samedi 29 août 2009

Tropicalia, le retour ! Samba, choro et rock’n’roll !

Attention! Ils sont de retour!
Eles estao de volta!

(texte français, texto português traduzido do francês)

Et oui ! Après les deux mois de vacances européennes, Tropicalia reprend sa place ce 31 août dans la grille horaire de Radio Judaica. Petit changement cependant, l’émission –qui aura toujours une durée d’environ deux heures trente- passera en direct à 20h15 plutôt qu’à 22h. C’est-à-dire -pour l’instant- à 15h15 au Brésil. Mais pour les curieux qui ont atterri sur ce blog, il est sans doute utile d’en dire un peu plus. Pour ce faire, comme il m’arrive d’être paresseux, je vous colle ici la présentation du programme tel qu’elle est décrite sur le site de Radio Judaica...

"Tropicalia" vous propose chaque semaine un voyage passionnant à travers les musiques du Brésil, styles, régions et générations confondues. Bien sûr, vous y retrouverez les rythmes classiques de ce pays métissé comme la Bossa, la Samba, le Chorinho, ou tous les rythmes du "Nordeste" (forro, frevo, baião…). Mais aussi tout ce qui se fait en matière de pop, rock, soul....
"Tropicalia", c’est donc l’histoire de la Musique Populaire Brésilienne (MPB) du début du 20 e siècle jusqu’aux dernières nouveautés reçues en droite ligne de là-bas! L’émission eut l’honneur d’être considérée, par la presse spécialisée brésilienne comme l’une des meilleures dans son genre hors des frontières de ce grand pays. Elle fut le sujet de nombreux articles dans la grande presse tel le "Globo", le "Jornal do Brasil" ou "O Dia".

Belle présentation n’est-ce pas ? Cependant, à l’époque de cette accroche de l’émission, Tropicalia n’avait pas encore sa forme sous podcast. C’est chose faîte depuis environ quatre mois, et vous pouvez retrouver toutes les émissions diffusées depuis le mois de mai dernier sur Tropicalia Podomatic (aussi sur la colonne de droite du blog).
Comme chaque émission dure environ 150 minutes, elle sera divisée en deux (voire trois) podcasts pour un meilleur confort d’écoute. Elles seront donc disponibles sur le site Podomatic, mais aussi sur ce blog, avec la liste des titres joués sur antennes. Les podcasts suivront l’émission en direct de un ou deux jours.

L'arrivage des nouveauté du mois de juillet.../ A safra do mês de julho...

Que ce soit en « live » ou en différé, j’espère vous retrouver nombreux au rendez-vous de ce programme, car ce ne sont pas les nouveautés qui vont manquer. En effet, la production de bons albums a été particulièrement abondante ces trois derniers mois. Ce qui me fait dire que 2009 s’annonce d’un meilleur cru que 2008.
En date du 26 juillet, j’avais déjà publié la dernière livraison d’une quarantaine d’albums tout chauds. À ceux-ci -comme le hasard fait bien les choses pour cette émission de la rentrée- s’ajoute un dernier arrivage très prometteur. Voici donc un aperçu de ce que vous pourrez écouter –entre autres- sur les antennes de Tropicalia à partir de lundi prochain…

JOÃO BOSCO : « Não vou pro ceu » (MP,B/ Universal)
MARIA GADÚ : « Maria Gadú » (Som livre)
ANA CAROLINA : « Nove » (Armazém/ Sony Music)

PITTY : « Chiaroscuro » (Deckdisc)

ANA CAÑAS : « Hein ? » (Sony)

TIÊ : « Sweet jardim » (indep.)

NEI LOPES : « Chutando o balde » (Fina flor)

DIOGO NOGUEIRA : « Tô fazendo a minha parte » (EMI)

FERNANDA TAKAI : « Luz negra » (Deckdisc)

MÁRIO SERGIO : « Nasci para cantar e sambar » (LGK/ Som livre)
RODRIGO SANTOS : « O Diário do homen invisível »
(Som livre)
MART’NÁLIA : « Minha cara » (rééd.1997-Biscoito fino)
JOÃO CALLADO : « João Callado » (Biscoito fino)

EMILIO SANTIAGO : « Feito para ouvir » (reéd.1977-Dubas/ Universal)

RAIMUNDO FAGNER : « Uma Canção na rádio » (Som livre)
WILSON SIMONAL : « Simonal-Ninguém sabe o duro que dei » (EMI)

KLEITON & KLEDIR : « Autoretrato » (Som livre)

Serie Perfil : MARIA RITA, LENINE, FREJAT (Som livre/ Globo Warner)

ANDRE LEMOS : « Confete e serpentina » (indep.)


…et en prévision, pour septembre, les nouveaux albums de ALCIONE (« Acesa »), BRUNA CARAM (« Feriado Pessoal »), ANGELA JOBIM (« Interpreta Sérgio Napp »), PAULINHO MOSKA (« Zoombido 2 »), MARCEL POWELL TRIO (« Corda com bala »), SIMONE (« Na veia »), ROBERTA SÁ (« Pra se ter alegria »), WAGNER TISO (« Samba & jazz »)…et d’autres encore !
Bref, maintenant, vous n’avez plus d’excuses !


"Lamentos do morro" (Garoto) por Yamandu Costa,
abrirá, como de costume, o Tropicália show.

Tropicália, o retorno ! Muito samba, muito choro e rock’n’roll !

Pois enfim ! Passados os dois meses das férias de verão européias, o programa Tropicália retorna à grade da Rádio Judaica, aqui em Bruxelas, nesse próximo 31 de agosto. Apenas, no entanto, com uma pequena mudança na transmissão (que continua com aproximadamente duas horas e meia de duração) : o horário passa das 22 :00 para as 20 :15. O que vale dizer – pelo menos por enquanto – que ele começa agora a partir das 15 :15 aí no Brasil.
Mas para os curiosos que aterrissaram agora a este blog, é sem dúvida bastante útil que se diga algo mais a respeito. Como ainda ando meio preguiçoso, acho mais fácil « colar » aqui a apresentaçao do programa que fica no próprio site da Rádio Judaica (aqui traduzido do francês).

"Tropicália" apresenta a vocês toda semana uma viagem apaixonante através das músicas do Brasil, com seus estilos, regiões e gerações os mais variados. Assim, vocês vão poder rememorar os ritmos clássicos desse país « mestiço », como a Bossa, o Samba, o Chorinho, ou todos os ritmos do Nordeste (forró, frevo, baião…). Mas também tudo que se vem fazendo em matéria de pop, rock, soul...
"Tropicália" é, então, a história da Musica Popular Brasileira (MPB) do início do século XX até às mais recentes novidades recebidas em linha direta aí do Brasil ! Essa transmissão do programa Tropicália teve a honra de ter sido considerada, pela imprensa brasileira especializada, como uma das melhores de seu gênero fora das fronteiras desse grande País. Ela foi objeto de numerosos artigos contidos em veículos da grande imprensa, como « O Globo », "Jornal do Brasil" e "O Dia".

Bela apresentação, não é mesmo ? No entanto, pela época desse empreendimento de trasmissão, Tropicália não contava ainda com seu formato em podcast. Isso foi concretizado faz uns quatro meses, e vocês podem escutar todos os programas transmitidos a partir de maio desse ano através do site podomatic (na coluna à direita do blog).
Cada programa dura mais ou menos uns 150 minutos, que será dividida em dois (às vezes três) podcasts, para permitir um maior conforto ao ouvinte. Essas transmissões estarão disponíveis então no site Podomatic mencionado acima, mas também no próprio blog aqui, com a lista do títulos emitidos pelas ondas. Os podcasts das transmissões subsequentes, a partir desse dia 31, segunda, estarão disponíveis em um ou dois dias após cada programa.

...Et l'arrivage des nouveautés du mois d'août.../ E a safra do mês de agosto...

Quer seja « ao vivo », ou de qualquer outra forma, eu desejo que vocês compareçam ao programa, já que novidades é que não vão faltar ! De fato, a produção de bons álbuns foi particularmente abundante nesses três últimos meses. Isso me leva a dizer que 2009 já acena com uma safra musical melhor do que a de 2008.
Na data de 26 de julho, eu já havia publicado a lista com a mais recente encomenda que me chegou, de uns quarenta discos recém saídos do forno. Assim, ao acaso que fará com que tudo ande bem para essa transmissão da nossa reentrada no ar, vem juntar-se um último lote bastante promissor.
Abaixo, então, um apanhado do que vocês poderão escutar – dentre outros títulos – através das antenas do Tropicália a partir da próxima segunda...

JOÃO BOSCO : « Não vou pro céu » (MP,B/ Universal)
MARIA GADÚ : « Maria Gadú » (Som livre)

ANA CAROLINA : « Nove » (Armazém/ Sony Music)

PITTY : « Chiaroscuro » (Deckdisc)

ANA CAÑAS : « Hein ? » (Sony)

TIÊ : « Sweet jardim » (indep.)

NEI LOPES : « Chutando o balde » (Fina flor)

DIOGO NOGUEIRA : « Tô fazendo a minha parte » (EMI)

FERNANDA TAKAI : « Luz negra » (Deckdisc)

MÁRIO SÉRGIO : « Nasci para cantar e sambar » (LGK/ Som livre)

RODRIGO SANTOS : « O Diário do homen invisível » (Som livre)
MART’NÁLIA : « Minha cara » (reed. 1997-Biscoito fino)

JOÃO CALLADO : « João Callado » (Biscoito fino)

EMILIO SANTIAGO : « Feito para ouvir » (reed. 1977-Dubas/ Universal)

RAIMUNDO FAGNER : « Uma Canção na rádio » (Som livre)

WILSON SIMONAL : « Simonal-Ninguém sabe o duro que dei » (EMI)

KLEITON & KLEDIR : « Autoretrato » (Som livre)

Série Pefil : MARIA RITA, LENINE, FREJAT (Som livre/ Globo Warner)

ANDRÉ LEMOS : « Confete e serpentina » (indep.)

… e previsto para setembro, os novos álbuns de ALCIONE (« Acesa »), BRUNA CARAM (« Feriado Pessoal »), ANGELA JOBIM (« Interpreta Sérgio Napp »), PAULINHO MOSKA (« Zoombido 2 »), MARCEL POWELL TRIO (« Corda com bala »), SIMONE (« Na veia »), ROBERTA SÁ (« Pra se ter alegria »), WAGNER TISO (« Samba & jazz »)… e ainda outros !
Muito em breve, vocês não terão mais desculpas para não comparecer ! Até segunda, meus caros amigos...Vai ter muito samba, muito choro e rock’roll.. !

jeudi 27 août 2009

En écoute aujourd’hui : António Zambujo.


(texte français, texto português traduzido do francês)

Comme toutes les musiques raffinées et subtiles, le fado se mérite. Et c’est grâce à des artistes comme
António Zambujo, que des amateurs novices (comme moi) peuvent trouver petit à petit les clefs de ce monde musical profondément humain et traditionnel. Les puristes vous parleront du fado de Lisbonne ou de Porto, plus enjoué que celui de Coimbra, ou encore de celui moins connu, peut-être, de la région du Alentejo (centro du Portugal), d’où est originaire António Zambujo. Dans le cas de ce jeune artiste de 34 ans, on se rend compte cependant bien vite que l’artiste mêle à ses racines, de nombreux éléments d’influences diverses. Et si « Outro sentido » se retrouve sur ce blog, c’est que son fado métissé a séduit beaucoup de brésiliens, et visiblement pas les moindres. Sur la galerie de photos de son site (ici), on le voit entouré de Ney Matogrosso, Sandra de , Roberta , Pedro Luis, Vanessa da Matta ou encore Caetano Veloso- ce dernier ne tarissant pas d’éloges à son égard.

