. Nessa época, Chico estava pronto para lançar um novo álbum de inéditas: « As Cidades », cinco anos depois de « Paratodos » (1993), uma das numerosas obras mais importantes de sua carreira. Assim como para Piano na Mangueira que abria o álbum « No Tom da Mangueira » (reprisado aqui por Jamelão, o cantor oficial dos sambas-enredo da escola a partir dos anos 50), « Chico Buarque da Mangueira » tem a abertura sob o belo inédito Chão de esmeraldas escrito por Chico e Hermínio Bello de Carvalho. Esse último concebeu o álbum de maneira diferente que « No Tom da Mangueira » (1992). Não se considerava aqui exumar as vozes daqueles que fizeram a glória da Mangueira através das artimanhas tecnológicas. Da mesma forma, ele não visualizava aumentar o círculo de convidados em torno do mundo do samba de tradição. Ele será concebido e confeccionado pelos Mangueirenses da mais pura raiz, à exceção da participação de dois Portelenses (integrantes da escola da Portela): João Nogueira (1941-2000) e Cristina Buarque (irmã do cantor). Essas amáveis interações entre Escolas e Velhas Guardas sempre existiram na verdade, e se há competição é dentro da Avenida do Marquês de Sapucaí (Sambódromo), uma vez que estamos antes de tudo dentro do mundo da música, e não do esporte. Depois de Chão de esmeralda, o álbum oferece cinco magníficos pout- pourris que representam os clássicos da Mangueira compostos por Cartola (1908-1980), Carlos Cachaça (1902-1999), Padeirinho (1907-1987), Nelson Cavaquinho (1910-1986), Nelson Sargento ou Geraldo Pereira (1918-1955), só para citar os principais. Quanto às interpretações, elas são deixadas a cargo de Chico Buarque, naturalmente, mas também a Leci Brandão, Alcione, João Nogueira (1941-2000), Carlinhos Vergueiro, Nelson Sargento, Jamelão (1913-2008) e a Velha Guarda da Mangueira (os mais antigos integrantes da escola). Deixou-se o repertório nas mãos dos verdadeiros sambistas, permitindo uma coesão que não existia em « No Tom da Mangueira ». Da mesma forma, a produção e os arranjos pareceram bem superiores. « Chico Buarque da Mangueira » extrapola o fato de ser um álbum histórico como aquele em homenagem a Tom Jobim. Ele vem a ser simplesmente um dos melhores álbuns de samba desses últimos 20 anos. Depois dos medleys, o álbum termina, entre outros, com a magnífica Divina dama, de Cartola, cantada por Chico Buarque, e também Estação derradeira, que havia sido composta para o álbum « Francisco » (1987). Uma versão interpretada por Alcione, mas que não tem, no entanto, a força pulsante e visceral do original. O samba-enredo « Chico Buarque da Mangueira » (que não consta desse álbum) levará a G.R.E.S. Escola de Mangueira ao título de campeã naquele ano.
En 1992, Chico Buarque et Tom Jobim embrassent Dona Neuma, figure éminante de la Mangueira.
(texto português em baixo) Un petit test, sans réfléchir… Si je vous dis « Carnaval », vous pensez « Brésil », n’est-ce pas ? De même « carnaval au Brésil » devrait entraîner « Rio de Janeiro ». Et enfin, « école de samba à Rio », « Mangueira »…Disons que cela devrait normalement se passer ainsi. Car, oui, l’école de G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira, née le 28 avril 1928, représente le plus célèbre symbole du défilé carioca.Mangueiraest l’une des plus anciennes écoles de samba, non seulement de la ville de Rio, mais aussi du Brésil. Et les compositeurs et les interprètes qui ont construit sa gloire font partie du cercle des plus illustres noms de l’histoire de la samba :Cartola(1908-1980), Carlos Cachaça (1902-1999), Nelson Cavaquinho (1910-1986), Heitor dos Prazeres (1898-1966), Geraldo Perreira (1918-1955), Nelson Sargento, Jamelão (1913-2008), Clementina de Jesus (1902-1987), Herivelto Martins (1912-1992), Leci Brandão, Beth Carvalho, Alcione, Ivo Meireless -l’actuel président- et encore bien d’autres grands noms.