Le label MP,B a donc décidé de relancer au Brésil (et aussi dans toute l’Europe), « Outro sentido », le troisième album d’António Zambujo, déjà édité au Portugal depuis 2007. Pour rendre le disque plus attractif, la maison de disques a décidé d’y ajouter trois titres qui associent l’artiste portugais à quelques nom porteurs de la scène brésilienne : Ivan Lins très populaire au Portugal depuis bien longtemps ; Zé Renato qui, lui aussi, a très souvent participé à des projet lusitaniens (avec le groupe Trinadus notamment) ; et le couple « in » carioca Pedro Luis et Roberta Sá.
Cependant, en toute franchise, la présence de ces participations luxueuses n’ajoute rien à la haute qualité intrinsèque de l’album. La présence des titres Quando tu passas por mim (Vnicius de Moraes/ Antônio Maria) et Labios que beijei (J.Casseta/ Leonel Azevedo) -inclus initialement dans l’album- honorait déjà magnifiquement le lien entre le Brésil et le Portugal. Dire qu’António Zambujo est un excellent chanteur participe du pléonasme. Un bon chanteur de fado est par essence doté d’une technique exceptionnelle et beaucoup d’interprètes brésiliens -parmi les meilleurs- s’y sont régulièrement cassés les dents. Mais la voix de Zambujo est suave et séductrice, et la comparaison avec Caetano Veloso paraît inévitable. Foi deus (Alberto Janes), chanté en partie a capella, donne la pleine mesure de son talent, tout comme Chamateia (A.M.Souza/ L.A.Bettencourt) où, seulement accompagné des voix bulgares Angelite, il nous emmène dans les entrailles du sacré. Sublime… António n’est cependant pas un fadiste iconoclaste, et une bonne partie du répertoire de l’album reste dans la conception instrumentale du genre, avec ses guitares portugaises cristallines. Mais les arrangements des guitares classiques et surtout une contrebasse appuyée, enrichissent encore la beauté de l’ensemble… Quand ce ne sont pas des trompettes grégoriennes sur la ballade Ao sul (João Monge/ João Gil) qui interviennent de manière surprenante. La voix d’António se montre aussi parfois minimaliste et discrète comme sur Fadista louco (Alberto Janes) et la « presque » bossa Outro sentido et le chanteur prouve à diverses reprises ici, que le fado ne rime pas -comme on le pense souvent- avec un pathos exacerbé. Un très bel album à savourer, et pour beaucoup, sûrement, un artiste à découvrir…(vidéos en dessous du texte portugais)

António Zambujo entouré de Sandra de Sá et Ney Matogrosso (photo site du chanteur)

Escutando hoje : António Zambujo.
Como toda música refinada e sutil, o fado merece-se. E é graças a artistas como António Zambujo, que os apreciadores iniciantes (como eu) podem descobrir pouco a pouco as chaves desse universo musical profundamente humano e tradicional. Os puristas vos falarão sobre o fado de Lisboa ou do Porto, mais alegre e animado do que o de Coimbra, ou ainda daquele menos cohecido, talvez, da região do Alentejo (centro de Portugal)... de onde é originário António Zambujo. No caso desse jovem artista de 34 anos, damo-nos conta rapidamente de que o artista mescla às suas raízes numerosos elementos oriundos de influências diversas. E se « Outro sentido » aporta cá a esse blog, é porque seu fado « mestiço » já seduziu muitos brasileiros, e visivelmente dos mais expressivos. Na galeria de fotos de seu site, o vemos cercado de Ney Matogrosso, Sandra de Sá, Roberta Sá, Pedro Luis, Vanessa da Matta, ou ainda Caetano Veloso - que não se escusa a elogiar o trabalho de António.

O selo MP,B decidiu então relançar no Brasil (e também dentro da Europa), « Outro sentido », o terceiro álbum de António Zambujo, já lançado em Portugal a partir de 2007. Para fazer do disco algo mais atrativo aos olhos do público brasileiro, a gravadora decidiu adicionar três títulos que vêm a associar o artista português a alguns nomes de « palca » da cena musical braileira : Ivan Lins, que é muito popular em Portugal já faz muito tempo ; Zé Renato, que, esse também, participou com assiduidade de projetos lusitanos (com o grupo Trinadus, mais notadamente) ; e o casal musical carioca mais« in » - Pedro Luis e Roberta Sá. No entanto, com toda a franqueza, a presença dessas participações « luxuosas » não agregam nada de especial à alta qualidade intrínseca do próprio álbum. A presença dos títulos Quando tu passas por mim (Vnicius de Moraes/ Antônio Maria) e Lábios que beijei (J.Casseta/ Leonel Azevedo) – incluídos inicialmente no disco – já honravam magnificamente os fortes laços que unem o Brasil a Portugal.
Dizer que António Zambujo é um excelente cantor é mero pleonasmo. Um bom cantor de fado é por essência dotado de uma técnica excepcional, e muitos dos intérpretes brasileiros – mesmo dentre os melhores – quando entram nesse campo costumam enrolar a língua. Mas o timbre da voz de Zambujo é suave e sedutora, e a comparação com Caetano Veloso parece inevitável. Foi Deus (Alberto Janes), cantado à capela, na exata medida de seu talento, tanto quanto Chamateia (A.M.Souza/ L.A.Bettencourt), acompanhado somente pelas vozes búlgaras do grupo Angelite, nos conduz às vísceras do sagrado. Sublime… António não é no entanto um fadista iconoclasta, e uma boa parte do repertório do seu álbum segue os trilhos da concepção instrumental do gênero, com suas guitarras portuguesas cristalinas. Mas os arranjos das guitarras clássicas, e contando sobretudo com o apoio de um contrabaixo, enriquecem ainda mais a beleza do conjunto... Isso quando não são os trompetes gregorianos inseridos na balada Ao sul (João Monge/ João Gil), que intervêm de maneira surpreendente. A voz de António mostra-se também por vezes minimalista e discreta, como em Fadista louco (Alberto Janes) e na « quase » bossa Outro sentido. Isso nos prova aqui, por diversas vias, que o fado não rima sempre – ao contrário do que se pensa - apenas com uma eloquência exacerbada. « Outro sentido » é um belíssimo álbum a ser degustado ; e, com toda a certeza, pela voz de um grande artista a ser descoberto...



mercredi 26 août 2009



-TOM JOBIM : « Águas de março » (Antônio Carlos Jobim)
-1973-
-TOM JOBIM & EDU LOBO : « Pra dizer adeus » (Edu Lobo/ Capinam) -1981-
-NEY MATOGROSSO & RAFAEL RABELLO : « O Mundo é um moinho » (Cartola) -1990-
-ZÉ RENATO : « Porque estou aqui » (Zé Renato/ Arnaldo Antunes) -2000-
-PAULINHO MOSKA : « O Último dia » (Moska/ Billy Brandão) -1995-
-RITA LEE : « Menino bonito » (Rita Lee) -1974-
-NILA BRANCO : « Dessa vez » (Nando Reis) -2004-
-BARÃO VERMELHO : « Por você » (Frejat/ M. Barros/ M.Sta Cecilia) -1998-
-CÁSSIA ELLER : « Partners » (P.Ricardo/ P.Pagni/L.Schiavon) -1994
-LEGIÃO URBANA : « Tempo perdido » (Bonfá/ Russo/ Villa-Lobos) -1993-
-RENATO RUSSO : « La forza della vita » (P.Vellesi/ Dati) -1995-
-LOS HERMANOS : « Deixe o verão » (Rodrigo Amarante) -2003-

samedi 22 août 2009

En écoute aujourd’hui : Fernanda Cunha*


(texte français...texto português traduzido do francês)

*À propos de Fernanda Cunha : Si l’on excepte son premier album « O Tempo e o lugar » (2002), Fernanda Cunha a toujours choisi un thème précis pour constituer le répertoire de ses disques. Pour « Dois corações » (2004), cette très bonne chanteuse de Juiz de Fora (Minas Gerais) avait axé son choix sur deux pianistes compositeurs d’exceptions : le grand Johnny Alf, toujours présenté comme un des pionniers de la bossa nova (même s’il est en réalité bien plus que cela) ; et Suely Costa –la tante de Fernanda- une des compositeurs féminines les plus brillantes et raffinées de la Musique Populaire Brésilienne.
Ensuite, pour son troisième album « Zingaro » (2007), la chanteuse avait entrepris le pari difficile -avec le guitariste Zé Carlos- d’adapter en version voix-guitare, la douzaine de chefs d’œuvres que le duo Tom Jobim/ Chico Buarque avait créé pour la postérité. La maman de Fernanda Cunha -Telma Costa (1953-1989)- avait elle-même accompagné Jobim et Vinicius de Moraes dans les années septante, avant d’être l’interprète du sublimissime Eu te amo (Jobim/ Chico Buarque) dans le duo que Chico avait enregistré sur son album Vida (1980).


Pour ce quatrième album « Brasil Canadá », le fil conducteur touche davantage à la vie personnelle de Fernanda Cunha qui nous dévoile son amour pour le grand pays du nord, où depuis 2005, elle se rend régulièrement. C’est par ailleurs en partie à Edmonton au Canada, que Fernanda a enregistré ce disque qui propose une interaction de son choix, d’artistes canadiens et brésiliens.
Dans le tumulte et la confusion de notre monde moderne, « Brasil Canadá » apparaît comme une de repos et de relaxation ! Dans un climat cool et intimiste, l’artiste s’entoure de Mike Lent (basse et production du disque), Ricardo Rito (piano), et Sandro Dominelli (batterie) pour une représentation de neuf titres dans une ambiance piano-bar. C’est du moins l’impression que l’on ressent. Le groupe alterne compositions brésiliennes avec celles de compositeurs canadiens. Parmi ceux-ci, l’inévitable Joni Mitchell dont Fernanda Cunha reprend le classique Dreamland de manière malicieuse. Mais s’il vous fallait une raison pour acquérir cet album, O Primeiro jornal de Suely Costa et Abel Silva et Pescador de Marcio Hallack valent déjà leur pesant de reais. Il s’agit là de deux petites perles superbes qu’il serait dommage de perdre. Parmi les chansons issues du répertoire canadien, le très bon Candy (Mack David/ Joan Whitney/ Alex C. Kramer) qui nous remet au temps du jazz des années 30, ou Pacing the cage, pas forcément facile mais réellement beau. La présence de Último desejo de Noel Rosa (avec Suely Costa au piano) semble par contre un peu hors contexte, et l’album termine en demi-teinte avec Some of these days (Shelton Brooks), toujours dans un climat de jazz intimiste ; et Amanheceu (R.Rito/ L.S.Henriques/ F.Cunha), qui nous ramène à la samba de salon.
Au final « Brasil Canadá » est un album qui s’apprécie avec le temps, comme tout œuvre qui démontre une certaine subtilité. Mais d’emblée, l’ambiance du disque vous apparaîtra séductrice.

En dessous du texto portugais, une vidéo de Fernanda Cunha avec Johnny Alf: "Luz eterna" (J.Alf), et "Eu te amo" (Jobim/ Buarque) par Tom Jobim, Chico Buarque et Telma Costa.
Pour entendre des extraits de "Brasil Canada", rendez-vous bientôt sur Tropicalia en direct, ou sur les futurs podcasts...

Fernanda Cunha avec Suely Costa et Johnny Alf...
à qui elle rendit hommage en 2004.


* Sobre Fernanda Cunha : À exceção de seu primeiro álbum, « O Tempo e o lugar » (2002), Fernanda Cunha sempre escolheu um tema específico para construir um repertório de seus discos. Para « Dois corações » (2004), essa excelente cantora de Juiz de Fora (Minas Gerais) focou sua escolha sobre dois pianistas-compositores excepcionais : o genial Johnny Alf, permanentemente apresentado como um dos pioneiros da bossa nova (mesmo que ele seja na verdade bem mais do que isso) ; e Suely Costa – tia de Fernanda – uma das compositoras femininas das mais brilhantes e refinadas da Música Popular Brasileira. Mais tarde, para seu terceiro álbum, « Zingaro » (2006), a cantora apostou no mais difícil – com o violonista Zé Carlos – ao adaptar à versão voz & violão, a dúzia de obras carro-chefes que a dupla Tom Jobim/ Chico Buarque havia criado para a posteridade. A mamãe de Fernanda Cunha, Telma Costa (1953-1989), já tinha ela mesma acompanhado Jobim e Vinicius de Moraes nos anos setenta, antes de tornar-se intérprete da sublimíssima Eu te amo (Jobim/ Chico Buarque), em dueto com o próprio Chico para o álbum deste último, "Vida" (1980).

Para seu quarto álbum, « Brasil Canadá », lançado agora em 2009, o fio condutor passa bem mais próximo à via pessoal de Fernanda Cunha, que nos revela seu amor pelo grande país do norte, onde desde 2005 ela se apresenta regularmente. Foi parcialmente no exterior – em Edmonton, no Canadá - que Fernanda gravou esse disco, que tem como proposta a interação dessa sua escolha por artistas canadenses e brasileiros
No meio do tumulto e da confusão do nosso mundo moderno, « Brasil Canadá » aparece como um reduto de descanso e de relaxamento ! Num clima « cool » e intimista, a artista se cerca de Mike Lent (baixo e produção do disco), Ricardo Rito (piano) e Sandro Dominelli (bateria), para uma apresentação de nove títulos numa ambientação piano-bar. É essa pelo menos a impressão que o trabalho passa. O grupo alterna composições brasileiras com as de compositores canadenses ; dentre esses, a inevitável Joni Mitchell, de quem Fernanda retoma o clássico Dreamland de maneira maliciosa. Mas se for preciso ao menos um par de razões para se adquirir esse álbum, O Primeiro jornal, de Suely Costa e Abel Silva, e de Pescador, de Marcio Hallack, o disco já vale seu peso em reais. Trata-se de duas pequenas pérolas soberbas, e seria uma pena perdê-las.
Entre as canções objeto do repertório canadense, a muito boa Candy (Mack David/ Joan Whitney/ Alex C. Kramer), que nos remete aos tempos do jazz dos anos 30, ou Pacing the cage, não necessariamente fácil... mas realmente bela. A presença de Último desejo, de Noel Rosa (com Suely Costa ao piano) soa aqui um tanto fora de contexto. E o álbum termina numa espécie de semitom, com Some of these days (Shelton Brooks) – ainda num clima de jazz intimista - e Amanheceu (R.Rito/ L.S.Henriques/ F.Cunha), que nos conduz ao samba de salão.
Finalmente, « Brasil Canadá » é um álbum que se aprecia com o tempo, como toda obra que demonstra uma certa sutileza. Mas de imediato, o clima do disco vai lhes parecer sedutor.


mercredi 19 août 2009

En écoute aujourd’hui : Ivan Lins & The Metropole Orchestra.

Ivan Lins entouré des violons du Metropole Orchestra.

(texte français, texto português traduzido do francês)

Une chose m’avait marqué durant mon entretien avec Ivan Lins, l’année dernière...
S’il reste sans conteste un des artistes brésiliens qui possèdent une des plus grandes auras sur le plan international, j’ai senti qu’il n’en était pas moins profondément carioca. Son amour pour Rio transpirait de ses réflexions, tout autant que son affliction à constater les diverses plaies qui gangrènent sa ville.

Et donc, sur une année, on peut le voir jouer tant à l’affiche des plus grandes salles de concert du monde, que régulièrement dans des théâtres plus intimes du centre ville de Rio de Janeiro. Pour l’instant d’ailleurs, il se produit pour quelques dates avec son fils, Claudio Lins, dans le mythique Théâtre Rival du Cinélandia (RJ).

Mais pour cet album en public, Ivan nous invite à sortir les smokings et robes de soirée. Cet enregistrement fut capté en juillet 2008 à Amsterdam où Ivan se produisit avec le Metropole Orchestra, mené à la baguette par Vince Mendoza. Ce big-band avait déjà réalisé divers projets avec des artistes aussi renommés qu’Andrea Bocelli, Charles Aznavour, Dione Warwick, Par Metheny ou Shirley Bassey.
Le compositeur brésilien revisite quelques-uns de ses standards et très vite, la crainte principale que nous pouvions avoir, s’évanoui. Pas d’arrangements pompeux ou grandiloquents qui pourraient rendre ce concert indigeste et ampoulé. Les 70 intégrants de l’orchestre nous plongent au carrefour de la pop et du jazz sans excès symphoniques. Les arrangements de Mendoza sont aérés et apportent des relectures intéressantes et vivantes aux compositions de Lins. Les moments instrumentaux et les solos -qu’ils soient de saxophones, de trompettes ou de guitares- n’allongent pas gratuitement le ‘timing’ habituel des chansons. On réécoute donc avec plaisirs quelques grands classiques comme Daquilo que eu sei, Começar de novo, Formigueiro ou Lua soberana ( toutes signées Ivan Lins/ Vitor Martins) –cette dernière enregistrée en 2006 lors d’un premier concert avec l’orchestre. D’autres chansons sont moins connues comme Arlequim desconhecido (Ivan Lins/ Vitor Martins/ Brock Patrick Walsch) ou É ouro em pó (Ivan Lins).

La chanteuse hollandaise Trinjtje Oosterhuis,
invitée par Ivan Lins sur deux titres...


À la lecture du livret du cd, pratiquement tous les musiciens semblent hollandais (il se pourrait qu’il y ait un belge caché dans le lot !), et c’est également des Pays Bas qu’est native la très bonne chanteuse Trinjntje Oosterhuis, qui interprète Let us be away (Lins/ Ronaldo Monteiro de Souza/ Carole King) et Art of survival (Ivan Lins/ Vitor Martins/ Brock Walsh). Une touche féminine qui donne un coup de fraîcheur à l’ensemble. Enfin seul O Fado, chanté par Paulo de Carvalho, est le seul titre n’appartenant pas au répertoire d’Ivan, mais bien à celui du célèbre fadiste portugais.
En résumé, nous voilà en présence d’un album de grande classe, dont on aurait juste espéré un équivalent en dvd.

*(Vidéos, en dessous du texte portugais)

Ivan Lins (camisa branca) no centro do Metropole Orchestra.

Escutando hoje : Ivan Lins & The Metropole Orchestra.

Uma coisa me marcou durante minha conversa com Ivan Lins, no ano passado. Se por um lado ele é, sem dúvida, um dos artistas brasileiros que contam com uma das maiores projeções no plano internacional, por outro eu senti que ele não deixou de ser menos profundamente carioca. Seu amor pelo Rio transpirava através de suas reflexões, inclusive as que demonstravam sua aflição ao constatar diversas feridas que gangrenam em sua cidade.
E então, ao longo de um ano, nós podemos vê-lo tocar tanto nas grandes salas de espetáculos do mundo quanto regularmente nos teatros mais intimistas do Centro da cidade do Rio de Janeiro. No momento, aliás, ele se apresenta por alguns dias com seu filho, Claudio Lins, no mítico Teatro Rival, na Cinelândia, que fica exatamente no Centro.
Mas para esse álbum ao vivo, Ivan nos convida a tirar do armário os smokings e os vestidos de gala. Essa gravação foi feita em julho de 2008 em Amsterdam, onde Ivan se apesentou com a Metropole Orchestra, regida por Vince Mendoza. Essa fabulosa « big band » já havia realizado diversos projetos com artistas também renomados como Andrea Bocelli, Charles Aznavour, Dione Warwick, Par Metheny ou Shirley Bassey.
O compositor brasileiro revisita aqui alguns de seus sucessos-padrão, e rapidamente o principal receio que poderíamos ter advindo desse fato evapora-se. Nada de arranjos pomposos ou grandiloquentes que poderiam tornar esse show indigesto e empolado.
Os 70 integrantes da orquestra nos fazem mergulhar numa confluência do pop e do jazz, sem excessos sinfônicos. Os arranjos de Mendoza são arejados e trazem consigo releituras interessantes e vivazes às composições de Lins. Os momentos instrumentais e os solos –principalmente dos saxofones, dos trompetes e das guitarras- não estendem gratuitamente o ‘timing’ habitual das canções. Reescutamos então com prazer alguns dos grandes clássicos como Daquilo que eu sei, Começar de novo, Formigueiro ou Lua soberana ( todas assinadas por Ivan Lins/ Vitor Martins) –sendo que esta última gravada em 2006, num primeiro concerto com a mesma orquestra. Há outras canções menos conhecidas, como Arlequim desconhecido (Ivan Lins/ Vitor Martins/ Brock Patrick Walsch) e É ouro em pó (Ivan Lins).
Na leitura do livreto do cd, percebemos pelos nomes que todos os músicos parecem holandeses (pode ser que exista ali um belga disfarçado no meio do grupo !) ; e é nativa também dos Países Baixos a ótima cantora Trinjntje Oosterhuis (foto acima), que interpreta Let us be away (Lins/ Ronaldo Monteiro de Souza/ Carole King) e Art of Survival (Ivan Lins/ Vitor Martins/ Brock Walsh). Um toque feminino que dá uma pitada adicional de charme e beleza ao conjunto. Enfim, só O Fado, cantado por Paulo de Carvalho, é o único título que não pertence ao repertório de Ivan, mas sim ao do célebre fadista português, aqui convidado.
Em resumo, nos vemos na presença de um álbum de grande classe, a partir do qual nos resta simplesmente esperar por um seu equivalente em dvd.

Vidéos amateurs du show/ Videos amadores do show...

lundi 17 août 2009

En écoute aujourd’hui : Aline Calixto


(texto francês, texto português traduzido do francês)

Toujours parmi les nouvelles productions samba (après Ana Costa et Marcos Sacramento), j’ai eu l’occasion d’écouter attentivement la jeune recrue Aline Calixto, jeune chanteuse de 28 ans, qui signe déjà son premier album chez Warner Music. C’est dire si on lui promet un bel avenir dans le monde surpeuplé des chanteuses brésiliennes. À la production (excellente!), L’expert Leandro Sapucahy, jeune maître du genre ; et comme parrainage de luxe -excusez du peu-, Walter Alfaiate, Nelson Sargento, Wilson Morreira et Monarco, quatre légendes vivantes de la samba qui apparaissent en choeur sur Uma só vez, composé par Edu Krieger. Entre parenthèse, ce dernier (qui signe ici aussi Saber perder) s’impose de plus en plus comme le compositeur en vue de la jeune scène masculine. On attend vivement un deuxième album de ce brillant musicien.
Pour revenir à Aline Calixto, la belle nous propose un album solide et raffiné constitué de sambas d’origine carioca, mais aussi composées par des auteurs du Minas Gerais –état dont elle nous vient (même si elle est née à Rio)- et de Bahia. Elle se risque aussi à la composition avec trois titres, dont on retiendra surtout le très bon Cara de Jiló qui possède toute la malice d’un Assis Valente.
La voix d’Aline se révèle belle, légère et assurée, mais manque sans doute encore un peu de personnalité pour maintenir en éveil l’intérêt de l’auditeur tout au long de l’album. Cependant, comme un bon vin, le goût qui reste en bouche reste plutôt velouté et classieux. Ce premier disque se laisse donc écouter bien agréablement, même si la qualité des titres se montre plus irrégulière en seconde partie d’album. Mon coup de cœur va à Enfeitiçado du mineiro Affonsinho, Original (Santão/ Sandro Gorges), et O Teu amor sou eu, signé par les craques Rogê et Arlindo Cruz.
Entourée comme elle l’est, Aline Calixto a toutes les cartes en main pour se lancer avec succès dans la ronde de la samba.