Sur la pochette de l'album "Fala Mangueira", de gauche à droite: Carlos Cachaça, Odete Amaral, Cartola, Clementina de Jesus et Nelson Cavaquinho.
Entre 1992 et 1998, la Mangueira a frappé particulièrement fort quant au choix des thèmes des samba enredo de leurs défilés, en choisissant de rendre hommage à certains amphitryons de la MPB moderne :Antônio Carlos Jobim en 1992, le quatuor baianais –Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa, Giberto Gil- en 1994, et enfin Chico Buarque de Hollanda en 1998. Tous participèrent au défilé.Pour rappel, Dorival Caymmi avait lui aussi vu son nom honoré en 1986.Ce fut d’ailleurs autant un hommage que l’école rendait à ces prestigieux artistes, qu’une sorte de bénédiction que ces derniers recevaient de l’institution «verte et rose » (couleurs officielles de la Mangueira, choisies à l’époque par Cartola). Car devenir le thème de la grande école de samba -de son vivant- représente bien plus qu’une place au Musée de Madame Tusseau ou un fauteuil à l’Académie française. De ces hommages rendus à ces astres de la musique brésilienne, ceux de Tom Jobim et de Chico Buarque laissèrent une marque discographique.
Le premier, « No Tom da Mangueira », fut enregistré quelques mois avant le défilé de février 1992.Sous l’impulsion du compositeur et producteur de samba, Hermínio Bello de Carvalho, on retrouvait autour de Jobim, un des plus riches plateaux jamais réuni sur un album. Des stars recruté au-delà de la samba proprement dite et qui, par ailleurs, offrirent leurs talents gracieusement. Dans le désordre, Gal Costa, Ney Matogrosso, Rafael Rabello, Zézé Gonzaga, Baden Powell, Claudio Nucci, Paulinho da Viola, Alcione, Beth Carvalho, Peri Ribeiro, Alaíde Costa, Joyce, Johnny Alf, Sandra de Sá, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Ivan Lins et Elza Soares. Tous entonnèrent les hymnes qui avaient fait la gloire de la Mangueira. Par la magie de la technologie, Hermínho Belo de Carvalho avait ressuscité quelque voix de figures défuntes, toute associé à la grande école. Ainsi, Clementina de Jesus rejoignait Ney Matogrosso, Carlos Cachaça s’alliait à Jobim et ainsi de suite pour les voix de Herivelto Martins, Nelson Cavaquinho ou Cartola.Pour l’occasion, Tom Jobim avait également demandé à Chico Buarque de se joindre à lui pour ce qui sera leur dernière collaboration : Piano na Mangueira, devenu depuis lors un des hymnes obligés de l’Estação derradeira.Au final, « No Tom da Mangueira » n’est pas du tout un album au rythme frénétique, mais au contraire, il apparaît presque nostalgique et intimiste, dominé par la beauté mélodique du génie de ses compositeurs.On regrettera sans doute que les percussions ne soient pas davantage mises en avant, ainsi qu’un excès de réverbération au mixage, comme si l’ensemble était joué dans un énorme hangar vide. Un manque de chaleur qui sera corrigé dans l’album « Chico Buarque da Mangueira » en 1998 (voir demain dans ce blog)Néanmoins –et chacun fera son choix- les interprétations de Gal Costa dans Fala Mangueira (Mirabeau/ Milton de Oliveira)/ Mangueira (Assis Valente/ Zequinha Reis), de Leci Brandão dans A Mais querida (Padeirinho) et le pot-pourri autour de Não quero mais amar a ninguém (Cartola/ Carlos Cachaça/ Zé da Zilda) au travers des voix de Jobim, Paulinho da Viola et Claudio Nucci se révèleront comme de véritables moments d’anthologie.Pour l’anecdote, le défilé de la Mangueira en hommage à Antônio Carlos Jobim avec la samba enredo Se todos fossem iguais à você (Hélio Turco/ Jurandir e Alvinho), terminera sixième du Groupe A, mais l’histoire retiendra surtout l’image de Tom saluant l’Avenida Marquês de Sapucaí (le Sambodrome) de son chapeau de paille, au sommet de son char, deux ans avant sa disparition.« No Tom da Mangueira » (1991) fut réédité en 2006 sur le label Biscoito fino. En vidéo: Piano na Mangueira (Jobim/ Buarque), et dix minutes du défilé de la Mangueira en 1992, ou Tom Jobim apparaît bien secoué (vers la 6ème minute)!!