Escutando hoje : Aline Calixto

Dentre as novas produções na categoria « samba » (depois de Ana Costa e Marcos Sacramento), eu tive a oportunidade de escutar atentamente à jovem Aline Calixto : cantora de 28 anos que já assina seu primeiro álbum na Warner Music. É o caso de se dizer que um belo futuro a aguarda no mundo superpovoado das cantoras brasileiras. Na produção (excelente !), o expert Leandro Sapucahy, jovem mestre do gênero ; e como padrinhos de luxo – perdão pelo termo, que aqui fica a dever - Walter Alfaiate, Nelson Sargento, Wilson Moreira e Monarco, quatro lendas vivas do samba que comparecem em coro na última faixa do álbum, Uma só vez, composta por Edu Krieger. Entre parênteses, esse último (que assina aqui também Saber perder) impõe-se cada vez mais como o compositor em destaque na ala da cena jovem masculina. Aguardamos animadamente um segundo álbum desse brilhante músico.
Voltando a Aline Calixto, a bela nos oferece um álbum sólido e requintado, constituído de sambas de origem carioca, mas também de compositores de Minas Gerais – estado do qual ela nos chega (mesmo que tenha nascido no Rio) – e da Bahia. Aline se aventura também na composição, através de três títulos, dentre os quais se sobressai mais que todos o ótimo Cara de Jiló, possuindo toda a malícia de um Assis Valente.
A voz da cantora se revela bonita, leve e segura, mas carece ainda, sem dúvida, de um pouco de personalidade para manter de pé o interesse do ouvinte ao longo do álbum inteiro. Entretanto, como um bom vinho, o gosto que fica na boca continua bastante aveludado, e esse primeiro disco permite ser ouvido de forma bem agradável, mesmo que a qualidade dos títulos apresente-se mais irregular na segunda parte do álbum. Minha simpatia especial vai para Enfeitiçado, do mineiro Affonsinho ; Original (Santão/ Sandro Gorges) ; e O Teu amor sou eu, assinada pelos craques Rogê e Arlindo Cruz.
Cercada por quem ela anda, Aline Calixto tem todas as cartas na mão para se lançar com sucesso na roda do samba... e eu já estou sobretudo muito impaciente para vê-la em cena.


samedi 15 août 2009

En écoute aujourd’hui : Fernanda Porto.


(texte français, texto português traduzido do francês)

Fernanda Porto est cette multi instrumentiste, formée en piano et chant classique, qui avait causé la sensation en 2001 avec un des plus brillants albums drum’n’bass de l’époque. Il contenait Sambassim (Fernanda Porto/ Alba Carvalho) et sa reprise électronique inventive de Só tinha de ser com você (Tom Jobim/ Aloysio de Oliveira) que l’on retrouvaient sur toutes les compilations techno du genre. Et son succès avait largement outrepassé les frontières du Brésil. Elle était devenue un des fleurons du label Trama et la ‘chef de file’ de la scène électro de São Paulo. Sur ce premier album, elle était créditée de tous les instruments, programmations, ainsi que de toutes les compositions (excepté donc le titre de Jobim). Avant cela Fernanda avait déjà participé à de nombreuses musiques de films ou de documentaires.
En 2004, cette surdouée avait décidé de changer son fusil d’épaule en abordant un monde musicale plus acoustique sur « Giramundo ». Mais la réponse du public fut plus frileuse malgré la reprise ‘speedée’ de Roda viva de Chico Buarque, chanté en duo avec son auteur. Après un cd/dvd en public assez précoce dans sa carrière –et boudé par la critique-, Fernanda Porto décide donc de revenir cette année à ses premiers amours avec cet « Auto.retrato » survitaminé. Et à nouveau la presse spécialisé ne s’est pas gênée pour tirer à boulets rouges sous prétexte que le drum’n’bass n’est –en effet- plus vraiment tendance. Mais cela me paraît un peu court pour torpiller un album non dénué de qualités.

Si comme dans la plupart des cd’s à quatorze chansons, on peut déjà en supprimer quatre, les autres possèdent un réel potentiel mélodique, qu’elles soient dansantes ou non. Le problème, c’est qu’à vouloir réveiller les ‘dancefloors’, Fernanda arrive à un résultat où de bonnes compositions comme Conte-me tudo (F.Porto) sont noyées par un beat pas vraiment nécessaire. Un rythme qui sur la longueur lasse jusqu’au moment où arrivent en fin d’album Na bossa ou no samba (F.Porto) et Parece ser (Cristianne Neves/ Fernanda Porto), deux titres ou le talent de mélodiste de l’artiste peut enfin s’exprimer avec légèreté. N’empêche…Si les radios veulent bien tendre l’oreille, ils trouveront une bonne demi-douzaine de titres qui deviennent très vite efficaces sans beaucoup d’efforts. Dans la liste : Auto.retrato, Agora é minha vez, Eu preciso entender tudo isso (et la très bonne utilisation du piano de Cristianna Neves), Perdi o tom –digne succésseur de Sambassim-, et enfin Cidade sem fim un titre imparable qui pourrait évoqué une Gal Costa (période Gal Tropical) sous amphétamine. Tous signés de la musicienne. En résumé, si Fernanda Porto parvient à alléger ses arrangements pour davantage faire place à la composition, elle parviendra à mettre tout le monde d’accord. Et c’est ce qu’elle mérite amplement. En attendant, cet « Auto.retrato » est du pain béni pour les programmateurs de radio, et en tout cas, moi, je ne m’en priverai pas.




Escutando hoje: Fernanda Porto.


Fernanda Porto é essa multi-instrumentista, formada em piano e canto clássicos, que causou sensação em 2001 com um dos mais brilhantes álbuns Drum & bass da época. Ele continha Sambassim (Fernanda Porto/ Alba Carvalho) e uma versão eletônica inventiva de Só tinha de ser com você (Tom Jobim/ Aloysio de Oliveira) que podiam ser encontradas em todas as coletâneas techno do gênero. E seu sucesso ultrapassou largamente as fronteiras do Brasil. Fernanda veio a se tornar um dos orgulhos do selo Trama e o carro-chefe da cena electro de São Paulo.
Em seu primeiro álbum, ela deteve os créditos de todos os instrumentos e programações, bem como de todas as composições (exceto então o título de Jobim). Antes disso, Fernanda Porto já havia participado de algumas trilhas sonoras de filmes e documentários.
Em 2004, essa artista superdotada decidiu mudar seu foco, abordando um universo musical mais acústico em « Giramundo ». Mas a resposta do público foi mais fria, apesar da retomada « acelerada » de Roda viva, de Chico Buarque, cantada em dueto com seu autor.

Depois de um cd/dvd ao vivo bastante precoce em sua carreira – e desprezado pela crítica - Fernanda decide então retornar esse ano a seus primeiros amores com esse « Auto.retrato » supervitaminado. E novamente a imprensa especializada não acanhou-se em dar a ela uma nota vermelha, sob o pretexto de que o drum’n’bass não é - de fato – mais verdadeiramente uma tendência. Mas essa justificativa me parece um pouco simplista para torpedear um álbum no qual eu percebo boas qualidades.

Assim como na maioria dos cd’s contendo catorze canções, já podemos esquecer aqui quatro ; isso feito, as outras possuem um real potencial melódico, quer elas soem dançantes ou não.
O problema é que, ao querer ressuscitar os « dancefloors », Fernanda chega a um resultado no qual as boas composições como Conte-me tudo (F.Porto) ficam sufocadas por um « beat » desnecessário. Um ritmo que em sua extensão torna-se cansativo, até o momento do álbum em que enfim surgem Na bossa ou no samba (F.Porto) e Parece ser (Cristianne Neves/ Fernanda Porto), dentre os dez títulos onde o talento de melodista da artista pode finalmente ser expressado com suavidade.
Nada impede... Se as rádios de dispuserem a aguçar seus ouvidos, elas encontrarão uma boa meia dúzia de títulos que podem rapidamente se tornar eficazes sem maiores esforços. Dentro dessa lista : Auto.retrato, Agora é minha vez, Eu preciso entender tudo isso (com o excelentete uso do piano de Cristianna Neves), Perdi o tom – digno sucessor de Sambassim – e finalmente Cidade sem fim, um título indispensável, que poderia evocar uma Gal Costa (da fase Gal Tropical)... sob o efeito de anfetaminas. Todas de autoria da musicista.
Em resumo, se Fernanda Porto conseguir tornar seus arranjos mais leves para cada vez ceder mais espaço para a própria composição em si, ela será capaz de deixar todo mundo satisfeito. E é isso que ela merece amplamente. Olhando à frente, esse « Auto.retrato » é um trevo de quatro folhas para os programadores de rádio ; e, em todo caso, eu mesmo não me privarei dele em meu programa Tropicália ! (retomada da nova temporada no dia 31 de augosto !)


vendredi 14 août 2009

En écoute aujourd’hui : Ivete Sangalo.


(texte français, texto português traduzido do francês)

Oui, j’aime bien Ivete Sangalo ! J’aime bien Ivete pour sa voix puissante et profondément originale; pour être une excellente présentatrice d’émission populaire ; pour son professionnalisme et son énergie sur scène ; pour être très sympa en interview ; et enfin parce que je suis sûr que c’est une chouette fille, qui a sûrement un grand cœur avec ses amis et sa famille. J’aime bien Ivete parce que sur divers projets, elle a prouvé qu’elle avait le talent requis pour interpréter de grands compositeurs… Mais alors une question me taraude…Pourquoi avec le pouvoir médiatique qu’elle possède, et les milliers de contacts qu’elle doit avoir dans son agenda électronique, elle n’arrive toujours pas à réunir une équipe de cinq ou six compositeurs qui pourraient lui confectionner un album digne de la très bonne chanteuse qu’elle est ? Même l’époque où elle sévissait dans Banda Eva (entre 1992 et 1998) me rend nostalgique de l’époque dorée du samba-reggae.

« Pode entrar », son sixième album d’inédits lancé en juin au Brésil me laisse encore bien déçu. Pourtant, l’album démarre sur des chapeaux de roue avec Balakbak (Esquisito/Pururu/ B.Nunes/ S.Vidal), le très chouette Cadê Dalila de Carlinhos Brown ; et le duo surprenant et très réussi avec Marcelo Camelo dans Teus olhos (dans la veine zen de Camelo). Mais dès la quatrième plage Agora eu já sei (Ivete Sangalo/ Gigi), on tombe dans la dure réalité de la banalité. Ce dernier titre, particulièrement, est presque un attentat de mauvais goût à la chanson populaire... qui sera probablement un hit. Pour le reste, on nage dans le « sans surprise », avec des légers hauts (Eu tô vendo, Na base do desejo) et beaucoup de bas. La présence de Lulu Santos sur Brúmario (de son répertoire, mais loin d’être une de ses meilleures chansons) ou de Carlinhos Brown sur Quanto ao tempo (Carlinhos Brown/ Michael Sullivan), ne relèvent pas l’ensemble des 17 titres (mon dieu, elle n’a pas lu ma charte « Pas + de 12 par album » !!). La présence de la Reine Maria Bethânia nous offre cependant un des rares beaux moments avec Muito obrigado axé, un ijéxa signé Carlinhos Brown qui finalement devient presque le bon élève de l’album !
« Pode entrar »
et son dvd homonyme (que je n’ai pas encore vu) vont se vendre, et même très bien, et je continue à supporter Ivete…car un jour- oui un jour !- elle sortira un disque et ce sera un grand disque ! Même qu’il se vendra très bien aussi !