Lembrando hoje: « No Tom da Mangueira » ( I )
(texto português traduzido do francês, destinado a um público aprendiz)
Um pequeno teste, sem refletir... Se eu digo « Carnaval », vocês pensam em « Brasil », não é mesmo? Certo? Da mesma forma que « Carnaval no Brasil » deverá trazer a reboque « Rio de Janeiro ». E por fim, « escola de samba no Rio », « Mangueira »… Enfim, digamos que isso acontece naturalmente desse jeito. Uma vez que, sim, a escola G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira, nascida em 28 de abril de 1928, representa o mais célebre símbolo do desfile carioca. A Mangueira é uma das mais antigas escolas de samba, não somente da cidade do Rio de Janeiro, mas também do Brasil. E os compositores e os intérpretes que construíram sua glória fazem parte do círculo dos nomes mais ilustres da história do samba. Cartola (1908-1980), Carlos Cachaça (1902-1999), Nelson Cavaquinho (1910-1986), Heitor dos Prazeres (1898-1966), Geraldo Pereira (1918-1955), Nelson Sargento,Jamelão (1913-2008), Clementina de Jesus (1902-1987), Herivelto Martins (1912-1992), Leci Brandão, Beth Carvalho, Alcione, Ivo Meireles – o atual presidente – e ainda muitos outros grandes nomes.
Entre 1992 e 1998, a Mangueira impressionou de forma particularmente forte com relação à escolha dos temas dos sambas-enredo de seus desfiles, ao optar por prestar homenagem a certos anfitriões da moderna MPB: Antônio Carlos Jobim, em 1992; o quarteto baiano - Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa e Gilberto Gil, em 1994; e por fim Chico Buarque de Hollanda, em 1998. Todos participaram do desfile. Por ordem de chamada, Dorival Caymmi também teve seu nome honrado um pouco antes, em 1986. Foi tamanha a homenagem que a escola rendeu a esses artistas de prestígio, que parece que todos receberam uma espécie de bênção da instituição «verde e rosa » (cores oficiais da Mangueira, escolhidas na época por Cartola). De fato, vir a ser o tema da grande escola de samba, em se estando vivo, representa bem mais do que um lugar no Museu de Madame Tusseau ou uma cadeira na Academia Francesa (ou Brasileira) de Letras. Dessas homenagens rendidas a esses astros da música brasileira, as de Tom Jobim e de Chico Buarque deixaram uma marca discográfica.
O primeiro, « No Tom da Mangueira », foi gravado alguns meses antes do desfile de fevereiro de 1992. Sob o impulso do compositor e produtor de samba Hermínio Bello de Carvalho, acorreu em torno de Jobim, um dos mais ricos elencos jamais reunidos em um só álbum. As estrelas recrutadas no meio do samba propriamente ditas, aliás, puseram à disposição seus talentos graciosamente. No meio dessa confusão, Gal Costa, Ney Matogrosso, Rafael Rabello, Zézé Gonzaga, Baden Powell, Claudio Nucci, Paulinho da Viola, Alcione, Beth Carvalho, Peri Ribeiro, Alaíde Costa, Joyce, Johnny Alf, Sandra de Sá, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Ivan Lins e Elza Soares. Todos entoando os hinos que haviam feito a glória da Mangueira. Através da mágica da tecnologia, Hermínio Bello de Carvalho ressuscitou algumas vozes de figuras já mortas, todas associadas à grande escola. Dessa forma, Clementina de Jesus juntava-se a Ney Matogrosso, Carlos Cachaça aliava-se a Jobim, e dessa mesma maneira produziu-se uma sequência para as vozes de Herivelto Martins, Nelson Cavaquinho e Cartola. Por essa ocasião, Tom Jobim havia igualmente solicitado a Chico Buarque que se juntasse a ele para o que viria a ser sua última parceria: Piano na Mangueira, vindo a ser em seguida um dos hinos obrigatórios da Estação derradeira. Afinal de contas, « No Tom da Mangueira » não se trata de um álbum sob um ritmo frenético, mas ao contrário: ele parece quase nostálgico e intimista, dominado pela beleza melódica do gênio de seus compositores. É pena sem dúvida que as percussões soem mixadas bem atrás dos violões e das vozes, bem como um excesso de reverberação na mixagem dá a impressão de que o grupo foi jogado no vácuo de um enorme hangar. Uma falta de calor que será corrigida no álbum « Chico Buarque da Mangueira », em 1998 (ver em seguida nesse blog) Entretanto – e cada um fará sua escolha – as interpretações de Gal Costa em Fala Mangueira (Mirabeau / Milton de Oliveira) / Mangueira (Assis Valente/ Zequinha Reis), de Leci Brandão em A Mais querida (Padeirinho) e o pout-pourri em torno de Não quero mais amar a ninguém (Cartola/ Carlos Cachaça/ Zé da Zilda) através das vozes de Jobim, Paulinho da Viola e Claudio Nucci revelaram-se verdadeiros momentos antológicos. A título de anedota, o desfile da Mangueira em homenagem a Antônio Carlos Jobim com o samba-enredo Se todos fossem iguais a você (Hélio Turco / Jurandir e Alvinho), acabou ficando no sexto lugar do Grupo A, mas a história guardará sobretudo a imagem de Tom saudando a Avenida Marquês de Sapucaí (o Sambódromo) com seu chapéu de palha, do alto de seu carro, dois anos antes de seu desaparecimento. « No Tom da Mangueira » (1991) foi reeditado em 2006, sob o selo Biscoito fino.
Tropicália est un programme de Musique Populaire Brésilienne qui passe sur les ondes de Radio Judaica en Belgique (90,2 Fm), tout les lundi de 21h50 à 0h15…Accessible aussi « online » sur www.radiojudaica.beet en podcast sur ce blog. En vidéo, quelques titres passés sur les ondes ce 01/06.
Tropicália é um programa de MPB que passa na Rádio Judaica na Bélgica (90,2 Fm), todas as segunda feiras, de16h50 as 19h15 (hora Brasil). Também « online », www.radiojudaica.be e em podcast neste blog.
Em video, alguns titulos que passaram nas ondas nesse 1 de junho 2009. Aproveite ! En vidéo:
FINO COLETIVO & MARCOS VALLE: "Boa hora" ZELIA DUNCAN:"Bentitas" VERONICA FERRIANI:"Perder ou ganhar" NATALIA MALLO:"Qualquer lugar" ZECA BALEIRO: "Meu amor, meu bem, me ame"
Ouverture : YAMANDU COSTA :« Lamentos do morro » (Garoto)
BLOCO 1:
-PAULO MOURA & RAPHAEL RABELLO : « 1X0 » (Pixinguinha/ Benedito Lacerda) -KALEIDOSCOPIO : « Tem que valer » (Tchorta/ Boratto/ Braga/ Lima) -FINO COLETIVO :« Boa Hora »(Alvinho Lancelotti/ Domenico Lancelotti) -VANDER LEE : « Eu e ela »(Vander Lee) -LULU SANTOS :« Aviso aos navegantes » (ao vivo)(Lulu Santos) -RITA LEE : « Disco Voador »(Rita Lee/ Roberto de Carvalho) -MIYAZAWA :« Na palma da minha mão »(Pedro Luis/ Miyazawa) -PAULINHO MOSKA :« Paixão e medo »(Paulinho Moska) -ROBERTO CARLOS :« Debaixo dos caracóis dos seus cabelos »(Roberto Carlos/ Erasmo Carlos) -TONI PLATÃO :« Namoradinha de um amigo meu »(Roberto Carlos/ Erasmo Carlos) -EUGÉNIA MELO E CASTRO & CHICO BUARQUE : « Injuriado »(Chico Buarque) -VELEZ :« Esse Cara »(CaetanoVeloso) -MARIA ROTHENBERG :« Maria »(Tiago Rosa) -CHICO BUARQUE :« Estação derradeira » (Chico Buarque) -CHICO BUARQUE :« Chão de esmeraldas »(Chico Buarque/ H.B. de Carvalho) -CHICO BUARQUE, LECY BRANDÃO, JOÃO NOGEIRA, ALCIONE :« Sala de recepção »(Cartola)/ « Alvorada » (Cartola)/ « Folhas secas » « Pranto de poeta » (Nelson Cavaquinho/ Guilherme de Brito) /"Saudosa Mangueira"(Herivelto Martins)/ "Lá em Mangueira"(Herivelto Martins/ Heitor dos Prazeres)
BLOCO 2 :
-ZECA BALEIRO :« Pagode Russo » (Luiz Gonzaga/ João Silva) -LUIZ MELODIA : « Sub-anormal »(Luiz Melodia/ Augusto Campos) -FREJAT :« Eu não quero brigar mais não »(Frejat/ Black Alien) -LUCIANA PESTANO :« Arpoador »(Luciana Pestano) -LUA :« Argila »(Carlinhos Brown) -ZELIA DUNCAN :« Benditas » (Mart’nália/ Zélia Duncan) -EDU KRIEGER :« A Lua é testemunha »(Edu Krieger) -LULA QUEIROGA/ ROBERTA SÁ (Medley) :« Belo estranho dia de amanha » (Lula Queiroga) -MARINA LIMA : « Pierrot »(Marina Lima) -FAFA DE BELÉM :« Para um amor no Recife »(Paulinho da Viola) -MARIA ALCINA :« Roendo as unhas » (Paulinho da Viola) -VERONICA FERRIANI :« Perder ou ganhar » (Paulinho da Viola) -PAULINHO DA VIOLA :« Timoneiro » (Paulinho da Viola/ H.B. De Carvalho) -TERESA CRISTINA & JUSSARA SILVEIRA :« Para ver as meninas »(Paulinho da Viola) -PEDRO MARIANO : « Colorida e bela » (Jair Oliveira)
BLOCO3 :
-JOÃO NOGUEIRA :« Espelho »(João Nogueira/ P.C.Pinheiro) -EMILIO SANTIAGO : « Batendo a porta » (João Nogueira/ P.C.Pinheiro) -MOACYR LUZ :« Vida da minha vida »(Moacyr Luz/ Sereno) -FERNANDA ABREU & ROBERTO SILVA :« Escurinho »(Geraldo Pereira) -ELZA SOARES :« Volta por cima » (Paulo Vazolini) -MARIA RITA :« Corpitcho » (Ronaldo Barcellos/ Picolé) -NATALIA MALLO :« Qualquer lugar »(Suely Mesquita) -SUELY MESQUITA :« Imenso »(Zélia Duncan/ Suely Costa) -PEDRO LUIS E A PAREDE :« Animal » (Suely Costa/ Pedro Luis) -MARCELA BIASI :« Arrastando maravilhas » (Kali C./ Alexandre Lemos) -FRED MARTINS :« Guanabara »(Fred Martins) -MARIANA EVA :« Tanto fez »(M.Eva/ Jr Tolstoi) -ZECA BALEIRO :« Meu amor, meu bem, me ame » (Zeca Baleiro) -VERONICA FERRIANI :« If you want to be a lover » (Oscar Brown Jr/ Luiz Henrique) -LUA :« Se tudo pode acontecer »(Antunes/ P.Tatit/ A.Ruiz/ J.Bandeira)
CE BLOG EST DÉDIÉ AUX CURIEUX QUI AIMERAIENT CONNAÎTRE L'ART ET LA MUSIQUE POPULAIRE BRÉSILIENNE. UNE OCCASION POUR LES FRANCOPHONES DE DÉCOUVRIR UN MONDE INCONNU OU IL EST DE MISE DE LAISSER SES PRÉJUGES AU VESTIAIRE.