Sim, eu gosto da Ivete Sangalo ! Eu gosto da Ivete por sua voz poderosa e profundamente original ; por ela ser uma excelente apresentadora de programas populares ; por seu profissionalismo e sua energia em cena ; por ser muito simpática nas entrevistas ; e, por fim, porque eu estou certo de que ela é uma boa moça, dona indubitavelmente de um grande coração em relação a seus amigos e familiares. Eu gosto da Ivete porque em diversos projetos ela provou que tem o talento necessário para interpretar grandes compositores...
Mas aqui uma questão me deixa perplexo... Por que com o poder midiático que ela possui, e os milhares de contatos que ela deve ter em sua agenda eletrônica, Ivete não chega nunca a reunir um grupo de cinco ou seis compositores que poderiam contribuir para a produção de um álbum digno da excelente cantora que ela é ? Mesmo quando ela fazia parte da Banda Eva (entre 1992 e 1998)... Me pego nostálgico em relação à época de ouro do samba-reggae.

« Pode entrar », seu sexto álbum de inéditos lançado em junho agora no Brasil, me deixa ainda bastante frustrado.
A rigor, o álbum começa com força com Balakbak (Esquisito/ Pururu/ B.Nunes/ S.Vidal), a contagiante Cadê Dalila de Carlinhos Brown ; e o dueto surpreendente e muito bem sucedido com Marcelo Camelo em Teus olhos (dentro da veia « zen » de Camelo). Mas a partir da quarta faixa, Agora eu já sei (Ivete Sangalo/ Gigi), caímos na dura realidade da banalidade. Esse último título mencionado, particularmente, é quase um atentado de mau gosto à canção popular... que se tornará evitavelmente um « hit ».
Quanto ao restante, navegamos num mar sem surpresas, com poucos pontos altos (Eu tô vendo, Na base do desejo) e muito baixos. A presença de Lulu Santos em Brumário (de seu repertório, mas longe de ser uma de suas melhores canções) e de Carlinhos Brown em Quanto ao tempo (Carlinhos Brown/ Michael Sullivan), não levantam o conjunto de 17 títulos (meu Deus, ela não leu a minha carta « Não mais do que 12 por álbum » !!). A presença da Rainha Bethânia nos oferece, no entanto, um dos raros bons momentos com Muito obrigado axé, un ijexá assinado por Carlinhos Brown, que finalmente chega quase a ser o único bom aluno do álbum !
« Pode entrar » e seu dvd homônimo (que eu ainda não assisti) vão se vender, e até mesmo muito bem ; e eu continuo torcendo pela Ivete... Até porque um dia – sim, um dia ! – ela vai lançar um disco, e aquele será então um grande disco ! Mesmo que também venha a se vender muito bem !

En dessous en vidéo, "Duna" en duo avec Rosa Passos.

jeudi 13 août 2009


Spécial années/ Especial anos 80' et 90'

-GABRIEL O PENSADOR :
« Festa da música » (Gabriel o Pensador/ Memê) -1997-

-PARALAMAS DO SUCESSO : « O Trem da juventude » (Herbert Vianna) -1998-
-MARINA LIMA : « Virgem » (Marina Lima/ Antonio Cícero) -1987-
-KID ABELHA : « Grand hotel » ao vivo (G.Israel/ P.Toller/ Lui Farias) -1994-
-ADRIANA CALCANHOTTO : « Esquadros » (A. Calcanhotto) -1992-
-GUILHERME ARANTES : « Meu mundo e nada mais » ao vivo (G.Arantes) -1990-
-DJAVAN : « Carnaval no Rio » (Djavan) -1987-
-LEILA PINHEIRO : « Pra iluminar » (Eduardo Gudin) -1988-
-CAETANO VELOSO : « Itapuã » (Caetano Veloso) -1991-
-BELLO VELLOSO & MARIA BETHÂNIA : « Brincando » (Alexandre Leão/ Mabel Velloso) -1994-
-JORGE BENJOR : « Amante amado» (Jorge Ben) -1978-

lundi 10 août 2009

En écoute aujourd’hui : Carmen Miranda par Ná Ozzetti.

Carmen Miranda (1909-1955),
ambassadrice de l'image tropicale du Brésil.


(Texte français, texto português traduzido do francês)

Chaque début d’année au Brésil, les journaux éditent les éphémérides de l’année. Si la définition de ce terme équivaut à celle du français, on lui accorde encore une sens que je ne lui connais pas dans la langue de Voltaire. En l’occurrence, il peut s’agir aussi de la liste des anniversaires commémorant les naissances ou disparitions de personnalités. Chaque année, dans le domaine musical, cette liste est donnée, et c’est à chacun de nous de considérer si le souvenir d’un artiste sera justement honoré.
En 2008, l’anniversaire peut être le plus important ainsi commémoré fut celui du grand compositeur brésilien Cartola (1908-1980) dont on fêtait le centenaire de la naissance. Un texte biographique avait été mis à l’époque sur ce blog musical. Et au Brésil parmi les nombreux hommages qui furent rendus à ce grand sambista, on retiendra le bel album « Angenor » de Cida Moreira ou la sortie en dvd du film « Música para os olhos », le très bon documentaire biographique de Lílio Ferreira et Hilton Lacerda.


A cada início de ano no Brasil, a imprensa publica as efemérides do ano. Se a definição desse termo equivale à mesma em francês, sobre ele ainda se adequa ainda um significado que eu desconheço na língua de Voltaire. No caso, pode tratar-se da lista dos aniversários comemorando os nascimentos ou os falecimentos de personalidades. A cada ano, dentro do campo musical, essa lista é feita, e cabe a cada um de nós julgar se a memória de um artista será honrada com justiça.
Em 2008, o aniversário talvez mais importante assim comemorado foi o do grande compositor brasileiro Cartola (1908-1980) cujo centenário de nascimento era festejado. Um texto biográfico foi postado na época nesse blog musical. E no Brasil, dentre as numerosas homenagens que foram prestadas a esse grande sambista, guarda-se na memória o belo álbum « Angenor », de Cida Moreira, ou o lançamento em dvd do filme « Música para os olhos » - o documentário biográfico de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda.



En cette année 2009, c’est au tour d’une des icônes les plus représentatives du Brésil de voir son nom associé à divers événements. C’est en effet en 1909 que naquit Maria do Carmo Miranda –Carmen Miranda- qui, sans aucune contestation, fut le premier symbole de la culture populaire brésilienne à l’étranger –bien avant la Bossa Nova- véhiculant tous les clichés tropicals du Brésil que l’on connaît encore. Si la « Miranda » n’est pas considéré comme la plus grande interprète de son temps, son importance en tant qu’« ambassadrice » du Brésil à Hollywood (à partir de 1939) et dans le monde, fut sans égal pendant la première moitié du vingtième siècle. Depuis le début de cette année, de nombreux artistes ont multiplié les shows hommages, et des rééditions d’enregistrements de la chanteuse (ou autres compilations) ont déjà vu le jour. Parmi ceux-ci, « Carmen Miranda, 100 anos, duetos e outras Carmens » (Sony, pochette ci dessus), qui propose 13 titres originaux chantée par la propre Carmen, ainsi que 14 reprises de son répertoire repris par des artistes contemporains. Certains d’entre eux possèdent bien dans leurs gênes un peu de l’exubérance de la ‘petite notable’, comme on l’appelait affectueusement : Elza Soarez, Rita Lee, Maria Alcina, Daniela Mercury, Elba Ramalho, Gal Costa, et même la douce désinvolture que démontre parfois Adriana Calcanhotto. Parmi les noms qui auraient pu revendiquer une place sur cette compilation, il manque bien sûr Ney Matogrosso, Baby do Brasil et pourquoi pas Silvia Machete. Et la liste pourrait être longue. Cependant, s’il nous faut parler d’une vraie création en hommage à Carmen Miranda, alors il y a peu de chance qu’un album surpasse cette année l’excellent "Balangandãs" de la chanteuse Ná Ozzetti.

Nesse ano de 2009, é a vez de um dos ícones mais representativos do Brasil ver seu nome associado a diversos eventos. Foi de fato em 1909 que foi dada à luz Maria do Carmo Miranda - Carmen Miranda – que, sem qualquer contestação, foi o primeiro símbolo da cultura popular brasileira no estrangeiro – bem antes da bossa nova – veiculando todos os clichês tropicais através dos quais o Brasil ainda é conhecido. Se por um lado a « Miranda » não é considerada a maior intéprete de seu tempo, por outro, sua importânciancia como « embaixatriz » do Brasil em Hollywood (a partir de 1939) e no mundo, foi sem igual durante a primeira metade do século XX.
A partir do início desse ano, numerosos artistas multiplicaram os shows-homenagem, além das reedições de gravações da cantora (ou outras coletâneas) já ouvidas algum dia. Dentre essas, « Carmen Miranda, 100 anos, duetos e outras Carmens » (Sony) oferece 13 títulos originais cantados pela própria Carmen, além de 14 reprises de seu repertório que são feitas por artistas contemporâneos. Alguns dentre esses possuem bem dentro de seus genes um pouco da exuberância da « pequena notável » : Elza Soares, Rita Lee, Maria Alcina, Daniela Mercury, Elba Ramalho, Gal Costa, e até mesmo a doce desenvoltura que demonstra às vezes Adriana Calcanhotto.
Dentre os nomes que poderiam reivindicar um lugar nessa coletânea, sente-se a falta sem dúvida de Ney Matogrosso, Baby do Brasil, e por que não... Silvia Machete. E a lista poderia ser longa.
No entanto, se desejamos falar de uma autêntica criação em homenagem a Carmen Miranda, então há poucas chances de que algum álbum supere esse ano o excelente "Balangandãs", da cantora Ná Ozzetti.



Qu’on ne se fie pas trop à la pochette de l’album qui montre le portrait peint de Ná Ozzetti* auréolée d’une couronne de bananes. « Balangandãs » n’est en rien une tentative de caricature -ou même d’imitation- du monde coloré plein d’effusions de Carmen Miranda. réussi un coup de maître en combinant à merveille tradition et modernité. Tradition grâce à l’interprétation irréprochable de la chanteuse qui rend toute la malice de Carmen sans surjouer ; modernité avec les arrangements de Dante Ozzetti et Mário Manga qui se rapprochent très fort du son « nouvelle vague carioca », lui-même fort influencé par les rythmes caribéens et la Salsa (la bande à Kassin, Los Hermanos, Orchestra Imperial, Silvia Machete, etcetera). Les instruments classiques sans effets sonores particuliers sont joués de manière inventive et originale. Et seul des virtuoses ingénieux pouvaient arriver à ce résultat : Dante Ozzetti à la guitare acoustique, Mário Manga à la guitare et au violoncelle, Sérgio Reze à la batterie et aux percussions, et Zé Alexandre Carvalho à la contrebasse. Cette inventivité passe par des audaces rythmiques, des breaks inattendus, des changements de styles au cœur même de la chanson, ou parfois une utilisation surprenantes des guitares. Une relecture moderne et de bon goût qui tourne autour de la voix de la chanteuse, véritable épine dorsale du disque. Une telle visite d’un répertoire ancien au travers d’une sonorité contemporaine n’avait plus été aussi probante depuis « Onde brilhem os olhos seus » (2007) de Fernanda Takai et « Telecoteco » (2008) de Paula Morelenbaum. Le résultat est d’autant plus méritoire qu’aucun recours à des éléments électroniques n’apparaît ici dans les arrangements. On revisite donc avec délices le répertoire de la grande Carmen, constitué de ses classiques comme Camisa listrada (Assis Valente), Tic tac do meu coração (Walfrido Silva/ Alcyr Pires Vermelho), O Samba e o tango (Amado Regis), Na Batucada da vida (Ary Barroso/ Luiz Peixoto), Tico-tico no fubá (Zequinho Abreu/ Aloysio de Oliveira) et encore dix autres perles inscrites au firmament de la chanson populaire brésilienne. Un grand hommage pour la ‘petite notable’, Carmen Miranda.