Né à Bruxelles en 1964, Daniel, gradué en Histoire de l’Art de l’Institut Royal des Beaux Arts, a toujours été très lié à la musique. Chroniqueur de rock et soul anglo/américain dans les années 1980 dans la revue Télémoustique, il découvre le Brésil et sa culture à partir de juin 1988. Il s’ensuit bientôt 40 voyages au cours desquels il s’enrichit d’un fond d’archives conséquent, composé actuellement de plus de 7 000 CD’s, un millier de DVD musicaux et bonne centaine d’ouvrages lié à la Musique Populaire Brésilienne. A cela s’ajoutent encore des centaines d’heures de programmes enregistrés sur cassettes vidéos. Il décide alors de donner vie à sa passion par le biais des ondes hertziennes. C’est d’abord l’émission « Aquele Abraço » qui voit le jour pour la première fois le 27 juin 2003, sur la radio hispanique « Alma/si », un public plus large, il lance « Tropicalia » sur Radio Judaica, toujours sur antenne à l'heure actuelle, tous les lundi soir à 21 h 45Trois heures d’émission où Daniel s’aventure à dévoiler un Brésil musical inconnus chez nous. Nous sommes alors en juin 2004. Préparant déjà ce projet radiophonique, il effectue un voyage crucial en novembre 2003. Voyage durant lequel, il rencontre des présidents des maisons de disques, « Majors » ou indépendantes, des historiens de la MPB ainsi qu’une multitude d’artistes, allant des pionniers de la Bossa Nova, jusqu’aux groupe les plus alternatifs. Daniel se fait fort d’acquérir en temps réel, ce qui sort dans le monde brésilien. Une passion qui n’est pas sans intriguer les brésiliens eux-même comme en témoignage un article paru à son encontre, le 13 mars 2004 dans le quotidien « Jornal do Brasil ». Un autre encore paraîtra dans le « Globo on line » sur le blog d’Ivna Maluly, journaliste brésilienne, en décembre 2007. Dans ce dernier papier, Ivna met en évidence une autre passion de Daniel, qui concerne toujours son pays de cœur : l’Art Populaire Brésilien. C’est en effet par hasard, lors des rencontres avec les célèbres « Sambistas » (compositeurs de Samba), Martinho da Vila et Paulinho da Viola, qu’il tombe sous le charme des peintures d’Heitor dos Prazeres. De là, il découvre un art populaire, qui possède une véritable identité culturelle, opposé à un art « intellectualisant » qui se nourrit abondamment de l’influence étrangère. Mais pour Daniel, la musique avant toute chose ! Son souhait, faire prendre conscience au plus grand nombre, qu’il existe à dix mille kilomètres de la Belgique, un pays qui produit une musique qui, tant rythmiquement que mélodieusement, s’avère être une des meilleures du monde, et qui va bien au delà de la simple curiosité folklorique.
Perfil
Daniel Achedjian nasceu em 1964 em Bruxelas, Bélgica. Formou-se em História da Arte e em Jornalismo, e sempre manteve uma estreita ligação com a música – sua grande paixão. Daniel trabalhou na década de 80 como crítico de rock e soul anglo-americanos para uma revista européia especializada. Foi por essa via, ainda indireta, que Daniel fez contato com o Brasil e sua cultura, em 1988. A partir de 2003, depois de uma viagem especialmente marcante ao Rio de Janeiro, passou a dedicar-se à crônica da Música Popular Brasileira, no intuito de divulgá-la na Europa de língua francesa. Para tanto chegou a criar um programa de rádio na Belgica – “Tropicália”, ainda no ar agora, em 2009! O Programa passa na Radio Judaica, todas as segunda feiras as 18h 45, hora do Brasil, e pode ser escutado no site www.radiojudaica.be Hoje, depois de quase 40 viagens no Brasil, o jornalista é detentor de um arquivo pessoal de sete mil CDs, 1.500 DVDs musicais, milhares de horas de gravaçõesem VHS e centenas de livros sobre a MPB. No entanto, o material mais precioso do jornalista é uma coleção de entrevistas realizadas ao longo dos últimos 20 anos. Dela constam relatos inéditos de compositores, intérpretes e outros personagens famosos do cenário musical brasileiro – do tradicional ao contemporâneo.
Em certo momento de sua trajetória pessoal e profissional, Daniel Achedjian, por influência dos mestres do sambaMartinho da Vila e Paulinho da Viola, foi seduzido pelas pinturas de Heitor dos Prazeres, figura mítica da Arte Popular Brasileira. A partir dessa nova descoberta, Daniel passa também a colecionar pinturas e esculturas desses artistas, de diversas origens: do Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, as aldeias do Pernambuco. Daniel prevê manter seu ritmo de viagens ao Brasil - duas vezes por ano, no mínimo. De sua pauta consta o aprofundamento de suas pesquisas sobre as manifestações artísticas brasileiras como um todo, com destaque para a Arte Popular Brasileira e a sempre eterna MPB. A história de amor entre o jornalista belga e a cultura brasileira pode ser conferida em detalhes nos seguintes registros: numa entrevista concedida ao JB em março de 2004, e num post da eurojornalista brasileira Ivna Maluly para o blog “Europa: Capital Bruxelas” em 2007 - Globoonline.
VERÔNICA FERRIANI "If you want to be a lover" (O.Brown Jr/ L.Henrique)----FRED MARTINS: "Agora é com você" (Fred Martins)
Objectifs du blog
Il y a des jours où je me sens comme cette sonde spatiale que les terriens ont envoyée un peu au hasard, dans l’idée de rencontrer d’autres vies intelligentes. Ils y ont engouffré, tel un panier gourmand, des éléments ambassadeurs de notre planète (de moins en moins) bleue. Parmi ces symboles, il paraît que figure un enregistrement contenant des bribes de notre musique à travers le temps. J’ai cru comprendre qu’on y trouvait un titre des Beatles, une symphonie classique, des rythmes tribaux, un hymne national…et quoi d’autre ? Une chanson de Piaf, de Brel, d’Amy Winehouse, « le Pierrot lunaire » de Schoenberg, du Pierre Boulez, un éloge funèbre, une marche militaire ou un morceau de cornemuse ? On touche à du Prévert.. ! Pas sûr que les petits hommes, de quelques couleurs qu’ils soient, ne seront pas chauds pour faire copain-copain avec nous...
Moi, belge faisant partie du plus brave des peuples de la Gaule, je possède un coffre aux trésors, venu d’un pays où il pleut beaucoup, selon les saisons. Par quelle absurdité de notre civilisation, la musique brésilienne n’a jamais envahit nos ondes conservatrices. Il est pourtant de bon ton de dire que l’on aime la World Music.
« J’adoore la world Music », « Rien de plus vrai que Cesaria Evora ! », « Je ne me lasse pas d’écouter « Buena Vista social Club.. ! ». Petites phrases extraites des conversations de la jeunesse dorée, réunie dans les bars branchés aux murs orange patiné, et aux appliques mauves.
Chers terriens, chères terriennes, sachez que sur la planète Brésil, il existe une richesse musicale que vous n’imaginez même pas. Le Japon l’a compris, cet empire dont 15% des ventes de disques viennent du pays de Pelé, Tom Jobim, Senna, Portinari, Pitangui…ou Gyssele Bunchen.
J’espère faire partager dans ce blog, cette passion dévorante, la Musique Populaire Brésilienne, et, de temps à autre, l’Art Populaire Brésilien (MPB et APB, pour simplifier).
Vous ne parlez pas portugais ? Mais connaissiez-vous l’anglais quand, tout comme moi, vous vous preniez pour John Lennon devant le miroir de votre chambre, plaquant des accords rageurs sur votre raquette de tennis ?
Mon plus grand souhait sera de lire vos commentaires, d’échanger des points de vue, et d’observer vos appréciations. J’espère aussi que ce blog vous sera instructif, et qu’il pourra répondre à vos questions, que vous n’hésiterez pas à me poser, je l’espère.