Que não nos atenhamos demais à capa do álbum, que mostra o retrato pintado de Ná Ozzetti* aureolado por uma coroa de bananas. « Balangandãs » não é em nada uma tentativa de caricatura – ou mesmo de uma imitação – do universo colorido e plenamente efusivo de Carmen Miranda. Ná consegui aplicar um golpe de mestre ao combinar maravilhosamente tradição e modernidade. Tradição graças à interpretação irretocável da cantora, que evoca toda a malícia de Carmen sem overinterpretar ; e modernidade com os arranjos de Dante Ozzetti e Mário Manga, que se reaproximam fortemente do som « nouvelle vague carioca », fortemente influenciado pelos ritmos caribenhos e pela Salsa (com Kassin e seus amigos, Los Hermanos, Orchestra Imperial, Silvia Machete, etc. ). Os instrumentos clássicos sem efeitos sonoros específicos, são tocados de maneira inventiva e original. E apenas os virtuoses engenhosos poderiam chegar a esse resultado: Dante Ozzetti no violão acústico, Mário Manga no violão e no violoncelo, Sérgio Reze na bateria e nas percussões, e Zé Alexandre Carvalho no contrabaixo. Essa iventividade passa pelas ousadias rítmicas, os breaks inesperados, as mudanças de estilo no cerne mesmo da canção ; ou às vezes uma utilização surpreendente dos violões. Uma releitura moderna e de bom gosto que gira em torno da voz da cantora, a verdadeira espinha dorsal do disco. Uma tamanha visita a um repertório antigo através de uma sonoridade contemporânea não havia sido assim tão conclusiva desde « Onde brilhem os olhos seus » (2007) de Fernanda Takai e « Telecoteco » (2008) de Paula Morelenbaum. O resultado é ainda mais digno de mérito uma vez que não recorre a quaisquer recursos eletrônicos, que não aparecem no conteúdo dos arranjos.
Revisitamos então deleitados o repertório da grande Carmen, constituído de seus clássicos como Camisa listrada (Assis Valente), Tic tac do meu coração (Walfrido Silva/ Alcyr Pires Vermelho), O Samba e o tango (Amado Regis), Na Batucada da vida (Ary Barroso/ Luiz Peixoto), Tico-tico no fubá (Zequinha de Abreu/ Aloysio de Oliveira) e ainda dez outras pérolas inscritas no firmamento da canção popular brasileira. Uma grande homenagem à « pequena notável », Carmen Miranda.


Ná Ozzetti, entre avant-garde et classique de la MPB.

*Á propos de Ná Ozzetti : la chanteuse Ná Ozzetti est associé au mouvement dit d’avant-garde de São Paulo né à l’aube des années 80, dont les plus illustres représentants sont Itamar Assumpção (1949-2003), Luis Tatit, Dante Ozzeti, Arrigo Barnabé, et des chanteuses comme Tetê Espindola, Virginia Rosa, Vania Bastos et quelques autres. La musique de ces artistes tient autant des musiques populaires -comme la samba- que de la musique érudite voire dodécaphonique. Il en résulte des compositions aux lignes mélodiques sinueuses et aux rythmiques complexes et saccadées. De là, l’obligation d’une technique affinée et irréprochable de la part des chanteuses qui baignent dans cet univers. Ná Ozzetti participa du groupe Rumo de 1978 à 1992, et enregistra un album solo dès 1988. Ce monde musical complexe -et forcément élitiste- où elle brille ne l’empêche pas d’approcher un répertoire classique de la MPB, d’abord avec l’album « Love Lee Rita » (1996) dédié au répertoire de Rita Lee ; ensuite en 2000 avec l’album « Show » dans lequel elle interprète des compositeurs comme Tom Jobim (1927-1994), Dolores Duran (1930-1959), Maysa (1936-1977), Herivelto Martins (1912-1992), Dorival Caymmi (1914-2008) ou Fernando Lobo (1915-1996). La chanteuse abordera encore d’autres grands noms de la musique brésilienne dans son album « Piano & voz » avec André Mehmari en 2005.

*A propósito de Ná Ozzetti : a cantora Ná Ozzetti é associada ao movimento dito de vanguarda de São Paulo, nascido ao alvorecer dos anos 80, do qual os mais ilustres representantes são Itamar Assumpção (1949-2003), Luis Tatit, Dante Ozzetti, Arrigo Barnabé, e as cantoras como Tetê Espindola, Virginia Rosa, Vania Bastos e alguns outros artistas.
A produção musical desses compositores tem tanto em estilos populares – como o samba – quanto em traços eruditos tais como a música dodecafônica. Isso resulta em composições de linhas melódicas sinuosas e de ritmos complexos e abruptos. Por isso, a obrigatoriedade de uma técnica sutil e irretocável por parte das cantoras que se banham nessa praia. Ná Ozzetti participou do Grupo Rumo de 1978 a 1992, e gravou um álbum solo em 1988. Esse universo musical complexo – e forçosamente elitista – onde ela brilha, não a impede de aproximar-se de um repertório clássico da MPB : para começar, com o álbum « Love Lee Rita » (1996) dedicado ao repertório de Rita Lee ; em seguida, em 2000, com o álbum « Show », no qual ela interpreta compositores como Tom Jobim (1927-1994), Dolores Duran (1930-1959), Maysa (1936-1977), Herivelto Martins (1912-1992), Dorival Caymmi (1914-2008) e Fernando Lobo (1915-1996).
A cantora aborda ainda outros grandes nomes da música brasileira em seu álbum « Piano & voz », com André Mehmari, em 2005.



samedi 8 août 2009

La cadence de la samba (2) : en écoute, Ana Costa.

Ana Costa au Carioca da Gema (Photo Daniel A.)

(texto português em baixo)


Ana Costa
n’est pas à proprement parler une nouvelle artiste sur la scène de la samba de Rio. Comme Teresa Cristina, elle fut de celles qui participèrent, fin des années 90, à la rénovation du quartier bohème de Lapa, où elle se produisit au sein de diverses formations.

Ce n’est qu’en 2006 qu’elle décide de se lancer seule dans l’aventure d’un premier album, « Meu Carnaval », qui enchante à juste titre la critique et tous ceux qui la suivent au Carioca da Gema, un des lieux les plus emblématiques du nouveau Lapa.
Ce qui distingue Ana Costa de la multitude de chanteuses qui surgissent (éphémèrement) sur le marché tient en deux éléments. D’abord, dans la lignée de Mart’nália, elle refuse toute attitude puriste et réussit à intégrer à dose raisonnable, des éléments de la musique pop, tant au niveau des arrangements que des harmonies mélodiques. Le deuxième élément étant justement que la voix d’Ana, suave et d’une belle brillance, se fond tant dans l’esprit de la samba que de la musique pop, comme le démontre la plage titulaire de son nouvel album « Novos alvos ». Ce titre -écrit en collaboration avec Mart’nália et Zélia Duncan- avait d’ailleurs été offert en 2006 à Paula Lima, chanteuse paulista de samba soul.

Séduit par son premier album, j’avais entrepris de l’interviewer en août 2008, mais la chanteuse était en pleine finalisation de ce second album, sorti au Brésil en mai dernier.
« Novos alvos » apparaît d’abord beaucoup moins immédiat que son prédécesseur. Et cela tient à son aspect plus personnel. Le cœur même de l’album montre des chemins musicaux inattendus d’un éclectisme surprenant.
Cronina de uma cidade armada (Celso Fonseca) tout comme Estranho (Mario Lage Filho/ Délcio Carvalho) sont deux sambas lentes -voire graves- dans lesquelles Ana dévoile une belle sensibilité.
Entre ces deux titres, Almas gemeas -en duo avec Moska- est une étonnante intrusion dans le répertoire complexe du compositeur pauliste Luiz Tatit, tandis que Antiga (Ana Costa/ Zélia Duncan) amorce un rythme de valse lent avant de se muer en samba, chantée harmonieusement avec Leila Pinheiro.
Mais Ana Costa n’abandonne pas la samba plus traditionnelle, et frappe brillamment en début d’album avec Coisas simples (Cláudio Jorge/ Elton Medeiros) en duo avec Martinho da Vila, et Batendo perna (Ana Costa/ Jorge Agrião), parmi les meilleures plages du disques. Et comme il avait commencé, l’album termine sur les rythmes frénétiques de Caderneta –A Minha nega (E.Lima/ S.Sila/ C.Guimarães) en duo avec Oswaldo Carvalo -digne des meilleurs pagodes- et Quer amar mamãe (Martinho da Vila) qui flirte avec les rythmes bahianais.
Si « Novos Alvos » ne contient que 11 titres, Ana Costa nous prouve qu’il n’en faut pas plus pour nous offrir un beau voyage musical.

En vidéo, une présentation d'Ana Costa au Carioca da Gema, ainsi que sa participation à l'ouverture des jeux Panamerica de 2007 au Maracana de Rio de janeiro avec le titre "Viva essa energia" (Ana Costa/ Arnaldo Antunes)



Na Cadência do samba (2) : escutando ... Ana Costa.

Ana Costa não é propriamente dito uma nova artista na cena do samba do Rio. Assim como Teresa Cristina, ela foi daquelas que participaram, pelo final dos anos 90, da renovação do bairro boêmio da Lapa, onde participou de diversas formações.
Foi apenas em 2006 que ela decidiu lançar-se sozinha à aventura de um primeiro álbum, « Meu Carnaval », que encantou merecidamente a crítica e a todos que a seguiam assiduamente no Carioca da Gema, uma das casas mais emblemáticas da « nova Lapa ».
O que distingue Ana Costa da multidão de cantoras que surgem (de forma efêmera) no mercado consta de dois pontos. Para começar, dentro da linha de Mart’nália, ela rejeita qualquer atitude purista, passando a agregar, numa dose razoável, elementos da música pop – tanto a nível dos arranjos quanto das harmonias melódicas.
O segundo elemento seria justamente que a própria voz de Ana -suave e de um belo refinamento- pode ser encontrada tanto dentro do espírito do samba quanto no da música pop, como assim o demonstra a faixa-título de seu novo álbum « Novos alvos ». Aliás esse título – composto em colaboração com Mart’nália e Zélia Duncan – foi em outro projeto oferecido em 2006 a Paula Lima, cantora de samba e soul, de São Paulo.
Seduzido por seu primeiro álbum, eu pretendia levar a cabo uma entrevista com ela em agosto de 2008, mas a cantora estava em plena finalização de seu segundo álbum, lançado no Brasil nesse último mês de maio.
« Novos alvos » se revela de maneira bem menos instantânea do que seu predecessor. A razão para tal é o fato de que esse, tem um aspecto bem mais pessoal. O âmago mesmo do álbum aponta para caminhos musicais inesperados de um ecletismo surpreendente.
Crônica de uma cidade armada (Celso Fonseca), tanto quanto Estranho (Mario Lage Filho / Délcio Carvalho) são dois sambas lentos – e até mesmo sérios – através dos quais Ana demonstra uma bela sensibilidade.
Entre esses dois títulos apresentados, Alma Gemeas -um duo com Moska – é uma espantosa intrusão no complexo repertório do compositor paulista Luiz Tatit, uma vez que Antiga (Ana Costa/ Zélia Duncan) introduz um ritmo de valsa lenta antes de se transformar em samba, sendo cantada harmoniosamente com Leila Pinheiro.
Mas Ana Costa não abandona o samba mais tradicional, e apresenta-se brillantemente no início do álbum com Coisas simples (Cláudio Jorge / Elton Medeiros), em dueto com Martinho da Vila , e Batendo perna (Ana Costa/ Jorge Agrião) ; essas duas entre as melhores faixas do disco. E do mesmo jeito como começa, o álbum termina sob os ritmos frenéticos de Caderneta-A Minha nega (E.Lima/ S.Sila / C.Guimarães) em dueto com Oswaldo Carvalho – dignos dos melhores pagodes – e Quer amar mamãe (Martinho da Vila), essa já com toques baianos.
Se « Novos Alvos » não traz mais do que 11 títulos, Ana Costa nos prova que não é preciso mais do que isso para nos oferecer uma boa viagem musical.

vendredi 7 août 2009

La Cadence de la samba (1) : en écoute, Marcos Sacramento.


(texto português em baixo)

Parmi les bons produits récents estampillés « samba carioca » (ou presque), j’ai pris plaisir à écouter ce qui suit…

D’abord l’album « Na cabeça » de Marcos Sacramento, tout simplement un des meilleurs interprètes masculins que la samba compte en ses rangs.
C’est sur le tard que j’ai connu la voix de Sacramento –en 2003 très exactement- lorsque je suis entré en possession de son album « Memoravél samba », un petit bijou qui visitait les luxueuses archives du style sur une période allant da 1932 à 1955. Mais l’artiste avait déjà une longue carrière derrière lui. Son parcours discographique avait déjà commencé avec son groupe Cão sem dono qui flirtait avec une sorte de pop-rock progressif (personne n’est parfait !).
Ses débuts en solo dédiés à la samba datent cependant de 1994 avec « A Modernidade da tradição », un album qui sera relancé sur le label français Buda Musique en 1997, et qui lui apportera une belle projection internationale.

Sur « Na cabeça », Marcos prend le parti de s’entourer de trois virtuoses de la 6 (ou 7) cordes, pour un répertoire qu’il enregistre live en studio. Autour de lui : Rogério Caetano, Luiz F. Alcofra et Zé Paulo Becker, qui se relaient aux arrangements de chaque titre, et participent parfois des compositions. C’est principalement le cas de Luiz F. Alcofra, qui signe le très bon Calúnia et surtout l’excellente plage titulaire –Na cabeça- une samba syncopée et sophistiquée co-écrite avec Sacramento. Celui-ci ne participe d’ailleurs qu’à la composition de deux titres, l’autre étant Um samba, hommage rendu au sambista Nelson Cavaquinho composée avec Carlos Fuchs, producteur du disque. Sacramento et Fuchs avaient déjà travaillé ensemble sur « Fossa nova » (2005), album sur lequel ils avaient écrit l’entièreté du répertoire.
Sur « Na cabeça », les trois guitaristes et le chanteur revisitent encore ici quelques classiques comme A Rosa (Chico Buarque), Sim (Cartola/ Oswaldo Martins), Morena (Mauricio Carrilho/ P.C.Pinheiro) ou Último desejo (Noel Rosa). C’est en écoutant ce dernier titre que l’on se rend compte de la nécessité d’un artiste comme Marcos Sacramento, qui arrive nous rendre attentif à la beauté de cette chanson pourtant mille fois entendue.
On notera encore sur l’album le très racoleur Dia santo também, bien dans le style de son compositeur paulista, Paulo Padilha.
La version voix-guitares lasse évidemment un peu sur la longueur et une adaptation en dvd de ce projet serait la bienvenue (on en sort pour moins que ça).
Quoi qu’il en soit, "Na cabeça" n’aura aucun mal à convaincre les fans de l’excellent interprète (et de ses accompagnateurs de luxe !) et surprendra ceux qui ne sont pas encore familiers au talent de Marcos Sacramento .

Les vidéos de Marcos Sacramentos sont légions sur Youtube. Je vous colle ici un autre titre de Noel Rosa (1910-1937), Meu barracao, extrait du programme Som Brasil dédié au compositeur da Vila. Plus loin, un bel extrait d'un concertcapté au New Morning de Paris.



Na Cadência do samba (1) : escutando hoje, Marcos Sacramento.

Dentre os bons produtos recém-estampados como « samba carioca » (ou quase), eu tive bastante prazer em escutar o que se segue…

Pra começar, o álbum « Na cabeça », de Marcos Sacramento, simplemente um dos melhores intérpretes masculinos que o samba contabiliza em suas fileiras.
Foi um tanto tarde que eu vim a conhecer a voz de Sacramento – em 2003, mais precisamente – quando entrei em contato com seu álbum « Memoravél samba », uma pequena pérola que visitava os ricos arquivos do estilo, num período que vai de 1932 a 1955. Mas o artista já contava com uma longa carreira atrás de si. Sua trajetória discográfica já tinha começado nos anos 80 com seu grupo Cão sem dono, que flertava com uma espécie de pop-rock progressivo (ninguém é perfeito !).
Sua estréia em discos solo dedicados ao samba, no entanto, datam de 1994 com « A Modernidade da tradição », um álbum que viria a ser relançado sob o selo francês Buda Musique, em 1997, trazendo-lhe uma bela projeção internacional.
Em « Na cabeça », Marcos sabiamente se cerca de três virtuoses das 6 (ou 7) cordas, para um repertório que ele grava ao vivo em estúdio. Em torno de si : Rogério Caetano, Luiz F. Alcofra e Zé Paulo Becker, que se debruçam sobre os arranjos de cada título e participam eventualmente das composições. É principalmente o caso de Luiz F. Alcofra, que assina o muito bom Calúnia, e sobretudo a excelente faixa-título - Na cabeça – um samba sincopado e sofisticado, escrito em parceria com Sacramento. O cantor não participa além do que na composição de dois títulos, sendo o outro Um samba, homenagem prestada ao sambista Nelson Cavaquinho - essa, por sua vez, composta com Carlos Fuchs, produtor do disco. Sacramento e Fuchs já haviam trabalhado juntos em « Fossa nova » (2005), álbum para o qual eles tinham escrito o repertório inteiro.
Em « Na cabeça », os três grandes violonistas e o Marcos revisitam ainda aqui alguns clássicos como A Rosa (Chico Buarque), Sim (Cartola / Oswaldo Martins), Morena (Mauricio Carrilho / P.C. Pinheiro) ou Último desejo (Noel Rosa). É ao escutar esse último título que nos damos conta da necessidade da existência de um artista como Marcos Sacramento, que consegue a nos trazer de volta à memória a beleza dessa canção mesmo se a ouvirmos umas mil vezes. Digna de nota também a irresistível Dia santo também, bem ao estilo de seu compositor paulista, Paulo Padilha.
A versão voz & violões deixa evidentemente o disco um pouco extenso, e uma adaptação em dvd desse projeto seria muito bem-vinda. « Na cabeça » não encontrará qualquer dificuldade em conquistar os fãs do excelente intérprete (e de seus acompanhantes de luxo !) ; e certamente surpreenderá aos que ainda não estão familiarizados com o talento de Marcos Sacramento .


lundi 3 août 2009

En écoute aujourd’hui : Nando Reis


(texto português em baixo)

Mon périple sur les terres portugaises a pris fin, et je peux maintenant le confirmer avec certitude : rien de tel que d’avaler du kilomètre sur les routes et les autoroutes pour se concentrer sur la musique.
Parmi les galettes que j’avais avec moi, « Drês », le dernier Nando Reis sorti il y a à peine quelques semaines au Brésil .
Avec le temps, de hitmaker talentueux, Nando s’est mué en véritable concepteur d’album. Et avec Frejat, il est sans conteste le meilleur représentant d’un rock romantique à forte connotation biographique.
Depuis son album « A Letra A » (2003), le barbu rouquin n’est parvenu que rarement à réitérer l’efficacité des nombreux classiques qu’il avait écrit pour Cássia Eller (O Segundo sol, All star, Relicário…), mais aussi avec Marisa Monte (E.C.T., Ainda lembro), Skank (Resposta), et pour Cidade Negra (Onde você mora) ou Jota Quest (Do deu lado).
Mais en revanche, ses albums ont acquis en densité. Pour lui, la création ne réside plus à composer quelques titres imparables, mais bien de concevoir un album entier, monolyte, qui reflète une tranche de (sa) vie. Ainsi « Drês » succède donc à « Sim e não » (2006) et à « A Letra A » (2003) comme un journal intime. L’artiste lui-même considère que ce dernier-né ferme une trilogie. Et musicalement, Nando Reis reste en parfaite harmonie avec son univers : une musique rock folk adulte où prédominent les guitares acoustiques et électriques. Une évolution cependant : Nando Reis a atteint une grande maturité vocale. Il n’a jamais aussi bien chanté de sa vie ! D’interprète occasionnel avec Titãs (groupe dans lequel il officia de 1982 à 2002), il devient un chanteur de rock enragé -un des meilleurs dans ce domaine !- tandis qu’il gagne encore en sensibilité sur les ballades comme le single classique Ainda não passou. Tous les titres de « Drês » ne sont pas inoubliables, mais chacun y puisera selon sa propre sensibilité.
Hi, Dri !, Drês et l’excellent Mosaico abstrato sont des brulôts rocks du meilleur cru. On y retrouve toute l’énergie que le compositeur extériorise sur scène avec son groupe Os Infernais.

Autre beau moment de l’album, Livre como um deus, un titre pop sérieux qui termine dans une sorte d’apocalypse, et Pra você guardei o amor, un duo harmonieux avec Ana Canãs qui prouve que la jeune chanteuse de São Paulo possède un timbre plus qu’intéressant quand elle veut bien ne pas s’aventurer dans des improvisations incontrôlées (ce qu’elle ne peut cependant pas s’empêcher de faire à la fin de la chanson !). Le reste de l’album visite des titres plus faciles parfois proche du post-hippy (les relents Beatles évidents de Conta), mais l’ensemble n’en reste pas moins attachant, et -ce qui ne trompe pas- sonne extrêmement sincère



Escutando hoje : Nando Reis*

Meu périplo pelas terras portuguesas finalmente terminou, e eu posso agora afirmar com convicção : nada melhor do que encarar alguns kilômetros de estradas e auto-estradas para a gente se concentrar na música.
Entre os discos que eu tinha comigo : « Drês », o último de Nando Reis, que foi lançado há algumas semanas no Brasil.
Com o tempo, de talentoso compositor de « hits », Nando transformou-se num verdaderio « autor » de álbuns. E junto com Frejat, ele é, sem discussão, o melhor representante de um rock românico contendo uma forte conotação biográfica.
Desde seu álbum « A Letra A » (2003), o barbudo ruivo não chegou mais que raramente a reiterar a potência de numerosos clássicos que ele havia escrito para Cássia Eller (O Segundo sol, All star, Relicário…), mas também grandes composições feitas em parceria com Marisa Monte (E.C.T., Ainda lembro), Samuel Rosa (Resposta), ou para o Cidade Negra (Onde você mora) ou o Jota Quest (Do deu lado).
Mas em compensação, seus álbuns adquiriram densidade. Para ele, a criação não reside mais em compor alguns títulos infalíveis, mas sim em conceber um álbum inteiro, monolítico, que reflete uma fatia de (sua) vida. Dessa forma, « Drês » sucede então a « Sim e não » (2006) e a « A Letra A » (2003) como um diário íntimo. Assim, o próprio artista considera que esse último disco fecha uma trilogia. E musicalmente, Nando Reis continua em perfeita harmonia com seu universo : uma música rock « folk » adulta na qual predominam os violões acústicos e elétricos. Contudo, uma evolução marcante : Nando Reis atingiu uma grande maturidade vocal. Ele jamais cantou tão bem em toda a sua carreira! De intérprete ocasional junto com os Titãs (grupo do qual ele foi integrante de 1982 à 2002), Nando torna-se um cantor de rock furioso - um dos melhores nesse campo ! - enquanto que ganha ainda em sensibilidade nas suas baladas como o « single » Ainda não passou. Nem todos os títulos de « Drês » são exatamente inesquecíveis, mas cabe a cada um que escuta lançar mão de sua própria sensibilidade. Hi, Dri !, Drês, e o excelente Mosaico abstrato, são desses rocks pulsantes apimentados com o melhor dos temperos. É possível aí encontrar toda a energia que o compositor exterioriza em cena com seu grupo : Os Infernais.
Outro bom momento do disco, Livre como um deus, é uma música pop séria, que termina num tipo de apocalipse ; e Pra você guardei o amor, um duo harmonioso com Ana Canãs que comprova que a jovem cantora de São Paulo possui um timbre mais do que interessante quando decide deixar de se aventurar por improvisações incontroláveis (o que ela, no entanto, não se furta a fazer no final da canção !). O restante do álbum visita títulos mais fáceis, algo por vezes próximo ao pós-hippie (traços evidentes dos Beatles, em Conta), mas o conjunto da obra não fica por isso menos coeso ; e – o que não dá margem a dúvidas – soa extremamente sincero.

dimanche 2 août 2009

En écoute aujourd’hui : Zélia Duncan*.


(texto português em baixo)


Déjà considéré comme un des albums de cette année,
« Pelo sabor do gesto » possède les atouts nécessaires pour séduire tant le public traditionnel de Zélia Duncan que ceux qui cherchent à être surpris par la chanteuse. Et pour ces derniers, les premières plages de l’album apportent un ton nouveau, une musique pop acidulée et élégante, qui porte la marque du génial alchimiste du son moderne du Minas Geraes, John Ulhoa (Pato Fu, Fernanda Takai, Erika Machado..) - ici à la production avec Beto Villares.
En résultent les pétillants Boas razões (Alex Beaupain) en duo avec Fernanda Takai, Todos os verbos (Marcelo Jeneci/ Zélia Duncan) ou le tube très évident, Tudo sobre você (John Ulhoa/ Zélia Duncan).
Plus loin dans l’album, Zélia embraye vers une pop plus sérieuse et plus proche de ses débuts comme avec Ambição (Rita Lee) dont le refrain rappelle furieusement celui de Là vou eu (aussi de Rita Lee), un des premiers succès de la chanteuse en 1994. Dans la même veine, la très belle plage titulaire, Pelo sabor do gesto , version portugaise de As-tu déjà aimé, toujours d’Alex Beaupain, ou encore Aberto et Nem tudo (les deux de Edu Tedeschi et Zélia Duncan) qui rappellent aussi les premières heures musicales de l’artiste.
Mais comme depuis son album « Intimidade » (1996), Zélia ne cache pas ses affinités avec les compositeurs cérébraux de São Paulo comme Itamar Assumpção (1949-2003) avec le très caractéristique Duas namoradas (Itamar/ Alice Ruiz), ou encore Dante Ozzetti avec le léger et pertinent Se eu fosse (Dante/ Zélia).
Mettons encore en évidence la bonne reprise d’Os Dentes brancos do mundo -composition peu connue de Marcos Valle et P.S.Valle- et puis surtout Esporte fino confortável (Chico César/ Zélia Duncan), délicieuse plage en duo avec Chico César, plus proche du funk paulista que de l’univers du compositeur du Céara (état du Nordeste)
Au final, Zélia Duncan n’aura fait abstraction que de son inclinaison vers le monde de la samba, de plus en plus forte depuis son album « Eu me transformo em outras » de 2004.
« Pelo sabor do gesto » propose donc 14 titres au long desquelles on ne s’ennuie pas; et il se poserait comme un album presque sans faute, s’il n’y avait Telhados de Paris (Nei Lisboa) et Sinto encanto (Moska/ Zélia Duncan), titres qui ne sont pas vraiment à la hauteur du reste du répertoire.
Zélia Duncan reste donc une artiste incontournable de la scène MPB, trop méconnue en Europe, et sa production depuis les années 2000 reste de haute volée pour notre plus grand plaisir.

*À propos de Z.D : Zélia Duncan fait partie de cette talentueuse vague féminine de compositeurs-interprètes issue des années 90.
On a coutume de citer d’abord Marisa Monte, qui fut suivie par Adriana Calcanhotto, Zélia Duncan, Ana Carolina un peu plus tard, sans oublier Cássia Eller, cette dernière uniquement interprète. Ceci pour les principales…
Zélia se distingue par une voix incomparable dans les tessitures basses, chaude et suave, qui la range proche d’une Simone.
Son premier album « Zélia Duncan » en 1994 (il y avait bien eu un en 1990 sous le nom de Zélia Cristina) nous propose une musique pop/ folk qui s’enrichira peu à peu au contact des compositeurs de l’avant garde de São Paulo des années 80, et principalement d’Itamar Assupção (1949-2003). Comme d’autres compositeurs du monde pop (Moska, Fernanda Abreu), elle se laissera séduire par les sirènes de la samba et du chorinho à l’aube des années 2000. En résultera le magnifique « Eu me transformo em outras » en 2004. Elle compose régulièrement avec les sambistas féminines Mart’nália ou Ana Costa et participe à de nombreux projets comme le Samba Social Clube. Ce dernier album, « Pelo sabor do gesto » la ramène donc vers son univers pop dont elle est issue…
En attendant un clip officiel, Tudo sobre você en acoustique dans le programme Mais Você...



Escutando hoje : Zélia Duncan.

Sendo já considerado um dos melhores álbuns desse ano, « Pelo sabor do gesto » possui os trunfos necessários para seduzir tanto o público tradicional de Zélia Duncan quanto aqueles que esperam ser surpreendidos pela cantora. E para esses últimos, as primeiras faixas do álbum trazem uma tonalidade nova, uma música pop elegante acidulada que traz a marca do genial alquimista do som moderno de Minas Gerais : John Ulhoa (Pato Fu, Fernanda Takai, Erika Machado...) – presente aqui na produção, junto com Beto Villares.
O resultado são os bons Boas razões (Alex Beaupain) em dueto com a Fernanda Takai, Todos os verbos (Marcelo Jeneci/ Zélia Duncan) e o sucesso evidente Tudo sobre você (John Ulhoa/ Zélia Duncan).
Mais ao longo do álbum, Zélia engrena um pop mais sério e mais próximo de seu início de carreira, como Ambição (Rita Lee), cujo refrão faz lembrar aquele de Lá vou eu (também de Rita Lee), um dos primeiros sucessos da cantora, em 1994. Dentro desse mesmo filão, a belíssima faixa título Pelo sabor do gesto, versão em português de As-tu déjà aimé, também de Alex Beaupain, ou ainda Aberto e Nem tudo (as duas de Edu Tedeschi e Zélia Duncan), que fazem lembrar também os primórdios musicais da cantora de Niterói.
Mas, como desde seu disco « Intimidade » (1996), Zélia não deixa de mostrar sua afinidade com os compositores mais intelectuais de São Paulo, como Itamar Assumpção (1949-2003), com a característicamente cadenciada Duas namoradas (Itamar/ Alice Ruiz), ou ainda Dante Ozzetti, com a leve e pertinente Se eu fosse (Dante/ Zélia).
Coloquemos ainda em evidência a boa reedição da pouca conhecida Os dentes brancos do mundo do Marcos Valle e P.S.Valle e, além dessa, especialmente Esporte fino confortável (Chico César/ Zélia Duncan), deliciosa faixa em dueto com Chico César, mais perto do funk paulista do que do universo do compositor do Ceará.
Enfim, Zélia Duncan não se furta à sua inclinação pelo mundo do samba, cada vez mais forte principalmente depois de seu álbum « Eu me transformo em outras », de 2004.
« Pelo sabor do gesto » oferece então 14 títulos ao longo dos quais não se torna enfadonho, e se apresenta como um álbum quase sem falhas, se dele não constassem Telhados de Paris (Nei Lisboa), Sinto encanto (Moska/ Zélia Duncan), músicas que não me parecem à altura do resto do repertório.
Zélia Duncan permanece uma artista indispensável à cena da MPB, e sua produção -principalmente desde os anos 2000- continua mantendo um padrão muito alto, para o nosso maior prazer.


(P.S : em francês, coloquei umas frases para explicar melhor – e situar- a personalidade e a música da Zélia na cena da MPB moderna. Na verdade, a sua arte –tanto como seus discos- são poucos conhecidos e distribuidos na Europa. Daí a impotância do programa de rádio Tropicália (auto-propaganda !).

samedi 1 août 2009









TROPICALIA 28 (Bloco 1)- Classic's Samba e Bossa

-BETH CARVALHO : « Meu samba diz » (Sombra/ Sombrinha/ Adilson Vitor) -1989-
-LUIZ MELODIA & ELZA SOARES : « Fadas » (Luiz Melodia) -2002-
-PAULINHO DA VIOLA : « Coração leviano/ Argumento » ao vico (Paulinho da Viola) -1997-
-MARIA BETHÂNIA, GILBERTO GIL, CAETANO VELOSO : « Alguém me avisou » (Dona Ivonne Lara) -1980-
-FAROFA CARIOCA : « São Gonça » (Seu Jorge) -1997-
-MARIA RITA : « Cara valente » (Marcelo Camelo) -2003-
-ROSA PASSOS & IVAN LINS : « Abajur lila » (Rosa Passos/ Ivan Lins/ Fernando de Oliveira) -1996-
-JOÃO GILBERTO & MIÚCHA : « Izaura » (Herivelto Martins) -1973-
-VINICIUS & TOQUINHO : « Samba da volta » (Vinicius de Moraes/ Toquinho) -1973-
-SERGIO MENDES & BRAZIL 66 : « Like a lover » (Dori Caymmi/ N.Motta/ M.Bergman/ A.Bergman) -1968-
-CHICO BUARQUE : « Cantando no torro » (Chico Buarque) -1988-
-GILBERTO GIL : « Pop wu wei » (Gilberto Gil) -1997-
-CLARA NUNES : « Ijexá » (Edil Pacheco) -1983-

CE BLOG EST DÉDIÉ AUX CURIEUX QUI AIMERAIENT CONNAÎTRE L'ART ET LA MUSIQUE POPULAIRE BRÉSILIENNE. UNE OCCASION POUR LES FRANCOPHONES DE DÉCOUVRIR UN MONDE INCONNU OU IL EST DE MISE DE LAISSER SES PRÉJUGES AU VESTIAIRE.